Assistido: Estrelas além do tempo (Hidden Figures

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Imagem: IMDB

Vou começar esse texto citando um dos meus últimos tweets: amei tanto “Estrelas além do tempo” que só tô esperando sair o DVD para assistir até arranhar o disco. É bem essa a sensação que fica depois de assistir a esse filme: definitivamente, um filme que vale a pena ver de novo, e de novo.

Primeiro pelo tema: mulheres negras quebrando paradigmas na NASA, em plena corrida espacial, uma parte da história que praticamente ninguém conhecia. Em uma época de grande segregação, quando tudo era separado entre “para negros” e “para brancos”, um pequeno grupo de mulheres negras se sobressai com seu talento para cálculos e programação.

O filme acerta muito quando alterna a vida profissional de Katherine G. Johnson (Taraji P. Henson), Mary Jackson (Janelle Monaé) e Dorothy Vaughan (Octavia Spencer) com seus relacionamentos pessoais familiares: Katherine começa o filme viúva, com três filhas pequenas para cuidar, e quando conhece o Coronel Jim Johnson (Mahershala Ali), que viria a ser seu segundo marido, dá um baile dizendo para ele parar de falar besteira sobre o trabalho dela quando ele começa com o “quer dizer que a NASA deixa mulheres…” Mary, casada e mãe de duas crianças, enfrenta a descrença do marido quanto ao seu desejo de cursar engenharia e lutar para fazê-lo em uma universidade “para brancos”. No começo do filme, ela própria se mostra descrente quando passa a integrar a equipe de Karl Zielinski (Olek Krupa) e ele diz que uma pessoa como ela, que pensa como engenheiro, deve ser engenheiro. Aí acontece o diálogo que me levou às lágrimas:

ZIELINSKI – Mary… uma pessoa com mente de engenheiro deveria ser um engenheiro. Você não pode ser um Computador* pelo resto da vida. Seria um trágico desperdício da sua habilidade.

MARY – Sr. Zielinski, eu sou uma mulher negra. Não vou cogitar o impossível.

ZIELINSKI – E eu sou um judeu polonês cujos pais morreram em um campo de concentração nazista. Agora estou diante de uma nave espacial que vai levar um astronauta às estrelas. Acho que podemos dizer que estamos vivendo o impossível. Deixe-me perguntar… Se você fosse um homem branco, você gostaria de ser um engenheiro?

MARY – Eu não precisaria. Eu já seria um.

*Computers era como as matemáticas eram chamadas.

Já o melhor momento de Dorothy para mim foi quando ela está com os filhos na biblioteca (que, adivinhem só, também tem segregação entre negros e brancos) em busca de um livro sobre programação, é interpelada por uma bibliotecária branca que diz que ela não devia estar lá e acaba saindo escoltada por um policial, mas de cabeça erguida e dando uma lição aos filhos.

“Separados e iguais são duas coisas diferentes. Só porque as coisas são assim, não quer dizer que sejam certas. Entenderam?”

Mais de cinquenta anos se passaram desde a época em que o filme se passa, e ainda tem muitas barreiras a serem quebradas por mulheres negras nesse mundo. Não só na astronáutica e na física, mas em diversas outras áreas. Quantas Dorothys, Marys e Katherines ainda estão escondidas por aí? Quantas meninas negras poderiam se destacar profissionalmente aqui, mas muitas vezes são barradas pelas questões socio-econômicas e pelo preconceito? Nesse aspecto, o filme é inspirador quando traz à luz essas personagens fortes e encantadoras.

O filme é adaptação do livro homônimo, escrito por Margot Lee Shetterly, e está indicado ao Oscar em três categorias: melhor filme, melhor atriz (Octavia Spencer) e melhor roteiro adaptado. Desde já estou na torcida!

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