Quarenta Graus

Faltava pouco mais de 24 horas para eu me despedir do Chile e ainda faltava muito por fazer. Primeiramente, segui as dicas de outra hóspede (chilena de nascimento, radicada em Salvador) que me indicou o pueblito Los Dominicos, também conhecido como o terminal do metrô linha vermelha.

 

A primeira coisa que me chamou a atenção foi (só para variar) o parque. Àquela hora havia praticamente ninguém por lá, a movimentação (que não era tão grande) estava basicamente concentrada no Centro Cultural de Los Dominicos, o local do artesanato.

 

O clima é bem bucólico mesmo, como dá para inferir por essa foto do instagram (@evanaizabely, quem quiser pode chegar!). Tem dezenas de lojas de artesanato em couro, lã, argila, joias com lapis lazuli, flores e o que mais vier pela frente. Também tem lugares para sentar, fazer um lanchinho e ficar pensando na vida.

Segurei a onda nos gastos pensando em basicamente duas coisas: a) o peso da mala; b) minhas finanças mesmo. Quase levei uma boina em lã, vermelha, coisa mais espetaculinda do mundo, mas ficou pequena na minha cabeça. Pirei no artesanato mapuche e tudo mais… Acabei comprando duas fivelinhas de borboleta para mim e uma bolsa de couro para mamãe.

Nas andanças, tive contato com três vendedoras, três senhorinhas doces que me fizeram ter vontade de ficar mais tempo na loja. Principalmente a última, a da bolsa de couro, que tinha fotos de Victor Jara, Violeta Parra e outros cantores. E sim, tocava música lá!

Na saída, ainda dei uma volta pelo parque, tentei fotografar esse pássaro…

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… e um garotinho passou na bicicleta e sorriu para mim. Podia sair recapitulando as vezes em que alguém passou por mim e sorrindo, disse hola!

Próxima parada: Costanera Center. Me disseram que o shopping deixava no chinelo qualquer outro shopping gigante que eu tivesse visto. Pensei no RioMar de Recife, nas dores de cabeça que sinto quando vou lá e fiquei com medinho. Mas mesmo assim, fui…

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Olha ele aí. 🙂

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Vista da passarela de entrada do Costanera. Sim, para entrar a gente sobe uma escada rolante e desfila anda uma passarela.

Quebrando minhas expectativas, não fiquei com dor de cabeça lá, por um motivo simples: a luz não está em excesso! Meu problema com o RioMar é somente o excesso de claridade (alô, astigmatismo). Basicamente só caminhei em busca de um lugar para almoçar, e o escolhido foi o The Crêpe Café, restaurante de crepes originário de San Francisco. Um almoço bem gostoso, tranquilo e… saí do restaurante rolando, mas não podia deixar de provar esse sorvete.20160117_134317

Imagens de dor e sofrimento.

Depois do almoço, dei uma passada no supermercado, onde comprei vinhos para trazer para casa e também uns mimos de papelaria. Aliás, foi na seção de papelaria que vi uma cena meio bizarra: a guarda fazendo escândalo porque aparentemente tinha uma outra mulher roubando a loja. O bizarro da situação foram os gritos da guarda enquanto batia na tal *suposta* ladra. A última vez que vi algo assim (com bem menos alarde) foi nas Lojas Americanas.

Por fim, aproveitei o sol para dar uma última volta pelo bairro Bellavista, com pausa no Cerro Santa Lucía e na La Chascona, casa-museu de Pablo Neruda.

Tarde de domingo, vista do alto do Cerro Santa Lucía. #Santiago #nofilter #vacation

Uma foto publicada por Evana Ribeiro (@evanaizabely) em Jan 19, 2016 às 6:07 PST

 

Para subir o Cerro tem que ter disposição, ainda mais quando a temperatura chega nesse nível:

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Cidade maravilha, purgatório da beleza e do caos feelings.

Não tem praia em Santiago, mas em compensação tem muita grama pra gente se refestelar.

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Mas voltando ao Cerro: a subida é longa, mas o visual lá de cima super vale a pena. Para se recompensar por tamanho exercício, vai uma raspadinha de laranja ou um mote com huesillos, que é bebida tradicional. Com direito a gente do seu lado puxando papo de “calor, hein?”

Amigo, me senti como se estivesse no Rio (saudades, Rio! Um beijo!).

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Sobre a La Chascona: ô lugar lindo! Só saiu essa foto aí de cima porque não podemos fotografar lá dentro, mas cada ambientezinho da casa vai mexendo mais com as suas emoções. Conhecia pouquíssimo de Neruda, na verdade eu não sou a maior fã de poesia (e não sei escrever poesia, sai tudo feioso e com umas rimas dignas de pagode de quinta categoria), mas terminei o passeio apaixonada, com postais para minha coleção e um livro, que já terminei de ler.

E com uma tremenda dor nos pés também!

Segunda-feira me despedi da dona do hostel com um abraço apertado. Ao meio dia eu já estava no aeroporto, sofrendo para encontrar wi-fi decente e passando vergonha (mas dessa vez eu reconheci minha mala, gente!). Não deu para comprar nada no duty free, mas já estava trazendo coisas valiosíssimas na mala.

O que ganhei em Santiago?

1) Mais uma chance de me conhecer um pouco melhor, andando sozinha por aí. Umas 4635 pessoas me olharam meio torto quando disse que ia para lá só, mas taí, gente, fui, voltei, tô inteira e feliz.

2) Uma ligeira melhora no meu espanhol capenga, e vontade de voltar a estudar o idioma a sério.

3) Um upgrade na minha autoestima.

4) Sorrisos aos montes.

5) Condicionamento físico testado e aprovado, porque depois de tanto andar em Santiago e Valparaíso, correr para não perder o voo em Congonhas foi fichinha!

6) Fé um pouco mais fortalecida.

7) Menos preocupação com o julgamento alheio, principalmente se o alheio não é papi ou mami e não paga minhas contas.

8) Mais boca fechada: a solitude me ensinou que certas coisas tem maior sabor se mantidas em local seco, fresco, inodoro e silencioso – no mais profundo do coração.

9) Saudade e gratidão por cada pessoa que cruzou meu caminho nesses 7 dias. Talvez não voltemos mais a nos ver, mas espero poder lembrar de todos com carinho, mesmo com o contato perdido.

10) Inspiração e vontade de voltar a escrever (em blogs, inclusive!).

Por tudo isso, essa foi uma viagem de férias para guardar na memória. E que venham outras aventuras, aqui, ali e além!

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