Vinte e oito é muito ou pouco?

Um dia desses eu fazia projeções para o futuro, tentava imaginar como eu estaria quando chegasse aos late-twenties/early thirties. E, na minha cabeça, eu me via no evento de lançamento de uma novela escrita por mim. Me via feliz da vida sendo roteirista de TV e cinema, amada e bem paga. Pensava que estaria morando no Rio ou em São Paulo (ou em algum outro país) por causa do trabalho, mas que teria meu QG em algum bairro da Zona Norte do Recife, para onde eu sempre voltaria para ver o meu povo. Também pensei que estaria casada, ou pelo menos em um relacionamento estável, e talvez até esperando o primeiro filho. Se estivesse grávida, ia torcer para que o bebê viesse com um nariz parecido com o meu. Estaria diminuindo o ritmo para trabalhar em casa; teria um home office que seria a minha cara. Faria o que amo, estaria financeira e emocionalmente estável, na medida do possível.

Hoje, desde as 09h50 da manhã, tenho oficialmente 28 anos. E estou escrevendo esse texto na cozinha, porque é o único lugar onde consigo internet de qualidade depois que a Velox me deixou na mão. Continuo solteira, morando com meus pais graças a Deus e não sei se quero realmente ter filhos, mas às vezes a maternidade vem à minha mente quando penso em adotar um menino, quando e se eu estiver pronta a assumir esse papel de mãe, com todos os seus ônus e bônus. Quando (e se) eu chegar ao casamento ou a algum relacionamento que dure mais de dois meses, volto a pensar no assunto.

Tive várias chances de chegar um pouco mais perto do mundo do audiovisual, com o qual comecei a sonhar aos sete anos, quando resolvi que ia escrever novela. Algumas eu abracei e arrisquei, outras não; e hoje a pergunta que me faço é se é realmente isso o que quero da vida. Minha relação com a TV hoje é bem diferente da que eu costumava ter até uns anos atrás: onde foi parar aquela menina noveleira, que adorava uma revista de fofoca, que não perdia um programa do Nelson Rubens, Leão Lobo, Clodovil ou Sonia Abrão (antes dos funerais) e quando pegava o Caderno C do Jornal do Commercio ia direto para o resumo das novelas e os quadrinhos?

Ela cresceu e se tornou uma adolescente que sonhava em ter a própria banda de rock. Ou casar com Brad Whitford. Que ao abrir o mesmo Caderno C, além de ler o resumo das novelas e os quadrinhos, também lia o que estava acontecendo na cena musical de Pernambuco e além. Que sonhava com o jornalismo e com os festivais de música, mas em cima da hora escolheu letras para se tornar tradutora e, quem sabe, trabalhar como intérprete de músicos internacionais.

Veio a graduação, as dúvidas e as reafirmações de algumas coisas na vida. Em quatro anos eu pensei em ser professora de inglês, depois pensei em largar tudo e partir para Rádio e TV. Depois veio a iniciação científica e, a reboque dela, o sonho de ter uma brilhante carreira acadêmica. As ambições artísticas ficariam sendo só  hobby.

Quis Deus que, há quase oito anos, eu me tornasse professora e começasse a gostar disso, apesar das dificuldades que se impõem. Um dia eu disse que nunca mais voltaria a uma sala de aula como professora. O nunca mais durou seis meses, e virou fumaça há seis anos. O mundo acadêmico deixou de ser prioridade na minha vida e a quem perguntar, só respondo: “por favor, não me pressione.”

Acho que já posso me considerar uma pessoa adulta. Uma mulher-moça-menina que está recuperando aos poucos a fé no amor, que está aprendendo que uma vida feliz não é só a carreira bem sucedida, que sobreviveu aos abusos emocionais que já sofreu e está aprendendo que dizer “não” para os outros é um sinal de fidelidade aos próprios princípios. Estou aprendendo a respeitar os meus princípios e ao mesmo tempo me arriscar um pouco quebrando regras que não me façam mais sentido. Estou aprendendo a me perdoar, isso é difícil e meio doloroso. Estou aprendendo a não me culpar, lidar com o monstro da ansiedade e a não me entristecer nem me sentir desimportante quando às vezes me veem como só mais uma na multidão. Além da multidão, estou encontrando a minha voz – e a afinando.

Uma amiga dos tempos do colégio comentou que admirava minha autenticidade desde aquela época. Isso me fez sorrir, pensando que eu nunca havia me visto como uma pessoa autêntica.. Mas vai que autenticidade é, entre outras coisas, justamente isso: reconhecer que não estamos prontas e estar sempre disposta a aprender.

Diante das coisas e escolhas que já fiz e experiências pelas quais passei, vinte e oito anos é bastante tempo, a propósito tenho mais marcas na memória e no espírito do que no rosto. Mas diante de tudo o que preciso aprender e dos desejos que ainda quero realizar, é muito pouco. Como diz uma música da Basia, “meus pensamentos gratos vão para o céu.” E antes de soprar as velinhas, meu pedido é: que Deus me conceda o combo mais vida + mais sabedoria. Vou recebê-la e a saborear com o coração aberto.

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Jazz made in Korea

Há duas semanas, mais ou menos, fui instigada a pesquisar sobre música coreana, por influência de um grupo de alunos que tenho aos sábados. Eles disseram que o K-Pop era uma música feliz na opinião deles; e que eu deveria ouvir. Pois naquele dia mesmo, quando voltei do curso e acessei a Internet, fui fazer uma pesquisa rápida sobre o que a Coreia (do Sul) tinha a oferecer musicalmente.

Duas coisas me chamaram a atenção, para além do que os meus alunos comentaram do pop coreano:

1) Segundo o Wikipédia, tem uma cena musical cristã relevante. Ainda não ouvi nenhum artista desse nicho.
2) Tem o Korean Jazz Orchestra. E como eu gosto de jazz, fui conhecer mais da big band.
A descrição do conjunto na página do Facebook (que eu não conseguiria ler, não fosse o Google Translate) diz que a orquestra está em atividade desde 1995 e é conhecida pela interpretação criativa que faz das músicas, absorvendo o que tem de melhor no mundo todo para criar o seu próprio som. Existe apenas um álbum lançado, o Dream, que data de 2014 e está disponível  no meu queridinho Spotify.

Todas as faixas do álbum (exceto a última), assim como seu título, estão em inglês; mas é a única coisa em inglês que a gente vai ver ou ouvir… As duas primeiras canções contam com uma vocalista de voz doce, cujo nome ainda não descobri mas prometo que atualizo esse post assim que souber o nome dela! E sim, ela canta em coreano, obviamente. No começo a gente estranha, mas depois se acostuma…

E a segunda música (Pierrot is laughing at us) me lembrou muito música tema de live-action japonês. Sério. Já ouvi esse album umas três vezes e não tem quem me faça mudar de ideia.

Um toque da música brasileira tipo exportação a gente vê em Reunion in heaven. Mas a que valeu o replay mesmo, na minha opinião foi Arirang, a última faixa. Favoritei lindamente!

A gente encontra vídeos de apresentações da orquestra facilmente no YouTube; como este aqui:

Também tem a New York Korean Jazz Orchestra, mas não confundir! A banda de NY é formada por expatriados e está em atividade desde 2007,  mas aí é assunto para outro post…

E em outro post ainda, falarei sobre o K-Pop, que acabei ainda nem ouvindo. 😜

“Grace and Frankie”, season 2: done!

Sábado estive na casa de uma amiga que, apesar de morar bem pertinho de mim, eu não via há uns bons meses, graças a nossas agendas super atribuladas. E eu estava a fim de conversar, dar uma relaxada dos últimos dias – que foram bem difíceis, por sinal. Conversamos sobre séries e ela comentou que não conseguia assistir a duas séries ao mesmo tempo, enquanto eu estava fazendo malabarismo para acompanhar várias. A cada dia da semana, assistia a uma diferente. Mas, depois de conversar com a minha amiga, resolvi focar só em Grace and Frankie, que eu já estava meio que maratonando (foram três episódios in a row logo no dia em que fiquei de repouso e só não fiz mais porque aproveitei para ver novela no Viva, que era algo que eu não fazia há tempos também).

Grace-and-Frankie.png

Primeira coisa que reparei é que os episódios nessa segunda temporada ficaram um pouquinho mais extensos. Coisa pouca, depois que a gente pega o embalo. Na verdade acho que ficou entre cinco e dez minutos a mais. Também foi nessa segunda temporada que houve um foco maior em Robert (Martin Sheen) e Sol (Sam Waterston), no conflito entre eles gerado por um acontecimento do último episódio da temporada 1 (sem spoilers porque né…). Acabei me pegando na torcida por eles!

Na verdade, garrei amor pelos quatro personagens. Sol e Frankie (Lily Tomlin) me fizeram rir mais, é verdade, mas gosto de todos eles. Outra coisa que adoro na série é o roteiro, obviamente: os diálogos e situações são inteligentes e envolventes. Como é uma série com foco na terceira idade e todas as questões concernentes a essa etapa da vida, inevitavelmente a gente que é jovem se pega pensando em como vai ser lidar com amor, sexo, morte, traição, vocação, trabalho, família, amizade e mais um monte de coisa quando chegar aos 70 e tantos. E ainda ficam algumas lições preciosas: a maior delas certamente é não perder tempo, porque não temos todo o tempo do mundo.

A segunda temporada, assim como a primeira, consta de 13 episódios e para mim, o décimo segundo foi de longe o mais tocante. Foi a primeira vez que me peguei com lágrimas nos olhos enquanto assistia. O season finale poderia ser um excelente encerramento para a trajetória da série toda, na minha opinião, mas… Vai ter terceira temporada!! *cheers*

Enquanto isso, a próxima maratona vai ser de Mad Men, já tá resolvido. Recomeçamos amanhã.

O treino da vizinha é mais legal que o seu?

Às vezes, no meio do treino, você está lá tentando focar no que está fazendo, mas sem querer lança um olhar de relance e percebe a pessoinha do lado muito mais desenrolada que você jamais pensaria em ser. Em vez de focar em concluir o movimento da melhor forma que pode, você pensa apenas que a pessoa a poucos metros de você é melhor. Como se isso tornasse você irremediavelmente ruim. E vem aquela pergunta: meu, o que eu to fazendo aqui? Não consigo…

No pilates, atividade que faço há pouco mais de três anos, o foco é o autoaperfeiçoamento: concentração em respirar, executar os movimentos com precisão e leveza, cuidar da postura. Todo dia é um desafio, e é a maior alegria quando a gente percebe que está evoluindo! Mas às vezes é inevitável a comparação com a coleguinha e nessas horas a gente pensa: poxa, já faz tanto tempo! Por que não estou tão boa assim?

É como se ver a colega ser mais flexível e mais precisa na realização de uma série invalidasse todo o meu próprio desenvolvimento, e é o tipo de coisa que não deveria acontecer. Afinal de contas, cada corpo tem suas peculiaridades, que só o próprio dono do corpo conhece. Tenho meus traumas, vícios e probleminhas congênitos, que mais ninguém tem; e nos últimos três anos e pouquinho, tenho aprendido a superar os traumas, corrigir os vícios e conviver com os problemas sem deixar que eles atravanquem minha vida (alô, joelho torto!). Algumas séries são mais desafiadoras para mim do que outras; algumas coisas eu aprendi rapidinho enquanto outras me custaram um pouco mais de tempo. Tem dias que são melhores que os outros? Sim, sempre. Mas o que preciso lembrar é que só preciso ser melhor do que eu mesma no treino de ontem, e não do que a vizinha (que manda muito bem). Afinal, ela não tem meus joelhinhos… ^_^  E tem espaço para todo mundo ser sensacional que nem o Bluebird.

Esse é só um dos inúmeros vídeos que tem na internet e que servem de inspiração pra gente que treina: ah, um dia eu quero chegar lá!

A conversa chegou na cozinha: meu pão de liquidificador

Nos meus dias de *folga forçada*, já que estava sem ir trabalhar por recomendação médica, resolvi fazer coisas que queria muito, mas não tinha tempo suficiente – e não iam me exigir nem deslocamento, nem muito esforço. Uma delas foi fazer o vídeo que publiquei na sexta-feira mesmo. A outra foi cozinhar.

Lidar com panelas e fogão é algo que me interessa, mas que faço muito pouco. O interesse por colecionar e testar receitas surgiu forte mesmo quando comecei o curso de Gastronomia na UFRPE. Infelizmente, durei só um mês por lá, porque a pessoa não pode fazer mil coisas ao mesmo tempo (na época eu estudava cinema e tinha umas dez turmas no curso de idiomas onde trabalho; quando acrescentei acordar de madrugada para ir para a Rural, tive um piripaque). Foi uma pena, porque eu estava seriamente pensando em focar na pâtisserie, quem sabe mudar de foco profissional… Mas Deus sabe de todas as coisas, né?

No Pinterest tenho uma pasta chamada Recipes, onde coloco as comidas que acho bacanas e quero fazer um dia aqui em casa. O escolhido da vez foi o pão de liquidificador, cuja receita você encontra aqui.

Com vocês, o meu pão:

 

A casca não ficou tão douradinha quanto a foto do site, mas ficou gostoso. Bom para comer com manteiga, queijo ou nutella. E zerou uma frustração minha, que tinha tido um bolo de liquidificador solado um tempo desses aí. Para uma primeira vez fazendo pão, ficou foi ótimo! E como sobraram pacotinhos de fermento biológico aqui em casa, daqui uns dias pode ser que eu faça de novo ou teste outra receita de pão em breve – com moderação, porque esses dias andei comendo demais, o que além de provocar ganho de peso, também gera umas dores de estômago chatas, das quais quero me ver livre por bastante tempo.

Ah, e aceitamos dicas de receitas novas nos comentários. 😉

Missing Santiago

Acordei com uma saudade do Chile! Sonhei que estava voltando para lá, em uma turma bem grande que incluía praticamente todas as pessoas que conheci no começo do ano.

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Até aquele cara que eu detestei, que ficava falando alto quando a gente queria dormir e procurando maconha em todo lugar. Até do maconheiro chato que disse que gostava de mim eu tô sentindo falta, gente!

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Se eu tivesse grana sobrando, ia dar um pulinho por lá, dar uma voltinha e ver a que horas o sol se põe agora que tecnicamente estamos no outono. Mas o foco agora é a próxima viagem, que graças a Deus, está cada vez mais próxima.

E esses dias que passei de molho até ajudaram a aliviar um pouco a agonia das últimas semanas. Acho que estou mais fortinha para encarar as broncas agora.