A difícil coerência

Não estava nos planos escrever um post hoje, mas sabe quando tem uma coisa incomodando a gente (no bom sentido) e a gente simplesmente precisa compartilhar? Então, é isso.

Ontem fui dormir pensando na palavra sabedoria. Na verdade, ela ficou comigo algumas horas do dia. Mas hoje, depois do ritual matinal leitura-escrita-meditação, a palavra mudou e virou coerência. Acabei escrevendo um poema sobre, que a propósito pretendo musicar (sério!). Mas ainda não acabou, amigos. Algumas conversas que tive antes das 10 da manhã acenderam o sinal de que sim, eu deveria escrever o que penso sobre coerência na vida.

Por muito tempo me senti com medo de ser considerada uma fraude em diversas áreas da minha vida: de ser uma cristã ruim, uma profissional ruim, uma mulher #fail. Síndrome do impostor feat. perfeccionismo. Eu morria de medo de que encontrassem discrepâncias enormes entre o que eu prego e o que pratico. Poucas coisas me doem mais na vida do que me ver incoerente, inconsistente.

Enfim, primeiro eu precisei entender que perfeição não existe. Logo, jamais serei flawless. Meu cabelo vai ter frizz, vou dar risada e/ou chorar em momentos inadequados, vou fazer uns comentários que não necessariamente serão bem aceitos, vou ser deselegante às vezes, talvez, vou errar o acorde, ser impopular uma ou várias vezes. Faz parte. E no final das contas, cometer erros, abraçar os meus desejos e sonhos, admitir em alto e bom som meus valores, mesmo que eles não pareçam conversar entre si, não me faz uma pessoa incoerente. Me faz apenas uma pessoa. Humana como todo mundo.

O problema, afinal (eu acho), está nas máscaras.

mascaras
Pausa no post para uma piada infame com novela.

Tudo começa no bater no peito com muito orgulho e dizer que faz, acontece e aponta o dedo para os coleguinhas quando, por baixo dos panos, faz igual ou pior. E olhe que nem tô falando de instituição religiosa, antes que perguntem. Em todo lugar do mundo tem muita gente perita em julgamento, atuação ou os dois juntos ao mesmo tempo.

Isso para mim é a incoerência, afinal. E é isso que não quero para minha vida.

Esse é um processo: reconhecer a imperfeição, abraçá-la, reconhecer o julgamento que se faz de si e dos outros, estar aberta para aprender todo dia uma lição nova e crescer com ela. Mudar de opinião sobre as coisas faz parte do processo, mas sabendo que continuo sendo a mesma pessoa e que certas coisas permanecem até o fim. Mudar radicalmente conforme a situação (e para agradar toda a situação), como os camaleões, é o que não me soa legal. Um dia tudo vem à tona.

Se alguém está perdido, há meios de se encontrar a qualquer momento do caminho, enquanto houver caminho para andar. Não somos produtos acabados, somos humanos bem falhos. Dói manter a máscara quebrada no rosto.

Não sei se esse texto ficou coerente, mas a gente continua tentando.

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Sensível, sim

Ontem aconteceu de novo: quase fui assaltada no ônibus. Nas duas vezes anteriores, o ladrão roubou celulares de duas ou três pessoas que estavam sentadas no fundão. Escapei, mas até quando?

No ônibus, às 10 e pouca da manhã, sobe um vendedor ambulante e um outro homem. O ônibus parou, ninguém entende nada a princípio mas aquele cara tinha uma faca. Rola um impasse, o motorista manda o cara descer, é ele ou todo mundo descendo ali na pracinha de Boa Viagem. Quando estou quase pulando fora, me avisam que ele desceu e a viagem segue. Não dá um minuto, um choro doído vem de lá de trás, bem alto. É uma mulher, assustada assim como todas nós. Outra mulher – não sei se amiga ou desconhecida mesmo – a ampara. O motorista e o cobrador pedem calma, já passou. Eu, de coração ainda acelerado e tentando focar na respiração (único jeito de andar de ônibus sem deixar os pensamentos negativos me dominarem) quase choro junto.

Acabei voltando para casa de Uber, enfim.

Contei essa história toda para entrar no ponto da reação. Mais precisamente de reagir às coisas que acontecem em redor com choro, seja ela calado ou escandaloso. E por muito, muito tempo, eu achei o choro uma coisa extremamente negativa e que eu devia conter a todo custo. Vários dias na escola eu terminava chorando, por várias razões. E depois de tanto chororô, e de ser tantas vezes pejorativamente chamada de chorona, resolvi fazer de tudo para não chorar mais. Nem que fosse me cobrindo de uma carapaça de agressividade.

Mas chega um momento em que não há para onde correr. Pode até ser uma dificuldade de comunicação, de verbalizar tudo o que sinto, mas tem coisa que só se alivia chorando. Não adianta só varrer, tem que lavar a alma mesmo.

Já fui muito reprimida por chorar por qualquer coisa, por gritar na hora do susto. Mas não dá para se enjaular por muito tempo, então resolvi aceitar a minha super sensibilidade. Às vezes eu choro cantando, choro vendo novela, choro de medo, tristeza, alegria. Todas as emoções, de alguma forma viram líquidas em mim. E isso não é um defeito, é só uma característica que pode mudar com o tempo. Ou não…

Claro que quando eu choro de pena de mim mesma, ruminando o passado, é péssimo. Mas essas coisas a gente vai aprendendo a não se deixar dominar por esses sentimentos e as coisas melhoram. No mais, não considero o choro um sinal de incapacidade de enfrentar a vida, mas uma forma de lavar a alma.

Então abraço minha sensibilidade e choro mesmo!

Meus cadernos

Toda vez que eu entro em uma papelaria, sou movida pelo desejo instantâneo de comprar cadernos e canetinhas. Quando vou a um evento, fico super feliz quando recebo blocos de papel. É mais espaço para escrever o que eu quiser, para notas de estudo, tanta coisa!

O problema é que eu quase nunca concluía o preenchimento dos caderninhos, cadernos, cadernões. Então tenho até um monte de cadernos que começaram com esboços de escrita criativa, com listas de vocabulário, letras traduzidas ou diários de bordo; e terminaram com várias páginas em branco. Andei pensando em uma forma de dar serventia para todos eles de uma vez. Juntá-los num encadernado só? Não ia dar certo, muitas folhas de tamanhos diferentes.

Aí eu conheci as morning pages, exercício no qual todos os dias pela manhã escrevem-se três páginas em fluxo de consciência. Conheci esse exercício em alguns blogs, como o Desancorando; e também um texto da Tati Lopatiuk, além de ter começado a ler o livro O Caminho do Artista, onde as morning pages são propostas (ainda não terminei de ler). Eu já tinha retomado a escrita de diário de papel há algum tempo, na primeira pausa da terapia, mas não era algo que fizesse com muita consistência. Quando comecei com as páginas matinais, foi também uma retomada do hábito dos diários. E assim rapidinho acabei o meu segundo diário, entrando no terceiro, que foi justamente um caderno que antes seria usado como espaço para escrever os capítulos de um romance no qual trabalho há muitos anos, e que tem várias versões. Obviamente não terminei. Esse caderno foi totalmente preenchido só essa semana. E assim encontrei por fim uma serventia para todos os meus cadernos parados: vai tudo virar diário!

Com a proximidade da viagem, possivelmente escreverei mais de três páginas. Vou escolher um modelo que caiba bem na mochila que vai me acompanhar nos passeios e vamos caminhar juntos.

Percebi que para mim não é nada interessante manter cadernos diferentes para interesses diferentes. Isso funcionava bem na escola, mas agora não mais. As ideias vem e vão de forma acelerada e não dá para ficar procurando o caderno de escrita criativa porque esse é o meu caderno de vocabulário e não posso colocar uma ideia lá, que o propósito dele não é esse. Uma organização que ajude a não se perder nas páginas já resolve muita coisa.

Assim, pode ser que finalmente eu consiga ficar sem cadernos inacabados pelas gavetas. Se for o seu caso, vale a pena tentar fazer esses cadernos inacabados de diário para as páginas matinais. Realmente ajuda muito a tirar as coisas da cabeça e começar o dia mais leve. No meu caso, às vezes estou mais lenta e o fluxo de consciência não está tão no fluxo assim…

(Ah, ainda não reli as minhas páginas, mas já reli alguns textos de diários dos dois últimos anos e vi umas coisas bem engraçadas… e outras que eu precisava mesmo lembrar.)

Meus livros em versão impressa

Até ano passado, coloquei na Amazon meus e-books (com exceção de Helênicas, que está passando por uma revisão, levando uns cortes e ganhou uma capa nova, simples mas bonita), mas resolvi disponibilizá-los também na versão capa comum, uma vez que nem todo mundo lê em tela.

O processo de criação do livro em brochura na KDP é bem simples e rápido. O que me deixou em dificuldades de verdade foi a parte da capa, porque eu queria fazer o upload da mesma imagem de capa dos e-books (com exceção do Saída de Emergência, todos foram feitos no Canva) e achei que precisasse fazer alguma edição extra, incluir contra capa, essas coisas. Enfim, resisti uma boa meia hora até resolver usar o criador de capas do próprio KDP, que resolveu todos os problemas.

Antes de seguir adiante, é solicitado que o autor visualize e aprove o aspecto do arquivo, bem como é possível pedir um boneco do livro impresso, a preço de custo (em dólar). Eu ainda não tenho meus bonecos em mãos, mas aprovei o visual dos dois livros como ficou disposto na tela e aqui estão eles!

Para acessar a página de venda dos livros, é só clicar nas imagens. Lembrando que o e-book sempre está disponível! 😉

Sábado no São Luiz (Bônus: voltinha no Marco Zero)

Esse fim de semana resolvi fazer algo de diferente e chamei uma amiga para ir tomar um café, dar umas voltas. A sugestão dela foi que a gente fosse ao Cinema São Luiz, e eu topei, afinal só tinha ido àquele cinema quando estava nas filmagens do curta de conclusão do curso de cinema. É fazia um bom tempo que eu não pisava em um cinema, nem de shopping, nem de rua. Foi uma quebra de rotina, então.

O filme a que assistimos foi Os Incontestáveis, produção nacional com locação no estado do Espírito Santo e parte de Minas. É um road movie (belas imagens das estradas, o que foi bastante familiar pra mim, que viajo bastante de carro com a família), com umas viagens muito loucas regadas a conhaque e, depois, cachaça. A sinopse que li no jornal dizia resumidamente que o filme era sobre irmãos que empreendiam uma busca por um Maverick, que havia pertencido ao pai deles, e era o automóvel de desejo da dupla. O terço final do longa eu achei viajado num grau que estou pensando nele até agora. Sério. Acho que a ideia dos roteiristas era deixar a pessoa pensando mesmo.

Do elenco, eu só conhecia Tonico Pereira, que interpreta o fazendeiro que está de posse do Maverick. A trilha sonora eu achei muito boa: tem temas que botam a pessoa no clima de estrada, e também uns bregas antigões, que hoje teriam espaço somente em programas que passam de manhã cedo em rádios populares (tipo o programa do Abidoral, aqui na minha cidade, por exemplo) e em jukebox de bar e casa da luz vermelha (como é o caso do filme).

Na saída do cinema, dei 3/5 estrelas. Agora, pensando com mais frieza, dou 3,5/5.

Segunda parte do passeio: procurar um lugar para comer. Eu estava com o Café Duque na cabeça, porque era um lugar onde eu sempre ia comprar biscoitinhos e salgadinhos quando fazia o curso de cinema. Isso lá no ano da graça de 2012. Não encontrei o café e àquela hora, devia até estar fechado mesmo.

Andando, cruzando pontes e as ruas fétidas do Recife, chegamos a outro lugar que eu não visitava há mais tempo ainda: Recife Antigo e o Marco Zero.

É sério: a última vez que dei uma andada nessa área foi em… ih, nem lembro. A primeira vez foi em 2004, disso eu lembro. Até parece que sou meio criada em cativeiro, diga aí! Mas estamos mudando isso.

Quando vi as pessoas andando de patins ali, pensei logo: quero um par pra mim! Está na lista de compras futuras.

As fotos estão ruinzinhas porque foram feitas com o celular highlander –aquele que caiu na privada em Potsdam, lembram? Apois o bichinho sobreviveu, faz telefonema e ainda fotografa. 😂😂😂 Mas, naturalmente, não é mais o mesmo. Está meio lentinho…

Ah, sim, o café! Encontramos os Armazéns do Porto logo ali pertinho, mas ó, lotado! No São Braz, por exemplo, todas as mesas cheias. Acabamos ficando no São Braz do Paço Alfândega, onde havia mais espaço. Movimento tranquilo, além de mim e da minha amiga havia uma moça sozinha e duas senhorinhas elegantes que chegaram depois. Eu pedi um chocolate quente e um quiche de ricota e espinafre. O atendimento foi na média, embora eu ache que poderia ter uns 15 centavos mais de simpatia.

Fiz meu lanche batendo papo com a amiga, falando da vida e dos adolescentes que passavam por nós, indo talvez para alguma festa em algum canto do Antigo.

Da próxima vez que for sair assim, vou levar a câmera fotográfica velhinha e fazer umas imagens melhores, sem risco de perdê-las por um bug do telefone. E preciso, de fato, fazê-lo; primeiro porque ficar muito tempo focada em estudos/trabalho e saindo pouco de casa para me divertir faz muito mal para a saúde. E é bom ter aquele olhar de turista para o que está mais perto de mim, não esperar por uma viagem de férias para fazer isso.

(A propósito, viagem de férias vem aí. #prayforevinha)

Bendito timer!

Quando comecei a fazer o exercício da Palavra do Dia, uma ferramenta importante era o timer do celular, que eu regulava para 10 minutos. Nesse espaço de tempo, eu botava pra escrever como se não houvesse amanhã. Agora estou usando o temporizador para outros propósitos:

1. Meditação: larguei os apps, mas senti necessidade de ter algo que marcasse meu tempo de meditação não guiada; e foi aí que o timer entrou em cena! Antes de ligar o Wi-Fi do telefone (desligo cerca de meia hora antes de dormir), tiro o aparelho do silencioso e abro o timer. Rola susto quando acaba o tempo? Sim, mas é questão de costume. E de toda forma, devia ter algo para me despertar, né? Felizmente, encontrei um som de alerta menos escandaloso pra esse timer.

2. Estudar: estava desenvolvendo um projeto de pesquisa e para manter o foco nisso, resolvi usar também esse recurso para marcar o tempo em que foco somente nos materiais de estudo. O que no final, acaba sendo de trabalho também, já que tem tudo a ver com sala de aula.

Essa semana dei uma fuleirada e estou só estudando idiomas, mas me dou o desconto porque estou às vésperas de uma prova e o que tinha para estudar, já estudei. Agora é relaxar e lembrar de tudo o que for importante na hora de fazer o teste mesmo.

3. Escrita criativa: a proposta de retomar os textos abandonados tem surtido bom efeito, e boa parte desse meu sucesso se deve a ter delimitado tempo para escrever todos os dias (exceto sábados e domingos)

Já faz quase três semanas que comecei e continuo não só animada, como também focada nas tarefas que me propus. Isso tem feito diferença no meu humor, no ânimo para fazer as coisas. E quem não usa o timer ainda para gerenciar seu tempo, já sabe: deveria.

Retomando projetos parados – Mas por onde começar?

Os últimos dois dias foram complicados. Tive a impressão de que estava entrando em um buraco de inércia. Mesmo tendo planos e dando seguimento a eles, me senti travada, perdida, com aquela sensação de estar ainda ou novamente no lugar errado.

Foi aí que, enquanto estava deitada, com as lágrimas escorrendo e pensando em problemas que ainda não aconteceram (e talvez nem aconteçam) e me martirizando por uma má sorte que não sei se tenho (espero que não, né?), ouvi uma vozinha me mandando levantar da cama e não me render àquela negatividade toda. Obedeci.

No fim do dia, eu estava com a energia lá em cima. Olhando em volta, está tudo em ordem: voltei a estudar, estou com planos em andamento para voltar à Universidade ano que vem, com a saúde entrando nos eixos novamente, com possibilidades de viajar e… um bocado de projetos literários paradinhos. Um total de 16 textos iniciados e abandonados – e se sacudir, tenho certeza que caem mais uns três da sacola. Isso segue me incomodando, e não gostaria de seguir em frente com essas ideias abandonadas.

Eu me inspiro muito facilmente. Não dizem que pra alguns escritores “a musa” precisa chegar para que eles comecem a trabalhar? Bem, pra mim a musa sempre chega, senta num banquinho e fica olhando pra minha cara, esperando que eu comece a trabalhar. E quando eu dou as costas, para dar atenção a outra coisa, ela me cutuca, pra eu olhar pra trás e continuar o trabalho inacabado.

Aí ontem à noite tive uma ideia: já que deu certo em abril a ideia de delimitar um período de tempo para concluir o projeto, vou fazer isso de novo, mais 16 vezes. Já sabendo como eu sou, e que qualquer coisa tem o poder de me chamar a atenção e distrair, fiz um sorteio para definir a ordem de trabalho. Comecei hoje a trabalhar num manuscrito abandonado em 2015 e a data marcada para terminar é 25 de agosto. Depois disso é viagem de férias e alegria.

Focar num texto só também é uma forma de conter minha ansiedade relacionada justamente à viagem e outras questões de cunho pessoal. Vai ser legal. Estou remontando a trilha sonora dela (tinha feito na minha antiga conta Spotify), reli o resumo (e achei uns personagens que já vão ser gongados da versão final, por falta de funcionalidade), já escrevi umas cenas, e como gosto de escrever diálogos! 😍

Isso quer dizer que em até três anos, terei zerado a minha fila de projetos inacabados. E com uma solução de start bem simples: estabelecer uma ordem via sorteio. Puxa, eu podia ter feito isso antes!

Mas às vezes é melhor assim. Metade desses textos tiveram origem quando eu ainda era muito menina, estava na adolescência ou saindo dela. Revisitar essas ideias agora que estou (um pouco) mais madura certamente resultará em um material melhor.