Crushes musicais da semana

Essa tem um pé na novela. Quando estreou Belíssima (a novela da Bia Falcão, lembram?) em 2005, tinha uma música da trilha sonora que me chamou especial atenção: Bonita, do Tom Jobim, na interpretação de seu neto, Daniel Jobim. Eu gostava dessa música num grau que cheguei a ter um crush básico no intérprete.

Nunca nenhuma versão dessa música me encantou tanto quanto essa da novela, nem mesmo a do próprio Tom!

Isso até eu descobrir Danilo Caymmi cantando Bonita

Corri atrás da cifra e comecei a estudar a música pra tocar um dia desses, esse é meu nível de apaixonamento agora. Ainda não toco a música inteira, mas vamos chegar lá.

Ainda não ouvi o álbum completo, que foi lançado ano passado, mas cara, não tem como ser menos do que muito bom, né?

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Assisti: “Maria Bamford: Old Baby”

Geralmente eu não ligo muito para esses especiais de comédia stand up que tem disponível na Netflix. Na verdade eu não ligo muito para comédia stand up: não é é algo que eu curta, nem algo que eu odeie; simplesmente está lá e às vezes pode até me render uma risadinha… ou não. Especificamente sobre a Netflix e seus especiais, uma vez tentei ver um especial de um comediante cujo nome não lembro e desisti antes de completar cinco minutos de exibição. E desde então, nada mais tentei.

Mas aí tinha esse especial da Maria Bamford, de Lady Dynamite, cujas duas temporadas assisti (infelizmente, foi cancelada). Gostei muito do trabalho dela na série que é baseada em sua vida e sua luta com o transtorno bipolar II, e por ter gostado, resolvi dar uma chance para seu especial.

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Fonte da imagem: IMDb.com

Demorou para que eu pudesse realmente rir: isso só aconteceu lá pelo último terço do especial, mas achei interessante como o programa foi estruturado: é o mesmo show de stand up apresentado para diferentes públicos: primeiro, ela ensaiando com seu próprio reflexo; depois com seu marido; com amigos mais próximos; os vizinhos; depois um grupo de estudantes; outro grupo pequeno em um boliche… até chegar na grande plateia de um teatro. Em cerca de uma hora, ela discorre sobre relacionamentos, família, transtornos psiquiátricos, a própria comédia, a vida. O que mais gosto na Maria Bamford é a extensão vocal que ela tem, personificando vários tipos: da criança ao idoso, passando pela mulher sexy… Cara, eu queria ter essa capacidade de mudar de voz!

Não dei altas gargalhadas com Old Baby, mas é divertido, sim. Recomendo – e se você nunca viu nada da Maria Bamford, veja Lady Dynamite também.

 

O dia em que chorei na Yoga

Bem, arrumei um tempinho pra fazer aulas de Yoga. Não com a frequência que eu gostaria, mas já tem sido uma mão na roda. Para encurtar a história, perto do final da aula senti lágrimas nos olhos. E não foi de dor ou desconforto, foi emoção mesmo.

Não foi aquele choro copioso não, e junto até veio um sorriso.

Depois, quando as luzes se apagaram e a gente pode relaxar/meditar eu dei uma viajada que cheguei a ver a Maria Joyce – personagem de duas das minhas novelas – bem claramente, em seu ambiente de trabalho, com seus cabelos curtos e seu uniforme. Não foi uma imagem que ficou muito tempo ali, mas foi uma das coisas que levei comigo depois da aula. Junto com a sensação de estar se libertando de um monte de coisas e deixando o caminho aberto para a vida acontecer.

A personagem, e algumas questões

Uma pausa para refletir sobre o caminho que meu projeto de romance #01 está seguindo. Dessa vez, estou incluindo personagens pertencentes a outras culturas; isso com base praticamente em observações.

A gênese dos dois textos que comecei (e ainda de um terceiro, que é um roteiro) foi a mesma: o período que passei na Alemanha e as pessoas que conheci por lá – boa parte dos personagens foram inspirados em pessoas que conheci por lá, ou pelo menos receberam seus nomes (às vezes, principalmente quando gosto de uma pessoa ou ela é/foi significativa para mim em algum aspecto, gosto de batizar um personagem com o nome dela). E está tudo fluindo bem, estou particularmente gostando dos diálogos que tenho escrito, mas ontem, enquanto estava no Vile escrevendo no Word móvel (um dos apps que mais aprecio, já que me permite criar até no celular – embora às vezes tenha dificuldade com o touch screen para escrever textos maiores) enquanto tomava um Mocha, me surgiu um questionamento:

Será que estou escrevendo essa personagem de outra cultura direito? Quando for publicado, o que um eventual leitor daquele local pensaria? Será que eu estou reforçando algum preconceito? Meu Deus, que medo dessas coisas!

É um trabalho solitário e meio arriscado também, às vezes. Mexemos com conteúdo, com emoções, retratamos pessoas e lugares, re-criamos mundos de acordo com as nossas percepções, correto? A forma como escrevo sobre Berlim, por exemplo, não é a mesma que um autor alemão escreveria, nem mesmo outra brasileira. E sei que quando um personagem nasce, por mais que ele tenha um pouco de inspiração em uma ou mais pessoas do mundo real, é um ser fictício. Mas a verossimilhança me preocupa, e mais ainda a possibilidade de ferir alguém.

Mas será que tenho controle sobre isso? Creio que não. Quando um texto sai da nossa gaveta para o mundo, ele toca outras pessoas; e ao tocar pode ferir, por mais cuidado que a gente tenha com cada letra. Mas a gente só se responsabiliza pelo que escreve/diz, não pelo que a outra pessoa entende. Preciso lembrar disso toda vez que minha necessidade de super controle resolver atacar: eu não posso controlar todas as reações ao que faço.

Mas posso controlar a personagem e construí-la da melhor forma possível, fazê-la coerente, investir em pesquisa. Se estou escrevendo uma personagem que vem de um universo tão diferente do que vivo, posso naturalmente pesquisar sobre aquele universo. Isso me dá a segurança de estar fazendo algo embasado e bem calculado. Dá trabalho, mas escrever não é bolinho – embora seja uma delícia (aqui parafraseando a Rafa Cappai).

Pode parecer uma viagem muito louca, mas não devo ser a única a me preocupar em como uma personagem vai ser percebida, se para o bem ou para o mal; e que impacto isso pode gerar, até involuntariamente. Alguém aí tem vivido outros questionamentos sobre suas criações?

 

Voltando ao foco

Que fim de semana difícil! Poderia ser resumido em duas palavras: medo e lágrimas. Mas não posso ficar pelos cantos choramingando e me entupindo de pensamentos negativos, certo? Parei um pouco para pensar no que poderia fazer para melhorar e animar o astral. Detectei o que estava me machucando e fui atrás do que poderia fazer para driblar essas questões.

Primeiro, como eu tinha falado no post anterior, me dói não ter dado continuidade à minha formação acadêmica e bate um medo de fracassar na volta. Como sinto falta de verdade dos estudos, a solução do momento foi organizar uma rotina de estudos. De segunda a sexta tenho temas a estudar, como se fossem disciplinas num curso de pós graduação. Vou revendo temas interessantes para minha vida profissional e, de quebra, ganhando confiança para “meter as caras” em um mestrado no futuro. O alemão eu continuo estudando com mais afinco e todos os dias, incluindo os fins de semana.

O segundo passo foi filtrar ainda mais o conteúdo e dar mais uma reduzida no tempo de redes sociais. Ultimamente tenho usado apenas YouTube, Twitter, Instagram e Pinterest, e dando mais preferência ao YouTube e Pinterest, filtrando o conteúdo e priorizando material com o qual possa aprender e me inspirar, evitando as comparações, que são terrivelmente nocivas. Tenho acompanhado canais como o da Marie Forleo, Paula Abreu e as palestras do TEDx, por exemplo.

Durante o Carnaval foi complicado treinar para a corrida, mas agora voltei! E foi tão legal que até voltei com um poema em mente. Cheguei e fui logo registrar os versos de uma vez, o que me deixa feliz por estar escrevendo. Mesmo que não seja exatamente um trecho de um dos projetos de romance que comecei, o importante é estar em atividade. Nos últimos meses tenho escrito poemas com relativa facilidade e liberdade, sem me preocupar muito com regras estéticas. Acabou que finalmente estou começando a gostar das minhas produções nesse campo!

Continuo meditando e investindo no crescimento espiritual, alguns dias são mais difíceis que outros, mas o importante é manter uma constância e não desistir quando a coisa fica mais difícil, como ficou nos últimos dias.

Dos diálogos

Ultimamente, enquanto trabalho nos projetos literários atuais (agora tenho dois: um em português e um em inglês) parei para observar como meus diálogos são longos. Enquanto não me sinto muito segura na ambientação e sempre acho que minhas descrições de ambientes são um tanto deficitárias, nos diálogos eu me sinto bem, em estado de flow. Meus personagens conversam pra caramba e assim as cenas podem ficar enormes.

Talvez isso seja um reflexo do meu próprio gosto por conversar. Quando criança, eu era muito falante e tinha a irmã mais velha de um amiguinho da escola que me chamava de conversadeira: o caminho inteiro eu ia falando sem parar. Eu puxava papo com desconhecidos na praia, até hoje troco algumas palavras com gente em filas. Às vezes fico tímida de chegar e puxar papo, mas minha natureza é de heavy talker. Eu simplesmente preciso falar e às vezes falo demais. Tanto que às vezes atropelo a fala de quem está comigo. A pessoa começa a falar e pronto: eu lembro de alguma coisa que tem a ver com o assunto e passo por cima. Considero isso um defeito e venho tentando controlar, ouvir mais do que falo, esperar as pessoas concluírem os raciocínios delas.

Mas voltando à escrita: todos os personagens acabam carregando algo de seu criador, por mais sutil que seja. Algumas das minhas criações eu diria que são alter-egos meus; mas outros são totalmente diferentes. Mas uma coisa minha todos eles tem no DNA: essa veborragia, a necessidade de falar o tempo inteiro.

Anteontem peguei um material de Linguística para estudar. O artigo era sobre Pragmática: atos de fala, máximas conversacionais. Era uma das coisas que eu mais amava estudar na época da faculdade, junto com Literatura (embora eu tenha carregado a certeza de que eu prestava para ser teórica em Linguística e não em Literatura – vivia em desespero na época de entregar os ensaios achando que ia reprovar em Teoria da Literatura e sempre tirava entre 9,5 e 10, vai entender). E ao ler sobre aqueles assuntos, me vi puxando muito para as conversas fictícias que materializo.

Também escrevi um bocado. Menos do que eu gostaria, porque tenho dividido o tempo para voltar a estudar, retomando a vida acadêmica abandonada em 2012 (o que me deixa um tanto atemorizada; e cheguei a ter uma breve crise de choro, por medo de não dar certo, de ser muito tarde, ter perdido o timing, não ter espaço pra mim), e são poucas linhas de ações para muitas falas. Hoje mesmo acordei muito sensível, certos pensamentos me fazem querer chorar e quando fui ver, no Word Online eu tinha despejado pelo menos metade das minhas angústias. E também encontrei alguns conselhos para segurar esse rojão. Tipo o personal outro que falei no outro post, meus personagens às vezes me indicam luzes no fim do túnel no meio de tanto blá-blá-blá.

Senti um pouco de alívio, o nó na garganta se afrouxou um pouco, fui para o banheiro do escritório, em busca de um pouco de silêncio para o caso de o choro voltar sem aviso e sem freio. Respirei fundo e não chorei.

Crushes musicais da semana (primeiro em vídeo! 📹)

Acordei inspirada e resolvi gravar um vídeo tocando a música que mais tenho ouvido essa semana (obrigada, mixes do Spotify!)

A música da vez é Ich wollte nie erwachsen sein, do cantor alemão Peter Maffay. Maffay começou sua carreira nos anos 70, se tornou um dos artistas mais populares da Alemanha e ainda hoje está em atividade. Além de se destacar na carreira musical, Peter Maffay também se destaca por suas ações político-sociais. É ativista pela paz, colabora com projetos de apoio a crianças que sofreram abusos.

No ano passado, Maffay lançou álbum acústico, e foi na versão desse álbum que ouvi Ich wollte nie erwachsen sein pela primeira vez. E quase caio no choro.

E essa é a minha versão, comigo mais preocupada com a letra do que com a afinação 🤣🤣🤣