High heels

Houve um tempo em que tamanho era documento. Daqueles imprescindíveis, como a identidade ou o passaporte para embarcar em um avião: assim era a estatura de todos os meus pretendentes. Para terem uma ideia, se o processo de paqueramento estivesse acontecendo pela internet, em algum momento do início da conversa a pergunta “qual a sua altura?” ia surgir na conversa.

– Tenho 1,70, e você?

– Tenho 1,70, e você?

– Tenho 1,70, e você?

– Tenho 1,70, e você?

Eu: Tenho 1,75. (:D)

Boto o emoticon aí do lado e o bloco do orgulho na rua porque por bastante tempo, mais ou menos dos 9 aos 16 anos, tive vergonha de ser alta. Vergonha de sentar com a galera do fundão quando eu me identificava mais com o pessoal da frente e os alunos eram organizados na sala pela altura. Também rolava uma vergonha básica de ser alta AND gorda, o que me configurava desde então como pessoa grande. E eu não me sentia confortável  sendo grande numa multidão de pequenos, queria ser um pouquinho igual aos outros em alguma coisa, já que me achava tão inadequada diferente. Mas isso passou e hoje até aceito passar dos 1,80 quando (raramente) uso salto – ainda não ando direito neles, sabe, medo de cair…

Mas voltando à história: meu primeiro beijo foi com um cara de 1,90 de altura, e eu achava que seria assim para sempre: eu conhecendo caras ótimos (ou nem tanto) de altura igual ou superior à minha, e nós fazendo um belíssimo par na foto. E a sensação de ser abraçada por alguém maior que eu era até legal. Pronto: depois daquele cidadão, altura virou documento por essas bandas.

Baixinhos? You shall not pass…

Depois do Girafales do parágrafo passado, nunca mais conheci nenhum boy que não fosse cinco centímetros menor do que eu. Com dois deles eu até cheguei a me enrolar sair e pensar em uma possibilidade de relacionamento duradouro e sincero. Gostei mesmo deles. Mas como nenhum foi muito longe na história, pode-se dizer que eles não estavam à minha altura (rsrs), certo?

Toda essa coisa de altura me veio à mente depois que, no horário de almoço, me peguei sendo observada na fila do self-service por um sujeito que estava atrás de mim. Esse não era cinco centímetros menor: devia ser logo uns quinze. Mas tinha olhos bonitos, escuros. Ele olhou pra mim, eu olhei pra ele, a gente se olhou, teve um esboço de sorriso, fui pra minha mesa com a galera da firma.

Dá dois minutos, o cidadão senta na mesinha ao lado do mesão que estou ocupando. Continua o um-olha-pro-outro-olha-pro-um até… Eita lasqueira, isso é uma aliança? É, é sim! Acabou a graça na hora, e lá foi ele pagar a conta.

Assim foi o fim da… Nem dá pra chamar de paquera, gente. Estávamos apenas “nos contemplando”. Mas a notável falta de estatura daquele moço me confirmou que, ao menos para os menores de 1,75, as minhas fronteiras continuam abertas, desde que tragam brilho nos olhos…

… E não tenha uma aliança, né? Por favor!

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s