Vai, America! – breve comentário sobre “A Seleção”

Gosto de livro YA porque depois de um dia meio estressante, é de livro assim que a gente precisa para desopilar um pouco. Claro que não é de todo livro para adolescentes que eu gosto, e na verdade eu tinha até ficado um bom tempo sem ler nada do gênero. Mas me deparei com a série “A Seleção”, de Kiera Cass, na biblioteca aqui perto do trabalho, e fui atraída pela capa (pelo resumo na contracapa também). Foi assim que comecei a acompanhar a história de America Singer e companhia.
Pergunta: já fizeram o filme baseado nesses livros? Porque se não fizeram, deviam.

No começo, eu só fui com a cara da própria America mesmo. A garota que vive com dinheiro contado, que ama arte, que não quer “se vender” em nome de uma ascenção social em um reality show para conquistar um príncipe. Mas ao entrar em um mundo completamente novo para ela – o da realeza – a nossa heroína descobre que por trás das imagens perfeitas que via na TV, existe humanidade (o príncipe não é o boneco de cera que ela e muita gente pensou), e ela percebe que pode conquistar muita coisa sem ter de necessariamente trair seus princípios. É só ser ela mesma!

À medida que eu ia avançando na leitura, comecei a torcer pela America como quem torce por um time de futebol, ficava “gritando” internamente “Vai, America!” e a leitura fluiu bem.

Outra coisa que gostei no livro (e que faço muito quando crio meus próprios textos) é desenvolver um cenário total ou parcialmente fictício para a trama acontecer. Parece que a gente tem até mais liberdade de viajar na maionese, sabe? Criar os próprios espaços, regras, e tudo isso para os personagens ganharem vida. E ainda rola uma crítica sobre a história manipulada pelos donos do poder. Ponto para a autora!

Enquanto a protagonista do livro é realmente muito boa, Aslan é bem chato e o príncipe Maxon, na minha opinião, nem é amável nem detestável. Tá ali, no meio termo…

Ainda não peguei o livro 2, mas é algo que farei em breve. E depois, claro, compartilho aqui.

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Ouvindo: “Campo Belo”, de Anthony Wilson

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Fiquei devendo esse post por algumas… Semanas? Meses? Enfim, desde o último post sobre música aqui no blog, quando falei do Chico Pinheiro, fiquei de escrever sobre o Anthony Wilson. Mais especificamente sobre esse disco, que ficou por bastante tempo entre os meus favoritos.

Contextualizando para quem não sabe quem é: Anthony Wilson é um guitarrista norte-americano, há mais de dez anos tocando com Diana Krall e que chegou aos meus ouvidos graças ao álbum “Nova”, de 2008, que foi realizado em parceria com Chico Pinheiro. A propósito, esse não é o único trabalho deles juntos, teve ainda outro disco (“Seasons: live at the Metropolitan Museum of Art”, que também conta com Steve Cardenas e Julian Lage), do qual falarei outro dia.

Sobre “Campo Belo”, que foi lançado lá em 2011: não é só o título que é familiar para a gente. O álbum inteiro pode ser considerado uma ode à musicalidade brasileira, já que foi todo gravado em São Paulo, com uma banda de apoio totalmente formada por músicos brasileiros: André Mehmari no piano, Edu Ribeiro na bateria, Guto Wirtti no baixo, Joana Queiroz no clarinete e Vitor Gonçalves no acordeon. Esse time participou da fusão do que há de melhor no jazz com ritmos que só existem aqui no patropi.
O álbum todo é muito bom, mas tem uma música que tocou meu coração e garantiu seu lugarzinho na trilha sonora da vida: “Valsacatu”.

Eu não sou chegada a maracatu nem nada, tudo o que sei sobre ele é muito superficial, mas tenho um orgulho enorme de Pernambuco e ouvir a percussão típica do maracatu misturada com o jazz (que eu amo) fez meu coração acelerar. Tenho certeza que no dia em que eu estiver morando fora, essa vai ser uma das músicas que vai me fazer chorar de saudade das coisas daqui.

(Eu nem tinha notado que era tão bairrista…)

Outra música que eu destacaria dentre as melhores do disco é “Flor de Sumaré”. Repeti tantas vezes “Valsacatu” que nem prestei atenção à faixa que vinha depois dela, mas um dia deixei a tracklist avançar e percebi o quanto “Flor…” é uma música delicada, fazendo jus ao título.

A faixa-título, que também é a que abre o disco, me lembrou um pouco uma marcha, como se fosse uma versão mais lenta de uma bandinha marcial de cidade do interior (espero que dê pra entender) em fim de desfile de sete de setembro.

(Aproveitando a oportunidade para registrar algo nada a ver com o assunto: esse ano eu soube de uma banda marcial que tocou “Malandramente” no meio do desfile e eu precisava compartilhar isso – e gostaria de ter visto também.)

A arte da versão física do álbum é a única coisa que não tem dedo brasileiro no meio: foi feita pela artista Asuka Ohsawa (tem ilustrações L-I-N-D-A-S no site dela, vejam!). A ilustração é linda, com essas criaturazinhas com calças de Arlequim e cabeças de cone, tocando instrumentos de sopro. ^_^

“Campo Belo” está disponível em plataformas de música digital e também no site https://anthonywilson.bandcamp.com/album/campo-belo, onde também é possível comprar todo o álbum ou músicas separadas. Aproveitem também para ouvir “Frogtown”, seu lançamento mais recente! 😉

Assistindo: Paris, Texas

Esse é um dos filmes mais conhecidos do Wim Wenders, e por incrível que pareça, eu ainda não tinha assistido. Fazia nem ideia do que se tratava a sinopse! Mas anteontem bateu vontade de ver de novo Movimento em Falso (Falsche Bewegung), que é um dos meus filmes favoritos no mundo inteiro, e não encontrei na Netflix para assistir – também estava sem o cliente torrent para fazer download e acabei desistindo. Fui escolher outro filme do mesmo diretor, e foi assim que me apareceu Paris, Texas.

paris_texas

Pôster do filme encontrado no site imdb.com.

O plot é simples: Travis Henderson (Harry Dean Stanton) é encontrado sem memória no Deserto do Mojahve, Texas; e depois seu irmão Walter (Dean Stockwell) vai encontrá-lo e levá-lo para casa, depois de quatro anos desaparecido. Nas primeiras cenas, Travis não fala absolutamente nada. Sua primeira palavra no filme todo é:

– Paris.

Mas não é a Paris capital da França, não; e sim Paris texana, onde Travis comprou um lote vazio com a intenção de construir algo e viver com sua mulher e seu filho. Por que logo aquele lugar? Travis achava que era ali a sua origem, o local de sua concepção, baseado no que seu pai dizia. A mulher também está desaparecida, e o filho, então com sete anos, é cuidado pelo irmão e pela cunhada, Anne (Aurore Clément). Depois de tanto tempo distante, errando por aí, e chegando à casa do irmão em Los Angeles sem lembrar de praticamente nada, começa o processo de reatamento dos laços desfeitos. Primeiro, com o pequeno Hunter (Hunter Carson) e depois, buscando Jane (Natassja Kinski), cujo paradeiro é desconhecido até certa altura do filme, quando surge uma pista.

O filme me pegou mesmo depois do reencontro do pai com o filho, e o começo das tentativas de recuperar o vínculo familiar; e o garoto Hunter é responsável por um dos melhores momentos do filme para mim: quando um coleguinha da escola pergunta como é possível ter dois pais e ele responde “Sorte, eu acho.” E segue pai e filho andando em lados diferentes da rua, imitando os gestos um do outro.

Melhor cena, gente! ❤

Esse foi apenas um dos muitos momentos em Paris, Texas, que me fez confirmar o quanto gosto do trabalho do Wenders, mesmo conhecendo pouquinho (com este, são três filmes assistidos – o outro foi Asas do desejo). Pretendo ir, aos poucos, tirando o atraso na filmografia.

Errando e aprendendo

Acho que passei os últimos meses achando que shampoo sem sal e shampoo sem sulfato era tudo a mesma coisa. Acabou que aquele shampoo que comprei em Valparaíso (saudades!) e que tá durando eras (já passaram três condicionadores diferentes e algumas máscaras de tratamento, e o shampoo lá, firme e forte), tinha sulfato. Não tinha sal, nem os silicones da vida, mas né? Sulfato… Proibidão para o low poo, que eu tava tentando fazer.

Vou descartar os últimos suspiros do shampoo? Não, senhores!  Alguma coisa vou fazer com o restinho, até porque não é um produto ruim. Meu cabelo se deu bem com ele, enquanto o usei, antes de começar o no poo. E falando em no poo, fiz um pequeno investimento e comprei os produtos Deva Decadence (No Poo + One Condition). Depois das máscaras da Inoar, foi a compra mais cara que fiz para esse cabelo que tem crescido a olhos vistos (vi as fotos das viagens de Janeiro e umas que fiz dia desses e fiquei chocada com a evolução). Daqui a uns dias testarei e depois volto aqui (ou no canal) para dizer o que achei.

Ah, e o que me motivou mesmo a vir postar hoje foi que, pesquisando aqui no Google, descobri que existe shampoo natureba com… Cannabis (yep, maconha! De fumar ou de passar no cabelo?).