Assisti: “Ghost Dog” (1999)

Os últimos filmes a que assisti e comentei foram, e não é coincidência, escritos e dirigidos por Jim Jarmusch. Parece que se continuarmos nesse ritmo, terei uma filmografia concluída até o fim do ano.

Já começo a resenha dizendo que gostei desse filme antes de assisti-lo devidamente por duas razões:

1) É um filme sobre samurais, gangsteres, bang bang. Gosto de filmes assim.

2) O texto da primeira cena, extraído de uma leitura do Livro do Samurai feita pelo Ghost Dog (Forest Whitaker), tem peso. Atrai a gente a continuar assistindo e é o começo de uma trama que se desenrola de uma forma muito coerente. Mesmo que não se repita mais aquele texto no filme, a gente acaba se remetendo a ele o tempo todo.

“Every day when one’s body and mind are at peace, one should meditate upon being ripped apart by arrows, rifles, spears and swords, being carried away by surging waves, being thrown into the midst of a great fire, being struck by lightning, being shaken to death by a great earthquake, falling from thousand-foot cliffs, dying of disease or committing seppuku at the death of one’s master.”

O assassino profissional que segue os ensinamentos dos samurais, tem por alcunha Ghost Dog e vive com os pombos, faz alguns “trabalhos” encomendados por um membro da máfia, Louie (John Tormey), a quem considera seu “mestre”. Depois do último homicídio, Ghost Dog fica marcado para morrer. E a trama segue nas tentativas de eliminar Ghost Dog.

Além do envolvimento no mundo do crime, Ghost Dog é um ávido leitor. Não só de textos sobre o universo samurai, mas literatura em geral. Isso fica bem claro pelas cenas em que são feitas citações (leituras de algum trecho de livro) e mais ainda quando ele conhece Pearline (Camille Winbush), uma garotinha que carrega os livros que lê em uma lancheira. Além dela, Ghost Dog também tem uma relação amigável com Raymond (Isaach de Bankolé), dono de um trailer de sorvetes que só fala francês. Apesar dessa barreira linguística, Raymond, Ghost Dog e Pearline se comunicam, tendo o trailer de sorvetes como ponto de encontro. A propósito, Pearline é minha personagem mirim favorita de todos os tempos até agora.

O grupo de gangsteres do qual Louie faz parte garante um ou outro momento cômico do filme, já que eles são um bocado atrapalhados e cometem erros amadores tentando matar Ghost Dog. Fora isso, um ou outro personagem têm características que os tornam algo mais leves, como o Sonny (Cliff Gorman), que gostava de rap; e o gângster com a audição avariada.

Até agora só vi três filmes do Jarmusch, e Ghost Dog para mim está empatado com Paterson como melhor filme. Espero encontrar outros títulos tão bons quanto esses em breve!

 

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