Como ser solteira mesmo? (uma resenha)

Esse não era pra ser um post convencional, mas sim um post em vídeo; cheguei inclusive a gravar ontem e ficou bem bonitinho, mas… Deu problema no som depois da edição, e assim acabei ficando com preguiça de remontar. Enfim, fica pra próxima. ^_^

Mas não é por isso que não vou falar sobre o último livro que li nesse mês de março: “Como ser solteira”, de Liz Tucillo (uma das autoras de Ele não está tão a fim de você e roteirista de Sex and the city – a série que jamais assisti). Trombei com o livro durante uma passeadinha pela Livraria Saraiva do Shopping Recife e depois de um breve momento de hesitação (“será que não era melhor comprar o e-book?”) acabei levando o volume de pouco mais de 400 páginas. Isso que eu só tinha entrado lá para ver as novidades e comprar material de papelaria! Enfim, saí com o livro na mão e satisfeita com a compra, porque tinha achado o texto da contracapa e da orelha do livro interessante.

Basicamente, a história do livro é contada sob o ponto de vista de Julie, 38 anos, uma assessora de imprensa que ajuda a promover livros de autoajuda e solteira há uns bons anos. Ela não está sozinha na Solteirolândia: quatro de suas amigas estão lidando com as dores e as delícias do estado civil, por mais ou menos tempo e diversas razões. Georgia é a divorciada e mãe de dois, Serena é a espiritualizada, Ruby, a deprê louca por animais e Alice, a profissional bem sucedida que resolve correr atrás do prejuízo na vida pessoal colocando a carreira em stand by. As quatro amigas de Julie não tem nada em comum, a não ser a própria Julie e o fato de serem solteiras; mas ao longo da narrativa, vão se conectando – e essa foi, para mim, a melhor coisa do livro: a forma como as personagens têm suas trajetórias entrelaçadas ao longo dos dez capítulos que compõem o livro.

Enquanto Ruby, Serena, Georgia e Alice lidam com seus dilemas em Nova York, Julie deixa os Estados Unidos em nome de uma ideia: pesquisar sobre a vida de solteira ao redor do mundo, entrevistando mulheres e homens de várias culturas para escrever um livro. Com um adiantamento de sua editora e um break do trabalho como assessora, ela começa a rodar o mundo, parando na Franca, Itália, Brasil, Austrália, Bali, China, Índia e Islândia. Detalhe: a autora realmente passou por estes países e fez entrevistas, o que confere mais verossimilhança às cenas. Pelo menos, na parte do Brasil (o cenário mesmo foi a cidade do Rio de Janeiro), lembrei de alguns momentos das minhas férias em terras cariocas, que também incluíram ida à Lapa e visita a uma quadra de escola de samba. Os demais países eu (ainda) não conheço, então ficou valendo como um guia turístico solteirístico.

Cada capítulo tem como título uma dica de como ser solteira nos dias de hoje, de acordo com as vivências das personagens. Até dá uma levantada na moral, se a pessoa estiver na pior… Se bem que teve uma hora que pensei como assim? que bando de mulher doida!, porque tem horas que elas pesam a mão. Mas por outro lado… Quem nunca fez uma tosquice por causa da carência?

Isso me lembra uma frase que li num blog da Clara Averbuck: A carência é a mãe da roubada.

Terminei a leitura em três dias. É uma leitura rápida, simples e despretensiosa, como um bom chick lit. E também foi a inspiração para o filme homônimo, que (acho) ainda está em cartaz.

Percebi algumas falhas na edição impressa, e também achei estranhas a construção de algumas passagens (suponho que tenha sido um erro de tradução, mas não posso dizer com certeza, já que não vi o texto original).

Onde comprar: inglês / português

Miło cię poznać

Toda vez que eu saio de casa, verifico duas vezes se realmente tranquei a porta. Uma assim que a fecho e outra depois que já estou chegando à esquina, aí tenho de voltar. E geralmente a porta está  bem fechada, mas esqueço o ar condicionado ligado e, como ele está com um problema de vazar água de vez em quando, quando volto para casa a mesa da sala está molhada. Pense numa raiva

Normalmente a minha rua é bem tranquila, mas nesse dia estava estranhamente movimentada, cheia de gente estranha indo para lá e para cá. Entre eles, dois homens que me chamaram a atenção – achei familiares. Eram os dois calvos, um mais alto e o outro mais baixinho. Não demorou muito para reconhecer o mais alto: Marek Napiórkowski! E puxei papo em inglês, que eu não podia perder tempo. Em poucos instantes de conversa, já saquei que ele estava, digamos assim, interessado em mim. Pensei: “ué, ele não tem namorada? Guitarrista é tudo cachorro mesmo?”

O convidei para entrar na minha casa, e não contive o ataque de raiva ao perceber a já esperada inundação na sala. Nem estava tão frio assim; porque eu sempre faço isso? Mas ele estava lá, todo simpático -e era só eu olhar para me desmanchar num sorrisão, ignorando a molhadeira em cima da minha mesa de trabalho. Ele tentou me ensinar uma frase em polonês, que eu não entendi na hora, mas era “prazer em conhecê-la”. Aproximou-se de mim, tocou minha testa. E acordei.

A frase era “miło cię poznać”. E desde então estou com essa música na cabeça.

Estudando com a rádio

Há pouco mais de um mês, instalei o Todoist no meu celular e comecei a usar as to-do-lists como base da minha rotina diária (ou da tentativa de manutenção de uma rotina mínima). Assim, consegui encontrar tempo para fazer coisas básicas, do tipo estudar. Tanto que estou conseguindo focar em três idiomas, olha que massa!

Claro que não são línguas que estou começando do zero. Eu já tinha uma base e agora estou buscando ter tempo para exercitar. Nas terças, o foco é o inglês, já que pretendo fazer mais um exame de proficiência (TOEFL venceu e dessa vez quero um IELTS ou um de Cambridge…) e também tenho um projeto remoto de fazer um curso de aprimoramento fora do país. Na quinta, faço espanhol e só voltei a ele graças à temporada em Santiago. Felizmente, ainda mantenho contato com meu amigo mezzo colombiano mezzo australiano e é com ele que tenho conversado em espanhol via WhatsApp uma vez por semana, ou a cada quinze dias.

Sexta-feira é o dia do alemão, que tá enferrujadíssimo, mas do qual não desisto porque sei que ele está só adormecido em algum canto da minha mente – e quando lembro do episódio dos alemães na fila das Lojas Americanas, fico ainda mais animada de retomar os estudos. A ideia original era fazer um curso no CCBA, mas cadê tempo? Vou estudando em casa com ajuda da Deutsche Welle e tá ótimo.

Meu grande aliado, além dos livros, tem sido a Internet e as rádios locais, que consigo acessar pelo TuneIn, ou seja… Internet. Como gosto muito de rádio, tem sido pura diversão acompanhar os locutores, saber das notícias do mundo e, claro, perceber que estou conseguindo entender o que as pessoas falam (sempre conto aos meus alunos que desenvolver o listening foi meu maior desafio). Agora, deixo com vocês algumas das minhas estações preferidas, para quem tiver TuneIn e estiver procurando alguma ferramenta para treinar a compreensão auditiva com material autêntico:

  1. Rádio Nacional, de Buenos Aires: la radio de todos. Esse é o slogan da rádio, que vai ao ar na frequência AM. Gosto dessa porque não é só música. Aliás, não lembro de ter ouvido música por lá, o foco é mais em notícias mesmo, tipo a CBN. E tem participação do público também.
  2. BBC 1 e BBC 4 Extra, de Londres: enquanto a primeira tem mais cara de rádio mainstream (e entrevistas legais), a segunda é voltada para a dramaturgia, que eu amo. Um dos meus sonhos é montar a versão brasileira do BBC 4. *__*
  3. Antenne Vorarlberg: é uma rádio alemã muito legal. Não tem presença forte de locutor, mas tem música popular alemã, que é breguinha e ma-ra-vi-lho-sa. Escutem Peter Alexander e Heino, é lindo (principalmente o Peter Alexander).
  4. RMF FM, da Cracóvia: atualmente não estou estudando polonês com o mesmo foco das outras, mas aprendi um bocado por osmose, graças a Edyta Bartosiewicz, Grzegorz Turnau e essa rádio linda. A primeira coisa que aprendi lá foi que anuncia-se o comercial dizendo reklama. E que o final do comercial também é anunciado com a expressão po reklamie. No começo achei engraçadíssimo esse negócio de demarcar o intervalo comercial, mas depois a gente saca que é tipo o plim-plim da Globo no intervalo dos filmes, mas na rádio polonesa eles fazem isso O TEMPO TODO.

Por enquanto, essas são as rádios estrangeiras que mais escuto e que mais tem me ajudado nessa jornada de aprimorar a fluência em outros idiomas. Em breve pretendo adicionar o italiano e o francês à lista.