O que a música significa para mim

Como já deve ter ficado bem claro para quem lê esse blog (e para quem me conhece desde pequena), música é algo muito importante para mim. Eu diria que é um hobby que levo muitíssimo a sério. Canto em coral, estou aprendendo um instrumento (já de olho nos próximos), trabalho melhor ouvindo música, o Spotify é de longe o aplicativo mais usado no meu celular, já colecionei fitas K-7, e tenho mania de criar trilha sonora pra tudo.

Lembro de quando escrevi minha primeira novela, ainda criança. Eu escrevia em silêncio, no quarto/biblioteca, usando uma Olivetti. Depois de alguns capítulos escritos (não lembro se já tinha terminado), eu resolvi fuçar nos CDs da casa e selecionei algumas músicas que combinariam com a minha história, como se fosse a trilha sonora de uma novela de TV. Foi minha primeira mixtape. Algum tempo depois, reaproveitei a fita para gravar coisas na rádio e lá se foi minha primeira trilha sonora…

Cresci, descobri a Internet, fiz amigos e resolvi me aventurar em roteiros que jamais foram filmados, mas que divertiram muita gente nas comunidades do Orkut, com as webnovelas. E obviamente, tinha trilha sonora! Mas, diferente do que fiz na infância, dessa vez eu escolhia a música antes de começar a escrever. Até hoje tenho esses mixes registrados em CD (ou digitalizados no HD externo, porque me desfiz de muitos CDs numa faxina) e imediatamente ligo as músicas (ou pelo menos a maioria) àqueles personagens. É bem legal; e inclusive acho que alguns amigos meus passaram a conhecer alguns músicos que hoje estão fazendo o maior sucesso (e com músicas em trilhas de novelas de verdade) graças a minha seleção (por favor, meus amigos da época do Orkut que eventualmente lerem esse texto, deixem eu continuar acreditando que vocês conheceram Filipe Catto porque coloquei Ascendente em Câncer na mix de O capitão fracasso! ^_^ – aliás, acho que perdi os capítulos dessa quase todos, o que é uma pena, eu gostava…)

Praticamente todos os textos de ficção que tenho escrito ultimamente têm alguma ligação com música. Ou têm uma trilha sonora cuidadosamente escolhida (e que ouço à exaustão enquanto escrevo) ou porque os personagens contidos naqueles universos são músicos.  Às vezes eu procuro, outras vezes a música cai no meu colo enquanto estou escrevendo (as mixes do Spotify ajudam muito nisso). De toda forma, quando eu acho a trilha sonora, fica até mais fácil mergulhar nas emoções daquele personagem.  É como se finalmente eu tivesse encontrado o coração dele, e me conectado (isso é tão bonito, gente!), e as emoções daquela pessoa que só existe dentro de mim transbordam de alguma forma.

Às vezes é mais intenso, às vezes não muito, mas é sempre muito bonito. Falei no post anterior que estou apaixonada pelo álbum Frogtown, do Anthony Wilson, né? Pois: estava eu muito tranquilinha ouvindo o álbum no Spotify pela enésima vez quando começou Arcadia e eu tive uns flashes de uma personagem que eu havia criado há alguns anos, mas não tinha desenvolvido sua história. Só tinha um outline do que seria. Aconteceu a mesma coisa com Downtown Abbey. Senti, mas não escrevi na hora, fui ver a novela e depois dormir. Mas acordei com essas duas músicas na cabeça. O que fiz? Depois de fazer a prática de violão do dia, peguei o laptop, o celular, abri o Spotify e o Word e saiu uma cena, um pedacinho da história que ainda está por ser desenvolvida (já tem vários pedacinhos escritos há vários meses tanto em formato proseado como em roteiro, tá tipo um Frankenstein, mas depois a gente arruma e faz uma coisa só). No final eu chorei. Eu estava enxergando como a Laura (uma das personagens) enxergava, sentindo o que ela sentia; foi forte e bonito.

Ainda vou desenvolver o resto da história (que nem título definido tem ainda), mas precisava compartilhar o tanto de feliz e encantada que eu estou. É como se eu tivesse começado tudo de novo hoje, do zero. Faz algum tempo que ando ruminando entre uma ideia e outra, sem concluir. Tenho sido prolífica aqui no blog, no Superela, mas sair um texto fictício anda difícil, por mais que os personagens passeiem pela minha mente e queiram sair, e às vezes até ensaiem isso. Ter tido esse insight e a urgência para escrever ao som de uma música me lembrou da magia que é criar e do quanto eu sou grata pelas criações dos outros, que me inspiram tanto, na arte e na vida.

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