Enfim organizada?

Primeiro, aquela coisa de fazer o bullet journal no Evernote foi pro beleléu logo que meu celular deu piripaque. Deu tempo só de registrar os dias da menstruação daquele mês (Setembro já faz tanto tempo, né?).

Agora ando pensando em retomar os meios analógicos para organização. Embora ainda use o Google Calendar para registrar compromissos, tem coisas que estou querendo literalmente pôr no papel… E haja papel em branco! Tem agendas com folhas em branco, cadernos idem. Então comecei a fazer um planejamento semanal. 98% de eficácia, já que furei dois compromissos: um que tinha firmado comigo mesma e fiquei sem paciência de fazer no dia; o outro era com uma colega de trabalho e… esqueci porque não li o bloco de notas na véspera. O problema de usar só papel é que às vezes a gente esquece de botar uns lembretes visíveis dos compromissos. Mas como esse não era um caso de vida ou morte, então tudo bem!

Então, por enquanto, estamos assim:

  • Google Calendar para compromissos grandes, como festas para as quais fui convidada e confirmei presença, eventos de trabalho, viagens.
  • Bloco de notas na bolsa para planejamento semanal, lista de compras, ações que precisam ser feitas no dia.
  • Planner colado na porta do quarto para servir de lembrete e sanar esse problema de esquecimento de compromissos de menor porte e/ou recorrentes, que não estão no calendário eletrônico (isso ainda vou fazer, agora em Dezembro).
  • Evernote para coletar referências para projetos criativos. Junto com o Pinterest, está sendo uma grande ajuda para manter o hábito de pesquisar sobre tudo o que vou escrever. Também uso o Evernote para registrar planejamento financeiro e de viagens.

Com essas ferramentas, acho que agora vai!

Recentemente, terminei de ler o livro do David Allen, A arte de fazer acontecer, onde ele apresenta e orienta a gente a usar o método GTD de organização. Para aplicar esse método direito, ainda tenho muito o que aprender, mas já coloquei algumas coisas em prática, como o uso da caixa de entrada (a minha mesa de trabalho tá uma lindeza agora!), a regra dos dois minutos e a minha nova pergunta favorita: “Qual é a próxima ação?”

Você já leu A arte de fazer acontecer? Caso ainda não tenha feito, é uma leitura que recomendo fortemente – e que inclusive, vou reler com mais calma em breve.

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Assisti: “Entre Irmãs”

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Fonte: IMDb.com

Soube da produção desse filme quando passou uma matéria no NE TV e meu pai me chamou para assistir. Na matéria, um pouco dos bastidores da gravação de um baile de carnaval dos anos de 1930; e o filme era chamado de A Costureira e o Cangaceiro. Tempos depois, o filme foi lançado e demorei um pouco para identificar que Entre Irmãs é o filme baseado no romance chamado A Costureira e o Cangaceiro, de Frances de Pontes Peebles. Enfim, resolvida a questão do título na minha cabeça…

Fiquei super feliz quando vi o cartaz do longa no Cinema Costa Dourada; e corri para assistir! O filme é estrelado por Marjorie Estiano (Emília) e Nanda Costa (Luzia). Duas irmãs que não podiam ser mais diferentes: enquanto Emília é romântica e sonha com um príncipe encantado; Luzia é um tanto bruta, também é destemida. No começo do filme, Luzia se acidenta caindo de uma árvore; o que a deixa com uma deficiência no braço esquerdo. Elas são órfãs, criadas pela tia Sofia (interpretada por Cyria Coentro) e em determinado momento ainda do primeiro terço do filme, Sofia diz uma frase que permeia todo o enredo, mesmo que não seja muito repetida: “tudo o que uma tem no mundo é a outra.”

Depois as vidas das irmãs mudam radicalmente: Emília consegue realizar o sonho de ir para Recife, viver uma vida de sonhos (e conhecer o mar!) graças ao seu príncipe encantado Degas (Rômulo Estrela) enquanto Luzia, em uma sequência dramática, segue o bando de cangaceiros do Carcará (Júlio Machado). Pelas notícias dos jornais, uma fica sabendo do paradeiro da outra, das transformações pelas quais vão passando.

Estar na cidade grande ou no meio do sertão é algo desafiador para ambas, que vão romper paradigmas e se afirmar de uma forma surpreendente (precisei copiar esse final da sinopse do panfleto do Costinha, hahaha).

Fiquei encantada com esse filme num grau que nem sei direito destacar o que gostei mais: o roteiro é primoroso e a fotografia… Senhor! Fez justiça aos imóveis antigos de Recife, que já são lindos vistos de perto. Do elenco, não tem ninguém que destoe, mas Nanda Costa me chamou a atenção de uma forma que não tinha feito na TV até então.

Quando saí do cinema, eu estava chorando. Na verdade as lágrimas me acompanharam no começo, no meio e no fim, com algumas pausas pelo meio, haha. Não fui muitas vezes ao cinema esse ano, mas as vezes que fui, valeram muito a pena! Assim que puder, vou ler A Costureira e o Cangaceiro, romance que originou Entre Irmãs. Recomendo muito o filme, quem não viu ainda, veja! 😉

Desafio criativo: Palavra do dia

Dia desses eu estava com vontade de pegar todos os rascunhos e começos de histórias que comecei e não terminei, e jogar tudo fora. Eu não estava conseguindo continuar, e isso estava me deixando mais ansiosa, triste e com a autoestima lá no chão…

Tenho tantas ideias, por que não consigo dar forma a elas?

A resposta veio como um tapa na cara: me falta foco. Começo a escrever, aí tenho outra iluminação e vou atrás dela, deixando um texto abandonado. Isso foi acumulando um monte de tralha na minha cabeça, e eu fico indo e voltando entre essas ideias, com a impressão de que estou sempre fazendo a mesma coisa.

Estou mesmo fazendo a mesma coisa sempre! Mas li um artigo no Stage 32 que me deu um estalo e é a base do meu desafio.

Pensando na criatividade como um músculo, que precisa ser exercitado todos os dias, a autora do artigo propõe esse exercício: a gente escolhe uma palavra ou o nome de um personagem da história em que estamos trabalhando e em um tempo determinado (7 minutos, por exemplo), vai fazendo associações no papel. Lá no site ela explica melhor… mas falando da minha versão: peguei uma caixinha (essa aí da foto do começo do post), coloquei vários papeizinhos com palavras variadas e nomes de personagens e todos os dias eu sorteio um papel, sobre o qual devo escrever durante 10 minutos. Vou fazendo associações sobre o que me vier à mente na hora; e como são 10 minutos, não dá tempo para ficar se distraindo com outra coisa.

Como escolhi as palavras? Primeiro fui escrevendo palavras que vinham à minha mente; mas depois resolvi pegar o dicionário e sortear as palavras. Os nomes próprios tirei de sites de nomes de bebês, daquela lista de nomes mais populares. Tem nomes que eu jamais pensei em colocar em personagens que eu criasse. É um jeitinho de sair, mesmo que um pouco, da zona de conforto. Criar uma nova galeria de histórias e personagens com começo, meio e fim vai (espero!) me ajudar a voltar para os textos inacabados com mais disposição, seja para concluir ou para deletar mesmo.

Hoje foi o segundo dia, já saíram dois personagens que, em breve, pretendo compartilhar com o resto do mundo. No primeiro dia, fiquei surpreendentemente satisfeita com o que saiu em pouco tempo: não só uma personagem, mas uma storyline completa! Fiquei tão encantada que fiquei até com um pouco de medo de não fazer algo que eu gostasse no segundo dia. Identifiquei isso como… apego. Eu simplesmente me apaguei à primeira personagem, que considerei bem sucedida a ponto de criar boards no Pinterest para ela; e fiquei com medo do que viria “lá na frente.”

Tantas coisas bonitas para ver, para viver

A história não acabou aqui

Por que se apegar tanto ao passado

(Que foi tão lindo)

Se há algo melhor logo ali?

(Versinhos feitos por mim, também ontem, sem relação com o desafio, mas bem que podia ter).

Bem, nem todos os dias serão super brilhantes. Mas o importante é continuar treinando, como um músculo mesmo.

Outra vantagem: fazendo esses exercícios de 10 minutos, consigo escrever de manhã, que é meu horário favorito. Vira parte do meu ritual matinal, olha que legal!

A ideia era fazer isso por um mês, mas perdi as contas de quantos papeizinhos tem na caixa, então vai até acabar, com possibilidade de prorrogação (Mas também não é pra fazer isso pra sempre, não quero ficar escrava de papelzinho sorteado pra criar, haha, e preciso criar um pouco mais de desapego a métodos e sentimentos.)

Meu lema

Ansiedade é, digamos assim, meu nome do meio. E eu tenho umas tendências pessimistas também. Começo coisas e desisto delas com uma facilidade enorme! Esse blog, por exemplo: por várias vezes pensei em apagá-lo, transformá-lo em outra coisa. E assim são vários outros projetos que compõem a minha vida. Sempre acho que vai dar errado comigo. Com os outros não: sou cheerleader dos meus amigos, faço o possível para vê-los prosperar e tudo. Mas quando o negócio é comigo…

“Ai, meu Deus, tá faltando tanta coisa!”

“Ele não vai me responder nunca!”

“Que vergonha…”

Entre outras coisas que ficam se repetindo na minha cabeça, incluindo reprises das cenas mais dramáticas possíveis, com diálogos me jogando no fundo do poço, batendo na ferida que mais demora para cicatrizar.

Estou falando tudo isso porque estou num trabalho interno (e solitário) para deixar de ser pessimista, para largar a autocomiseração e seguir em frente sem abandonar mais nenhum projeto pelo meio.

Hoje, durante uma sessão de meditação, me surgiu esse flash: “se eu não quero, eu não busco.” Quando abri os olhos, anotei essa frase no celular e no bloco de notas (tô abusando do manuscrito e aprimorando a letrinha, haha). E aí, beleza: não quero ser essa criatura que se consome por tudo. Mas o que eu quero mesmo? O que preciso buscar?

Nesse caso, buscar é cultivar. Como vou colher amor e leveza se tenho plantado desilusão e regado com lágrimas de desespero? (Eu não tenho realmente chorado muito ultimamente – só assistindo a Entre Irmãs, que vai ser assunto pra outro post – Mas vocês entendem, né?) Como vou transmitir paz se sou uma ansiosa que vive tentando disfarçar a ansiedade (ou seja, eu basicamente engulo meus sentimentos, ó que triste)?

Bem, essa é uma resposta que ainda estou procurando; então se você leu até aqui esperando a fórmula mágica, desculpa, não tenho. Mas se quiser se juntar à procura, estamos aí!

Um exercício que estou tentando colocar em prática é o da escuta. O fato de ser muito ansiosa me faz atropelar as falas dos outros muitas vezes em uma conversa. Isso pode parecer até normal para muita gente, mas em duas ocasiões recentes eu me incomodei com minha voz passando por cima da pessoa que completava um raciocínio. E comecei a exercitar a espera, o respeito ao turno do próximo, dar atenção ao que é dito. Antes de tomar qualquer atitude, preciso ouvir, não é? E ouvir o outro real, não o outro dos meus diálogos imaginários (que seria nada mais, nada menos que ouvir minhas próprias projeções, ou seja, me ouvir falar o tempo inteiro…).

Ouvindo conheço melhor o outro, e a mim mesma. E posso cultivar valores positivos que levarão ao que realmente importa

Se eu não quero ansiedade e essa pressão no peito e as dorezinhas no estômago e outros efeitos colaterais, não devo buscar o que me leva a esse sofrimento. É trabalhoso, mas vale a pena. Preciso anotar isso em vários lugares visíveis da casa e do trabalho. 🙂

Assisti: Frances Ha

Melhor coisa que pude fazer essa semana: usar minhas noites livres para assistir a um filme. É uma forma de relaxar um pouco das pressões e também ficar em dia com o que anda sendo feito de legal ultimamente – confesso, apesar de gostar de cinema, ando atrasadíssima com os filmes… 😦

Enfim, quando Frances Ha foi lançado, eu fiquei muito interessada em assistir e tal, mas por algum motivo muito esquisito nunca parei para ver. Até que fui pesquisar na Netflix e lá estava ele!

A sinopse do filme é, em linhas gerais, a trajetória de Frances (Greta Gerwig), uma jovem de 27 anos lutando para se firmar na carreira de bailarina em Nova York. Ela tem uma melhor amiga, Sophie, com quem mora e a relação delas parece mais que perfeita! Mas ao longo da 1h20 de longa metragem, muitas coisas acontecem, levando Frances a ir morar em outras casas, batalhar para ganhar dinheiro… No resuminho da Netflix diz que ela tem “mais entusiasmo que talento.” Honestamente, discordo: acho que Frances é talentosa e entusiasmada, mas não tem sorte.

Ela também é um pouco incômoda às vezes para algumas pessoas (pelo menos foi isso que percebi enquanto assistia e observava a relação dela com alguns personagens), volta e meia solta um “desculpa qualquer coisa”. Ela também é chamada de undateable (inamorável), basicamente por não estar namorando ninguém e ter uns hábitos de gente solitária. Ela parece mais velha do que realmente é? Talvez…

Frances é uma personagem que provoca identificação na gente. Em várias cenas, me peguei dizendo pra mim mesma “cara, isso é muito algo que eu faria”, sabe? Os sofrimentos dela, por não conseguir se estabelecer em algum espaço onde possa se realizar, e até as mentirinhas para parecer que está tudo um sucesso, quem nunca? Ela é muito alguém que a gente pode encontrar em qualquer lugar – inclusive na gente mesma, e isso é massa.

Pensando demais

Tenho a tendência de ficar obcecada com algumas coisas, de tempos em tempos. O alvo da obsessão, naturalmente, varia: situações e pessoas que eu deveria esquecer, coisas que falei ou disse (ou que não falei, ou não disse)… Dessa vez estou enganchada nos meus erros de alemão.

Desde que voltei  de Berlim, estou focadíssima em continuar estudando Alemão, já que pretendo voltar e fazer um mestrado. O problema é que ultimamente ando com muito medo de ser mal compreendida pelos meus erros de declinação. Antes eu só me preocupava com os gêneros dos substantivos, mas não era algo que me deixasse tão preocupada. Agora, depois de fazer uma lição sobre o dativo, eu penso em algo que escrevi ou disse errado e fico “ai, meu Deus! Vão me achar burra ou não vão entender o que eu quis dizer…”

Belchior; Cantor

Aí eu fico pensando em querer me explicar, quando o negócio já passou e nem tem mais graça. E fico dando importância demais a coisas que não deveriam ser tão grandes. Errei, errei. Mas ninguém vai morrer porque errei no dativo, né? Devo levar um puxão de orelha. Da próxima vez eu presto mais atenção. O que preciso melhorar é, além do uso dos casos, a minha obsessão com coisa que não precisa de tanta atenção. Pessoas que há muito saíram da minha convivência (graças a Deus), histórias do passado, nada disso deve perturbar mais ou ocupar espaços da minha memória que serão melhor utilizados arquivando conhecimento útil. É difícil, mas a gente vai trabalhando a mente, né?

E eu medito diariamente quando acordo (melhor horário, é quando consigo aproveitar o silêncio!), estou finalmente aprendendo a fazer disso um hábito (o Headspace tem me ajudado e valido cada centavo), mas não é de um dia para o outro que a gente muda o mindset. Quem sabe, daqui uns tempos, fico menos obcecada com coisas pequenas.

A propósito: melhorei um bocadinho na arte de colocar o der, die e das nos lugares corretos. 🙂

A propósito 2: estou usando o aplicativo DW Deutsch Lernen, disponível para Android e iOS, e todos os dias faço uma ou duas lições.

A propósito 3: e já que mencionei aproveitar o silêncio…

Ouvi (e recomendo): “A página do relâmpago elétrico”

A gente tem uma tendência a achar que conhece muito bem a vida e obra de um artista pelas compilações que são lançadas sobre ele por aí. Acontece muito isso comigo, e é normal, e mais fácil ficar com o que toca nas rádios, a trilha sonora da novela etc. Mas muitas vezes, por ficar só na compilação, nas paradas de sucesso, a gente perde de encontrar muitos tesouros “escondidos”.

Aí ontem achei de ouvir “A Página do Relâmpago Elétrico”, álbum do Beto Guedes que foi lançado em 1977 – e cuja faixa título é uma das que mais gosto. Desse álbum saíram algumas das músicas que fazem parte das compilações que foram lançadas anos mais tarde – Maria Solidária, Lumiar, Nascente e a própria A Página do Relâmpago Elétrico – mas depois que ouvi o álbum inteiro, simplesmente acho que todo mundo devia fazer o mesmo. Das músicas que eu ainda não conhecia, duas me surpreenderam positivamente; justamente as duas instrumentais: “Chapéu de sol” e “Bandolim” (a segunda mais do que a primeira).

(Comentário inútil: quando olhei a capa pela primeira vez, pensei “mais um pouco e era Steven Tyler na adolescência.”)

Enfim, esse foi um bom achado do começo da semana, e recomendo fortemente para quem aprecia música brasileira. 😉