Assistido: Elis

Tenho uma queda por biografias de músicos, não importa se em livro, em filme, série… Ultimamente, tenho dado mais atenção às autobiografias. Ano passado, quando entrou em cartaz o filme Elis, cinebiografia sobre Elis Regina, fiquei super animada para ir ver no cinema, mas por n razões, não foi possível… Consegui assistir essa semana, no conforto do lar.

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Imagem: Globo Filmes

A vida e a obra de Elis Regina é bem conhecida do grande público. Principalmente, a forma visceral com que ela interpretou várias canções que se tornaram clássicos e a consagraram como um dos expoentes da música popular brasileira. Uma intérprete como poucas nesse mundo; ou como diz o Samba pra Elis, de Joyce Moreno: “É uma santa garganta que Deus fez/e quando viu não quis nem copiar/Raio de luz que passa uma só vez/e já deixa um sagrado som no ar…” A primeira cena do filme é capaz de arrancar lágrimas dos mais sensíveis, com a canção Como nossos pais, de Belchior; que é mais conhecida na versão de Elis do que a de seu compositor.

O plot começa da chegada da jovem Elis ao Rio de Janeiro com seu pai, em busca de oportunidade para gravar um disco. Acompanhamos sua passagem pelo Beco das Garrafas, o programa de TV, a consagração no I Festival de Música Brasileira (que por si só, já renderia um baita filme!), os altos e baixos na carreira e na vida pessoal até sua trágica morte no início dos anos 80. Algumas passagens de sua biografia eram desconhecidas para mim, como a coação sofrida na época do regime militar, que resultou na apresentação nos jogos do Exército e a tornou temporariamente em persona non grata para (boa parte da) opinião pública. Eu também não sabia, ou não lembrava, da participação que Lenny Dale teve na construção da expressão corporal de Elis ao interpretar as canções.

O elenco foi cuidadosamente escolhido e alguns atores praticamente incorporaram seus personagens! Andréia Horta é, para mim, a intérprete definitiva de Elis na TV. Caco Ciocler manda muito bem como César Camargo Mariano; Lúcio Mauro Filho está ótimo como Miéle… Só para citar alguns exemplos. Mas de uma forma geral, o cast é coeso e competente.

Algumas coisas me incomodaram no desenrolar do longa. Certas cenas poderiam perfeitamente ser omitidas, como o envolvimento relâmpago dela com Nelson Motta. Outras passagens podiam ser melhor exploradas, como o início do relacionamento de Elis e César Camargo Mariano; e posterior produção do clássico Elis e Tom, cuja única menção são algumas notas de Águas de março, e só. Ainda: a cena dela anunciando a terceira gravidez (de Maria Rita) foi nível último capítulo de novela da Globo nos anos 90: mulher enjoa, vomita, olha pro marido e diz que tá grávida. Podia passar sem essa, viu?

Elis, o filme, mostra a cantora sem idealizar. Seu jeito explosivo, chegando a ser rude até com o pai em uma cena no começo do filme; a rivalidade com outras cantoras (principalmente com Nara Leão), está tudo no lá. Tecnicamente, tem fotografia e edição impecáveis – nesse aspecto, destaco as cenas que mostram a estreia dela no Beco das Garrafas, a cantora em Paris e a cena final. E, como era de se esperar, a trilha sonora é impecável!

Acredito que quem gosta de biografias vai aproveitar bastante a cinebiografia Elis. Quem não viu ainda, procure ver assim que puder!

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