Miło cię poznać

Toda vez que eu saio de casa, verifico duas vezes se realmente tranquei a porta. Uma assim que a fecho e outra depois que já estou chegando à esquina, aí tenho de voltar. E geralmente a porta está  bem fechada, mas esqueço o ar condicionado ligado e, como ele está com um problema de vazar água de vez em quando, quando volto para casa a mesa da sala está molhada. Pense numa raiva

Normalmente a minha rua é bem tranquila, mas nesse dia estava estranhamente movimentada, cheia de gente estranha indo para lá e para cá. Entre eles, dois homens que me chamaram a atenção – achei familiares. Eram os dois calvos, um mais alto e o outro mais baixinho. Não demorou muito para reconhecer o mais alto: Marek Napiórkowski! E puxei papo em inglês, que eu não podia perder tempo. Em poucos instantes de conversa, já saquei que ele estava, digamos assim, interessado em mim. Pensei: “ué, ele não tem namorada? Guitarrista é tudo cachorro mesmo?”

O convidei para entrar na minha casa, e não contive o ataque de raiva ao perceber a já esperada inundação na sala. Nem estava tão frio assim; porque eu sempre faço isso? Mas ele estava lá, todo simpático -e era só eu olhar para me desmanchar num sorrisão, ignorando a molhadeira em cima da minha mesa de trabalho. Ele tentou me ensinar uma frase em polonês, que eu não entendi na hora, mas era “prazer em conhecê-la”. Aproximou-se de mim, tocou minha testa. E acordei.

A frase era “miło cię poznać”. E desde então estou com essa música na cabeça.

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