Vegetariana iniciante (ou: I ❤ Falafel)

Uma coisa que eu sempre dizia para mim e para os chegados é que eu era uma quase vegetariana, só não virava de fato porque existe, entre outras coisas, Hambúrguer e Currywurst – duas coisinhas às quais não resistia… Por não ser uma grande fã de carne, em especial da vermelha, eu ficava ali, numa espécie de limbo: dando preferência a pratos vegetarianos ou até veganos, se tivesse a oportunidade; mas comendo frango e peixe com uma certa frequência.

Mas agora, no começo de 2019, com o empurrãozinho de algumas pessoas queridas, resolvi fazer a passagem para o vegetarianismo de vez, por várias razões que vão desde a minha não inclinação natural para as carnes a questões com a cadeia de produção frigorífica. E felizmente, minha família tem ajudado, embora eles mesmos ainda consumam carne (não tanto quanto outras famílias, mas ainda assim). Tenho feito pesquisas de novos pratos, o feed no Pinterest está mudando…

Uma das primeiras receitas que salvei no Pin para fazer na primeira oportunidade foi a do falafel, esse bolinho à base de grão de bico. Como gosto muito de grão de bico (introduzido na minha rotina durante a reeducação alimentar), pensei “não tem como um negócio desses ser ruim!” Mas não consegui fazer o meu bolinho ainda… e a fila de receitas só aumenta.

Eis que hoje comprei meu almoço na Boali, depois de uma consulta no oftalmo antes de ir trabalhar, e resolvi fazer a prova: pedi wrap com falafel e sim! Não tem como um bolinho de grão de bico ser ruim! Por mim, comia todo dia.

Na verdade, essa minha empolgação não é só com um prato, mas com as novidades que me aparecem nesse começo de mudança de dieta. Ando com mais vontade de ir para a cozinha, embora nem sempre tenha tempo, sinto até uma ligeira melhora no humor. Daqui a uns tempos, posso fazer a transição para o veganismo, mas um passo de cada vez.

(Post sem fotos porque comi tudo antes de começar a escrever 😅)

Anúncios

Apresentando “Cafeína”: O Capítulo 1

Em Brasília, dezenove horas. Não estou ouvindo A Voz do Brasil agora, mas por muitos anos ouvi – meio que involuntariamente – e fiquei com essa frase na cabeça. Sempre lembro dela na hora de fechar o café. Agora que encerrei o expediente e tudo está limpo e arrumado para o dia seguinte, posso ir embora, mas sempre enrolo um pouco antes de voltar para casa, por vários motivos.

É quando finalmente me encontro sozinha que consigo registrar no meu diário as coisas que aconteceram no dia. Coisas e pessoas, pessoas que fazem coisas, que saem sem pagar, que falam bem do meu espresso. E também, eu me mudei recentemente para a casa do meu pai, ainda não tenho a chave de lá e não estou muito a fim de voltar para a casa da minha mãe, que vive com meu padrasto (a.k.a meu chefe). A gente – mamãe e eu – não se dá muito bem… Ela pode tentar me obrigar a colocar um megahair ou, na pior das hipóteses, uma camisa de força.

Enfim… “Querido diário…” A partir de amanhã não sou mais a única funcionária da San Remo Café.

Fernando estava por aqui antes que eu chegasse às 7:30 da manhã, acompanhado de uma moça com um baita cabelão, pesado, castanho escuro e liso. Parecia bem hidratado e que não via a tesoura há uns bons anos. Dava para ver os dois de perfil, da janela que dá para a rua – que estava fechada, mas não tinha cortina que a cobrisse naquele momento. Lá estavam eles conversando, ele fazendo algumas notas; e eu do lado de fora, só olhando. Fui para debaixo de uma sombra pequena, feita por uns arbustos dependurados no muro do lava jato ao lado, para enxergar melhor sem parecer que estava bisbilhotando.

Não fiquei muito no meu posto embaixo dos ramos da trepadeira. A menina se levantou para sair, apertou a mão do meu padrasto com as duas mãos, sorriu bem largo e sacudiu a cabeça como se dissesse “sim”. Tentei fazer leitura labial: não fui muito bem sucedida, mas acho que ela disse algo como “muito obrigada”. Quando ela ia saindo, me mexi também, para parecer que estava chegando naquela hora. Ela continuava sorrindo quando falou comigo, sem parar de andar:

– Bom dia!

– Bom dia.

Fernando, em vez de me cumprimentar, foi logo perguntando:

– Viu sua nova colega?

– Bom dia pra você também.

– Viu sua nova colega?

– A garota do cabelão? – perguntei por perguntar, já sabendo qual era a resposta.

– O nome dela é Letícia. Que tal?

– Sério que você tá me perguntando o que eu acho do nome da menina?

– Bobinha. Não tá feliz? Agora você tem com quem dividir as tarefas aqui.

Era verdade. Desde a morte da Rosana, a outra atendente, vítima de uma bala perdida no último tiroteio na avenida aqui perto (no meio de um assalto à farmácia), nunca mais ninguém tinha se interessado em preencher a vaga. Às vezes eu mesma pensava em sair e procurar outro trabalho que não me expusesse a potenciais atos de violência durante o expediente, mas não o fazia por três razões: primeiro, era cômodo trabalhar praticamente em família. Segundo, não andava nada fácil encontrar emprego na região – e se eu não achasse outra coisa pra fazer, ou acabasse em um emprego pior e mais perigoso? Terceiro, eu me sentia protegida pelo Alexandre, segurança do prédio (e ex-presidiário, detalhe que só eu e Fernando sabemos até então). Agora finalmente haveria outra garota na área para dividir o serviço, e provavelmente Fernando deixaria de comparecer diariamente no café. Não que isso fosse fazer alguma diferença: ele não me ajudava em nada a não ser em distrair os clientes com as conversas sobre política enquanto eu terminava os espressos e cappuccinos, e os distribuía de mesa em mesa.

Não fiz perguntas sobre Letícia, e tratei de organizar tudo porque o primeiro cliente logo chegaria. Era sempre ele: Doutor Renato Cabral, um dos clínicos gerais do hospital que fica logo em frente ao café. Depois do plantão noturno, ou antes de começar o expediente, ele sempre aparecia para pedir sempre a mesma coisa – um cappuccino regular numa xícara bem grande com bastante canela e um croissant de queijo bem quente. Além do pagamento regular, me deixava duas gorjetas: uma em dinheiro mesmo e a outra em um elogio que fazia meu dia logo cedo:

– Você que me ensinou a gostar de café, Mary Joy!

Eu morria de vontade de dar um beijo nele toda vez que me dizia isso; e morria de vergonha de pensar em beijá-lo. Mas bem queria que ele me olhasse com outros olhos de verdade, que me visse como uma mulher bonita, apesar de, segundo Heitor Machado (radialista e sempre o segundo cliente do dia, antes de entrar no ar), não parecer muito uma mulher. Ao entrar, antes de fazer o pedido, eis como ele me cumprimenta:

– Maria Joyce, um menino tão bom!

No começo eu detestava aquela brincadeirinha e tinha vontade de dar um belo fora para ele deixar de ser enxerido, mas sempre engoli as respostas malcriadas e depois, me acostumei. De vez em quando ele me dá uns pequenos mimos: um CD de alguma banda que estivesse fazendo sucesso (mesmo que eu não ouvisse), um kit de cosméticos (alguns itens eu achava bem úteis, outros eu distribuía entre as adolescentes da casa vizinha, que também se beneficiavam dos CDs). Nunca dedicou música para mim, pelo menos não que eu saiba, porque não escuto o programa dele direto, só quando tem alguma promoção valendo uma cesta de guloseimas oferecida pelo nosso café. Graças a Deus, nunca o ouvi me chamar de “menino bom” no ar.

Na manhã após a contratação de Letícia, quando cheguei para abrir o café, ela já estava lá, sentada no batente da porta, de cabeça baixa, semicoberta pelos cabelos que por pouco não tocavam o chão. Me aproximei devagar, temendo que ela se assustasse.

– Oi… Acorda.

– Não tô dormindo! – ela respondeu, levantando a cabeça e ajeitando a franja. O jeito como ela se ergueu me assustou um pouquinho, mas em um instante me recompus.

– Seja bem vinda!

– Obrigada! Meu nome é…

– Letícia, né? Fernando já me disse. Eu me chamo Maria Joyce.

Enquanto íamos entrando, fui dando algumas instruções rápidas sobre a rotina do café, como usar as máquinas, onde estava cada coisa, etc. Ela me seguia, tentava imitar, tudo com um sorriso no rosto. E enquanto eu falava, Doutor Renato chegou, pedindo “o de sempre”.

– Eu preparo e você serve. Presta atenção! – avisei a Letícia.

Mas ela não me atendeu. Muito pelo contrário, correu direto para conversar com o doutor, se apresentar com direito até a aperto de mão daquele, com as duas mãos para botar mais força. E o sorriso que não desgrudava da cara nem por um segundo que fosse. Meu rosto deve ter ficado vermelho igual ao meu cabelo de tanta raiva e ciúme (se ela o beijasse, eu ia explodir, ou chegar muito perto disso), mas me contive e foquei no que estava fazendo. Ela podia ter o sorriso e aquele cabelo enorme, castanho e reluzente, mas eu tinha a habilidade de fazer o cappuccino perfeito e esquentar o croissant na temperatura certa para ele. Doutor Renato e eu já tínhamos um vínculo inquebrável e só a morte (ou algo parecido, como ele ser obrigado a parar de consumir cafeína e glúten) poderia nos separar.

Segundo cliente fixo do dia eu já disse quem é. E Letícia aprontou de novo: quase me derruba uma xícara e quebrou um pires. Comentei baixinho no meu canto:

– Mal chegou e já vai dando prejuízo…

Ela recolheu os cacos rapidamente e me deixou ir atender.

– Qual é a de hoje, Heitor?

– Um latte no capricho. Pra comer, um sanduíche de atum.

Anotei tudo e voltei para o balcão onde preparávamos tudo quase às vistas do cliente, garantindo que cumpríamos adequadamente as normas de higiene. Mas antes que eu começasse a preparar o pedido de Heitor, Letícia segurou meu braço e pela primeira vez no dia todo, fechou o sorriso e me olhou com ar suplicante:

– Por favor, deixa eu fazer esse café!

Contei mentalmente até vinte antes de dar a chance à novata. Mas aceitei: afinal, era para aquilo que ela estava lá, para dividir os afazeres comigo. Deixei que ela passasse adiante e fizesse tudo sem que eu falasse nada – foi tipo um teste. Quando ela terminou, levou o pedido até a mesa dele, e pude notar que a bandeja tremia. Na verdade, ela estava tremendo toda.

Temi pelo pior – que ela acabasse derramando a bebida quente em cima de Heitor. Mas assim que a bandeja foi depositada sobre a mesa que ele ocupava, ela abriu de novo o sorriso, com o adicional dos olhos brilhando, e disparou:

– Heitor, eu sou Letícia, sua fã número um!

– A menina dos e-mails?

Ela confirmou com um aceno de cabeça.

– Espero que goste do meu café.

– Ah, mas o café daqui é muito bom. O meu favorito! – ele declarou depois de dar o primeiro gole na bebida.

Estava na cara que ela não estava falando do café do estabelecimento, mas do café que ela tinha feito. Ela ia estender a conversa com Heitor, mas minha mãe chegou e a fã deu lugar de volta à garçonete que diz bom dia, pergunta o que deseja e se retira rápido para aprontar o pedido do cliente em tempo hábil. Heitor levantou e deu dois beijos no rosto de mamãe. Eram velhos conhecidos.

– Aquela é Dona Virgínia, Letícia. Vulgo minha mãe. Pode deixar que eu sei o que ela bebe a essa hora.

Sorri para minha colega e já ia começar a fazer a limonada sem açúcar quando mamãe me interrompeu dizendo que não ia tomar nada. Conversou amenidades com Heitor e em cinco minutos eles estavam deixando o café, sempre conversando. Pela hora seguinte, o lugar ficaria praticamente às moscas, salvo um ou outro cliente que pedia um salgado para viagem e saía correndo. Essa foi a oportunidade que tive de conhecer Letícia melhor.

– Eu nunca te vi por aqui.

– Eu moro meio longe, sabe? E trabalhava o dia inteiro na papelaria, não tinha muito tempo pra vir lanchar aqui. Na verdade eu quase não tinha tempo para lanchar, fiquei até abaixo do peso.

– Longe onde? – eu estava tentando calcular as distâncias, porque o Cabo não é uma cidade tão grande assim.

– Bairro São Francisco.

– É, dá mais ou menos meia hora a pé.

– Se a gente anda ligeiro…

– Primeiro emprego?

– Não, meu segundo. Saí da papelaria faz quase um mês. Pedi demissão, saí meio fugida…

– Fugida, é? – a história estava ficando interessante.

– Meu ex patrão nunca foi dos melhores, sempre soltava umas gracinhas, mas eu tentava relevar, fazer de conta que não era comigo. Eu precisava muito daquele salário, que era bem pouquinho, mas ainda assim era dinheiro… Só que aí ele tentou me estuprar quando eu tava fechando a loja. Dei um soco nele, um chute você sabe onde e não voltei mais lá.

– Que horror!

– Aí eu lembrei que o Heitor de vez em quando dizia no programa que tavam precisando de atendente aqui, resolvi me candidatar. Estudei muito pra conseguir esse emprego, sabe?

– Como é? – perguntei, honestamente imaginando o que ela teria estudado para conseguir a vaga de garçonete. Já que era para estudar, por que não para um concurso público? Pagam melhor!

– Eu não bebia café até um dia desses, e nunca tinha nem preparado um café na vida. Depois que larguei a papelaria e fiquei sabendo da vaga, achei que precisava aprender. A fazer e a gostar, né?

Eu estava começando a achar Letícia uma menina legal. O jeito como ela fala é engraçado (sim, sempre rindo) e ainda é focada. Aquele negócio de aprender a beber café para começar a trabalhar aqui me impressionou. Deixei ela continuar a falar.

– Meu sonho também era ver o Heitor de perto. Agora posso fazer café pra ele todo dia! Sou apaixonada por ele desde que eu morava lá em Triunfo. Eu escuto o programa dele sempre, mando um monte de e-mail… Um dia quero trabalhar na rádio também, mas estudei administração porque minha família ficou enchendo o saco.

– Eu fiz administração.

– Gostou?

– Gostei, ainda hoje gosto da área. Não me vejo fazendo outra coisa na vida. Quer dizer, às vezes penso em tentar ser escritora. Meu pai não curtiu muito, mas podia ser pior. Eu podia realizar o sonho da minha mãe e ser candidata ao Miss Pernambuco.

Tenho certeza de que ela segurou uma risada só de me imaginar dando tchauzinho de miss e usando vestido de gala. Eu também ia rir, se fosse ela.

– Ô, Maria… Joyce…

– Pode chamar de Mary Joy, se quiser. – eu já estava simpatizando com Letícia num grau que resolvi dar a ela a licença para me chamar pelo apelido que só Doutor Renato usa.

– Ok, Mary Joy… Você que conhece bem o Heitor, sabe dizer se ele é solteiro?

– Eu não sei te responder essa, não… Ou seja, não o conheço tão bem como parece, só sei o que ele gosta de beber quando vem aqui.

– Mas a sua mãe…

– É, minha mãe e meu padrasto são amigos dele há um bom tempo. Só que eu não.

Voltamos ao trabalho. E durante todo o resto da manhã, ouvimos o programa do Heitor, que tinha o nome sugestivo de Lenha pra queimar, uma clara referência ao sobrenome dele (machado, lenha, etc.). Na verdade eu estava mais a fim de ouvir outra coisa em vez das dez mais pedidas. Mas Letícia fazia questão de tudo isso, e de aguardar a música que era dedicada a ela.

– E a nossa música número um é especial para minha amiga Letícia, do Bairro São Francisco! Ela agora é parte do time da San Remo Café. Foi muito bom te conhecer pessoalmente, querida! Vai um abraço também pros meus amigos Fernando, Virgínia e Maria Joyce.

E subiu a música, mais um hit de Simone e Simaria que ela sabia cantar de cor. A voz não é tão bonita quanto os cabelos ou o sorriso, porque não se pode ter tudo na vida. E o engraçado mesmo foi nós também recebermos a dedicatória. Até minha mãe, que só pisa no café para o lanche pós-treino e vez ou outra para fazer a social com os clientes, ou seja, não é bem do time. Tentei abstrair da voz de taquara rachada de Letícia e focar no trabalho

Apresentando “Cafeína” – os personagens

Continuando a série de posts sobre Cafeína (a partir de março à venda nos formatos e-book e capa comum na Amazon), apresento orgulhosamente os principais personagens que fazem parte dessa estória!
MARIA JOYCE: barista da San Remo Café. Observadora, um tanto arredia, insegura e nada vaidosa, o que se torna o principal ponto de discordância entre ela e a mãe. Mantém em segredo uma paixão por Renato.
LETÍCIA: moça vinda de Triunfo-PE, apaixonada por Heitor e ouvinte fiel de seu programa. Vai trabalhar no café para ficar mais perto dele. É o oposto de Maria Joyce: falante e sempre com um sorriso estampado no rosto.
HEITOR: um dos locutores mais populares da cidade, também frequentador assíduo do San Remo Café, que patrocina seu programa.
FERNANDO: empresário e político, dono do San Remo Café. Padrasto de Maria Joyce.
VIRGÍNIA: mãe de Maria Joyce, já venceu concursos de miss na juventude. Seu sonho era que a única filha seguisse seus passos, o que jamais aconteceu.
DR. RENATO: clínico geral que atende no hospital vizinho ao San Remo Café. Tem grande estima por Maria Joyce, que o fez gostar de café.

Há outros personagens que tem menor participação, como o pai da Maria Joyce; e outros que só dão as caras a partir da metade da história. Mais adiante falarei um pouco mais sobre eles!

Apresentando “Cafeína” – a sinopse

Olá, pessoal! Começando 2019 com, enfim, a apresentação de Cafeína, do qual já falei aqui – ainda que pouco – em outras oportunidades. Nos próximos posts dessa semana e da seguinte, você que acompanha o blog vai conhecer a sinopse, perfis de personagens, a trilha que embala a novela e uma amostra grátis do e-book, que será publicado na Amazon em Março.

Com vocês, a sinopse de Cafeína:
Maria Joyce, também conhecida como Mary Joy, é a única funcionária do San Remo Café, no Centro do Cabo de Santo Agostinho-PE. Isso até o dia em que Letícia, apaixonada pelo radialista Heitor Machado, passa a trabalhar no estabelecimento, para se aproximar dele e ter a chance de viver a história de amor dos seus sonhos. Entre um café e outro, Mary Joy e Letícia desenvolvem uma amizade, lidam com suas vidas familiares e amorosas e ainda tentam impedir que Fernando, padrasto de Mary Joy e dono do San Remo Café, cometa um assassinato.
Cafeína foi gerado em novembro de 2017, durante o NaNoWriMo e só agora é que retomo o projeto de produção independente. Mas a ideia de escrevê-la surgiu em 2016, enquanto eu estava lá no Vile Café em uma tarde e imaginei a cena: uma barista apaixonada por um cliente que se vê envolvida em uma trama para impedir que ele seja morto. Anotei a ideia nas mensagens do celular e ele ficou mais de um ano nos rascunhos. Até que me animei a tirar a estória do papel. E aí aconteceram algumas mudanças. Por exemplo, Letícia seria a protagonista absoluta, mas Maria Joyce acabou sendo alçada ao posto de personagem principal – inclusive, sendo também a narradora.
No próximo post, vem os perfis dos personagens. Obrigada pela leitura e até a próxima!

Retrospectiva resumida 2018

Teve viagem, seleção do mestrado, crise de ansiedade no trem, composição própria, publicação de poema em coletânea, relacionamento frustrado, frustração política, choro, emagrecimento, engorda, cirurgia, nascimento, despedida, morte súbita, volta à terapia, processo, projeto, retomada, show, prêmios, festa, 30 anos, muitas gravidezes para acompanhar, desafios. Assumi responsabilidade. Aprendi a dizer não, e de boca cheia; passei de novo por caminhos que não queria mais passar, mas fui como estudante que reprovou um ano e dessa vez acho que aprendi. Fiz novos amigos, desfiz laços, voltei a andar de bicicleta. Chorei de frustração, tive medo de morrer, tive sonhos estranhos, agradeci por estar viva. Descartei coisas, encerrei ciclos, tive orgulho, tive medo e ainda tenho um pouco dele. Mas é para frente que se anda. Vamos lá.

Sobre o processo criativo e seus ritmos

2018 foi um dos anos mais produtivos da minha vida. Tem muito a ver com os processos que vivi: o coaching e a terapia ajudaram e ainda ajudam um tanto nessa iniciativa de levantar o traseiro da cadeira e agir. Então eu consegui terminar dois projetos literários, (já devidamente registrados na BN e em breve falo mais sobre eles), estou com um em andamento, super prolífica. Mas observei também que nas últimas semanas tenho andado com dificuldade para manter o foco. Pode ser coisa do final do ano mesmo, normal, a gente fica cansada e ainda tem tanta coisa, tanto evento! Cheguei a ter dúvida sobre continuar com o plot (que está enganchado há anos sem conclusão), quis largar e partir para a próxima… mas graças a Deus, até agora seguimos firme.
Ontem, devagarinho, escrevi duas páginas. Hoje estou cuidando de criar conteúdo para meus canais de comunicação aqui na Internet (e um projeto que tenho para mim em 2019 é voltar a cuidar desses canais com mais cuidado, afinal de contas, eu sou uma pessoa comunicativa, gosto de criar e a internet está aqui para isso mesmo). O importante mesmo é respeitar meu ritmo, me dar direito a pausas e não desistir quando a coisa estiver parecendo mais lenta. Acabei desenvolvendo uma tendência imediatista que me faz desistir de muita coisa interessante, e isso é triste. Acho que esse ano finalmente entendi que as melhores coisas levam tempo para acontecer, e esse é um aprendizado e aprimoramento diário.
Essa semana ainda estou indo bem devagar, embora muitas vezes a minha cabeça siga a mil, o corpo (especificamente as mãos) não seguem o mesmo ritmo. Paciência… vamos aprendendo a caminhar juntos.