Ouvindo: “Palavra e som”, de Joyce

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Imagem: Biscoito Fino

E temos um álbum novinho em folha, só com inéditas da Joyce! 👏👏👏👏👏

(Ou seja, parece que só vai dar ela nesse blog pelos próximos dias…)

Palavra e som foi disponibilizado recentemente nas plataformas de streaming e também, obviamente, também está à venda nas melhores lojas do ramo. Foi lançado dia 19 de maio, dia do aniversário dessa que vos escreve (que presente pra mim, hein?) Tem 13 faixas e a primeira coisa que me chamou a atenção foi a arte da capa, que é bem diferente dos últimos álbuns  (achei as capas de Slow Music e Tudo bem parecidas, por exemplo). É uma ilustração em azul + tons terrosos, representando a artista e seu violão.

Sobre a tracklist agora: diferente dos discos anteriores da Joyce, demorei um pouco a curtir. A faixa de abertura (Mistério no samba) não me fisgou de imediato. Só depois da segunda audição é que comecei a achar o samba interessante. Mas lembrem-se: estamos falando da minha cantora favorita, e logo Palavra e som me mostraria o seu brilho.

A segunda faixa, a bossa Humaitá, traz uma visão um pouco diferente do Rio, vista de um ponto mais retirado da “ferveção” da zona sul ou da zona norte da cidade. Segue um trecho da letra da canção:

“Lá embaixo a cidade rugindo, rosnando, latindo pra quem se arriscar
Lá embaixo é preciso querer ficar.
Cidade que é uma maravilha, que é mãe e que é filha de quem mora lá
e eu sei, porque nela plantei meu lar…

[…]

Na feia beleza que brota de tudo o que toca os humanos de lá
Por isso eu me escondo no Humaitá
Meu jardim secreto, meu canto dileto, silêncio no verde se faz (…)

Mar e lua é uma valsa lindinha, com uma letra bem poética. Bonita mesmo! Já Mingus, Miles e Coltrane não é tão inédita assim para quem acompanha a discografia de Joyce… Ela também está em Cool, álbum contendo várias releituras de standards de jazz; e que foi lançada apenas no mercado internacional. A diferença entre as duas versões: a de Cool não tem letra, apenas vocalizes, e achei um pouco mais suingada; enquanto a de Palavra e som tem um ritmo um pouco mais tranquilo, com uma letra que exalta uma parte da formação musical não só da Joyce, mas de muitos músicos brasileiros que fazem jazz com um toque que é só nosso. (botei as duas versões para tocar aqui, só para checar que não estou ficando doida, hahah)

Dia lindo conta com a participação de Dori Caymmi; e logo depois temos mais um samba, intitulado Sambando no apocalipse; que como o título sugere, faz menção a algumas religiões, e levanta a questão: “quem disse que é pecado sambar?”

A partir de A casa da flor, eu me apaixonei oficial e irrmediavelmente pelo disco. Vale repeat, viu? (quando comecei a escrever esse post no celular ouvi essa música umas dez vezes) Nessa música especificamente a gente consegue captar uma série de imagens de casas. Vivas como um lar tem que ser. (“tem cara de casa, parede, ladrilho, tem viço, tem brilho, tem vida, tem cor; é casa de louco de conto de fada; de sonho, de nada, é a casa da flor”).

O amor é o lobo do amor tem a letra mais arrebatadora e maravilhosa de Palavra e som. Vale repeat, parte 2. Consegui imaginar essa música como trilha sonora de um filme, uma novela – fica a dica para quem produz trilhas sonoras, Joyce Moreno deveria aparecer mais nas trilhas da nossa teledramaturgia. Saquem só esse pedacinho da letra e vejam se não tenho razão:

“O amor é imensidão
O amor nos tira o chão
O amor é devastador
É gozo e aflição
Horror e sedução
O amor é o lobo do amor
Ouve o silêncio do amor
Tão ensurdecedor
Que explode, cala e arrebenta
E a alma assustada nem tenta
Entra nas masmorras do amor
Pedindo em seu favor
Que venha a revolução

O amor sem servidão
Sem presa e sem prisão
Amor que é libertador
Amor que não diz não
Amor que é água e pão
O amor destino do amor.”

(observação 1: transcrevi a letra inteira, beijos)

(observação 2: acho que vou ali escrever umas cenas e já volto)

O poeta nasce feito é outra música que não me encheu muito os ouvidos de primeira (também, depois da porrada que é O amor é o lobo do amor…). É uma música que preciso ouvir um pouco mais para apreciar melhor. Forrobodó das meninas  é a faixa seguinte (quando li o título pensei em Forrobodó do Edu Lobo, mas uma não tem nada a ver com a outra), as personagens principais são justamente as meninas que provocam um “forrobodó”. O “forrobodó” pode ser entendido como “rebuliço”. Depois de ouvir umas três vezes, cheguei à conclusão de que a mensagem da letra é que não importa o que a gente faça, vai causar algum rebuliço, vai ter alguém pra julgar. (“lindas, tão lindas meninas, tem que ser lindas e só / tudo o que as meninas fazem sempre dá forrobodó” – trecho da letra) Então a gente continua no forrobodó #girlpower e dane-se o povo, né não?

Ave Maria serena é um primor de delicadeza, lembra um pouco romaria no interior, uma oração. A melodia traz uma sensação de paz…

Na 75 é tipo um samba de gafieira, dá vontade de dançar. E finalmente, a faixa que dá nome ao disco: Palavra e som é outro primor de delicadeza, versando sobre essa relação entre palavras e sons, que formam lindas canções. Um fechamento lindo para o disco, pura poesia.

Em geral, Palavra e som é um álbum que merece ser ouvido com calma, para absorver cada sensação que ele traz, apreciar cada pedacinho de música. A primeira audição foi via Spotify (onde você pode ouvir o álbum todo), mas já vou providenciar o disco físico, como boa fã de Joyce Moreno que sou. 😉

https://open.spotify.com/embed/album/3YhMSsDwWD2drbb7dEBNib

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