Assisti: “Corra!”

O título original do longa é Get out, o que seria traduzido literalmente como “cai fora”. Mas o título que ele recebeu no Brasil não destoa de forma alguma da proposta do filme, o que já é muito bom. A dublagem – assisti ao filme dublado aqui no Cinema Costa Dourada – não foi nada mal, embora em um ou outro momento eu sentisse um pouco de estranhamento. Isto posto, vamos aos comentários sobre o filme em si.

Chris (Daniel Kalluuya) é um fotógrafo negro que namora uma garota branca chamada Rose (Allison Williams). E eles vão passar o fim de semana na casa dos pais dela, que ele ainda não conhece. Ele parece um pouco preocupado com a possibilidade de a família da garota ser racista mas ela não só garante que sua família não é racista, ainda diz que seu pai até votaria no Obama pela terceira vez se fosse possível.

Olha o cliché aí, gente!

Até aí, tá tudo dentro do esperado de um “romance inter racial” nas telas. Quando eles chegam à residência da família é que as coisas começam a ficar bizarras.

O pai Dean (Bradley Whitford – aliás, primeira vez que vejo um filme com o xará do Brad Whitford do Aerosmith!) realmente fala do Obama como se fosse algo que o fizesse automaticamente ser um sujeito não racista. E tem uma mágoa de caboclo pela derrota do seu pai nas olimpíadas de Berlim de 1936 (era um dos corredores, e esse é um dado importante para entender os personagens), o filho Jeremy (Caleb Landry Jones) parece estar continuamente noiado enquanto faz os comentários de cunho racista (sobre código genético, etc) ou fazendo qualquer outra coisa; e a mãe Missy (Catherine Keener) lança sua cota de esquisitice individual ao lançar mão da hipnose como sua arma de trabalho.

Há pouquíssimos negros em volta do Chris durante a temporada na casa, e todos agem de forma esquisita, como se fossem robôs ou personagens do clipe de Black Hole Sun, do Soundgarden (RIP Chris Cornell). A propósito, a Missy também é assim, a meu ver.

O peixe não; mas o sorriso estranho e os olhos de maníaco estão lá.

​Essa postura estranha é que deixa o protagonista com a pulga atrás da orelha; e a coisa só piora quando ele se vê numa festa estranha com gente branca esquisita que faz questão de fazer comentários racistas jurando que estão abafando/ocultando o racismo que carregam. Daí é melhor parar, senão vai ter spoiler…

Os diálogos são meio cliché em alguns momentos, mas uma coisa tem de ser dita: o suspense foi bem feito! A gente sabe que vai ter o susto, mas a surpresa é como ele acontece, e considero isso um ponto positivo. Outro ponto positivo: a trilha sonora (by Michael Abels), principalmente nas primeiras cenas que me chamou a atenção. Muito bem feita!

E como a gente faz o serviço completo, aí vai a trilha sonora que tá disponível no Spotify!

No mais, há passagens que não consigo classificar como boa ou ruim, mas bizarro mesmo. Trazendo mais uma referência de videoclipes, há uma cena que muito me lembrou Psychotherapy, dos Ramones. Ou um episódio do Chapolin.

Disse um rapaz na saída do cinema: não é bom nem ruim. Quanto a mim, não me deixa a sensação de perca de tempo ao assistir, mas acredito que o final poderia ter sido um pouco menos óbvio. Acho que a gente pode entender a mensagem geral como uma resposta à turma que pensa em explorar que consideram que o negro tem de melhor para seu próprio benefício, dizendo que “inveja” qualquer talento que ele tenha. Mas, lá no fundo, estão sendo racistas.

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