O low poo e eu

Comecei a transição capilar em janeiro do ano passado, e a concluí em dezembro, com o terceiro corte (que removeu as últimas pontas lisas). De lá para cá, pesquisei bastante sobre o os cuidados com o cabelo crespo, já que uma das minhas ideias era não mais colocar os cuidados com meu cabelo nas mãos de terceiros (embora tenha sido muito bem cuidada pela minha cabeleireira, que me aplicou as progressivas e também foi a responsável pelas tesouradas que revelaram meus cachos outra vez). Foi assim que conheci as técnicas low poono poo.

Nos primeiros meses de transição comprei logo um pote de Yamasterol, um definidor de cachos da Capicilin, shampoo e condicionador Johnson’s Baby… Falhei miseravelmente com o shampoo que, apesar de ser adequado para o low, não era adequado para a minha cabeça. Coisas que acontecem… E eu ainda não tinha feito o primeiro corte, que só rolou em maio. Nessa época, eu ainda não sabia ler o rótulo e comprei um kit proibidão para low poo. Proibidão porque continha *somente* parafinas, silicones, sulfatos fortes, tudo junto e misturado. Era um produto indicado para cabelos cacheados e acabei me dando bem com ele, apesar de muitas vezes perceber que meu cabelo estava pesado e oleoso. Enfim, pelo menos os cachinhos estavam lá firmes e fortes!

Em janeiro último, já livre das pontas lisas, os produtos proibidões já estavam acabando e eu estava de olho nos produtos para começar o low poo de verdade e ver o que ele poderia fazer pelo meu cabelo, que já estava com um aspecto saudável apesar dos óleos minerais. Estava de olho no Curly Wurly, da Lola Cosmetics; mas viajei para o Chile e em um passeio por Valparaíso trombei com esses produtos:

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Eu não queria comprar nada, mas vi a placa anunciando esses produtos 100% naturais e fui atrás! Comecei a usá-los no dia seguinte a minha volta para casa e agora estou aqui para contar a experiência.

No primeiro dia, usei só eles mesmo, finalizando com o Yamasterol. Não funcionou muito bem… Percebi que o cabelo estava meio ressecado. Dois dias se passaram e lavei de novo, dessa vez incluindo o ingrediente que tinha faltado na lavagem anterior: o condicionador! Esse pote de creme ao lado do shampoo é tão somente um creme de reconstrução capilar, logo não serve (ao menos não me serviu) como condicionador. O condicionador que eu uso é o Elsève Óleo Extraordinário Nutrição Intensa. E vou alternando as máscaras capilares: ora uso o keratina aí da foto, ora uso uma máscara da Arvensis à base de óleo de coco que é uma belezura e tem um cheirinho ótimo. Finalizo com o bom e velho Yamasterol amarelo e ainda incluo o óleo Pinga! da Lola Cosmetics. Só no dia da lavagem, uso um definidor de cachos da linha Capicilin Cachos, que foi um dos primeiros produtos que adquiri e como uso super pouco, tá durando até hoje.

Já vai um mês desde que comecei a cuidar do cabelo com esse kit e os resultados já começaram a aparecer. Primeiramente no aspecto tátil: os fios estão mais macios, suaves e muito menos oleosos (esse era um problema desde o tempo dos alisamentos). O frizz diminuiu um tantão… Eu estava dormindo com uma camisola de cetim envolvendo o travesseiro, mas há umas duas semanas abandonei a fronha improvisada e não venho tendo grandes problemas. Tem frizz, mas é perfeitamente suportável. Ah, como meu cabelo está curto, deixei de usar pente para desembaraçar os fios.

Se eu não fosse uma pessoa extremamente calorenta, passaria uns três a quatro dias sem lavar o cabelo, porque os day afters melhoraram um bocado! O problema é o calor que faz nessa terra e me faz querer morar embaixo do chuveiro… Então lavo duas vezes na semana: no primeiro dia lavo com shampoo e condicionador, tudo direitinho. No segundo dia de lavagem, muitas vezes só faço o co-wash (lavo só com o condicionador) e tá tudo certo.

Dizem que não se mexe em time que está ganhando, mas como meu condicionador atual está perto de acabar, estou pensando em experimentar outra marca recomendada para a técnica. Acho que nos próximos meses vou finalmente experimentar o Curly Wurly, para saber que apito ele toca.

Danish Girl

(um post sobre cinema e outras aleatoriedades)

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(foto do Facebook do filme)

O final da tarde da sexta foi assistindo A garota dinamarquesa, filme de Tom Hooper, com Eddie Redmayne e Alicia Vikander nos papéis principais. Pra quem dormiu no ponto e não sabe do que estamos falando, o filme conta a história de Lili Elbe, que nasceu Einar Weineger e é a primeira mulher trans do mundo a passar pela cirurgia. Eddie Redmayne interpreta Einar / Lili, e Alicia Vikander é Gerda, esposa de Einar.

Entrei no cinema já pensando “Já ganhou! Já ganhou!” para o Redmayne. As chances de levar o Oscar de novo são grandes (desculpa, di Caprio!). Teria sido melhor se uma atriz trans fizesse o papel? Talvez, mas não vou entrar nesse mérito, até porque não entendo dessa área e não vou me arriscar a falar besteiras sobre algo que não domino.

A intérprete de Gerda me surpreendeu positivamente, eu não a conhecia! E, como eu imaginava, chorei em vários momentos da metade para o final. Quem for ver o filme e for emotivo que nem eu, leve uns lencinhos, só para garantir.

A trilha sonora me lembrou um pouco alguma música que já ouvi em algum outro filme (não lembro, talvez nem tenha ouvido de fato, só sei que tem algo de familiar), mas gostei muito!

E tem no Spotify! Vem, gente!

A grande surpresa para mim foi o Sebastian Koch participar do filme como o médico de Dresden que cuida do caso Lili Elbe. Ou seja, Sebastian Koch é o homem, o mito do cinema alemão, além de ser meu ator favorito e crush desde Operação Valkiria (antes da versão com Tom Cruise, houve um telefilme alemão estrelado por Koch)

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Foto da fanpage do Sebastian Koch

Ao sair da sala do Shopping Recife, que de tão espaçosa (sqn) me lembrou o episódio do Chaves em que todos vão ver o filme do Pelé, continuei pensando que sim, A garota dinamarquesa tem boas chances de levar uns prêmios pra casa (melhor ator inclusive).

E teve mais!
1) matei a vontade de tomar chocolate quente, mas tô com a língua queimada. 😕
2) o melhor comentário do começo da noite foi inspirado pelo caso da nomeação dos filhos de Eduardo Campos para cargos de chefia no governo de PE e na prefeitura do Recife: “se lerem nossos nomes de trás pra frente, que nem os discos da Xuxa, vão descobrir a mensagem subliminar que a gente tem Campos no nome.”
3) será que dessa vez consigo ver todos os filmes candidatos ao Oscar antes da cerimônia?
4) será que dessa vez vou ter paciência de ver a cerimônia do Oscar na TV?

Sobre a oração

Hoje,  voltando do trabalho, me ocorreu uma lembrança de quando eu tinha uns 8 anos e era do grupo das Mensageiras do Rei, na minha igreja. Nós tínhamos um cartaz em forma de flor e em seu miolo estava escrito: “Orai sem cessar.” Nas pétalas, escrevíamos nossas motivações de oração cotidiana; e minha flor ficava colada na porta do quarto. Depois de alguns meses, a flor da oração deixou de compor a decoração, mas nunca abandonei o hábito.

Acho que a oração foi o primeiro preceito que me foi passado pela família; junto com a gratidão. Até hoje, mesmo nos dias em que estou me sentindo triste e frágil, fecho os olhos para agradecer por estar viva, e pelos meus, e por ter ido e voltado em paz para casa. E não lembro de ter ficado nenhum dia sequer sem voltar meus pensamentos a Deus por alguns minutos.

Hoje olhei para um calendário que está pendurado na porta do meu quarto e que, até então, estava sem utilidade. Pois bem, resolvi transformá-lo em um calendário de oração, incluindo meus motivos (hoje em dia são tantos que a gente até periga esquecer de algo ou alguém!). Acho que vai ser uma experiência legal, essa volta aos bons hábitos de infância.

Sucesso, fracasso e o in between

Saí de casa cedinho, como tantos milhões de brasileiros, com um objetivo definido na mente – uma lista de tarefas, um planejamento, enfim. Cheguei na hora que esperava, estava organizada, tranquila e sabendo o que, quando e como ia fazer tudo. Mas nem tudo acontece do jeito que a gente imagina, especialmente quando dependemos de terceiros. Às vezes (ou muitas vezes!) as pessoas com quem a gente contava que estariam ao nosso lado em determinadas ações simplesmente furam com a gente, por n razões diferentes e a coisa não anda do jeito que deveria andar. E no fim, rolam os por quês na cabeça, junto com uma magoazinha daqueles que deixaram a gente na mão e um gostinho amargo que geralmente acompanha as palavras deu tudo errado.

Fracasso? Comigo não, pelo menos não mais.

Lembrei da primeira vez em que corrigi as provas dos meus alunos, há quase oito anos, e me deparei com algumas notas baixas. Eu fiquei doente. Doente mesmo, de tristeza e de culpa. Me senti um fracasso profissional (e eu mal tinha começado!) porque parte dos meus alunos estavam abaixo da média, porque não estava ensinando meus alunos a falar inglês do jeito que eles esperavam aprender. Depois as coisas melhoraram, outras turmas vieram, outras notas baixas e notas altas também, e eu fui crescendo durante o processo. Um dos reflexos do crescimento (além de eu ter largado de alguns vícios de professora novata) foi que deixei de colocar toda a responsabilidade de aprendizado do povo nas minhas costas.

Pensei na primeira vez em que dirigi sozinha, até o estúdio de pilates. Tudo muito bem e muito lindo, até que bati na garagem da minha própria casa, quando fui estacionar de ré ao voltar da aula. Um epic fail na própria casa… Foi ruim, mas até errar o cálculo do espaço e arranhar a lataria do carro fazendo um barulhão, tinha sido um belo sucesso.

Segundo o DataPovão, eu tinha passado da idade de começar a ter vida afetiva. Aos 23 anos, eu certamente era considerada por muitos um fracasso por nunca ter tido um namorado, ficante ou coisa que o valha. Não que eu não tenha tentado… Simplesmente não foi! Às vezes rolava da pessoa aqui se sentir gorda, feia, chata, entre outras coisas que empurram na nossa cabeça para nos sentirmos mulheres fracassadas e chorar no travesseiro. Um belo dia eu, passando da idade de dar o primeiro beijo, ta-da! tive meu primeiro sucesso amoroso na vida, num dia que eu tava me sentindo um sucesso por aparentar ter 15 anos sem maquiagem e com uma pessoa com quem um dia antes eu tinha tomado sopa de ervilha, explicado o que significa gaia em pernambuquês e papeado sobre Vamp. Foi uma noite engraçada aquela. E foi aí que descobri que compartilhar detalhes sobre meus relacionamentos nunca foi meu clubinho. Tô feliz, minha integridade física, moral e espiritual não está ameaçada, então tá tudo bem.

Todas essas historinhas passadas me voltaram à memória porque fiquei pensando nessas duas palavras irmãs, sucesso e fracasso. Às vezes encaro situações dentro e fora do expediente que frustram as expectativas, é bem verdade, e hoje foi um desses dias. Mas será que eu devia colocar todas as frustrações na caixinha dos fracassos retumbantes? Se mesmo sem quórum eu consigo atingir o objetivo a que me propus quando saí de casa, então volto me sentindo pessoalmente realizada. O fracasso existe e vez ou outra ele me dá uma rasteira, mas me sentir uma pessoa fracassada porque falhei aqui ou ali, ou porque não fiz o requisito já não é algo que me aconteça. Principalmente se fiz tudo o que estava ao meu alcance. Além do que, o fracasso de hoje pode ser o prelúdio do sucesso de amanhã.

Coração!

Minha mãe disse para eu usar o vestido novo para ir trabalhar, para ver se eu me animava um pouco. Terça foi um dia difícil…

Me olhar no espelho com o vestido pouco acima do joelho, o cabelo crespo cada dia melhor e maquiagem mais ou menos (só batom, lápis e máscara) me fez sentir um pouco melhor. Fui à luta.

Sete e meia da manhã e a pessoa vira alvo de uma buzina de caminhão. Esse é o novo “fiu fiu”?

Mas nem todo mundo é trash assim. Na volta do almoço, um moço que trabalha no trânsito mandou essa:

“Essa menina de vestido de coração é toda feita de amor!”

Taí, achei criativo! Pensei “tá inspirado, hein?” Mas a única coisa que consegui fazer foi sorrir e continuar andando.