Ouvindo: “The sweetest illusion”, de Basia

Surpresa do dia para mim foi a liberação no Spotify de “The sweetest illusion”, disco de 1994 da Basia. Cantora polonesa (creio que seja a única ou pelo menos uma das poucas que não canta em sua língua materna), ela segue um estilo próximo da nossa Bossa Nova, que faz o maior sucesso na Europa e no Japão; e ritmos latinos em geral. A ligação da Basia com a música clássica brasileira é tal que em seu álbum de estreia  (Time and Tide, de 1988), tem uma música em homenagem a Astrud Gilberto. O nome da canção é o mesmo da homenageada.

Houve um gap de cerca de 10 anos sem gravações, devido a questões pessoais, mas em 2009 ela voltou com o ótimo “It’s that girl again”. Mais madura, e isso se nota na voz dela, que está ainda melhor. Depois ela não lançou mais nada 😦

(Sou meio besta e quando o Spotify liberou o álbum eu fiquei até emocionada pensando que era disco novo. Doce ilusão…  o último lançamento dela foi uma versão deluxe de London Warsaw New York)

Sobre esse álbum: antes mesmo de ouvi-lo, a primeira coisa que me chamou a atenção foi a capa. De toda a (não muito vasta) discografia dela, essa é de longe a arte mais linda! Apaixonei pela pintura, que foi criada pela artista plástica Halina Tymusz.

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Os primeiros acordes de “Drunk on love”, música de abertura do álbum, dão uma vontadinha de dançar (e foi com essa música que Basia chegou pela primeira e única vez às paradas da Billboard!).

“Third time lucky” é samba/bossa nova até os ossos, assim como “Perfect Mother”! Eu até apostaria que tem dedo de Sergio Mendes nesse babado, mas já virei a ficha técnica do álbum na internet e nada. Bem, a inspiração está lá. 😉

As letras em geral falam das expectativas pelo casamento (She deserves it /Rachel’s wedding), o apaixonamento (The sweetest illusion), pensamentos sobre maternidade (Perfect mother), as pequenas alegrias da vida (Simple pleasures). Praticamente todas as músicas foram escritas pela própria Basia em parceria com o produtor Danny White.

Detalhe: no final de “She deserves It…” a música ganha um incidental que lembra música russa! Até pensei que fosse outra coisa, mas é a mesma música mesmo.

Detalhe 2: o finalzinho de Perfect Mother tem acordeão e Basia vocalizando como se estivesse ninando um bebê. Coisa mais linda!

Como falei antes, Basia não tem uma grande discografia. Mas o que ela produziu nos anos 90 (e no final dos 2000) vale uma conferida. Dos quatro álbuns que ouvi dela, “The sweetest illusion” já é o melhor, tanto visualmente quanto musicalmente. E como ela não lançou nada inédito ultimamente, dificilmente será desbancado.

Facilitando a vida de quem cair nesse post e nunca ouviu falar de Basia na vida, vai aí o álbum completo no Spotify.

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Meus arquivos e eu

Autocrítica não mata, ensina a viver. Hoje foi um dia em que me peguei fazendo um self-criticism dos meus textos de ficção e identifiquei aquele que seria meu maior defeito: falta tempo de pesquisa para organizar a história de uma forma consistente.

Muitas vezes, quando comecei a escrever e sonhar com a publicação, pensei que era mais importante focar nas coisas que acontecem com as personagens, e mesmo que não cuidasse muito de apresentar os cenários para o leitor. Era algo mais ou menos assim: eu sabia onde a história acontecia, tinha a imagem na minha cabeça, mas na hora de colocar no papel (ou na tela)… algo não ia muito bem. Olhando melhor para os meus textos passados e os mais recentes, percebo que preciso melhorar nesse aspecto. Isso é algo que só agora, com um pouco mais de maturidade, consigo entender: para tocar os corações dos outros (e o meu próprio, quando for reler o que escrevi), preciso investir mais tempo e esforço na construção de um cenário convidativo, que os outros consigam visualizar. Afinal, um conto ou um romance é como um filme, só que em vez de frames, temos letras!

O que eu já tenho é tempo reservado especificamente para a escrita, marcado no Todoist e tudo mais. Independente de estar ou não inspirada, eu vou lá e escrevo nem que seja só um parágrafo. O próximo passo vai ser investir mais tempo em pesquisas sobre o que eu quiser que faça parte das minhas criações. Não vai ser fácil nem rápido, mas creio que vou me divertir e aprender muito no caminho.

Tag: meu gosto musical

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Ah, música! Deve ser certamente uma das coisas que mais amo na vida. Minha educação musical foi basicamente influenciada pelas coisas que meu pai ouvia quando eu era pequena, pelas aulas de música na infância, as horas de rádio no carro, os idiomas que estudo e minha própria curiosidade. Vi essa tag no blog da Julia, achei muito legal e resolvi responder também. 😉

Qual seu estilo musical preferido?
Jazz e rock.

Qual o seu cantor ou banda favorito?
Aerosmith, Grzegorz Turnau, Leila Pinheiro e Joyce Moreno.

Qual estilo musical que você menos gosta?
Sertanejo ou forró universitário.

Cite uma música que te fez chorar.
Sou obrigada a citar duas: Fallen Angels, do Aerosmith e A co sny?, de Dorota Miskiewicz.

Cite uma música que marcou algum momento na sua vida.
Sunshine, do Aerosmith.

(aproveitando a oportunidade para dizer que sou fã do Samuel Bayer, diretor deste clipe.)

Qual música você está ouvindo muito recentemente?
Ouvi muito Canzone di Anna, do trio Fabi Silvestri Gazzè. Garrei amor por essa música há algumas semanas. ❤


Cite 03 artistas que você gostaria de assistir um show.
Joyce Moreno, Aerosmith (tá chegando!) e Grzegorz Turnau.
(não sou muito fã de shows porque tenho probleminhas com multidões. Tive uma ótima experiência no show do Paul McCartney no Arruda porque fiquei sentadinha e aproveitei super o concerto; Backstreet Boys foi divertido porque estava com uma turma. Mas tenho uma pequena lista de artistas pelos quais valeria a pena ir ao show e tals…)

Qual música lembra sua infância?

Tem essa música da Leila Pinheiro que lembra muito minhas idas e voltas do colégio. Descobri Leila Pinheiro quando tinha uns dez anos e fiquei tão fã que roubei uma fita cassete que tinha no carro do meu tio (nessa fita tinha Leila, Zizi Possi e Maria Bethania, era tipo um greatest hits, haha). Acho que já contei desse meu delito infantil em todos os blogs que criei, haha.

Além disso, tem todas as músicas do Belchior, Peninha (compositor de Sozinho) e Só Pra Contrariar. Sério, ANOS DE PRAIA ouvindo SPC na ida e Peninha na volta!

Qual música melhora seu humor?
Qualquer uma do Grzegorz Turnau. Tô nervosa? Tô irritada? Tô triste? Turnau neles!

Qual seu filme preferido em questão de trilha sonora?
Wir Kinder von Bahnhof Zoo (Christiane F.), Beleza Roubada e, dos mais recentes, A garota dinamarquesa.

Que tipo de música você gosta de ouvir quando está triste?
Gosto de ouvir trios de jazz instrumental, tipo esse:


(escutei muito essa música quando comecei a escrever Não deu no jornal. Okay, ainda escuto quando vou escrever, porque geralmente eu monto trilha sonora de projetos.)

Em qual momento você ouve mais música?
Durante o expediente, ou quando estou escrevendo.

Qual música você gosta de cantar em voz alta?
Cichozsa, do… é, Turnau de novo (como veem, sou apaixonada por esse homem)! Esta foi a primeira música em polonês que aprendi a cantar sem me atropelar na pronúncia. Dia desses, consegui tocá-la no teclado de ouvido. 😉

Gostou da tag? Fique à vontade para responder no seu blog (e me chama pra conferir o post!)

Hairdo-land: pensando em penteados simples para cabelos crespos

Manhã de terça-feira, segundo day after: a pessoa olha para o espelho e acha que podia aproveitar que o cabelo está um pouco maior para variar o penteado. Nada muito elaborado, porque o tempo não permite, mas algo pra sair um pouco da faixa/turbante de todo dia…

Inspiração (seria “expectativa”, mas como meu cabelo é crespo, a inspiração ficou só por conta da trancinha marota):

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Resultado:

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Não foi dessa vez que consegui fazer uma trança que seja nas minhas madeixas encaracoladas. E eu não conseguia fazer isso nem quando alisava… sou bem ruinzal em atividades manuais em geral. Como estava com o tempo curto antes de ir para o trabalho, fiz o de sempre: uma faixa da minha *pequena* coleção, batom vermelho e lá vamos nós!

Vem que tem: Aerosmith em Recife!

Eis que na hora do almoço, sou surpreendida com esta notícia no instagram oficial do Aerosmith:

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Faz 15 anos que sou fã da banda e sonhava com esse dia chegando! Perdi os shows em São Paulo nos anos anteriores por motivos de:

  1. Iniciação científica;
  2. Sérias restrições orçamentárias (eu tava lisa mesmo).

Eis o que tenho a dizer sobre isso…

Em uma música:


Em um gif:
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via GIPHY

Chega, Outubro!!

Lido: “Jacob’s Room”, de Virginia Woolf

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Virginia Woolf não é leitura fácil. Descobri isso quando comprei este volume da Wordsworth contendo oito romances dela e não consegui passar do segundo capítulo de “Jacob’s Room”. O livro é lindo e ficou por todo esse tempo enfiado no meio dos outros livros na prateleira, intocado e amarelecendo.

Nesse mês de Abril, a ideia era dar uma segunda chance a alguns livros que comprei, comecei e não concluí por qualquer razão. Chegou a hora de voltar para Virginia Woolf. (O projeto “mais uma chance” só não foi 100% bem sucedido esse mês porque comprei “A arte de pedir”, mas em Maio a ideia é só ler livros que foram largados em momentos anteriores. É um jeito também de economizar, já que estou apertando os cintos onde posso, em nome de uma viagem importante que farei ano que vem.)

Jacob, personagem principal do romance publicado em 1922, é um dos filhos da viúva Berry Flandres. Os primeiros dois capítulos contam da infância dele, a viuvez da mãe que não casa de novo… As coisas se tornam interessantes de verdade quando encontramos Jacob adulto, vivendo longe da família, estudando, viajando e arrasando corações por onde passa. Tem dois trechos que me chamaram especial atenção e por isso vou traduzir aqui.

O primeiro sobre o Museu Britânico, onde Jacob e outros personagens passam o tempo lendo sobre filósofos gregos e Shakespeare:
“A chuva caía. O Museu Britânico permanecia em um imenso monte, muito pálido, muito sagaz sob a chuva, a menos de um quarto de milha dele. A vasta mente era envolvida em pedra, e cada compartimento de suas profundezas estava em segurança e seco. Os vigias noturnos, lançando as luzes das lanternas sobre Platão e Shakespeare, viram que em 22 de Fevereiro nenhum criminoso, rato ou invasor violaria aqueles tesouros – homens pobres e extremamente respeitáveis, com esposas e famílias em Kentish Town, fazem o melhor para proteger Platão e Shakespeare, e depois são enterrados em Highgate.” (Página 79)

O segundo, sobre as observações de Jacob sobre as pessoas na Grécia, para onde ele vai no terço final da narrativas:
“Jacob foi à janela e ali ficou com as mãos nos bolsos. Ali ele viu três gregos em kilts; os mastros dos navios; pessoas ociosas ou ocupadas das classes mais baixas passeando ou saindo ligeiras, ou saindo em grupos e gesticulando com as mãos. A falta de preocupação delas com ele não era a causa de sua melancolia; mas alguma convicção mais profunda – não era apenas ele que estava solitário, mas todas as pessoas.” (Página 100)

Jacob é um sujeito muito calado, amante das artes, faz o tipo melancólico e pelo menos na minha imaginação, é lindo. Falei que ele arrebata corações, né? Mas quando ele se apaixona… aí não posso falar muito sem dar spoilers, hahah.

O livro é curtinho, levei aproximadamente três semanas para terminar basicamente porque não estava acostumada com o estilo Woolf. Quando virei a página e dei de cara com o fim, até levei um susto: como assim, já acabou?

Agora só me faltam 7 romances para finalizar o volume. O próximo da lista vai ser “Mrs Dalloway”.

Lido: “A arte de pedir”

Acabei de concluir a leitura do meu “livro de rua” desse mês. A propósito, livro de rua é como chamo o livro que leio no Kindle, já que na maioria das vezes leio e-books quando não estou em casa.

“A arte de pedir” (The art of asking) é de autoria de Amanda Palmer, cantora/compositora/performer de quem eu tinha ouvido falar muito vagamente. Sabia um pouco sobre sua trajetória artística, a experiência com o crowdfunding e só. Comprei o livro depois de sair de uma sessão de terapia, e na semana seguinte ele foi um dos assuntos que levei para a terapia.

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A capa remete aos tempos de estátua viva de Amanda: pintada de branco, ela dava uma flor a quem deixasse dinheiro em seu chapéu. Também tem referência a quando ela se despiu para que os fãs a pintassem.

O livro conta muito da trajetória de Amanda como artista, desde o começo como “A noiva de dois metros e meio”, e do tanto que essa experiência ensinou a ela sobre criar conexões com outros indivíduos e como galgar os degraus que a levariam ao sucesso. Rolam histórias de amor e confiança, também de ódio, medo e aparições da Patrulha da Fraude (aquela que vem para dizer que não sabemos, podemos ou merecemos aquilo a que nos propomos). Daí já dá pra entender porque levei o livro para a sessão…

Entre um capítulo e outro, há fotos e letras das músicas de Amanda: gostei especialmente de duas: “Bigger on the inside” e “The ukulele anthem”.  Ainda não ouvi nada dela, mas vou fazê-lo em breve.

Com a experiência dela contada de forma franca, aprendi algo sobre não ter medo de pedir ajuda. Aprendi a “aceitar as rosquinhas” que o universo oferece, que “é preciso manter a dádiva circulando” e que aceitar o presente é muitas vezes o presente em si. Ah, e se lançar sobre a multidão e confiar no seu povo é um exercício diário.

Esse é certamente um livro que vou reler daqui a algum tempo, pelas lições que consegui extrair dele e que vão influenciar, nem que seja um pouco, na minha vida pessoal e profissional.