>>> sem pular

Hoje tive um abençoado day off (tava precisando!) e aproveitei para fazer algo que precisava há tempos: fazer mais uma faxina. Comecei pelo guarda-roupa, em uma noite de sábado, inspirada pelo projeto do capsule wardrobe (ainda estou iniciando, mas já está fazendo uma grande diferença – conto depois) e hoje foi a vez da escrivaninha que estava cheia de entulho. Tão cheia de entulho que eu mal sabia por onde começar, mas comecei.

Para se ter uma ideia, a situação estava tão feia que tinha um envelope ainda não aberto no meio de um monte de papéis de banco, boletos de plano de saúde. Eis o que estava no envelope (ainda) lacrado.

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Eike loucura, Eike absurdo, Eike Batista, Eike vergonha. Eu estava aguardando ansiosamente pela chegada do EP da Leila Pinheiro e deixei passar batido assim? Pior que não sei há quanto tempo ele tinha chegado…  espero que tenha sido ontem, porque…

Não, não foi ontem, o carteiro não passou por aqui. Deve ter sido na sexta, então. Isso, que tenha sido na sexta-feira, pra vergonha de mim ser menorzinha.

Tão lindo o meu EP autografado (participei da campanha de financiamento coletivo e essa foi a minha recompensa)! 💕 Graficamente, o disco é lindo e, ansiosa que eu estava, coloquei o EP pra tocar enquanto continuava o faxinão.

O que dizer de um disco de quatro faixas que já considero pacas? Leila é uma das minhas cantoras proferidas, dividindo o pódio com Joyce Moreno e Dorota Miśkiewicz. Das três, é a que admiro e acompanho há mais tempo (desde 1999), e daí vem minha super empolgação em participar, mesmo que indiretamente, de um novo projeto dela. Todas são ótimas, mas se teve uma que arrebatou meu coração foi a terceira, que se chama “Todas as coisas valem” e é um dueto de Leila com Zélia Duncan. Tratei de repetir e quando vi, já estava cantarolando enquanto jogava fora o lixo. Merece ganhar as rádios!

“Por onde eu for” é o primeiro disco físico que recebo desde o advento do Spotify na minha vida. A grande vantagem do App é ter acesso a músicas do mundo todo a qualquer hora e em qualquer canto. O lado chato do streaming é que, sem perceber, montando playlists e mais playlists, a gente fica meio que com preguiça de ouvir discos inteiros. Confesso que isso acontece muito comigo: me apego às músicas preferidas e perco a oportunidade de ouvir o resto. No tempo que só tinha LP e K7 isso não acontecia, né?

Com a facilidade, a gente ganha muito e perde outro tanto: perdemos a chance de perceber como as músicas em sequência contam uma história, evocam imagens e sensações, como um livro ou um filme. A gente consegue isso montando mixtapes? Sim, também, mas essas são coisas mais pessoais… ouvir a música no seu disco de origem dá à música um *sabor* que se perde completamente na lista de “favoritos” do aplicativo.

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A visita da libélula

Esses dias tem sido difíceis. Não tem muita coisa que eu possa dizer sobre isso além de “estou cansada”. Pensamentos tristes tem invadido a minha cabeça e o primeiro deles é “estou seca, nem consigo escrever mais”.

Agora a pouco, me arrumando para ir à igreja, me veio uma vontade de chorar, mas poucas lágrimas chegaram aos meus olhos. Às vezes fico até na dúvida se é realmente tristeza ou se é algo que se resolve quando eu conseguir dormir direito. Mas os maus pensamentos continuam por aqui: “estou seca”,  “sou uma fraude”,  etc.

Até que apareceu uma libélula voando pelo meu quarto inteiro, sem parar e sem achar saída. Abri a janela para que ela parasse de se debater e pudesse encontrar a liberdade. Chegou bem perto: atrás da cortina. Mas sair que é bom, nada…

Rodou, bateu em todas as paredes, encostou em mim até que finalmente parou, asinhas estendidas, junto da porta.

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Aqui jaz uma libélula.

Na mesma hora corri para São Google para saber o que significa a libélula  (aparecendo de surpresa assim, só podia ser um recado, pensei). Se é verdade ou não, só sei que o que li me encheu de esperança.

Transformação. Maturidade. Vida…
A bichinho continuava estendida no chão. “Tá morta…” Toquei uma de suas asas, na intenção de apanhá-la e jogá-la pela janela. Mas de repente, percebi algum movimento nela. Não estava morta?

Quando voltei ao quarto estava voando de novo, e pousou pertinho da luz.

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Ela ainda está aqui. Bem, moça, vamos bater um papo?

Já avisei à minha mãe: tem uma libélula no meu quarto, mas não mexe com ela, não…  Deixei a janela aberta, para ela sair quando quiser.

Enquanto isso ela fica, como uma amiga que, mesmo sem ser convidada,  veio trazer uma boa notícia.

High heels

Houve um tempo em que tamanho era documento. Daqueles imprescindíveis, como a identidade ou o passaporte para embarcar em um avião: assim era a estatura de todos os meus pretendentes. Para terem uma ideia, se o processo de paqueramento estivesse acontecendo pela internet, em algum momento do início da conversa a pergunta “qual a sua altura?” ia surgir na conversa.

– Tenho 1,70, e você?

– Tenho 1,70, e você?

– Tenho 1,70, e você?

– Tenho 1,70, e você?

Eu: Tenho 1,75. (:D)

Boto o emoticon aí do lado e o bloco do orgulho na rua porque por bastante tempo, mais ou menos dos 9 aos 16 anos, tive vergonha de ser alta. Vergonha de sentar com a galera do fundão quando eu me identificava mais com o pessoal da frente e os alunos eram organizados na sala pela altura. Também rolava uma vergonha básica de ser alta AND gorda, o que me configurava desde então como pessoa grande. E eu não me sentia confortável  sendo grande numa multidão de pequenos, queria ser um pouquinho igual aos outros em alguma coisa, já que me achava tão inadequada diferente. Mas isso passou e hoje até aceito passar dos 1,80 quando (raramente) uso salto – ainda não ando direito neles, sabe, medo de cair…

Mas voltando à história: meu primeiro beijo foi com um cara de 1,90 de altura, e eu achava que seria assim para sempre: eu conhecendo caras ótimos (ou nem tanto) de altura igual ou superior à minha, e nós fazendo um belíssimo par na foto. E a sensação de ser abraçada por alguém maior que eu era até legal. Pronto: depois daquele cidadão, altura virou documento por essas bandas.

Baixinhos? You shall not pass…

Depois do Girafales do parágrafo passado, nunca mais conheci nenhum boy que não fosse cinco centímetros menor do que eu. Com dois deles eu até cheguei a me enrolar sair e pensar em uma possibilidade de relacionamento duradouro e sincero. Gostei mesmo deles. Mas como nenhum foi muito longe na história, pode-se dizer que eles não estavam à minha altura (rsrs), certo?

Toda essa coisa de altura me veio à mente depois que, no horário de almoço, me peguei sendo observada na fila do self-service por um sujeito que estava atrás de mim. Esse não era cinco centímetros menor: devia ser logo uns quinze. Mas tinha olhos bonitos, escuros. Ele olhou pra mim, eu olhei pra ele, a gente se olhou, teve um esboço de sorriso, fui pra minha mesa com a galera da firma.

Dá dois minutos, o cidadão senta na mesinha ao lado do mesão que estou ocupando. Continua o um-olha-pro-outro-olha-pro-um até… Eita lasqueira, isso é uma aliança? É, é sim! Acabou a graça na hora, e lá foi ele pagar a conta.

Assim foi o fim da… Nem dá pra chamar de paquera, gente. Estávamos apenas “nos contemplando”. Mas a notável falta de estatura daquele moço me confirmou que, ao menos para os menores de 1,75, as minhas fronteiras continuam abertas, desde que tragam brilho nos olhos…

… E não tenha uma aliança, né? Por favor!

Em melhor companhia

“Mãe, vou jantar fora hoje.”
“Com quem?” – ela omite o “dessa vez” da pergunta, mas eu sei que ele está lá.
Vou sair com uma nova amiga. Quer dizer, com uma velha amiga. Andamos afastadas por um tempo, porque não tenho sido uma amiga das melhores. Cancelei dezenas de compromissos com ela unicamente para passar mais tempo com outras pessoas que na maioria das vezes, diga-se de passagem, só me deixaram com a sensação de perder tempo.

Deixei a relação com ela cair na rotina e de repente não tínhamos mais do que conversar. Achei (e sei que ela pensou o mesmo, mas não disse) que precisávamos de terceiras pessoas para animar as coisas. E assim começou a peregrinação em busca de alguém que pudesse preencher um vazio e sacudir a rotina. Alguém que quisesse me levar para lugares novos, me dar uma nova visão das coisas e me proporcionar novos prazeres.

Me empenhei demais na busca e tudo o que consegui foi uma pequena coleção de mágoas e desesperança.

Então essa noite, mãe, vou sair pra jantar comigo, como há muito tempo não saía. Vou me levar para um lugar legal, com música e comida boa. E nos dias que se seguirem, vamos sair pra passear, andar de patins ou bicicleta, simplesmente caminhar pelo calçadão ou na beira do mar, com os pés tocando a espuma das ondas que acabaram de quebrar.

Vamos viajar de carro ou de ônibus, comprar livros, redecorar a casa, fotografar as paisagens, dormir no sofá depois de uma maratona de Frasier sem legendas,  conversar em idiomas que geral não entende.

Tudo isso só eu e eu. Porque antes de pensar em entrar em um relacionamento com outra pessoa, preciso me dar melhor comigo mesma.