Sucesso, fracasso e o in between

Saí de casa cedinho, como tantos milhões de brasileiros, com um objetivo definido na mente – uma lista de tarefas, um planejamento, enfim. Cheguei na hora que esperava, estava organizada, tranquila e sabendo o que, quando e como ia fazer tudo. Mas nem tudo acontece do jeito que a gente imagina, especialmente quando dependemos de terceiros. Às vezes (ou muitas vezes!) as pessoas com quem a gente contava que estariam ao nosso lado em determinadas ações simplesmente furam com a gente, por n razões diferentes e a coisa não anda do jeito que deveria andar. E no fim, rolam os por quês na cabeça, junto com uma magoazinha daqueles que deixaram a gente na mão e um gostinho amargo que geralmente acompanha as palavras deu tudo errado.

Fracasso? Comigo não, pelo menos não mais.

Lembrei da primeira vez em que corrigi as provas dos meus alunos, há quase oito anos, e me deparei com algumas notas baixas. Eu fiquei doente. Doente mesmo, de tristeza e de culpa. Me senti um fracasso profissional (e eu mal tinha começado!) porque parte dos meus alunos estavam abaixo da média, porque não estava ensinando meus alunos a falar inglês do jeito que eles esperavam aprender. Depois as coisas melhoraram, outras turmas vieram, outras notas baixas e notas altas também, e eu fui crescendo durante o processo. Um dos reflexos do crescimento (além de eu ter largado de alguns vícios de professora novata) foi que deixei de colocar toda a responsabilidade de aprendizado do povo nas minhas costas.

Pensei na primeira vez em que dirigi sozinha, até o estúdio de pilates. Tudo muito bem e muito lindo, até que bati na garagem da minha própria casa, quando fui estacionar de ré ao voltar da aula. Um epic fail na própria casa… Foi ruim, mas até errar o cálculo do espaço e arranhar a lataria do carro fazendo um barulhão, tinha sido um belo sucesso.

Segundo o DataPovão, eu tinha passado da idade de começar a ter vida afetiva. Aos 23 anos, eu certamente era considerada por muitos um fracasso por nunca ter tido um namorado, ficante ou coisa que o valha. Não que eu não tenha tentado… Simplesmente não foi! Às vezes rolava da pessoa aqui se sentir gorda, feia, chata, entre outras coisas que empurram na nossa cabeça para nos sentirmos mulheres fracassadas e chorar no travesseiro. Um belo dia eu, passando da idade de dar o primeiro beijo, ta-da! tive meu primeiro sucesso amoroso na vida, num dia que eu tava me sentindo um sucesso por aparentar ter 15 anos sem maquiagem e com uma pessoa com quem um dia antes eu tinha tomado sopa de ervilha, explicado o que significa gaia em pernambuquês e papeado sobre Vamp. Foi uma noite engraçada aquela. E foi aí que descobri que compartilhar detalhes sobre meus relacionamentos nunca foi meu clubinho. Tô feliz, minha integridade física, moral e espiritual não está ameaçada, então tá tudo bem.

Todas essas historinhas passadas me voltaram à memória porque fiquei pensando nessas duas palavras irmãs, sucesso e fracasso. Às vezes encaro situações dentro e fora do expediente que frustram as expectativas, é bem verdade, e hoje foi um desses dias. Mas será que eu devia colocar todas as frustrações na caixinha dos fracassos retumbantes? Se mesmo sem quórum eu consigo atingir o objetivo a que me propus quando saí de casa, então volto me sentindo pessoalmente realizada. O fracasso existe e vez ou outra ele me dá uma rasteira, mas me sentir uma pessoa fracassada porque falhei aqui ou ali, ou porque não fiz o requisito já não é algo que me aconteça. Principalmente se fiz tudo o que estava ao meu alcance. Além do que, o fracasso de hoje pode ser o prelúdio do sucesso de amanhã.

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