Lido: “Jacob’s Room”, de Virginia Woolf

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Virginia Woolf não é leitura fácil. Descobri isso quando comprei este volume da Wordsworth contendo oito romances dela e não consegui passar do segundo capítulo de “Jacob’s Room”. O livro é lindo e ficou por todo esse tempo enfiado no meio dos outros livros na prateleira, intocado e amarelecendo.

Nesse mês de Abril, a ideia era dar uma segunda chance a alguns livros que comprei, comecei e não concluí por qualquer razão. Chegou a hora de voltar para Virginia Woolf. (O projeto “mais uma chance” só não foi 100% bem sucedido esse mês porque comprei “A arte de pedir”, mas em Maio a ideia é só ler livros que foram largados em momentos anteriores. É um jeito também de economizar, já que estou apertando os cintos onde posso, em nome de uma viagem importante que farei ano que vem.)

Jacob, personagem principal do romance publicado em 1922, é um dos filhos da viúva Berry Flandres. Os primeiros dois capítulos contam da infância dele, a viuvez da mãe que não casa de novo… As coisas se tornam interessantes de verdade quando encontramos Jacob adulto, vivendo longe da família, estudando, viajando e arrasando corações por onde passa. Tem dois trechos que me chamaram especial atenção e por isso vou traduzir aqui.

O primeiro sobre o Museu Britânico, onde Jacob e outros personagens passam o tempo lendo sobre filósofos gregos e Shakespeare:
“A chuva caía. O Museu Britânico permanecia em um imenso monte, muito pálido, muito sagaz sob a chuva, a menos de um quarto de milha dele. A vasta mente era envolvida em pedra, e cada compartimento de suas profundezas estava em segurança e seco. Os vigias noturnos, lançando as luzes das lanternas sobre Platão e Shakespeare, viram que em 22 de Fevereiro nenhum criminoso, rato ou invasor violaria aqueles tesouros – homens pobres e extremamente respeitáveis, com esposas e famílias em Kentish Town, fazem o melhor para proteger Platão e Shakespeare, e depois são enterrados em Highgate.” (Página 79)

O segundo, sobre as observações de Jacob sobre as pessoas na Grécia, para onde ele vai no terço final da narrativas:
“Jacob foi à janela e ali ficou com as mãos nos bolsos. Ali ele viu três gregos em kilts; os mastros dos navios; pessoas ociosas ou ocupadas das classes mais baixas passeando ou saindo ligeiras, ou saindo em grupos e gesticulando com as mãos. A falta de preocupação delas com ele não era a causa de sua melancolia; mas alguma convicção mais profunda – não era apenas ele que estava solitário, mas todas as pessoas.” (Página 100)

Jacob é um sujeito muito calado, amante das artes, faz o tipo melancólico e pelo menos na minha imaginação, é lindo. Falei que ele arrebata corações, né? Mas quando ele se apaixona… aí não posso falar muito sem dar spoilers, hahah.

O livro é curtinho, levei aproximadamente três semanas para terminar basicamente porque não estava acostumada com o estilo Woolf. Quando virei a página e dei de cara com o fim, até levei um susto: como assim, já acabou?

Agora só me faltam 7 romances para finalizar o volume. O próximo da lista vai ser “Mrs Dalloway”.

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