Meus cadernos

Toda vez que eu entro em uma papelaria, sou movida pelo desejo instantâneo de comprar cadernos e canetinhas. Quando vou a um evento, fico super feliz quando recebo blocos de papel. É mais espaço para escrever o que eu quiser, para notas de estudo, tanta coisa!

O problema é que eu quase nunca concluía o preenchimento dos caderninhos, cadernos, cadernões. Então tenho até um monte de cadernos que começaram com esboços de escrita criativa, com listas de vocabulário, letras traduzidas ou diários de bordo; e terminaram com várias páginas em branco. Andei pensando em uma forma de dar serventia para todos eles de uma vez. Juntá-los num encadernado só? Não ia dar certo, muitas folhas de tamanhos diferentes.

Aí eu conheci as morning pages, exercício no qual todos os dias pela manhã escrevem-se três páginas em fluxo de consciência. Conheci esse exercício em alguns blogs, como o Desancorando; e também um texto da Tati Lopatiuk, além de ter começado a ler o livro O Caminho do Artista, onde as morning pages são propostas (ainda não terminei de ler). Eu já tinha retomado a escrita de diário de papel há algum tempo, na primeira pausa da terapia, mas não era algo que fizesse com muita consistência. Quando comecei com as páginas matinais, foi também uma retomada do hábito dos diários. E assim rapidinho acabei o meu segundo diário, entrando no terceiro, que foi justamente um caderno que antes seria usado como espaço para escrever os capítulos de um romance no qual trabalho há muitos anos, e que tem várias versões. Obviamente não terminei. Esse caderno foi totalmente preenchido só essa semana. E assim encontrei por fim uma serventia para todos os meus cadernos parados: vai tudo virar diário!

Com a proximidade da viagem, possivelmente escreverei mais de três páginas. Vou escolher um modelo que caiba bem na mochila que vai me acompanhar nos passeios e vamos caminhar juntos.

Percebi que para mim não é nada interessante manter cadernos diferentes para interesses diferentes. Isso funcionava bem na escola, mas agora não mais. As ideias vem e vão de forma acelerada e não dá para ficar procurando o caderno de escrita criativa porque esse é o meu caderno de vocabulário e não posso colocar uma ideia lá, que o propósito dele não é esse. Uma organização que ajude a não se perder nas páginas já resolve muita coisa.

Assim, pode ser que finalmente eu consiga ficar sem cadernos inacabados pelas gavetas. Se for o seu caso, vale a pena tentar fazer esses cadernos inacabados de diário para as páginas matinais. Realmente ajuda muito a tirar as coisas da cabeça e começar o dia mais leve. No meu caso, às vezes estou mais lenta e o fluxo de consciência não está tão no fluxo assim…

(Ah, ainda não reli as minhas páginas, mas já reli alguns textos de diários dos dois últimos anos e vi umas coisas bem engraçadas… e outras que eu precisava mesmo lembrar.)

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Meus livros em versão impressa

Até ano passado, coloquei na Amazon meus e-books (com exceção de Helênicas, que está passando por uma revisão, levando uns cortes e ganhou uma capa nova, simples mas bonita), mas resolvi disponibilizá-los também na versão capa comum, uma vez que nem todo mundo lê em tela.

O processo de criação do livro em brochura na KDP é bem simples e rápido. O que me deixou em dificuldades de verdade foi a parte da capa, porque eu queria fazer o upload da mesma imagem de capa dos e-books (com exceção do Saída de Emergência, todos foram feitos no Canva) e achei que precisasse fazer alguma edição extra, incluir contra capa, essas coisas. Enfim, resisti uma boa meia hora até resolver usar o criador de capas do próprio KDP, que resolveu todos os problemas.

Antes de seguir adiante, é solicitado que o autor visualize e aprove o aspecto do arquivo, bem como é possível pedir um boneco do livro impresso, a preço de custo (em dólar). Eu ainda não tenho meus bonecos em mãos, mas aprovei o visual dos dois livros como ficou disposto na tela e aqui estão eles!

Para acessar a página de venda dos livros, é só clicar nas imagens. Lembrando que o e-book sempre está disponível! 😉

Sábado no São Luiz (Bônus: voltinha no Marco Zero)

Esse fim de semana resolvi fazer algo de diferente e chamei uma amiga para ir tomar um café, dar umas voltas. A sugestão dela foi que a gente fosse ao Cinema São Luiz, e eu topei, afinal só tinha ido àquele cinema quando estava nas filmagens do curta de conclusão do curso de cinema. É fazia um bom tempo que eu não pisava em um cinema, nem de shopping, nem de rua. Foi uma quebra de rotina, então.

O filme a que assistimos foi Os Incontestáveis, produção nacional com locação no estado do Espírito Santo e parte de Minas. É um road movie (belas imagens das estradas, o que foi bastante familiar pra mim, que viajo bastante de carro com a família), com umas viagens muito loucas regadas a conhaque e, depois, cachaça. A sinopse que li no jornal dizia resumidamente que o filme era sobre irmãos que empreendiam uma busca por um Maverick, que havia pertencido ao pai deles, e era o automóvel de desejo da dupla. O terço final do longa eu achei viajado num grau que estou pensando nele até agora. Sério. Acho que a ideia dos roteiristas era deixar a pessoa pensando mesmo.

Do elenco, eu só conhecia Tonico Pereira, que interpreta o fazendeiro que está de posse do Maverick. A trilha sonora eu achei muito boa: tem temas que botam a pessoa no clima de estrada, e também uns bregas antigões, que hoje teriam espaço somente em programas que passam de manhã cedo em rádios populares (tipo o programa do Abidoral, aqui na minha cidade, por exemplo) e em jukebox de bar e casa da luz vermelha (como é o caso do filme).

Na saída do cinema, dei 3/5 estrelas. Agora, pensando com mais frieza, dou 3,5/5.

Segunda parte do passeio: procurar um lugar para comer. Eu estava com o Café Duque na cabeça, porque era um lugar onde eu sempre ia comprar biscoitinhos e salgadinhos quando fazia o curso de cinema. Isso lá no ano da graça de 2012. Não encontrei o café e àquela hora, devia até estar fechado mesmo.

Andando, cruzando pontes e as ruas fétidas do Recife, chegamos a outro lugar que eu não visitava há mais tempo ainda: Recife Antigo e o Marco Zero.

É sério: a última vez que dei uma andada nessa área foi em… ih, nem lembro. A primeira vez foi em 2004, disso eu lembro. Até parece que sou meio criada em cativeiro, diga aí! Mas estamos mudando isso.

Quando vi as pessoas andando de patins ali, pensei logo: quero um par pra mim! Está na lista de compras futuras.

As fotos estão ruinzinhas porque foram feitas com o celular highlander –aquele que caiu na privada em Potsdam, lembram? Apois o bichinho sobreviveu, faz telefonema e ainda fotografa. 😂😂😂 Mas, naturalmente, não é mais o mesmo. Está meio lentinho…

Ah, sim, o café! Encontramos os Armazéns do Porto logo ali pertinho, mas ó, lotado! No São Braz, por exemplo, todas as mesas cheias. Acabamos ficando no São Braz do Paço Alfândega, onde havia mais espaço. Movimento tranquilo, além de mim e da minha amiga havia uma moça sozinha e duas senhorinhas elegantes que chegaram depois. Eu pedi um chocolate quente e um quiche de ricota e espinafre. O atendimento foi na média, embora eu ache que poderia ter uns 15 centavos mais de simpatia.

Fiz meu lanche batendo papo com a amiga, falando da vida e dos adolescentes que passavam por nós, indo talvez para alguma festa em algum canto do Antigo.

Da próxima vez que for sair assim, vou levar a câmera fotográfica velhinha e fazer umas imagens melhores, sem risco de perdê-las por um bug do telefone. E preciso, de fato, fazê-lo; primeiro porque ficar muito tempo focada em estudos/trabalho e saindo pouco de casa para me divertir faz muito mal para a saúde. E é bom ter aquele olhar de turista para o que está mais perto de mim, não esperar por uma viagem de férias para fazer isso.

(A propósito, viagem de férias vem aí. #prayforevinha)

Bendito timer!

Quando comecei a fazer o exercício da Palavra do Dia, uma ferramenta importante era o timer do celular, que eu regulava para 10 minutos. Nesse espaço de tempo, eu botava pra escrever como se não houvesse amanhã. Agora estou usando o temporizador para outros propósitos:

1. Meditação: larguei os apps, mas senti necessidade de ter algo que marcasse meu tempo de meditação não guiada; e foi aí que o timer entrou em cena! Antes de ligar o Wi-Fi do telefone (desligo cerca de meia hora antes de dormir), tiro o aparelho do silencioso e abro o timer. Rola susto quando acaba o tempo? Sim, mas é questão de costume. E de toda forma, devia ter algo para me despertar, né? Felizmente, encontrei um som de alerta menos escandaloso pra esse timer.

2. Estudar: estava desenvolvendo um projeto de pesquisa e para manter o foco nisso, resolvi usar também esse recurso para marcar o tempo em que foco somente nos materiais de estudo. O que no final, acaba sendo de trabalho também, já que tem tudo a ver com sala de aula.

Essa semana dei uma fuleirada e estou só estudando idiomas, mas me dou o desconto porque estou às vésperas de uma prova e o que tinha para estudar, já estudei. Agora é relaxar e lembrar de tudo o que for importante na hora de fazer o teste mesmo.

3. Escrita criativa: a proposta de retomar os textos abandonados tem surtido bom efeito, e boa parte desse meu sucesso se deve a ter delimitado tempo para escrever todos os dias (exceto sábados e domingos)

Já faz quase três semanas que comecei e continuo não só animada, como também focada nas tarefas que me propus. Isso tem feito diferença no meu humor, no ânimo para fazer as coisas. E quem não usa o timer ainda para gerenciar seu tempo, já sabe: deveria.

Retomando projetos parados – Mas por onde começar?

Os últimos dois dias foram complicados. Tive a impressão de que estava entrando em um buraco de inércia. Mesmo tendo planos e dando seguimento a eles, me senti travada, perdida, com aquela sensação de estar ainda ou novamente no lugar errado.

Foi aí que, enquanto estava deitada, com as lágrimas escorrendo e pensando em problemas que ainda não aconteceram (e talvez nem aconteçam) e me martirizando por uma má sorte que não sei se tenho (espero que não, né?), ouvi uma vozinha me mandando levantar da cama e não me render àquela negatividade toda. Obedeci.

No fim do dia, eu estava com a energia lá em cima. Olhando em volta, está tudo em ordem: voltei a estudar, estou com planos em andamento para voltar à Universidade ano que vem, com a saúde entrando nos eixos novamente, com possibilidades de viajar e… um bocado de projetos literários paradinhos. Um total de 16 textos iniciados e abandonados – e se sacudir, tenho certeza que caem mais uns três da sacola. Isso segue me incomodando, e não gostaria de seguir em frente com essas ideias abandonadas.

Eu me inspiro muito facilmente. Não dizem que pra alguns escritores “a musa” precisa chegar para que eles comecem a trabalhar? Bem, pra mim a musa sempre chega, senta num banquinho e fica olhando pra minha cara, esperando que eu comece a trabalhar. E quando eu dou as costas, para dar atenção a outra coisa, ela me cutuca, pra eu olhar pra trás e continuar o trabalho inacabado.

Aí ontem à noite tive uma ideia: já que deu certo em abril a ideia de delimitar um período de tempo para concluir o projeto, vou fazer isso de novo, mais 16 vezes. Já sabendo como eu sou, e que qualquer coisa tem o poder de me chamar a atenção e distrair, fiz um sorteio para definir a ordem de trabalho. Comecei hoje a trabalhar num manuscrito abandonado em 2015 e a data marcada para terminar é 25 de agosto. Depois disso é viagem de férias e alegria.

Focar num texto só também é uma forma de conter minha ansiedade relacionada justamente à viagem e outras questões de cunho pessoal. Vai ser legal. Estou remontando a trilha sonora dela (tinha feito na minha antiga conta Spotify), reli o resumo (e achei uns personagens que já vão ser gongados da versão final, por falta de funcionalidade), já escrevi umas cenas, e como gosto de escrever diálogos! 😍

Isso quer dizer que em até três anos, terei zerado a minha fila de projetos inacabados. E com uma solução de start bem simples: estabelecer uma ordem via sorteio. Puxa, eu podia ter feito isso antes!

Mas às vezes é melhor assim. Metade desses textos tiveram origem quando eu ainda era muito menina, estava na adolescência ou saindo dela. Revisitar essas ideias agora que estou (um pouco) mais madura certamente resultará em um material melhor.

Ouvindo: Edu, Dori e Marcos

O lançamento desse álbum, uma parceria entre Edu Lobo, Dori Caymmi e Marcos Valle me pegou de surpresa. Só fiquei sabendo graças a uma matéria (Acho que foi do Estadão) comentando sobre o álbum e chamando a atenção para o fato de que, apesar de ser gravada em parceria, nenhum dos três artistas canta junto em nenhuma faixa.

O que acontece aqui é um passeio pelos highlights da carreira dos três. Edu interpreta canções de Dori e de Marcos; Dori interpreta Marcos e Edu; Marcos interpreta Edu e Dori. Cada um dando seu tom às músicas dos companheiros. Algumas releituras me chamaram especial atenção: as interpretações de Marcos Valle para Alegre Menina e Corrida de Jangada (essa última, então, confesso que quase caí da cadeira de tão encantada).

Dos três, Marcos Valle é o que menos conheço conhecia, mas isso está mudando já! Outro destaque pra mim é Bloco do eu sozinho (também gravado pela Joyce Moreno), que eu nem sabia que era do Marcos Valle. 😅 Bem, descobri!

E, fechando a lista das minhas favoritas, fica Viola enluarada, interpretada por Edu Lobo.

Para quem quiser ouvir mais, já sabe: corre no Spotify que é sucesso! Deixo também este link do vídeo release do canal da Biscoito Fino.

Ouvindo: 50, de Joyce Moreno

Passei os últimos dias meio esquecida desse blog, confesso. E meio esquecida de escrever, abusada de Internet, mas estamos meio que “fazendo as pazes”. Antes da internação para a cirurgia de vesícula, da qual estou atualmente me recuperando (tema para outro post, aguardem), eu estava louca para escrever sobre esse lançamento recente da Joyce Moreno, o álbum 50.

Em 1968, Joyce lançou seu álbum de estreia, apenas com seu nome e jóias na tracklist, como a espirituosa Não muda, não, que é basicamente a história de uma mulher que não vive um relacionamento “padrão” (a.k.a casamento) com um cara e está de boas (“se eu quisesse arranjar um marido eu não tinha escolhido de te adorar/ia ser mais castigo que prêmio um homem boêmio pra sustentar”); e a injustiçada Me disseram, que rendeu vaias à sua compositora ao ser defendida pela própria no Festival da Canção. Pois, 50 anos depois, Joyce Moreno lança uma regravação desse álbum de estreia e não sei vocês, mas o meu coração foi arrebatado de cara.

Além das músicas já citadas no começo do texto, outras duas se destacam, no sentido de que me arrancaram lágrimas mesmo. Não foi TPM: eu realmente não consigo ouvir Superego sem ficar no mínimo com os olhos cheios d’água (fato comprovado pelo menos uma dúzia de vezes nos últimos dias); e Ave Maria, com participação especial do Grupo Vocal Equale, também é difícil de sair da mente.

Curiosidade: Superego é uma das minhas músicas favoritas de Joyce, e também foi o título provisório de um roteiro de curta jamais filmado (hoje chamo esse texto de “Um rasgo na garganta”). Na verdade a história do curta que foi sem nunca ter sido nem tem relação com a música… Enfim, foi uma lembrança.

Lembram que falei do A velha maluca? Pois então, o single que havia sido lançado um mês antes é a faixa de encerramento do 50, que também tem mais uma faixa inédita: Com o tempo, faixa com a participação da Zélia Duncan. Ambas as faixas estão em consonância com o propósito de fazer a gente pensar na passagem do tempo e a chegada da maturidade com serenidade e humor. Cinquenta anos separam as duas gravações, mas uma coisa é muito certa: como os melhores vinhos, Joyce só tem ficado mais maravilhosa com o tempo.

P.S. Em Agosto ela estará se apresentando em Recife junto com Dori Caymmi. Será que dessa vez consigo vê-la ao vivo? #natorcida