Acabou a revisão: e agora?

Passei os dois primeiros meses do ano ocupada em fazer a revisão da novela feita no NaNoWriMo e, a passos de tartaruga, consegui concluir. Terminei precisamente ontem e eis os resultados:

  • Não cheguei às 50.000 palavras, né? Tinha ficado com 48.000 e na revisão cortei mais mil;
  • Consegui fazer a divisão do imenso capítulo 3, e no total deu 18 capítulos;
  • Até aqui estou satisfeita com o material, depois de reler umas 3 vezes.

E agora? Até aqui, os planos para o texto são:

  • Encaminhar para registro na Biblioteca Nacional;
  • Arranjar leitores beta para fazerem suas considerações no texto antes que eu publique;
  • Traduzir o texto para o Inglês (ideia que me ocorreu há algum tempo mas só agora está mais amadurecida; ou seja, vem aí mais um processo longo, que vai incluir umas três releituras);
  • Começar os preparativos para publicação, o que vai demandar um ligeiro gasto de dinheiro, com a parte gráfica, principalmente (queremos capa bonita! e, se tudo der certo, um booktrailer).
  • Dessa vez, também pretendo fazer uma gravação em áudio. Não necessariamente para publicação, mas estou sentindo a necessidade de ouvir meu texto. Pode ajudar bastante no futuro.

E por enquanto é isso. À medida que eu for avançando no processo para publicação, vou escrevendo por aqui.

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Assistido: Rita (primeira temporada)

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Enquanto estou esperando o pão sair do forno, aqui estou escrevendo esse post que venho adiando há um tempo, sobre a série dinamarquesa Rita, da TV2 da Dinamarca em parceria com a Netflix.

A propósito, só vi um episódio com o áudio original; os demais coloquei dublado em alemão, porque estou precisando treinar. ^_^

Gosto demais da abertura e da música! Mas falando sobre a série: a protagonista é uma professora bem politicamente incorreta. Transa com o diretor da escola (na sala dele!), não se relaciona direito com os demais colegas professores, peita pais de alunos… No universo off-escola as coisas também não são as mais certinhas: divorciada, tem três filhos (o mais novo tem 15, o mais velho, que não vive com ela, está na casa dos 20) e o relacionamento com eles é estranho – ela parece não conhecê-los direito e não sabe lidar com eles. Um exemplo: só depois de muito tempo ela vai descobrir que a filha Molly (Sara Hjort Ditlevsen) é disléxica, o que poderia ter evitado vários problemas para a jovem, que tem autoestima baixa, mas tenta disfarçar.

Com a mãe, outro relacionamento disfuncional. Em suma, Rita (Mille Dinesen) é uma mulher que não consegue manter relacionamentos significativos, e tenta encobrir isso com sarcasmo e encontros sexuais furtivos que não significam nada para ela. Mas, em boa parte das vezes, ela se dá bem com os adolescentes a quem leciona.

No primeiro episódio, demorei para comprar a proposta da série. Só no terço final, quando já está no momento de Jeppe  anunciar para a família que é gay, comecei a me interessar pela trama e seus personagens. Até aqui, minha personagem favorita é a Hjørdis (Lise Baastrup), que é exatamente o oposto de Rita: é professora em início de carreira, tímida, delicadinha, puritana e inocente. Sem experiência de sala de aula, acaba penando no primeiro dia e é vítima de bullying. E deseja a amizade de Rita, quer aprender algo com ela.

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“Bolo sempre ajuda.” Hjørdis, melhor pessoa!

Cada temporada tem apenas 8 episódios e terminei o primeiro com a sensação de que foi uma temporada curta. Mas terminou com um gancho que achei legal. Embora no primeiro episódio eu tenha pensado que era mais uma daquelas séries “ou amo, ou deixo”, na verdade nem é. Ele toca em diversos assuntos como sexualidade, drogas, preconceito, provoca reflexão. Não é uma série que provoque o riso: só teve um momento em que eu ri, quando Rita toma ecstasy por engano e fica muito lombrada…

Dentro de uma semana, devo começar a segunda temporada. Enquanto isso, vou dar uma adiantada nas outras séries da fila e depois venho contar aqui.

Assistido: Estrelas além do tempo (Hidden Figures

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Imagem: IMDB

Vou começar esse texto citando um dos meus últimos tweets: amei tanto “Estrelas além do tempo” que só tô esperando sair o DVD para assistir até arranhar o disco. É bem essa a sensação que fica depois de assistir a esse filme: definitivamente, um filme que vale a pena ver de novo, e de novo.

Primeiro pelo tema: mulheres negras quebrando paradigmas na NASA, em plena corrida espacial, uma parte da história que praticamente ninguém conhecia. Em uma época de grande segregação, quando tudo era separado entre “para negros” e “para brancos”, um pequeno grupo de mulheres negras se sobressai com seu talento para cálculos e programação.

O filme acerta muito quando alterna a vida profissional de Katherine G. Johnson (Taraji P. Henson), Mary Jackson (Janelle Monaé) e Dorothy Vaughan (Octavia Spencer) com seus relacionamentos pessoais familiares: Katherine começa o filme viúva, com três filhas pequenas para cuidar, e quando conhece o Coronel Jim Johnson (Mahershala Ali), que viria a ser seu segundo marido, dá um baile dizendo para ele parar de falar besteira sobre o trabalho dela quando ele começa com o “quer dizer que a NASA deixa mulheres…” Mary, casada e mãe de duas crianças, enfrenta a descrença do marido quanto ao seu desejo de cursar engenharia e lutar para fazê-lo em uma universidade “para brancos”. No começo do filme, ela própria se mostra descrente quando passa a integrar a equipe de Karl Zielinski (Olek Krupa) e ele diz que uma pessoa como ela, que pensa como engenheiro, deve ser engenheiro. Aí acontece o diálogo que me levou às lágrimas:

ZIELINSKI – Mary… uma pessoa com mente de engenheiro deveria ser um engenheiro. Você não pode ser um Computador* pelo resto da vida. Seria um trágico desperdício da sua habilidade.

MARY – Sr. Zielinski, eu sou uma mulher negra. Não vou cogitar o impossível.

ZIELINSKI – E eu sou um judeu polonês cujos pais morreram em um campo de concentração nazista. Agora estou diante de uma nave espacial que vai levar um astronauta às estrelas. Acho que podemos dizer que estamos vivendo o impossível. Deixe-me perguntar… Se você fosse um homem branco, você gostaria de ser um engenheiro?

MARY – Eu não precisaria. Eu já seria um.

*Computers era como as matemáticas eram chamadas.

Já o melhor momento de Dorothy para mim foi quando ela está com os filhos na biblioteca (que, adivinhem só, também tem segregação entre negros e brancos) em busca de um livro sobre programação, é interpelada por uma bibliotecária branca que diz que ela não devia estar lá e acaba saindo escoltada por um policial, mas de cabeça erguida e dando uma lição aos filhos.

“Separados e iguais são duas coisas diferentes. Só porque as coisas são assim, não quer dizer que sejam certas. Entenderam?”

Mais de cinquenta anos se passaram desde a época em que o filme se passa, e ainda tem muitas barreiras a serem quebradas por mulheres negras nesse mundo. Não só na astronáutica e na física, mas em diversas outras áreas. Quantas Dorothys, Marys e Katherines ainda estão escondidas por aí? Quantas meninas negras poderiam se destacar profissionalmente aqui, mas muitas vezes são barradas pelas questões socio-econômicas e pelo preconceito? Nesse aspecto, o filme é inspirador quando traz à luz essas personagens fortes e encantadoras.

O filme é adaptação do livro homônimo, escrito por Margot Lee Shetterly, e está indicado ao Oscar em três categorias: melhor filme, melhor atriz (Octavia Spencer) e melhor roteiro adaptado. Desde já estou na torcida!

Assistido: “O morro dos ventos uivantes”

Ontem cheguei meio baqueada e fui fazer o quê? Assistir a um filme! O escolhido da vez foi mais uma das versões de “O morro dos ventos uivantes”. A que eu vi foi dirigida por Andrea Arnold e foi lançada em 2011.

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Fonte: IMDB

Nos primeiros minutos, eu quase larguei o filme, porque estava meio difícil de entender o que estava acontecendo. As cenas pareciam meio que grosseiramente cortadas, sabe? Tudo o que eu tinha entendido até então era que a trama se desenrolava sob o ponto de vista do Heathcliff (Solomon Glave/James Howson).

Cathy (Shannon Beer/Kaya Scodelario) não é uma “mocinha” comum; muito pelo contrário: ela, ao menos dentro das possibilidades, é bem estourada, e por ela Heathcliff acaba sofrendo mais castigos e humilhações do que o que já era esperado por ele ser um “bastardo”.

A história dá um salto no tempo e Heathcliff aparece para empreender uma vingança contra a família que  o acolheu e já está bem esfacelada, sobrando apenas Cathy, já casada; e o irmão dela, Hindley (Lee Shaw) (apenas o sujeito mais irritante de todos). Daí pra frente outras pessoas acabam sendo prejudicadas pelas ações dele.

Ainda não li o romance de Emily Brontë, então não posso comparar o livro com essa adaptação. Mas em alguns momentos do começo e também do final, achei algumas cenas estranhas. No final, ainda não sei se gostei ou não desse filme… Talvez precise assistir de novo para consolidar minha opinião. Só que dessa vez, assistirei legendado – não gostei da dublagem.

Assistido: “A Teoria de Tudo”

Passei um bom tempo “enrolando” para assistir a esse filme… Estava no cinema, não fui. Saiu em DVD, não comprei. Foi lançado na TV a cabo, não vi. Até que finalmente apareceu nos lançamentos recentes da Netflix e pensei “é agora”!

Só tinha ouvido coisas boas respeito desse filme, em especial da atuação de Eddie Redmayne; que ganhou o Oscar de Melhor Ator com esse trabalho. Pude comprovar a maestria da composição dele em A Garota Dinamarquesa, mas ainda estava devendo assistir  à cinebiografia de Stephen Hawking, roteirizada por Anthony McCarten (baseado no livro de Jane Hawking) dirigida por James Marsh e lançada em 2014.

Como foi baseado no livro da ex-mulher do físico, tem muito de elemento romântico e familiar na história, o que certamente leva muita gente para o cinema. Se fosse só focado na doença dele e na sua evolução profissional, quebrando todas as expectativas, já seria um filme de impacto, mas certamente todo mundo ia querer saber o que as pessoas próximas a esse homem pensam e sentem, não?

Jane é apresentada como uma mulher forte por trás de uma aparência frágil (que linda que é a Felicity Jones, minha gente! Não comentei isso no post sobre Albatroz, então digo agora), segurando a onda de cuidar de um marido com sérias limitações físicas e dar apoio em seu trabalho que vai ganhando cada vez mais destaque. Se hoje todo mundo sabe quem é Stephen Hawking, em boa parte é graças a uma mulher que não se abateu e enfrentou junto com ele a Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA) e uma mínima expectativa de vida, que ao fim, foi multiplicada – o homem tá aí, bem vivo!

Como já era de se esperar, o melhor do filme é Eddie Redmayne, numa perfeita composição do físico. Fiquei impressionada e, perto do fim – quando ele já usa um sintetizador de voz para se comunicar – emocionada. A cena final me arrancou lágrimas.

A relação do casal é mostrada em seus altos e baixos, no impacto que outras pessoas têm ao entrarem no cotidiano da família… Um drama bem feito, que faz jus a todos os prêmios que recebeu e quem não viu ainda, veja, principalmente se gostar de biografias.

Em breve, vou buscar o livro da Jane Hawking para ler e depois comparar com o roteiro.

Vale ouvir: Tati Parra e Andrés Beeuwsaert

Vamos por partes: conheci a cantora Tatiana Parra através de Chico Pinheiro, mais exatamente do segundo álbum dele, que conta com a participação dela em duas faixas (“Nosso amor e o mar” e “Desfile de afoxé”). Sendo bem honesta, não foi amor à primeira audição, não. Era uma voz legal, mas não passava nem perto de ser uma cantora que eu colocaria na minha lista de favoritas.

Até que eu ouvi essa versão ao vivo de Popó (que no álbum de estreia – Meia Noite Meio Dia – tem Maria Rita nos vocais) e…

… Rendi-me! A interpretação dela foi o que me pegou de jeito. Daí pra frente, comecei  a buscar mais sobre a carreira dela que conta, entre outras coisas, com um duo com o pianista e vocalista argentino Andrés Beeuwsaert, que tem uma carreira promissora, participando do Aca Seca Trio e também como músico solo.

Juntos, em 2011 eles lançaram o álbum Aqui, pelo selo Borandá. Apenas uma das coisas mais maravilhosas que ouvi esse mês! Desse álbum eu só conhecia Vento Bom, música que também consta do álbum solo dela, Inteira (2010). Depois conheci as outras faixas, versões de algumas das melhores músicas já compostas no Brasil e na América Latina, como “Carinhoso” (Pixinguinha/Braguinha) e “Milonga Gris” (Carlos Aguirre), e algumas composições próprias. Aliás, “Milonga Gris” é minha música favorita no disco todo!

Infelizmente, não dá para ouvir o álbum no Spotify. Mas o encontramos à venda no Bandcamp  e no YouTube tem alguns vídeos da dupla em ação.

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Assistido: “A Abelha Maya – O Filme” (Maya The Bee Movie)

Um dos meus gêneros preferidos de filme é  animação. Tenho uma preferência especial por stop motion, mas animação 2D também tem seu valor. O importante é contar uma boa história, certo?

Foi o que encontrei com essa animação lançada em 2014, escrita por Fin Edquist, Martin Quaden e Marcus Sauermann e dirigida por Alexs Stadermann. O filme é uma co-produção germano-australiana e conta a história de uma abelha bebê chamada Maya, alegre e curiosa, que logo deixa a colméia em polvorosa com suas ideias. Em busca de seu lugar e sua missão, a pequenina sai dos limites da colmeia e começa a desbravar o prado sozinha; conhecendo outros insetos e pondo em xeque todos os preconceitos cultivados por anos sobre outras espécies.

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Resumidamente, é uma fábula para crianças, com personagens carismáticos e lições de moral. Como a maioria das animações, tem uma parte musical, mas nesse filme este é um momento curto (se comparado com outras animações recentes), que não é a parte de maior brilho do longa. O melhor é a protagonista, e a forma como ela agrega os demais personagens em torno de si. E uma curiosidade: na versão alemã do filme, participam Nina Hagen e sua filha Cosma Shiva.

Recomendo fortemente para pessoas de todas as idades. Mas caso estejam na TPM, meninas, tomem cuidado! Há a chance de chorar um pouquinho…

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