Ouvindo: “Dos Navegantes”, de Edu Lobo, Romero Lubambo e Mauro Senise

Depois de postar o texto sobre Visions of Dawn, fiquei meio que viciada no disco e passei a ouvi-lo em quase todas as oportunidades que tinha. Depois de tanto ouvir o álbum, acabei lembrando de outro disco que está na minha lista de álbuns viciantes: Missa Breve, do Edu Lobo. Fui procurá-lo para ouvir, mas acabei trombando no último lançamento do Edu Lobo, em parceria com o guitarrista Romero Lubambo e o flautista Mauro Senise. O título é Dos Navegantes. Mudei de ideia na hora e fui ouvir o novo lançamento, feliz da vida (e meio chateada que meu radar de novidades parece não estar funcionando lá muito bem… Tô precisando calibrar o radar, tipo assim, pra ontem.

Antes de começar a falar de Dos Navegantes, informações rápidas sobre os músicos. Edu Lobo é cantor, compositor, muito conhecido pelas parcerias com Chico Buarque, que resultaram em pérolas como O Grande Circo MísticoCambaio. Romero Lubambo é um dos melhores guitarristas que tive a graça de (re)descobrir recentemente – tinha uma música dele num CD que eu tinha copiado de uns parentes do Rio quando eu tinha uns 16, 17 anos (a música era Re:Joyce); e depois achei Lua do Arpoador, parceria dele e Leny Andrade. Mauro Senise é o que conheço menos – na verdade só conheci graças a Dos Navegantesinstrumentista premiado tanto pelos trabalhos solo como pelas gravações junto com o sexteto Cama de Gato, já atuou em parceria com vários músicos reconhecidíssimos, como Raul Mascarenhas, Gilson Peranzetta e os próprios Lubambo e Lobo, em ocasiões anteriores.

Quando vi o título do álbum, já imaginei que seria um trabalho de revisitação de músicas antigas do Edu Lobo. Dos Navegantes é também o título de uma das faixas de Cambaio, de 1993. O trio, como “navegantes calejados” (como bem disse o release no site do selo Biscoito Fino) inicia a viagem no final dos anos 60 – a música A morte de Zambi é da trilha da peça Arena conta Zumbi, composta por Edu Lobo e Gianfrancesco Guarnieri. Continua nos anos 70, passando pelas belíssimas Cidade Nova (do álbum Cantiga de Longe, de 1970); ToadaConsiderando e Gingado dobrado, essas três do álbum Limite das águas (1976). A propósito, a versão 2017 de Toada quase me faz chorar, de tão linda.

Dos anos 80, são selecionadas músicas de O Grande Circo MísticoValsa dos Clowns, O Circo Místico – toda vez que escuto essa música choro, e ontem não foi diferente (mais alguém aí se emociona muito com essa música? toca aqui o/ ) – e Na ilha de Lia, no barco de Rosa, de 1988.

Os anos 90 são representados pela faixa-título; e finalmente a única canção inédita do álbum: Noturna. Ou seja, Dos Navegantes é um passeio por praticamente meio século de música, versão revista, atualizada e beirando a perfeição. Até agora, melhor lançamento do ano!

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