Hidrata que dói menos

Vai parecer uma coisa idiota para muita gente, mas eu não tinha atinado para isso: hidratar os pés cotidianamente faz toda a diferença na hora de usar as sapatilhas!

Por muito tempo, não fui muito fã dos meus pés – na verdade não ligava muito para eles. Geralmente eles estavam machucados, com bolhas, pele do calcanhar e do solado ressecada e descascando, unhas encravadas e eu sempre os escondia com sapatos fechados e meias. Vai ver é por isso que gosto tanto de meias, de todos os tipos: elas me ajudam a “ocultar” uma parte do meu corpo pela qual eu inconscientemente, deveria sentir vergonha, embora nunca tivesse pensado direito sobre o assunto.

Um dia, eu já adulta, um amigo disse que meus pés são lindos; e foi essa a primeira vez que eu realmente parei para prestar atenção neles, tão esquecidinhos. E sim, eles são legais! A pele não está mais ressecada como no passado, naquele nível de descascar e tal; mas ainda são muito sensíveis. Bem, a maioria dos pés femininos deve ser assim… Andamos com sapatos fechados com frequência, e não raro aparecem bolhas e algumas feridas nos calcanhares e perto dos dedos. No trabalho, eu tiro o sapato quando não preciso andar por aí. E às vezes, quando ando, a dor nos pés beira o insuportável…

Para ajudar a cuidar dos pés e não deixá-los mais machucados do que já foram, comprei alguns pares de meias sapatilhas e também uma caixinha de curativos para os pés, da 3M. Assim que voltei da bateção de perna, fui passar o meu hidratante para mãos (Soul Vanilla Irish Cream Twist, da Eudora) e achei de aplicá-lo nos pés também… Já deu um alívio e tanto!

Agora quero passar creme no pé de dez em dez minutos, só para o pé doer menos dentro do sapato. Com a pele hidratada, o atrito com o sapato é menor e todos ficam felizes (e essa é a parte obviamente muito óbvia do negócio, como eu não comecei a usar isso antes?)

Sou meio preguiçosa para usar cremes e tal, mas depois dessa maravilhosa “descoberta”, acho que vou virar definitivamente a louca do hidratante. Aceito sugestões de marcas e aromas!

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Assistido: Elis

Tenho uma queda por biografias de músicos, não importa se em livro, em filme, série… Ultimamente, tenho dado mais atenção às autobiografias. Ano passado, quando entrou em cartaz o filme Elis, cinebiografia sobre Elis Regina, fiquei super animada para ir ver no cinema, mas por n razões, não foi possível… Consegui assistir essa semana, no conforto do lar.

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Imagem: Globo Filmes

A vida e a obra de Elis Regina é bem conhecida do grande público. Principalmente, a forma visceral com que ela interpretou várias canções que se tornaram clássicos e a consagraram como um dos expoentes da música popular brasileira. Uma intérprete como poucas nesse mundo; ou como diz o Samba pra Elis, de Joyce Moreno: “É uma santa garganta que Deus fez/e quando viu não quis nem copiar/Raio de luz que passa uma só vez/e já deixa um sagrado som no ar…” A primeira cena do filme é capaz de arrancar lágrimas dos mais sensíveis, com a canção Como nossos pais, de Belchior; que é mais conhecida na versão de Elis do que a de seu compositor.

O plot começa da chegada da jovem Elis ao Rio de Janeiro com seu pai, em busca de oportunidade para gravar um disco. Acompanhamos sua passagem pelo Beco das Garrafas, o programa de TV, a consagração no I Festival de Música Brasileira (que por si só, já renderia um baita filme!), os altos e baixos na carreira e na vida pessoal até sua trágica morte no início dos anos 80. Algumas passagens de sua biografia eram desconhecidas para mim, como a coação sofrida na época do regime militar, que resultou na apresentação nos jogos do Exército e a tornou temporariamente em persona non grata para (boa parte da) opinião pública. Eu também não sabia, ou não lembrava, da participação que Lenny Dale teve na construção da expressão corporal de Elis ao interpretar as canções.

O elenco foi cuidadosamente escolhido e alguns atores praticamente incorporaram seus personagens! Andréia Horta é, para mim, a intérprete definitiva de Elis na TV. Caco Ciocler manda muito bem como César Camargo Mariano; Lúcio Mauro Filho está ótimo como Miéle… Só para citar alguns exemplos. Mas de uma forma geral, o cast é coeso e competente.

Algumas coisas me incomodaram no desenrolar do longa. Certas cenas poderiam perfeitamente ser omitidas, como o envolvimento relâmpago dela com Nelson Motta. Outras passagens podiam ser melhor exploradas, como o início do relacionamento de Elis e César Camargo Mariano; e posterior produção do clássico Elis e Tom, cuja única menção são algumas notas de Águas de março, e só. Ainda: a cena dela anunciando a terceira gravidez (de Maria Rita) foi nível último capítulo de novela da Globo nos anos 90: mulher enjoa, vomita, olha pro marido e diz que tá grávida. Podia passar sem essa, viu?

Elis, o filme, mostra a cantora sem idealizar. Seu jeito explosivo, chegando a ser rude até com o pai em uma cena no começo do filme; a rivalidade com outras cantoras (principalmente com Nara Leão), está tudo no lá. Tecnicamente, tem fotografia e edição impecáveis – nesse aspecto, destaco as cenas que mostram a estreia dela no Beco das Garrafas, a cantora em Paris e a cena final. E, como era de se esperar, a trilha sonora é impecável!

Acredito que quem gosta de biografias vai aproveitar bastante a cinebiografia Elis. Quem não viu ainda, procure ver assim que puder!

“Varanda”, do The Reunion Project, é basicamente tudo o que precisamos ouvir hoje

Reunion Project é o nome do projeto do guitarrista Chico Pinheiro, o baterista Edu Ribeiro, o pianista Tiago Costa, o saxofonista Felipe Salles e o baixista Bruno Migotto. Com exceção de Migotto, todos os músicos se conhecem há décadas – Chico Pinheiro e Felipe Salles são amigos de infância, Salles, Ribeiro e Costa se conheceram na Universidade. Hoje, todos eles são bem conhecidos na cena jazz/world music e têm carreiras bem sucedidas.

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O álbum Varanda, cuja bela capa vocês estão vendo aí em cima, foi lançado no último mês de Fevereiro. Comprei em versão digital no CD Baby na última sexta-feira e passei três dias só ouvindo isso, a ponto de ir dormir e acordar com os acordes reverberando na minha cabeça. A gente consegue identificar influências fortes dos standards do jazz e de ritmos brasileiros, como o maracatu (na faixa Maracatim, por exemplo, que tem a influência explícita até no nome, o que me lembrou muito Valsacatu, do álbum Campo Belo, de Anthony Wilson), choro (em Varanda), bossa nova; e o resultado é uma música que a gente muito, muito, muuito dificilmente vai ver sendo feita por uma formação diferente.

Das dez faixas que compõem Varanda, tenho três que são as minhas favoritas: SinuosaJack and the goblin brotherBr. São músicas, a propósito, que eu recomendo fortemente para playlists de road trips, para curtir uma viagenzinha básica…

Por enquanto, só encontramos Varanda disponível online, a U$ 9.99. Vale a pena cada centavo! 😉

Assistido: Chewing Gum

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Imagem: Imdb

Devo admitir que resisti por um bom tempo a ver Chewing Gum. O motivo foi que (pelo menos na Netflix Brasil) essa série foi lançada pouco tempo depois de Haters Back Off, série que eu tinha começado a ver e larguei no comecinho do sexto episódio. Por alguma razão muito louca, eu achei que as duas séries tinham plots semelhantes. A coisa começou a mudar quando li um post (acho que no Blogueiras Negras) falando sobre Chewing Gum e resolvi, enfim, dar uma chance à série britânica criada, escrita e protagonizada por Michaela Coel, baseada em sua peça Chewing Gum Dreams.

Tracey (Coel) é uma jovem negra da periferia que, aos 24 anos, é noiva de Ronald (John Macmillan). Filha de Joy (Shola Adewusi) uma mulher extremamente religiosa frequentadora da Pentecostal e com uma única irmã tão fanática quanto a mãe, ela reza para Jesus e para Beyoncé e deseja “se livrar do peso” da virgindade. Ao ser dispensada pelo noivo (que logo vira ex), ela conhece Connor (Robert Lonsdale), um de seus vizinhos, um sujeito junkie que tenta ser poeta e, como era de se esperar, tem uns parafusos a menos, mas aparenta ter bom coração e gostar de verdade de Tracey. É com Connor que Tracey passa a se relacionar (e tentar perder a virgindade) sem que sua mãe descubra.

Nem só de descobertas sexuais vive Chewing Gum, embora seja daí que saiam algumas tiradas bem engraçadas, como a dos dildos usados que Candice (Danielle Walters), melhor amiga de Tracey, resolve usar para ganhar dinheiro em um dos episódios. Tracey tem Beyoncé como seu exemplo de vida e sonha em ter sucesso como sua diva, deixar de trabalhar no mercadinho e circular entre os figurões. Mas, pelo menos na primeira temporada disponível na Netflix (só seis episódios), isso não chega nem perto de acontecer. Pelo contrário: ela se mete em uma série de desventuras sozinha, com seus amigos da vizinhança, com o namorado oculto e também com seu ex, de cuja sexualidade ela começa a suspeitar.

Dentre as personagens secundárias, destaco a irmã de Tracey, Cynthia (Susan Wokoma). Ela vive brigando com a irmã, querendo expulsar o demônio de todo mundo e morre de medo e curiosidade do sexo. Em um episódio, ela pede o laptop de Tracey e vai pesquisar sites pornôs – obviamente, essa empreitada não acaba muito bem para ela…

Os episódios são bem curtinhos, como é de costume entre as séries de comédia. Tem piadas enquadráveis na categoria “sujas”, com sexo e consumo de drogas, algumas tiradas envolvendo classe social, etnia e religião e algumas situações bizarras no meio do caminho. Mas eu, que sou chata com humor feito na TV, não achei a abordagem em nenhum momento ofensiva ou coisa do tipo. Dei boas risadas de várias situações, não só pelo texto em si, mas pelas atuações e pelo trabalho de direção.

Resumindo, valeu a pena ver Chewing Gum; e é uma série divertida que a gente consegue ver de uma sentada só (os episódios curtinhos ajudam muito nisso). Recomendo de verdade!

Assisti ao primeiro episódio de “Greenleaf” e eis o que tenho a dizer

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Sabe aqueles escândalos que ouvimos falar quase que diariamente envolvendo igrejas faraônicas aqui no Brasil e em outros países? Greenleaf, nova série lançada na Netflix, que tem Oprah Winfrey como produtora executiva, vem mostrar uma a uma. Mas isso não é só sobre dirigentes de igrejas, ou líderes em comunidades religiosas de qualquer natureza. É muito sobre a hipocrisia nossa de cada dia ao “ir para a igreja rezar e fazer tudo errado”, como diria uma canção popular brasileira.

O plot é o seguinte: o Calvário é uma mega igreja midiática que deixa qualquer outra que você já viu na TV no chinelo. Sediada no Tenessee, EUA, é 100% dirigida por negros, que também compõe, diga-se, 99% dos milhares de fiéis que lotam o templo (que mais parece uma casa de shows) todos os domingos. A família que fundou e comanda o Calvário são os Greenleaf, que vivem com uma estrutura que lembra as novelas mexicanas dos anos 90 – filhos casando e morando na mansão dos pais, muita riqueza, etc. E com as mensagens de forte apelo emocional (e base bíblica abaixo de zero) e as músicas animadas, atraem multidões que não só levantam as mãos e adoram, como deixam alguns milhares de dólares na caixinha.

A narrativa começa quando Faith, uma das filhas do bispo Greenleaf (Keith David) e Lady Mae (Lynn Whitfield) é sepultada, após cometer suicídio. (O que é muito sugestivo, a fé morre no primeiro episódio…) A causa da morte da moça não é mencionada, mas fica claro logo nas primeiras cenas, quando Grace (Merle Dandridge) e sua filha Sophia (Desiree Ross) se aproximam de um grande lago nas terras da família e Sophia comenta: “foi aqui que a tia Faith…”

O suicídio de uma das filhas não é o único esqueleto no armário dos Greenleaf. Ao longo das cenas,  o espectador tem flashes da desmanteladíssima vida privada de todos os membros. Enquanto na sala de jantar despejam lições de moral em cima da recém-chegada Grace (a única ali que se afastou, depois de passar anos pregando para as multidões) e tentando demonstrar pureza e santidade, nos seus quartos ou fora da casa ficam reveladas as mazelas: adultério, vaidade exarcerbada, consumo de drogas, omissão, corrupção, etc. Mais coisas devem ser reveladas ao longo dos episódios, mas só o primeiro episódio deixa tudo isso escancarado, como se tivéssemos uma câmera escondida.

Grace Greenleaf é a outsider da família. Deixa a mansão e a igreja para viver sua vida e sua carreira longe do cristianismo de fachada dos seus pais; e choca a família ao dizer que só vai à igreja na Páscoa e no Natal. Para aquela família tão legalista, isso é o mesmo que não acreditar em Deus (será?) e é a revelação que provoca o primeiro embate da família, levantado pela cunhada Kerissa (Kim Hawthorne), que carrega permanentemente um tom de amargura e desdém na voz e apoiada por Lady Mae. Isolada dentro da própria casa, Grace encontra apoio em Mavis (Oprah Winfrey), sua tia, que há muito já andava afastada de tudo aquilo, justamente por saber demais.

Greenleaf não é exatamente uma série nova, está no ar desde 2016, mas chegou à Netflix Brasil esse ano. O tema que ela aborda não é novo para nós (infelizmente já vimos coisas parecidas nos telejornais da vida), mas é importante quando uma obra de ficção coloca o dedo na ferida, como Greenleaf faz. Vale muito a pena assistir.

Assistido: La La Land

Faz uma semana que assisti a La La Land e só agora que consegui parar um pouco para fazer um post e compartilhar minhas impressões sobre o filme. Então: por ser um musical, eu já fiquei interessada em assistir ao filme. Mesmo não sendo conhecedora a fundo do gênero, todos os musicais a que assisti, gostei.

O plot de La La Land é a busca de Sebastian (Ryan Gosling) e Mia (Emma Stone) pela realização dos seus sonhos. Ele quer ser bem sucedido como pianista de Jazz, e chega a ser um bocadinho fanático pelo gênero; enquanto ela deseja ser atriz. Ambos estão na cidade de Los Angeles, na batalha. No meio do caminho surge a paixão e alguns desencontros, como era de se esperar, juntamente com alguns números de música e coreografias.

Provavelmente, o melhor do filme é o cuidado estético dele. As cores são maravilhosas, um espetáculo mesmo! E há algumas cenas bonitas, principalmente na metade final do longa. Os atores principais também mandam bem – e gostaria de deixar pública a minha admiração pela voz da Emma Stone (não a voz cantando, mas falando mesmo).

Mas… Teve uma coisa que me incomodou bastante em La La Land: a cena de abertura, com um número de música e coreografia chato e forçado.Na verdade, demorei toda a parte de “winter” (La La Land é dividido entre estações) para começar a me envolver de verdade com o filme.

Em resumo, La La Land é um filme bonito, vale pelo entretenimento, pra desopilar (e ver o lindão do Ryan Gosling), mas não é o mais perfeito dos longas, não.

Assistido: Moonlight

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Só fui assistir a esse filme depois da resenha que rolou no Oscar, dos envelopes trocados. Até a premiação, Moonlight era aquele longa sobre o qual eu tinha ouvido muitos comentários positivos, mas que eu não estava numas de priorizar, não. Isso até que ele ganhou o Oscar, naquela virada surpreendente. Passei ele na frente dos demais filmes da lista e fui ver qual era o borogodó, né?

De uma forma geral, eu lembrei muito de Boyhood enquanto o via, guardadas as devidas proporções, obviamente. É meio natural a gente lembrar de outros filmes de formação que foram vistos recentemente, e até fazer algumas comparações. Mas deixando Boyhood de lado e focando só em Moonlight: o plot gira em torno da trajetória de Chiron, negro e gay; seu crescimento e pode-se dizer endurecimento também, ao conviver com o bullying, o tráfico de drogas (tem um relacionamento amigável com um traficante e vê sua mãe se afundando no vício), entre outras mazelas.

Tecnicamente, o longa enche os olhos! As cores são vivas, principalmente os tons de verde e azul. O elenco é praticamente irrepreensível, principalmente a Naomi Harris, impecável como a mãe de Chiron; e também o trio de atores que dão vida ao Chiron na infância, adolescência e fase adulta.

Os diálogos são muito bons, e alguns deles deixam um nó na garganta da pessoa, como quando Chiron, ainda pequeno, pergunta “O que é uma bicha?” e depois questiona se ele seria uma, e como saberia se é ou não. Outra cena formidável é quando ele entra no mar pela primeira vez, com Juan.

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A primeira e a segunda parte do filme (intituladas respectivamente Little e Chiron) são, para mim, irrepreensíveis. Perde um bocado da força na última parte (Black) e pode incomodar quem está esperando por um momento catártico, uma explosão ou algo do tipo. Talvez a grande surpresa para o espectador seja a última fala de Chiron, mas ainda assim fica a impressão de que falta alguma coisa.

Mereceu ganhar o Oscar? Eu acho que sim, apesar de ter frustrado as minhas expectativas no final. Vale a pena assistir? Sim, vale muito!