Being Chelsea

Hoje, depois de um longo e tenebroso inverno, voltei a assistir coisas na Netflix. Voltei a fazê-lo usando fones de ouvido, porque fica mais fácil de se concentrar nas coisas. A ideia inicial era continuar a segunda temporada de Hot in Cleveland, que comecei a assistir por causa da Jane Leeves e acabei me apegando ao plot, e me identificando com a Melanie… Isso é um assunto para outro post.

Mas acabei sendo capturada pelo anúncio de uma série novinha em folha, a Chelsea Does. Chelsea does what? Lembrava vagamente da Chelsea Handler porque assisti a um episódio do programa dela, o Chelsea Lately, e agora ela tem uma série documental, na qual aborda assuntos diversificados e vai os investigando. O primeiro episódio foi sobre casamento.

A forma como ela abordou várias vezes as pessoas me incomodou num grau que eu quase digo que não gosto dela. Mas o tema me pegou pelo pé, porque muitas vezes, com minhas amigas, tenho conversas sobre relacionamentos e, como Chelsea, sou a única solteira. Lá está ela, aos 40 anos, sem um significant other, oscilando entre a vontade de permanecer do jeito que está (olha que às vezes é uma boa ideia, hein?) e a vontade de ter um companheiro, um… marido. Enquanto isso, entrevista casais longevos que contam um pouco de suas histórias de vida.

Nesse primeiro episódio, tem uma parte que ela apela para os casamenteiros, um casal latino que atua nessa área de promover encontros. A sucessão de encontros estranhos e ruins chega a dar vontade de rir! Mas quem nunca? Eu mesma já tive minha cota de encontros estranhos no último ano – o jantar estava bom, mas algo estava errado. Enfim… A série pode incomodar ou não, dependendo da vivência que a gente tenha sobre o assunto. Mas certamente leva à reflexão.

E sim, teve uma parte que me vez enfim gostar da Chelsea Handler: quando ela confronta o então CEO da Ashley Maddison e ele fica nervosinho e meio que se enrola na frente da própria esposa. Imagina, o cara cria um site que promove a infidelidade, será que ele se sentiria okay caso a mulher dele resolvesse traí-lo? Ó as ideias…

Escrevi pra não esquecer. Agora deixa eu voltar pro Netflix.

Quarenta Graus

Faltava pouco mais de 24 horas para eu me despedir do Chile e ainda faltava muito por fazer. Primeiramente, segui as dicas de outra hóspede (chilena de nascimento, radicada em Salvador) que me indicou o pueblito Los Dominicos, também conhecido como o terminal do metrô linha vermelha.

 

A primeira coisa que me chamou a atenção foi (só para variar) o parque. Àquela hora havia praticamente ninguém por lá, a movimentação (que não era tão grande) estava basicamente concentrada no Centro Cultural de Los Dominicos, o local do artesanato.

 

O clima é bem bucólico mesmo, como dá para inferir por essa foto do instagram (@evanaizabely, quem quiser pode chegar!). Tem dezenas de lojas de artesanato em couro, lã, argila, joias com lapis lazuli, flores e o que mais vier pela frente. Também tem lugares para sentar, fazer um lanchinho e ficar pensando na vida.

Segurei a onda nos gastos pensando em basicamente duas coisas: a) o peso da mala; b) minhas finanças mesmo. Quase levei uma boina em lã, vermelha, coisa mais espetaculinda do mundo, mas ficou pequena na minha cabeça. Pirei no artesanato mapuche e tudo mais… Acabei comprando duas fivelinhas de borboleta para mim e uma bolsa de couro para mamãe.

Nas andanças, tive contato com três vendedoras, três senhorinhas doces que me fizeram ter vontade de ficar mais tempo na loja. Principalmente a última, a da bolsa de couro, que tinha fotos de Victor Jara, Violeta Parra e outros cantores. E sim, tocava música lá!

Na saída, ainda dei uma volta pelo parque, tentei fotografar esse pássaro…

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… e um garotinho passou na bicicleta e sorriu para mim. Podia sair recapitulando as vezes em que alguém passou por mim e sorrindo, disse hola!

Próxima parada: Costanera Center. Me disseram que o shopping deixava no chinelo qualquer outro shopping gigante que eu tivesse visto. Pensei no RioMar de Recife, nas dores de cabeça que sinto quando vou lá e fiquei com medinho. Mas mesmo assim, fui…

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Olha ele aí. 🙂

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Vista da passarela de entrada do Costanera. Sim, para entrar a gente sobe uma escada rolante e desfila anda uma passarela.

Quebrando minhas expectativas, não fiquei com dor de cabeça lá, por um motivo simples: a luz não está em excesso! Meu problema com o RioMar é somente o excesso de claridade (alô, astigmatismo). Basicamente só caminhei em busca de um lugar para almoçar, e o escolhido foi o The Crêpe Café, restaurante de crepes originário de San Francisco. Um almoço bem gostoso, tranquilo e… saí do restaurante rolando, mas não podia deixar de provar esse sorvete.20160117_134317

Imagens de dor e sofrimento.

Depois do almoço, dei uma passada no supermercado, onde comprei vinhos para trazer para casa e também uns mimos de papelaria. Aliás, foi na seção de papelaria que vi uma cena meio bizarra: a guarda fazendo escândalo porque aparentemente tinha uma outra mulher roubando a loja. O bizarro da situação foram os gritos da guarda enquanto batia na tal *suposta* ladra. A última vez que vi algo assim (com bem menos alarde) foi nas Lojas Americanas.

Por fim, aproveitei o sol para dar uma última volta pelo bairro Bellavista, com pausa no Cerro Santa Lucía e na La Chascona, casa-museu de Pablo Neruda.

Tarde de domingo, vista do alto do Cerro Santa Lucía. #Santiago #nofilter #vacation

Uma foto publicada por Evana Ribeiro (@evanaizabely) em Jan 19, 2016 às 6:07 PST

 

Para subir o Cerro tem que ter disposição, ainda mais quando a temperatura chega nesse nível:

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Cidade maravilha, purgatório da beleza e do caos feelings.

Não tem praia em Santiago, mas em compensação tem muita grama pra gente se refestelar.

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Mas voltando ao Cerro: a subida é longa, mas o visual lá de cima super vale a pena. Para se recompensar por tamanho exercício, vai uma raspadinha de laranja ou um mote com huesillos, que é bebida tradicional. Com direito a gente do seu lado puxando papo de “calor, hein?”

Amigo, me senti como se estivesse no Rio (saudades, Rio! Um beijo!).

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Sobre a La Chascona: ô lugar lindo! Só saiu essa foto aí de cima porque não podemos fotografar lá dentro, mas cada ambientezinho da casa vai mexendo mais com as suas emoções. Conhecia pouquíssimo de Neruda, na verdade eu não sou a maior fã de poesia (e não sei escrever poesia, sai tudo feioso e com umas rimas dignas de pagode de quinta categoria), mas terminei o passeio apaixonada, com postais para minha coleção e um livro, que já terminei de ler.

E com uma tremenda dor nos pés também!

Segunda-feira me despedi da dona do hostel com um abraço apertado. Ao meio dia eu já estava no aeroporto, sofrendo para encontrar wi-fi decente e passando vergonha (mas dessa vez eu reconheci minha mala, gente!). Não deu para comprar nada no duty free, mas já estava trazendo coisas valiosíssimas na mala.

O que ganhei em Santiago?

1) Mais uma chance de me conhecer um pouco melhor, andando sozinha por aí. Umas 4635 pessoas me olharam meio torto quando disse que ia para lá só, mas taí, gente, fui, voltei, tô inteira e feliz.

2) Uma ligeira melhora no meu espanhol capenga, e vontade de voltar a estudar o idioma a sério.

3) Um upgrade na minha autoestima.

4) Sorrisos aos montes.

5) Condicionamento físico testado e aprovado, porque depois de tanto andar em Santiago e Valparaíso, correr para não perder o voo em Congonhas foi fichinha!

6) Fé um pouco mais fortalecida.

7) Menos preocupação com o julgamento alheio, principalmente se o alheio não é papi ou mami e não paga minhas contas.

8) Mais boca fechada: a solitude me ensinou que certas coisas tem maior sabor se mantidas em local seco, fresco, inodoro e silencioso – no mais profundo do coração.

9) Saudade e gratidão por cada pessoa que cruzou meu caminho nesses 7 dias. Talvez não voltemos mais a nos ver, mas espero poder lembrar de todos com carinho, mesmo com o contato perdido.

10) Inspiração e vontade de voltar a escrever (em blogs, inclusive!).

Por tudo isso, essa foi uma viagem de férias para guardar na memória. E que venham outras aventuras, aqui, ali e além!

Cheguei! Estou no Valparaíso!

(Quando estava no ônibus, lembrei desse crássico do É o Tchan e comecei a rir que nem uma besta. O trocadilho me acompanhou durante metade do dia.)

No sábado, estava novamente sozinha, sem os amigos feitos durante a viagem, e fui conhecer Valparaíso. Esse foi um passeio que quase desisti de fazer, por motivos de: não sabia se o dinheiro ia dar (minha mãe perguntava dia sim, dia também sobre minhas finanças com medo de que eu acabasse falida em Santiago) e fiquei preocupada com a distância também. Mas acabei me convencendo a ir, e peguei o ônibus na estação Pajaritos, para passar toda a tarde na cidade litorânea.

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Algumas IBAGENS do caminho para Valparaíso. Tinha série americana passando na TV do ônibus, e eu ficava com um olho na tela e outro na janela.

Assim que entramos na cidade, a primeira coisa que fiz foi procurar pelos elevadores que um amigo meu tinha comentado. Não consegui fotografar nenhum, mas assim é a vida!

Assim que saí da rodoviária, caí no movimentadíssimo comércio de Valparaíso, com destaque para o mercado municipal.

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Em termos de agitação, Mercado de São José perde, minha gente. Aí só vende comida, não artesanato. Quase parei pra comprar uns doces, umas castanhas…

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Mais cliques das ruas.

Saindo da muvuca do mercado, dobrei umas esquinas e fui parar aqui:

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Sim! Um museu a céu aberto! Por todo esse caminho ladeado de palmeiras, tem monumentos que contam a história de Valparaíso e, claro, do país todo. Até um monumento em homenagem ao exército brasileiro tem. E não é só isso!

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Estes painéis são dedicados a episódios e personagens-chave da história do país. Me detive um pouco mais em alguns, como o do cantor Victor Jara, que conheci graças a uma colega professora de espanhol.

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No pátio de eventos, estava acontecendo esta feira com degustação de pães, venda de artesanato e apresentações musicais. Boa parte dos expectadores estava sentada em uma pequena arquibancada, outros circulavam pelos stands e só havia uma pessoa, uma moça, dançando ao som da orquestra. Foi um bom espetáculo.

Eu estava decidida a não gastar demais nesse bate-volta à Valparaíso. Mas quando eu estava saindo da feira, vi uma placa com esses dizeres:

SHAMPOO SEM SULFATO.

Eu fiz o moonwalker quando li aquilo. Fui falar com a vendedora e voltei para casa com um mini kit para low poo.

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Estreei as belezuras hoje e daqui a algumas semanas prometo comentários por aqui.

Andando mais um pouco, finalmente pude dizer olá ao Pacífico!

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Viña del Mar é pertinho, mas não fui para lá, infelizmente. Mas ver o Porto já me deixou feliz.

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De uma forma geral, Valparaíso me surpreendeu. Desde a movimentação no comércio popular até o azul estonteante do mar, passando pela arquitetura, programação cultural e história. Voltei para Santiago no final da tarde  (com direito a retenção na estrada) cansada mas satisfeita… E com fome! Já era quase hora do jantar.

{continua}

Pessoas

Nem só de lugares bonitos vivem as viagens. Uma boa parte das emoções vividas são garantidos pelas pessoas que encontramos (e desencontramos) pelo caminho. Com vocês, os melhores (e os piores) momentos com as pessoas da cidade (e de outras cidades também).

 

1) A noveleira de BH (e seu namorado)

Eu demorei a pegar amizade com alguém no hostel, mas um belo dia, me deparei com uma garota no sofá, vendo algo que para mim parecia a novela Além do tempo. E não é que era mesmo? Perguntei se ela tava vendo novela e assim começou um papo sobre a novela, que evoluiu para os nossos locais de origem. E eu me segurando para não dar spoilers do final. O namorado dela também chegou junto e ficamos conversando sobre os lugares já visitados e lugares por visitar ainda, enquanto víamos filme à noite. Infelizmente, nem pude me despedir, porque quando acordei na sexta-feira eles já tinham ido embora.

2) Meninos, eu vi!

Teve também o Felipe, de Santos (cidade que ainda hei de visitar), com quem simpatizei de cara. Não andamos juntos, mas sempre vou lembrar dele por dois motivos: a) a conversa longa que a gente teve sobre o acidente de Eduardo Campos; b) a gente morrendo de medo de outro personagem que vai ser mencionado mais adiante.

3) “Cheese!”

Numa quarta-feira de manhã, eu tava tomando café da manhã quando entrou um rapaz com uma câmera super massa. Falei com dele o básico (“buenos dias”), e nada mais, embora tenha curtido muito a câmera. Horas mais tarde, no mesmo dia, descobri que ele se chamava John, colombiano radicado na Austrália que estava no mesmo quarto compartilhado que eu e, como eu suspeitava, entusiasta da fotografia, como eu. Nos tornamos bons amigos, nos divertimos muito, tomei meu primeiro (por enquanto, o único) pisco com ele (fortezinho, mas uma delícia) e devo dizer que fiquei triste quando ele foi embora, na sexta-feira. Graças a John, meu espanhol se tornou um pouco menos pior.

4) Maria Joana

Depois que o John foi embora, chegou um boy de San Diego para ficar no quarto compartilhado. Demorei três segundos para perceber que não gostava dele, embora de alguma forma eu ache que ele gostou de mim. O problema desse bofe é que ele parecia estar permanentemente chapado, e ainda perguntou se a gente tinha uma ervinha, ou conhecia alguém que fornecesse maconha boa. Eu já estava sem paciência e, se não fosse uma garrafa de vinho compartilhada com outro companheiro de quarto, eu não conseguiria dormir naquela noite porque a criatura NÃO PARAVA DE FALAR. Bêbada, vendo tudo rodar igual Leila Lopes em 19 de Dezembro, orei a Deus suplicando para que o boy chato fosse embora. O reencontrei no sábado à noite, com um baseado no bico e mochila nas costas. OBRIGADA, JESUS!!

Só consegui me aproximar de todas essas pessoas porque fiquei em quarto compartilhado pela primeira vez na vida. Tive medo no começo, de ficar sem privacidade ou qualquer coisa desconfortável; mas no final deu tudo certo (na verdade foi até melhor do que pensei) e acredito que, num futuro próximo, posso ficar em quarto compartilhado de novo.

{continua}

Santiago sem mapa

Depois de sair dos museus, caí no meio do comércio, movimentadíssimo, com muitos ambulantes inclusive. O primeiro que cruzou meu caminho foi um vendedor de CDs num carrinho que tocava “Que sejas meu universo…” Em espanhol  (para quem tá por fora: música gospel, do PG).

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O motorista que me trouxe para o hotel tinha contado que haviam muitos orientais, principalmente chineses e coreanos, na cidade. Volta e meia a gente encontra placas bilíngues, como essa.

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Estátua em frente à Universidade do Chile. É tanta Universidade que até me confundo: tem a do Chile, a de Santiago, a Católica, a Pedro de Valdivia, e por aí vai…

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Primeira feira de artesanato que visitei, fica próxima à Universidade do Chile. Não é muito grande, mas a gente encontra umas coisa legais lá, souvenirs legais e artigos em couro também.

Andando mais um pouco, sou atraída por um barulho peculiar de apitos e cornetas. Pensei que fosse encontrar uma marcha do outro lado do povão, mas o que encontrei foi isso:

Um jeito bem peculiar de atrair gente para sua loja.

Depois de uma pausa para comer (me joguei no Starbucks mais próximo), me deparei com esta cena.

É um grupo de circo que está viajando pela América Latina fazendo suas apresentações com instrumentos de sopro. Achei bem bacana e divertido, embora não goste de palhaços.

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Mais um museu! Agora é o de Arte Precolombiana. Aqui passei pouco tempo também.

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Saindo do museu, me deparo com o Palácio da Justiça!

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Monumento em homenagem a Manuel Montt, uma das figuras ilustres da história do Chile, que foi advogado, político, grande incentivador das artes e outras coisas que estão nessa placa (que fica na rua que leva seu nome, em Providencia)

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O passeio terminou no meio da tarde, com meus pés queimando, sentada em uma das (muitas) praças da Bernardo O’Higgins. Mas só estávamos começando…

E eu disse que não tinha ambulantes no metrô, certo? Certo, mas nessa quinta-feira fui belamente surpreendida por um cantor e violonista que manda muito bem! Tava lá ele tocando quando entro no vagão e ele me começa a tocar Chico César. Depois emenda com Djavan e lá tô eu cantando baixinho em português enquanto ele canta em espanhol. Na hora que ele foi passar o chapéu, não só dei alguns pesos pra ele como aproveitei para parabenizar e dizer de como fiquei contente de ouvi-lo cantar música brasileira. Ganhei um agradecimento em português. 🙂

{continua}

Mais observações sobre Santiago

Na quinta-feira, meu terceiro dia em terras chilenas, a ideia era passar pelos pontos obrigatórios para todo turista: tirar umas selfies pra dizer que estive lá, essas coisas. Não deu para ver tudo, naturalmente, mas o passeio rendeu grandes emoções e surpresinhas escondidas pelas ruas movimentadas pelo comércio (e pelos turistas como eu).

1) Biblioteca Nacional de Chile

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Com vocês, detalhe das escadarias de acesso à Biblioteca, decorada com versos de Gabriela Mistral. Infelizmente, não consegui fazer uma foto decente do prédio inteiro, mas é um absurdo de lindo, como muitas construções na cidade o são.

Não fiquei muito tempo por lá, até porque se o fizesse, ia acabar esquecendo de visitar todo o resto. 😜 Isto posto, vamos à próxima parada.

2) Museu Colonial do Chile
Entrada: 1000 pesos chilenos

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O Museu fica na Calle Londres, logo no comecinho.

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Não pode entrar com bolsas nem fazer fotografias no interior do museu. Alguns ambientes e obras estão em processo de restauração (cheguei a ver um grupo de restauradores trabalhando em um canto antes da primeira sala), e em cada um dos ambientes abertos nós encontramos tablets com maiores informações sobre todas as obras expostas. Das seis salas disponíveis para visitação, duas me chamaram atenção em especial: a primeira foi a sala Gabriela Mistral, dedicado exclusivamente à vida e obra da poetisa chilena, que foi ganhadora do Prêmio Nobel da Paz em 1954. Em testamento, ela doou seus prêmios e bens para obras de caridade; e seus prêmios e honrarias estão todos lá no museu!

A outra sala que me deixou encantada foi a Grande Sala, onde se encontra uma coleção de nada mais nada menos que 54 pinturas a óleo contando a vida de São Francisco de Assis; que estão lá desde antes, bem antes de o museu ser museu (quando era um mosteiro da ordem franciscana), e se encontram em perfeito estado.

O Museu Colonial também oferece oficinas de arte para crianças (estava acontecendo uma enquanto eu caminhava por lá).

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Depois de sair do tour pelo Museu, sigo por essa rua até chegar à próxima parada.

3) Londres 38
Entrada franca

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Hoje a vista da janela de Londres 38 é uma graça. Mas da janela para dentro, estão as páginas mais tristes da história do Chile. São as memórias dos detentos, torturados e vários mortos durante a ditadura no país.

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Enquanto caminhava pelas salas, senti vontade de chorar por saber que várias e várias pessoas (assim como no Brasil e em outros países que foram/são governados por regimes ditatoriais) foram silenciadas violentamente (é uma lembrança triste que nós, mesmo não tendo nascido na época, carregamos de alguma forma).

Em algumas salas, há projeções de vídeos depoimentos e documentos; em outras, fotografias de vítimas da ditadura e de acontecimentos da época. Este é um espaço que busca guardar as memórias e promover reflexão. De fato, consegue cumprir o intento.

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Estátua de Medina, ainda na Londres.
{continua}

Manhã em Las Condes

Ontem, depois de voltar do meu primeiro passeio, me peguei em dúvida se deveria pagar pelo hop on – hop off ou fazer meu próprio roteiro. Hoje de manhã resolvi sair sem rumo definido e estou escrevendo este post na Praça Peru, em Las Condes (que será postado mais tarde, porque enquanto escrevo estou sem Wi-Fi).

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Em Las Condes as árvores convivem pacificamente com os prédios enormes e o ruído de obras. É cheio de homens engravatados, carrões e um banco em cima do outro. No meio dissi tudo, bicicletas surpreendem a gente pela calçada. Além das bikes do Itaú, tem as bicicletas próprias de Las Condes, que podem ser alugadas também.

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Bancos de praça aos montes, dá para sentar em qualquer canto com sombra ou não é ficar por lá, só apreciando a paisagem. Para chegar até aqui, desci na estação El Golf.

Uma coisa que observei por lá foi a quantidade de engraxates. Todos são senhores de uns 50, 60 anos; e tinha quarteirões em que se podia encontrar uns dois ou três.

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Também tem o Centro Cultural de Las Condes, onde visitei a exposição Doce por Doce.

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Nessa exposição, doze artistas consagrados apresentam doze novatos nas artes plásticas. Alguns dos trabalhos apresentados me chamaram muito a atenção, como a escultura em madeira, o bordado sobre tela e o vídeo que passava constantemente no salão de exposições. Depois conversei um pouco com o guarda que estava lá sobre a exposição falei do que mais gostei e que ia recomendar a todos que visitassem Las Condes! Depois ele me passou um booklet com toda a programação cultural de Janeiro e Fevereiro e nos despedimos com ele fazendo votos de que eu aprecie a cidade e retorne em breve.

Detalhe: meu espanhol é bem ruinzal. Tudo o que sei aprendi nas aulas do Ensino Médio, nas novelas mexicanas e nas músicas do RBD. Obviamente, estar em um lugar onde se ouve e se lê espanhol em 95% do tempo (ouvi brasileiros papeando na rua e no hostel) ajuda. Tenho falado pouco, mas pelo menos estou me fazendo entender pelos nativos (que certamente já notaram que não sou daqui, porque devo estar falando cada barbaridade…)

Andando mais um pouco, descobri algumas possibilidades de locais para almoçar e descobri a praça onde parei para descansar e escrever este post.

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Este é um espaço ótimo para crianças brincarem, para fazer exercícios, para fazer uma pausa do trabalho…
Pouco depois que parei no parque, um senhor brincando com um bebê me chamou a atenção. Depois descobri que o garotinho não era conhecido dele, mas estava com uma jovem senhora.

– É seu filho? – perguntei
– Meu neto! – ela falou, sorrindo.

O menino se chama Pedro, tem um aninho e é uma gracinha! Não conversei muito com eles, mas foi interessante observar como começam as interações por aqui. Depois que o senhor foi embo, chegou outra vovó com outro menino da mesma idade, que ficou olhando pra mim o tempo todo 😛

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No parque também tem um mercado orgânico bem bonitinho. Fui lá e conheci a Daniela, vendedora de produtos orgânicos que já morou no Brasil por cerca de um ano. Quando disse de onde vinha…  começamos a falar português!

Vim almoçar no lugar certo: encontrei uma salada ótima e ainda estou ouvindo Aerosmith, que eu não ouvia há tempos!

À tarde, antes de voltar para o hostel, desci na estação Manuel Montt (uma antes da que normalmente desço) e dei mais uma volta por aquele pedaço do bairro, com o qual simpatizei bastante. Até o fim da semana vou almoçar por lá.

{continua}