Ouvi (e recomendo): “A página do relâmpago elétrico”

A gente tem uma tendência a achar que conhece muito bem a vida e obra de um artista pelas compilações que são lançadas sobre ele por aí. Acontece muito isso comigo, e é normal, e mais fácil ficar com o que toca nas rádios, a trilha sonora da novela etc. Mas muitas vezes, por ficar só na compilação, nas paradas de sucesso, a gente perde de encontrar muitos tesouros “escondidos”.

Aí ontem achei de ouvir “A Página do Relâmpago Elétrico”, álbum do Beto Guedes que foi lançado em 1977 – e cuja faixa título é uma das que mais gosto. Desse álbum saíram algumas das músicas que fazem parte das compilações que foram lançadas anos mais tarde – Maria Solidária, Lumiar, Nascente e a própria A Página do Relâmpago Elétrico – mas depois que ouvi o álbum inteiro, simplesmente acho que todo mundo devia fazer o mesmo. Das músicas que eu ainda não conhecia, duas me surpreenderam positivamente; justamente as duas instrumentais: “Chapéu de sol” e “Bandolim” (a segunda mais do que a primeira).

(Comentário inútil: quando olhei a capa pela primeira vez, pensei “mais um pouco e era Steven Tyler na adolescência.”)

Enfim, esse foi um bom achado do começo da semana, e recomendo fortemente para quem aprecia música brasileira. 😉

Lido: The subtle art of not giving a f**k

Você conhece Mark Manson? Pois é, eu não conhecia até esbarrar com uma pilha de livros dele no aeroporto de Schiphol, Amsterdam. Eu estava esperando o voo para Berlim e parei em uma livraria no aeroporto para comprar algo que me distraísse até a hora do voo (porque o passatempo da viagem não precisa ser só comida, né?) Saí de lá com esse livro e a Glamour Deutschland de Setembro.

Mark Manson é blogueiro já já alguns anos, e depois de ler o livro, descobri que seis posts são basicamente sobre relacionamentos. Mas focando no livro, a ideia dele é ser uma espécie de “autoajuda às avessas”, pelo que entendi. São basicamente razões para não se importar com besteiras, como ficar pouco se lixando pra opinião pública.

Li as primeiras páginas numa manhã de domingo solitária na praça perto do Nordbahnhof, uma semana depois de ter comprado o livro. E foram as primeiras páginas que mais me chamaram a atenção. Até peguei umas citações dele para exemplificar (tradução livre minha):

“Já percebeu que, às vezes quando você se importa menos com algo, você se sai melhor nesse algo? […] Percebe como às vezes quando você para de se importar, tudo parece ir para o seu devido lugar?” (P. 10-11)

“O desejo por mais experiência positiva é em si uma experiência negativa. E, paradoxalmente, a aceitação de uma experiência negativa é em si uma experiência positiva.” (P. 9)

No mais, o discurso do autor é focado no oposto do “busque a felicidade.” Problemas existem e não dá para fugir deles, não somos os floquinhos de neve especiais da estrela, e vamos todos morrer mesmo.

Quando comecei a ler, eu estava bem necessitada de ouvir/ler palavras que me dessem um chacoalhão (autoajuda, meu povo!) Funcionou. Mas apesar do título, se a gente for olhar bem direitinho, não é nada de super revolucionário ou diferente dos outros livros do mesmo gênero.

Não me arrependo de ter gasto 14 euros no livro, foi uma leitura bacana. Mas não me despertou o interesse de ler mais textos do Manson, como geralmente acontece quando descubro um autor novo.

Ouvindo: “L”, de Grzegorz Turnau

Faz mais ou menos uma semana que chegou até mim o novíssimo álbum do Turnau, intitulado simplesmente “L”. O título não é à toa: é a representação em grego do número 50, que é a idade que Grzegorz Turnau completou em julho passado. Esse é um álbum duplo,
que vai ter uma turnê especial até janeiro de 2018, e a primeira música de trabalho é “Koszula”. Como primeiro single, tem um clipe, que foi
dirigido pela Antonina Kondrat, filha do cantor.

O estilo do Grzegorz Turnau é de poesia musicada, e as faixas são, em sua maioria nesse álbum bem curtinhas. Também tem uma pegada mais voltada para gravações antigas, isso a gente percebe pela diferença de qualidade dos áudios; e as participações especiais que já são de lei, como a da Dorota Miskiewicz, que já é parceira de longa data. O disco dois é dedicado aos registros mais históricos, tipo b-sides. E o primeiro, que é o meu favorito, tem alguns destaques: “Koszula”, que é a faixa de abertura; Nadzeja ; Zakochany, a melancólica Zbyt Piekna Noc e Planeta Kraków, um dueto lindíssimo com Dorota Miskiewicz. Essas são as músicas que mais tenho ouvido durante a semana, desde que o “L” caiu nos meus arquivos. Não é o meu álbum favorito do Turnau, mas não
decepciona, tem brilho e vale muito a pena ter.

Diários da Alemanha: em busca dos produtinhos

Viajei para Berlim sem nenhum produto para o cabelo, pela simples razão de que acabaram quase todos os meus cremes na véspera da viagem. Então lavei o cabelo na véspera e pesquisei um pouco nos sites de drogarias como a Rossmann – que eu já sabia que ficava pertinho da minha casa, obrigada pela informação, Google Maps – para ter uma noção do que eu teria disponível para o meu cabelo e qual seria a média de preço.

Valeu para ter uma noção, mas só fui achar produtos para mim fuçando nas prateleiras, e com uma ajudinha do dicionário. Eu não sabia que cabelo cacheado em alemão é lockiges Haar, por exemplo. Mas aprendi rapidinho, de tanto futricar nas drogarias (a Rossmann e também a DM – passei também em uma Apotheke na Torstraße, mas comprei nada lá.)

Então, ainda nos primeiros dias fui atrás dos meus produtinhos! E aqui estão eles (que eu trouxe pra casa, obviamente):

Como praticidade é tudo na vida da pessoa, comprei esse shampoo feat. Condicionador de óleo de amêndoas e óleo de macadâmia da Lavera, marca de cosméticos naturais e veganos made in Germany. Não é específico para cabelos cacheados, mas naquele dia eu tinha meio que perdido a paciência e peguei um pra cabelos secos mesmo. Da mesma linha, tem também a máscara capilar, que vem em sachês e é uma das coisas mais maravilhosas que já passou pelo meu cabelo desde a transição.

Essa máscara tem manteiga de manhã e óleo de coco, sem silicones e petrolatos, bem gostosinha. Inclusive, quando essa foto foi feita, o pote já estava vazio. Também não é exclusivo para cacheadas.

Esse sim! Próprio para cabelos cacheados e ondulados, é uma manteiga capilar que eu estava usando como creme de pentear e meio que me salvou, porque meus day after estavam tensos. Meu “Maria Bethânia (Como chamo meu cabelo às vezes) estava meio estranho e tals… agora tem que ter cuidado com a medida, não pode usar demais desse creme…

Saindo da categoria cuidados capilares, fiz outras comprinhas de bonitezas na drogaria.

Comprei a base e o esmalte jurando que ia fazer as unhas eu mesma por lá. Preguiça bateu e só usei a base, mas depois estreei o esmalte da Essence e realmente ele cumpre o que promete. Uma passada só e fica lindo!

Como dei uma enjoada do perfume que tinha levado (o Aurien nigra, da Eudora), comprei esse. Era o que tinha o melhor cheirinho dentre todos os “minis”. E foi só 3.15 euros, não dava pra perder!

Teve também o batom vermelho da Rival de Loop. O meu é o número 7. Amo e vou defender esse batom, que além de ser lindo e ter uma fixação legal, foi barato pra caramba.

Diários da Alemanha: Potsdam, ou o dia em que (quase) tudo deu errado

Poucas fotos do meu dia em Potsdam resistiram. A maioria delas foi para o beleléu junto com o cartão de memória corrompido. Eu podia muito bem ter deixado na memória do aparelho mesmo, porque o bichinho sobreviveu a uma queda na privada!

Não de imediato, mas em alguns dias eu consegui voltar a usá-lo. De toda forma, acabei comprando um aparelho novo quando voltei a Berlim, já que não podia ficar sem comunicação.

Não foi só do ponto de vista tecnológico que rolaram umas coisas estranhas. Naquela semana, eu estava na expectativa de desenrolar um crush, emendar o passeio com uma noitada tomando alguma coisa e batendo um papinho, só eu e o boy…

Acabou que eu dei foi um monte de closes errados. Tentei ser discreta e de boas, e talvez tenha até passado essa impressão, mas por dentro eu estava muito incomodada com minha própria postura. O cara não estava na minha, aparentemente estava mais interessado em outra garota, com quem também fiz amizade. Recuei, claro.

Gosto de adolescentes, trabalhei com eles por um tempo, mas os que estavam acompanhando a gente naquela excursão eram bem uó…

E na volta, depois de morrer em 200 euros num celular, ainda tive que encarar uma minitreta em casa. Durou pouco mais de um minuto, graças a Deus tudo se resolveu logo. Eu só conseguia pensar em como aquele dia tinha sido complicado!

Mas olhando com mais distanciamento, não foi tão ruim assim. Ainda tenho umas fotos daquele dia, graças a uma ajudinha dos amigos. Vi algumas apresentações culturais que estavam rolando numa feira da diversidade (eu podia ter pego mais souvenirs, fiquei só com um pin pra coleção). Os jardins são apenas fantásticos, bem como os prédios. E também foi lá em Potsdam que provei uma das minhas iguarias favoritas – o Döner Kebab! Pretendo retornar, para refazer as imagens perdidas e ainda passar pelo museu do cinema, que infelizmente não foi parte do passeio.

E melhor de tudo: pode ter sido o dia mais estranho do mês, mas foi o prenúncio do dia mais lindo de toda a temporada. Depois desse dia, fui “exorcizar” as vibes estranhas no Mauerpark, e acabei tendo o melhor dia.

Ouvindo: “WAW/NYC”, de Marek Napiórkowski

Dando uma pausa na série de posts sobre minha estada na Alemanha para compartilhar mais esse crush musical que já dura umas duas semanas. Marek Napiórkowski, um dos meus guitarristas do coração, lançou álbum novo, com participação de Manuel Valera (piano), Robert Kubiszyn (baixo), Clarence Penn (bateria) e Chris Potter (saxofone). WAW/NYC é uma conexão deliciosa da capital polonesa com os EUA, graças a combinação perfeita dos músicos. Só Napiórkowski e Kubiszyn são poloneses nesse conjunto; Manuel Valera é cubano, Penn e Potter americanos.

Já de saída, as duas primeiras faixas (Cloud Illusions e The Way) conquistaram meu coração. A primeira, a propósito, me lembrou um pouco o Nap, lançado em 2009. Mas até agora a minha favorita mesmo é The Way. Se antes eu já queria vê-lo ao vivo, agora a vontade aumentou! E o porquinho já está sendo devidamente engordado. 😉

Fãs de jazz que eventualmente chegarem a esse post, escutem WAW/NYC e divirtam -se (e virem fãs do Napiórkowski que nem eu)!

Diários da Alemanha: um dia em Hamburg

Continuando com a série de postagens… Durante a minha estada na Alemanha, tive várias oportunidades de participar de atividades com o grupo da escola. Participei de duas delas: a ida à Hamburg e a ida à Potsdam.

Antes de falar da primeira cidade, algumas considerações sobre a experiência de fazer atividades turísticas em grupo, com guia e tempo cronometrado, que foi algo que nunca havia feito antes: foi legal, mas provavelmente eu não faria de novo com um grupo grande (outros passeios, provavelmente eu faria; mas visitas à cidades durando um dia só… nope!). Meu ritmo é um pouco mais lento, e eu certamente gostaria de passar mais tempo explorando alguns locais. Mas sim, valeu a experiência e um dia voltarei para Hamburg… Principalmente para refazer várias das fotos que acabei perdendo no incidente do celular. As únicas fotos que resistiram foram as postadas no meu instagram. (moral da história: da próxima vez, lembrar de mandar tudo pra nuvem no mesmo dia que fotografar!)

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Aí estava caindo uma chuvinha fina…

Choveu uma boa parte do dia. Claro que não foi nada no nível ao qual eu estou acostumada aqui na RMR, mas passear em dia chuvoso é meio complicado, independente de ser muita ou pouca chuva.

Passamos (claro) pelo porto, cruzamos várias pontes, me deparei com uma ponte cheia de cadeados (sei, ainda é moda botar cadeado para imortalizar o amor, mas meu romantismo não topa muito com isso). Também teve uma parada no prédio da Filarmônica, que tem um prédio interessantíssimo, metade antigo, metade novo…

Uma parada que achei ótima (e que acalentou de verdade meus sonhos românticos) foi a ida à St. Petri Kirche, igreja mais antiga em Hamburgo, que além de receber muitos visitantes o tempo todo, também estava sediando um casamento! E nós pudemos assistir um pedaço da cerimônia! (aliás, encontrei vários casais fazendo ensaio de casamento em Berlim, acho que se um dia eu casar, imito, hahaha) Mas antes de entrar, uma advertência: nada de fotos lá dentro! Todo mundo se comportou direitinho. 🙂

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Só um pedacinho da torre da igreja.

Não encarei o Fischbrötchen, que é iguaria típica de lá. Sei lá, eu não tava muito pra peixe, então perto da plataforma de embarque do transporte aquático (que faz parte do transporte público, logo a gente usa o bilhete comprado lá no Hauptbanhof), comprei um sanduíche numa barraca italiana, com muito queijo e pesto ❤

Minhas compras foram modestas: trouxe dois pacotes de chá, um de frutas vermelhas e outro de flores e frutas (já provei o primeiro, é bem gostoso e, como já é de se esperar, tudo com um cheirinho delícia), cartões postais pra minha coleção e balinhas de goma veganas sabor frutas vermelhas, que há muito foram para o meu buchinho. 😛 São muito mais gostosas que as não veganas, gente!

A volta acabou sendo mais cansativa que a ida… Além de tudo o que a gente andou, também tivemos que pegar dois trens… E o tram, que pra mim era de lei!

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E, para encerrar o post, uma fotinha bem bucólica tirada na ida.