Assisti: “Paterson” (2016), de Jim Jarmusch

Demorei horrores para começar a escrever esse texto. Quase um mês, mas até que foi bom ter sido assim! Digamos que minhas impressões sobre o filme ficam mais “apuradas”… O lado ruim é que a gente esquece muita coisa que acontece na estória quando deixa passar muito tempo entre a exibição e o comentário, mas acho que esse não vai ser um grande problema no caso desse filme.

Paterson é um filme que fala sobre gente muito comum que tem uma veia artística; não necessariamente que viva de sua arte, mas a sua forma de ver a vida é de alguma forma impactada por aquilo que elas criam. O protagonista chama-se Paterson (Adam Driver), é motorista de ônibus da empresa Paterson e vive na cidade chamada… Paterson. Todo o filme cobre uma semana da vida de Paterson ao lado de sua companheira, Laura (Golshifteh Farahani) – daqui a pouco falo dela.

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Imagem: IMDB

A rotina dele é: acordar, tomar café da manhã, sair para trabalhar e escrever poemas antes de fazer a primeira viagem e também nos intervalos. Ele é um poeta não publicado, que não está muito aí para ser publicado e se tornar uma pessoa famosa e reconhecida. Paterson não dá grandes sinais de ser um cara frustrado com a vida que leva de trabalhar o dia inteiro, voltar para casa, dar uma volta com o cachorro e terminar seu dia tomando uma cerveja e batendo papo com o dono do bar – eventualmente com um ou outro cliente que aparece. Já Laura, sendo uma dona de casa, também tem suas aspirações: ela cria cupcakes, cortinas, inventa de aprender a tocar violão e confia no talento de Paterson. Para ela, ele deveria ser publicado, sim!

A relação do casal parece perfeita: eles se dão bem, se apoiam, tem um cachorrinho bonitinho. Ela é musa inspiradora de alguns dos seus versos; e ao mesmo tempo, ele tenta apoiá-la mesmo no que não parece ir tão bem.

Talvez você tenha lido algo sobre esse filme e pensado “eita, que filme paradão, coisa chata!” Mas Paterson tem muito o que dizer para quem lê nas entrelinhas. Os passageiros que Paterson leva e suas histórias, que dão o tom do extraordinário em um dia a dia tão comum; as novidades de Laura e seu engajamento em criar algo novo no seu universo limitado; até os posicionamentos das câmeras nas cenas que iniciam cada dia da semana dos personagens. Até a quarta-feira, o despertar deles é muito comum, visto de cima. Na quinta, o posicionamento da câmera já muda. Objetos do cotidiano e pessoas com histórias muito normais e sem grandes reviravoltas têm seus momentos de destaque durante todo o filme. O espectador é envolvido e surpreendido por algo que certamente não chamaria a atenção se não fosse uma produção tão bem feita. Para mim, a mensagem que fica do longa é que se olharmos com muita atenção, a rotina não é tão tediosa assim. Tem algo acontecendo no meio do “nada acontece” e que lugar poderia ser mais rotineiro e ao mesmo tempo mais surpreendente do que um ônibus que faz o mesmo trajeto, mas não transporta necessariamente as mesmas pessoas sempre?

Mas além desse olhar diferenciado sobre a rotina, o que mais me chamou a atenção foi o papel da poesia para “costurar” o roteiro. Os versos escritos por Paterson surgem na tela, o olhar dele sobre o comum é compartilhado com a gente e me pareceu bem familiar…

Até que esse poema foi citado em um determinado momento do filme:

I have eatenthe plumsthat were inthe iceboxand whichyou were probablysavingfor breakfastForgive methey were deliciousso sweetand so cold.png

Eu não sou muito fã de poemas, esse é um dos poucos que eu posso dizer que amo e sei de cor, de tanto que repeti mentalmente (especialmente quando como uma ameixa). E quando ouvi William Carlos Williams no filme, a ficha caiu: eu estava lembrando dos poemas que conheci graças às aulas de Literatura Inglesa na Universidade! E a menção do poeta não é gratuita, isso só descobri depois de ver o filme, enquanto pesquisava para esse post: William Carlos Williams escreveu um épico chamado Paterson, dividido em quatro livros, que a gente pode achar completo aqui. Ainda vou ler o texto completo, mas só de ler um pouco da primeira parte, ficou clara a inspiração que o livro teve da obra do Williams.

Paterson é o filme mais recente do diretor Jim Jarmusch, foi o primeiro a que eu assisti e a impressão que fica para mim é tão boa que a meta é ver toda a filmografia dele, do mais recente para o mais antigo. É um filme que recomendo fortemente, principalmente para quem gosta de filmes que fujam um pouco (ou muito) do mainstream.

E está em cartaz no Recife! Apenas uma sessão no Rosa e Silva, mas quem puder ver no feriado, fica a dica…

O capítulo 20 de “Americanah”

Faz algumas semanas que comprei o e-book de Americanah, livro de Chimamanda Ngozi Adichie, um romance que estava na fila das minhas leituras futuras há pelo menos um ano. Finalmente chegou a oportunidade de fazer isso e embora ainda não tenha terminado a leitura (entrei na terceira parte do livro ontem), ele já vai para o meu super panteão de livros inesquecíveis por um motivo apenas: a relação da personagem Ifemelu com seu cabelo.

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Imagem: Companhia das Letras

O cabelo não era um elemento forte na narrativa até chegar no capítulo 20, quando Ifemelu tem uma chance de entrevista de emprego e é aconselhada a desfazer as tranças e relaxar o cabelo crespo, para parecer “mais profissional”. Em um dos capítulos anteriores, quando recém-chegada aos EUA, Ifemelu ouve aquele conselho de sua tia Uju, e ri. Dessa vez ela não vê motivos para dar risada: depois de ter passado por poucas e boas nos primeiros anos, enfrentando depressão, comendo o pão que o diabo amassou, as coisas parecem estar ajeitadas na vida dela. Ela tem uma casa para chamar de sua, um namorado que parece gostar dela (seu primeiro namorado branco), seu ciclo na universidade está chegando ao fim e para se manter no país, ela precisa conseguir um emprego. E está disposta a “dançar conforme a música” para consegui-lo.

O capítulo 20 conta justamente esse episódio, o processo de alisamento que a princípio dá errado, quando ela tenta fazê-lo sozinha com um produto comprado na farmácia; depois acaba indo a uma profissional, e o que acontece é o mesmo que houve com muitas de nós: sofrer com o cheiro, com a sensação de ardência do seu couro cabeludo queimando… Até que depois de algum tempo o cabelo começa a ter outros problemas, como cair e vamos à segunda parte do negócio: cortar o cabelo para se livrar da parte quimicamente alterada, o que a gente chama nos grupos de big chop.

E foi a partir daí que esse capítulo (e o 21 também) falaram muito alto ao meu coração. Não pela história do alisamento, porque não tem nada a ver com a minha história pessoal. Quando alisei o cabelo, foi por preguiça de lidar com ele ao natural, pela conveniência de ter alguém cuidando do meu cabelo periodicamente e só me preocupar em pagar por isso. Não foi a necessidade de conseguir um emprego – provavelmente, com o cabelo que tenho hoje, quase três anos depois do início da transição, eu não teria dificuldades para trabalhar, ainda mais na área em que escolhi atuar. Mas a parte do corte, o desgostar do cabeço e depois de um processo de adaptação se descobrir o amando do jeito que é, eu vivi tudo aquilo. O cabelo ficando feio para depois ficar bonito, o medo de que as pessoas não vão mais nos achar bonitas, a dificuldade de se reconhecer no espelho. Eu queria que todo mundo, as meninas que estão passando pela transição capilar, as que já passaram, as que ainda não entraram nessa por medo do revés e dos olhares tortos que vem mesmo, as pessoas ao nosso redor, todo mundo tinha que ler, nem que fosse só o capítulo 20 mesmo.

Acho que ainda vou falar muito desse livro por aqui.

O dia em que descobri que engordei – e quase entrei em pânico

Eu estava evitando as balanças. Houve um tempo, no começo da reeducação alimentar, em que eu me pesava quase toda semana, para verificar progressos. Meio quilo = uma vitória. Depois parei com isso porque estava ficando ansiosa e ansiedade não é algo que eu queira alimentar na minha vida. Voltei para a nutricionista, atestei minhas melhoras (aumento de massa muscular, uma ligeira diminuição no percentual de gordura, etc) e ainda tenho um longo caminho pela frente.

Mas o que acontece em um determinado momento é que a gente se sente com licença para furar a dieta vez ou outra. Aniversários, páscoa… O mês de Abril (aquele em que eu achava que não acontecia nada) é recheado de oportunidades para enfiar a cara nas guloseimas, e eu acabo não resistindo. No começo da semana, devo ter falado para minha mãe, para o boy e para mais umas duas ou três pessoas chegadas que eu estava louca para comer bolo de aniversário. Não comi, mas enfiei a cara em pão de queijo, milkshake (que nem estava tão gostoso assim, ou fui eu que desacostumei), um pastel de frango com queijo MUITO DO RUIM, com gosto de nada (e com o equivalente a aproximadamente uma colher de chá de requeijão, que seria o “queijo” da história). Me pesei e vi que engordei dois quilos, o que me deixou meio preocupada.

Fiquei com medo de “regredir” e voltar a pesar o que eu pesava antes, e voltar a ter todos os problemas de saúde que tinha antes.

Pior ainda: fiquei com medo de ficar noiada com emagrecimento, criar um medo de comer e acabar tendo outro problema de saúde – mental.

Mas como disse uma amiga minha quando falei que tinha engordado “tudo isso”: ainda dá tempo de voltar. Ter saído da rota da dieta por uma ou duas semanas não é o fim de tudo, não significa que eu tenha deixado de comer as frutas, saladas e leguminosas e as outras coisas saudáveis. Sinto muita falta quando não tem salada no almoço, estou me sentindo cada vez menos chata para comer frutas e verduras, peixes, e isso é ótimo (ainda encrenco um bocado com carne vermelha). O negócio é lembrar meus limites. Pensar na dor que eu posso sentir se eu como mais de um pedaço de bolo ou se como um pão que não seja integral. Pensar que a profusão de docinhos e salgadinhos, a pizza, tudo isso é para ocasiões esporádicas, não para o cotidiano. E se esse mês foi difícil para manter a linha, tudo bem; mês que vem vai ser melhor (afinal, o único aniversário comemorado será o meu, haha). Não posso viver me culpando por comer, ninguém pode. O que posso fazer é escolher bem o que eu como, tanto para evitar o mal estar como para evitar os arrependimentos por ter gasto dinheiro com algo que nem me apeteceu tanto como na minha ideia.

E evitar as balanças, porque elas têm o poder de gerar uma preocupação que não preciso ter. Minhas coxas estão mais finas, os pneuzinhos nas costas deram uma sumida, e o número na balança deu uma subidinha. Em vez disso, eu devia comprar uma fita métrica, porque as roupas estão ficando folgadas, eu quero comprar umas roupas massa em lojas virtuais e ainda não sei direito quais são minhas novas medidas. Isso, junto com as taxas dos exames de sangue e o bem estar do meu estômago, é o que preciso saber.

Assisti: Fleming (2014)

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Flemingthe man that would be Bond é uma minissérie de apenas quatro capítulos, que descobri via Netflix. Caí no primeiro episódio acidentalmente (mesmo: usei Netflix no XBox e quando saí para beber água, a série começou a rodar sozinha, acho que deixei selecionada e foi o suficiente). Voltei correndo para parar o vídeo e trocar por mais um episódio de Rita, que era a série que eu tinha a intenção de assistir; mas a cena inicial acabou me fisgando.

A propósito: era uma cena submarina, muito bonita (como cenas submarinas geralmente são). E logo depois, os protagonistas Ian Fleming (Dominic Cooper) e sua mulher Ann (Laura Pulver) são apresentados, em uma sequência parte romântica, com uns 10 centavos de 50 tons de cinza… Logo depois a gente é levado a um flashback, que é todo o resto da série. O plot é uma parte da vida do Ian Fleming, que se tornaria o autor da série do James Bond. Nos primeiros anos da Segunda Guerra Mundial, Ian é um sujeito mulherengo, com problemas de relacionamento com a mãe e inveja do sucesso de seu irmão Peter (Rupert Evans) (esse sim, já escritor à época, conhecido por livros de viagens). Sendo um v1d4 l0k4 nos anos 40, ele dificilmente tem estabilidade profissional, mas acaba, graças a algumas habilidades (entre elas, falar alemão super bem), sendo escalado para trabalhar no serviço de inteligência britânico.

Nas ações militares, ele age no mesmo estilo com que leva a sua vida pessoal: impulsivamente, o que o leva a se meter em algumas encrencas, sozinho e também levando os companheiros junto, como a oficial Monday (Anna Chancelor) (adorei o nome dessa personagem). E ainda tem um breve quadrilátero amoroso: Ian, Muriel (Annabelle Warris) (uma moça independente, por quem ele parece ter um afeto sincero), Ann (uma mulher casada com um militar em missão no exterior) e Esmond (Pip Torrens), que é o outro amante dela além do Fleming. A relação entre Ian e Ann é quente, lembrando mesmo algumas passagens do filme 50 tons de cinza. A diferença é que a protagonista da trama de época não tem nenhuma semelhança com Anastasia Steele nas atitudes…

Mas o mais interessante em toda a produção é a abordagem feita da Segunda Guerra Mundial, as ações dos exércitos envolvidos e a reconstituição dos locais afetados por ela. Ian Fleming passa pelas missões para as quais é designado de forma espirituosa e a gente pode até encontrar um pouco de humor bem refinado no personagem. Todos esses ingredientes acabaram gerando o sedutor detetive  James Bond, que definitivamente tinha muito de seu criador em si.

Para quem gosta de produções que tenham um pano de fundo histórico ou um pé na biografia, é uma série interessante. Para quem é fã do James Bond, é meio óbvio dizer que é muito recomendado, né?

Sobre como é estudar dois idiomas ao mesmo tempo 

Fonte: Pinterest

Por praticamente toda a minha vida, estudei outros idiomas por amor a mim mesma. É um hobby que levo comigo desde muito criança. Às vezes alguém vem me perguntar qual é o meu objetivo ao começar a estudar um idioma novo, e minhas respostas podem variar entre essas opções:

  • Dominação mundial
  • Ler livros que eu gosto no idioma original
  • Para chegar nos países falando o idioma local
  • Porque eu gosto
  • Porque sim, Zequinha!

Passo horas pesquisando material sobre as línguas do meu interesse, e como sou muito musical, se encontro canções que gosto naquele idioma, fica mais fácil ainda. Foi assim que, embora não me sinta segura para conversar com um polonês  (só tive a chance uma vez, e as únicas palavras que saíram foram poezja śpiewana e Grzegorz Turnau), consigo entender boa parte o que as pessoas falam no rádio, por exemplo. Mas tinha um idioma que me dava simplesmente preguiça de estudar. O francês… apesar de amar alguns livros de autores franceses  (O Capitão Fracasso e O Corcunda de Notre Dame foram livros que li uma vez por ano desde que me alfabetizei até entrar na Universidade), não me sentia muito estimulada a ouvir música francesa e ficava com preguiça mesmo. Nem ir pra França eu queria. Apesar dos pequenos esforços em anos anteriores, que me levaram até a comprar um dicionário ilustrado muito lindinho e baixar uns áudios aí, eu achava tudo meio boh-ring…

Até que esse ano, me preparando para viajar para a Alemanha e intensificando o treino em alemão… arranjei um motivo especial para estudar francês.

E olhe, tem funcionado, viu? Ontem, depois de semanas de duolingo, consegui responder três perguntas em francês sem olhar no dicionário! Oh, glória! \o/

A bronca é que estudar dois idiomas ao mesmo tempo  (no caso, francês e alemão) dá um certo tilt às vezes. A gente troca palavra, se confunde, é um espetáculo. É como tenho um sério problema com números, toda vez que estou lendo algum texto em francês, acabo lendo mentalmente o número em alemão, porque… só sei contar em francês até dez (e olhe lá).

Como é que diz aquele número mesmo…

Mas vamos vencer, eu creio.

O mais legal é que finalmente estou achando o francês um idioma muito bonito (sério, eu não era muito chegada). Oui, c’est très romantique! ❤

Para minimizar um pouco a confusão, alterno as lições. Um dia faço francês, no outro alemão, e pego pesado, tendo o máximo de contato possível com música, jornais, vídeos. Conversar com nativos sempre que possível  (estava usando o Hello Talk para o alemão, mas o povo parou de me responder e larguei mão dele). É só depois que terminar os cursos no duolingo, me arrisco a inserir outro idioma (polonês é o próximo).

Um trem desgovernado chamado Eu

Eu costumava achar que Abril era um mês em que nada acontecia. Isso porque, quando fazia aquelas tradicionais retrospectivas de final de ano, eu não conseguia lembrar de nada relevante que tivesse acontecido no quarto mês do ano, além de foi Páscoa e enchi a cara de chocolate.

Nos últimos três anos as coisas mudaram muito nesse aspecto. Coisas importantes me aconteceram em Abril, mais para o bem do que para o mal (o que já quebra aquela ideia de inferno astral que a turmada astrologia diz que tem – se o meu existe, não é perto do meu aniversário). Mas nos últimos dias, eu me percebi perdendo o controle…

Não ando conseguindo meditar, minha prática anda meio furada. Aí teve aquele monte de emoções que andei represando até que chorei  no meio do musical na igreja  (tem trechos no YouTube, nem dá pra me ver chorando, ainda bem).

Musical Imensa Graça: http://www.youtube.com/playlist?list=PLRCHAAMsXXz3HOfcGzr6rWaZxBR2-qkO5

Acho que estou comendo mais do que devia também. Em uma tarde no shopping, foi batata frita, café  (curti, com calda de cereja), donut (não gostei, com muito açúcar) e brigadeiro Romeu e Julieta, apenas a melhor coisa já inventada. 

Café cereja
Diretamente do Café Donuts, no Costa Dourada

Para tentar tirar a culpa da jogada, fico me lembrando que estou jogando essas calorias fora no pilates e na zumba  (que inclusive merece um post só para ela), mas ainda assim, preciso segurar a onda porque, como num comercial da Polishop… Não é só isso! 


Caça aos ovos no trabalho. Pãezinhos  (integrais) na sexta-feira santa. Bolo Souza Leão. Lasanha. Só alegria…

Hoje o chocolate foi 70% cacau. O único ovo da casa, o primeiro que comprei sozinha na vida. Isso é um sinal de amadurecimento? Um dia desses eram dois ovos de Páscoa em casa; um só meu e um só da minha mãe  (não que fizesse muita diferença, já que todo mundo comia tudo junto mesmo, mas o meu geralmente vinha com brinquedos). Depois, passada a fase dos brinquedos, eram dois ovos iguais, que minha mãe comprava, plus o ovo que ganhava na escola e os chocolates que ganhava dos alunos – a época de maior fartura chocolateira. Semana passada liguei para minha mãe e avisei que ia comprar o ovo. O único da casa, dá e sobra para três adultos. 

Talvez um dia, como na vida tudo é cíclico, eu volte para a fase dos ovos com brinquedos. Ou não. Por enquanto, felizmente, dá para comprar os Shopkins separadamente.

Essa semana a gente tenta voltar à programação normal, pelo bem da alma – e do estômago. 

(E tô gostando de usar o aplicativo do WordPress! Acho que isso vai me dar o gás que precisava pra escrever mais frequentemente)

Aquelas coisas todas

 (é a música que estou ouvindo enquanto escrevo esse post)

Esse fim de semana foi intenso. Quase igual ao anterior, mas diferente.

Enquanto semana passada eu estava caindo de pára-quedas em um ensaio geral depois de uma longa viagem de carro, quase não parando de comer de ansiedade pela apresentação do musical, nesse final de semana eu fui para o mesmo ensaio geral em um espaço diferente. Mas antes disso andei pelo centro da cidade com o violão nas costas para resolver um problema burocrático. Peguei um táxi e quase desci dele na praça de raiva que fiquei do motorista, mas eu não ia andar da Torrinha pra casa com o violão nas costas debaixo daquele sol quente… Pelo menos não no sábado de manhã, não nesse último sábado.

Almoçar mais cedo, pegar um Uber… E identificar que se trata de um motorista Uber local pela música que está tocando no carro: Thiago Show ao vivo em Pirapama. Na ida e na volta senti enjoo no ônibus, mas no chão fico bem. Socializo, brinco, faço minha parte no coral, tá tudo bem. No ônibus de volta, tento ler Americanah. Paro com o mal estar de ler em movimento quando a estrada fica toda esburacada. Mando mensagem para o boy, só para dizer que estou viva, mas não consigo estender uma conversa.

Domingo: continuo me sentindo estranha. Recebo uma resposta atravessada de um conhecido e fico com vontade de chorar, mas não sai nada, nem com muito esforço. Melhorei um pouco, e no caminho de ida a Recife o mal estar voltou: enjoo e dor de cabeça.  Chegaram a até a achar que era uma crise de labirintite. Desci, melhorei, como no sábado. Por um tempo, esqueci dos incômodos daquele dia, até que vaza água na minha bolsa, molhando tudo… inclusive minha filmadora, que está oficialmente zumbi. Funcionar funciona, mas o visor LCD morreu. Tive um problema parecido há alguns anos, quando a câmera caiu no chão. Vou ver se levo para concerto, porque comprar outra não está nos planos agora.

Enfim… No meio da terceira música, aconteceu. Caí em prantos e não dava para segurar. Engraçado que nos ensaio eu quase chorava, ficava com a voz embargada, mas segurava a onda. Ontem, não.

Chorei cantando, mas foi o choro mais afinado da minha vida. E acabou que, na volta para casa, eu não sentia mais a agonia de antes. Minha mãe disse que eu devia ter comido algo que me fez mal, e ela tinha razão: engoli meus sentimentos. Tudo o que eu precisava era chorar.