A história de uma jornada (review)

Bonito nome, não é? Esse é o título em português de Historia Pewnej Podrózy, álbum do Grzegorz Turnau que ocupou pelo menos um terço do meu sábado.

Leitores, Grzegorz. Grzegorz, leitores. Da Cracóvia para o meu bloguinho. 🙂

No último ano, comecei a entender melhor textos em polonês e até o que falam no rádio ou em um vídeo de tanto ouvir as músicas dele. Ainda não cheguei no nível “me soltem na Cracóvia que eu sambo na cara da sociedade”, mas já não posso mais me considerar uma completa analfabeta, haha.

E a cada música nova que eu descobria (obrigada, Internet!), ficava mais apaixonada pelo Turnau. Já ouvi praticamente to-dos os discos, sei algumas músicas de cor, coisa de fã… E um dia desses fui procurar uma música que está no meu top 10; Wędrówka (Trilha).

Brzegi rozejdą się w dół rzeki (As margens vão se espalhar pelo rio)
zerwane mosty braknie łódki (pontes quebradas sem um barco)
więc nie dojdziecie na brzeg morza (então você não vem para a costa)
co będzie brzegiem tej wędrówki, (o que vem às margens dessa jornada?)
więc pójdziesz sam zobaczysz  (vai conhecer por si mesmo)
w drodze jak czas powiela ludzkie twarze, (enquanto o tempo reproduz faces humanas)
będziesz dla ziemi pożądaniem (você vai desejar a terra firme)
i dla pocisków drogowskazem (e sinais de luz)

[bem, a ideia é essa!]

Quando ouvi essa música pela primeira vez me encantei num grau que até cogitei tatuar o título dela no pé (sério). Mas como eu sou mole, achei de ficar ouvindo a música mil vezes e compartilhá-la no facebook mais mil. Fui buscar no Facebook, mas a versão do Turnau (que o Spotify intitulou equivocadamente), não se encontra no YouTube. Até achei que houvesse outra música com o mesmo nome de um outro cantor também Polonês chamado Marek Grechuta. Eis que ontem, fui ouvir a tal Wędrówka do Marek Grechuta e qual não foi a minha surpresa!

É a MESMA MÚSICA, Brasil! Qué dizê, Grechuta era o cantor original da música. E foi assim que parei tudo o que estava fazendo no computador àquela hora para começar a pesquisa sem fim: Marek Grechuta, vida e obra.

grechuta

Assim como Turnau, Grechuta foi um artista popular pelo gênero (acho que dá pra chamar assim) poesia cantada. Deve ser a melhor classificação mesmo, porque o Turnau, por exemplo, não consigo enquadrá-lo no jazz, no pop, clássico ou em outra caixinha musical. O mesmo acontece com Grechuta: rock progressivo? Jazz?

Marek Grechuta teve uma passagem breve por aqui, nasceu em dezembro de 1945 – final da Segunda Guerra – e faleceu em outubro de 2006. Mas deixou um bom legado: foi poeta, compositor, letrista, estudou arquitetura…

E foi em 2006 que Historia Pewnej Podrózy foi lançado.

cover-historia

Antes de saber quem era Marek Grechuta, eu julgava ser este um disco de inéditas (a propósito, amo essa capa, é minha segunda favorita da discografia de Grzegorz Turnau – a primeira é de Fabryka Klamek). Mas não: é um disco contendo novos arranjos para músicas de Grechuta. Lançado pouco mais de um mês depois de sua morte, foi um belo tributo! São 14 músicas da vasta obra de Grechuta (com a banda Anawa e também em carreira solo). Com vocês, a playlist (com original, cover e trechinho da letra feat. tradução de um trecho da música – só um pedacinho de cada, se não o post não acaba nunca):

1- Nie wiem o trawie (no álbum-tributo de 2006, este foi um dos singles, ganhando clipe que é bem morgadinho – acho que vou fazer um clipe! =P)

Nie wiem, nie wiem o trawie (Não sei, não sei sobre a grama)
Będę ci śpiewał o niej… (Vou cantar sobre ela)

2- Wędrówka (que coloquei no início do post e merecia, sim, ter virado single)

3- Twoja postać (seu caráter)

błękitne szerokie okna (amplas janelas azuis)
i jasne smugi od lamp, (e brilhantes raios de luz)
i twoja postać jasna postać (e sua persona surge claramente)
taką cię znam taką cię znam (para que você saiba, que você saiba)

4- Bedziesz moja pania (Serás minha companheira – quase irreconhecível na nova versão!)

Będziesz zbierać kwiaty, (você colherá flores)
Będziesz się uśmiechać, (você sorrirá)
Będziesz liczyć gwiazdy, (você contará estrelas)
Będziesz na mnie czekać, (você esperará por mim)

I ty właśnie ty będziesz moją damą! (e você, só você, será minha dama)

5- Gaj (a moça do primeiro dueto é Maryla Rodowicz; no segundo é Anna Maria Jopek)

W czerwonym żarze rzewnych żądz (no brilho rubro das paixões tristes)
płoniemy jak pochodnie (queimamos como tochas)
i opadamy w niebo śniąc, (e desaparecemos no céu sonhando)
niewinnie i łagodnie, (inocentes e gentis)

6- Historia pewnej podróży

Existe um registro no YouTube (só em áudio, infelizmente) de uma performance ao vivo de Grzegorz Turnau tocando essa música e imitando quase que perfeitamente o Marek Grechuta. Taí um negócio que eu queria ver.)

Na skraj miasta wyszło kilku takich, (na periferia da cidade apareceram vários destes)
z których każdy o podróży sobie śnił, (cada um sonhando para si)
zbudowali dworzec kolejowy, (construir uma estação ferroviária)
każdy kupił sobie bilet w nim (cada um comprou um bilhete)

lecz kiedy pociąg nadjechał (mas quando o trem chegou)
i stał na peronie zdyszany, (e eu fiquei na plataforma sem fôlego)
ktoś spytał: „więc dokąd jedziemy”, (perguntaram: “para onde vocês vão?)
usłyszał: „na razie wsiadamy” (responderam: “vamos só entrar no trem”)

tylko cicho… (calmamente)

po chwili siedząc przy oknach (depois de um tempo olhando pela janela)
rzucali okrzyki zdumienia, (soltaram gritos de espanto)
mijali widoki tak piękne, (passaram por paisagens tão lindas)
że spełnić się mogły marzenia (poderiam realizar um sonho)

7- Motorek

Foi a que achei mais parecida com a original.

Żyjesz i jesteś meteorem, (você vive e é um meteoro)
lata całe tętni ciepła krew,  (todo o verão com sangue quente)
rytmy wystukuje maleńki w piersiach motorek.  (segue no ritmo de uma locomotiva)
Od mózgu do ręki biegnie drucik nie nerw. (do cérebro para o nervo, uma execução mecânica)
Jak na mechanizm przystało myśli masz ryte w metalu,  (como convém a um mecanismo esculpido em metal)
krążą po dziwnych kółkach, nigdy nie wyjdą z tych kółek, (as rodas estranhas nunca saem desse círculo)
jesteś system mechanicznie doskonały, (você é um sistema mecanicamente perfeito)
jesteś system mechanicznie doskonały

nagle coś się zepsuło… (de repente algo deu errado…)

8- Gdziekolwiek (qualquer lugar)

Ktoś do drzwi zapuka pamięć przyniesie (alguém bate na porta e traz memórias)
Z kwiatem z godziną z kolorem  (com flores, com tempo, com cores)
Gdziekolwiek będziesz  (onde quer que esteja)
cokolwiek się stanie  (aconteça o que acontecer)
Gdziekolwiek będziesz (onde quer que esteja)

9- Świat w obłokach

Świat wokół ciebie się zmienia (o mundo ao seu redor está mudando)
zmieniają się pory roku (as estações mudam)
stopy twe więzi ziemia (seus pés estão presos ao chão)
a oczy magia obłoków (e os olhos na magia das nuvens)
obłoków wiedza tajemna (conhecimento secreto como uma nuvem)
obłoków fantasmagoria (fantasmagórico como uma nuvem)
obłoków cudze spojrzenia (outros olhares como uma nuvem)
obłoków pewność ulotna (certezas evanescentes como uma nuvem)

jak obłok… (como uma nuvem…)

10- Lanckorona

Widok z balkonu willi w Lanckoronie (a vista de um balcão da vila de Lankorona)
to panorama bitwy nieskończonej… (esse panorama de batalha interminável)

11- Korowód

Kto pierwszy szedł przed siebie? (quem foi o primeiro a seguir em frente?)
Kto pierwszy cel wyznaczył?  (quem foi o primeiro a apontar o objetivo?)
Kto pierwszy w nas rozpoznał — (quem foi o primeiro a nos reconhecer)
Kto wrogów? Kto przyjaciół? (como inimigos? como amigos?)

Kto pierwszy sławę wszelką i włości swe miał za nic? (quem foi o primeiro a ter fama e terras para nada?)
A kto nie umiał zasnąć nim nie wymyślił granic? (e quem não podia dormir antes de inventarem barreiras?)

12- Zadymka

Senność gęsta jak śnieg i krążąca jak śnieg (sonolência pesada como a neve e circulando como a neve)
zasypuje śnieżnemi płatkami sen nemi. (enterra com flocos de neve o sonho)
Bez przy czynny mój dzień, (sem usar meu dia)
bez sensowny mój wiek (sem sentir minha idade)
i te ślady bezładnych moich kroków po ziemi (e esses traços desordenados, meus passos no chão)

Jeśli chce mogę spać, (se você quiser, posso dormir)
jeśli chce mogę wstać, (se você quiser, posso levantar)
siąść przy oknie z gazetą z zeszłego tygodnia. (e sentar junto à janela com o jornal da semana passada)

13- Skąd przychodzimy, kim jesteśmy, dokąd idziemy

Skąd przychodzimy, kim jesteśmy, dokąd idziemy? (de onde viemos, quem somos, para onde vamos?)
Przecież my wiemy, że nie bardzo pasujemy (mas sabemos que não se encaixam)
Do takich pytań i do braku odpowiedzi, (essas perguntas e a falta de respostas)
(…)

14- Chodźmy

Chodźmy tam szukać swego dnia (vamos lá, buscar esse dia)
noc ucieka, światło woła nas (a noite escapa, a luz está nos chamando…)
chodźmy tam szukać swego dnia
noc ucieka, światło woła…

(Ignorem a confusão que o Spotify fez com os nomes das músicas, please! Deu um trabalhão identificar o que ia onde…)

Algumas das músicas ficaram mais bacanas com a nova roupagem (por exemplo, Korowód e Skad przychodzimy…) e tem outras, como Zadymka, que são perfeitas nas duas versões. Sem contar que é muito bacana conferir a releitura de uma música mais de trinta anos depois de sua gravação original.

Existem algumas outras regravações de músicas do Marek Grechuta por aí, que ainda não tive a oportunidade de ouvir, mas em breve o farei. E tem muito vídeo dele no youtube – inclusive, os clipes que eram veiculados pela TVP nos anos 70 eram até interessantes, hein?

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