Cafeína, capítulo 4

A semana passada foi tão corrida que acabei não conseguindo postar aqui o link para a estória atualizada – embora tenha conseguido publicar no Sweek normalmente, porque o rascunho já estava lá mesmo. Enfim, segue aqui o link para quem não viu ainda!

Design sem nome

No capítulo que foi ao ar na última sexta-feira, Maria Joyce conhece o detetive Teodoro, ganha um segundo emprego e uma nova identidade.

Não (e adeus)

Uma palavra tão pequena, mas que ao mesmo tempo é tão difícil de dizer, não é?

Não. Fácil de escrever. A gente ensaia, a gente recheia com um textão, mas na hora de dizer à vera, fica tudo preso nas ideias, como se a gente já tivesse dito e não precisasse mais repetir.

A gente diz ‘não’ pra si mesma quando diz ‘sim’ para o que já sabe que não faz bem. Virei perita em dizer ‘não’ para as coisas erradas, em dizer ‘não’ para o que me traz paz de espírito. Mas o universo dá seus toques e avisa quando a gente está se bloqueando para o que pode vir de melhor para nossas vidas. Teimosa do jeito que sou (adivinha só? sol em touro…) levei um tempo para identificar que estava insistindo num padrão de comportamento que só me adoece.

Acho que já falei sobre isso antes, mas faz parte do processo repetir e se corrigir, e começar de novo sempre que necessário. Parece papo de life coach, né? Deve ser mesmo, parte influência do processo de coaching pelo qual passei ano passado, e boa parte influência das experiências da vida mesmo. Como venho fazendo nos últimos meses, olhar mais para dentro, ficar mais quieta, por mais que a ansiedade que tá instalada em mim diga exatamente o contrário.

Essa conversa todinha é só porque acordei com o ‘não’ gritando no fundo da alma, pedindo para sair, para uma situação bem específica na qual eu devia ter posto o ponto final há uns três anos, e não o fiz. Tenho bem claro que não quero essa situação na minha vida, mas sempre espero que algo seja diferente, me apego ao medo de dizer não e perder algo que eu achava que era bom, mas que nunca se transforma na coisa boa que eu espero. É sempre uma repetição de situações. Até que, enfim, fui vencida pelo cansaço e resolvi botar o ponto final na história porque quero renovação na minha vida como um todo. E dói.

E eu sei que essa dor vai me fazer ter medo, como já estou sentindo medo, e a tendência vai ser recuar de novo. Tenho muito medo de errar, como já errei; de me deixar agir sob influência da raiva, como já agi; tenho medo do vazio e da mudança. Tive esse mesmo medo quando me demiti em 2017 para ficar em apenas um emprego, só para citar um exemplo. Se eu não tivesse aberto mão de ter dois empregos, não teria voltado às aulas de violão e o Raízes não teria surgido. Quer dizer… Eu desisti de algo que me fazia feliz (além de me gerar renda) e isso abriu passagem para a realização de um sonho de quando eu tinha uns 15 anos – e do qual eu tinha até esquecido! Com uma roupagem um bocado diferente do que eu imaginava na época, mas não teve como não lembrar da adolescente que eu fui e que sonhava cantar e tocar em um grupo formado só por mulheres. Imagina o que pode acontecer quando eu abrir mão de algo que claramente só me gera ansiedade, e ansiedade da ruim?!

Ao mesmo tempo que o medo existe, estou alimentando a fé de que vai dar certo, porque o ‘não’ que eu disser para o que já se provou infrutífero duas, três ou quatro vezes vai abrir caminhos para bênçãos, para novidades. Dizer ‘não’ e ‘adeus’ pode ser exatamente o que eu preciso, o salto de fé para alçar voos maiores e melhores, – de repente pode ser o que você que tá lendo isso precisa também (vai que, né?). É como dizem (#papodecoach), “se tá com medo, vai com medo mesmo!”

Para os dias mais difíceis

Eu ia compartilhar no twitter, mas por ser um texto maior – e eu ter esse espaço para textos maiores – então resolvi vir direto para cá.

Quando entrei no twitter (uma das duas redes sociais nas quais mantenho alguma atividade) para compartilhar o link de “Cafeína”, passo rapidamente pela timeline e o que a gente vê é um uníssono de como as redes sociais se tornaram um ambiente nocivo para a saúde mental da gente. Quando não é pelos ideais inatingíveis de vida ou pelas cobranças direcionadas a quem produz conteúdo, é pelas atrocidades do noticiário. São dias difíceis os que vivemos, não preciso repetir e nem precisa ter Internet para constatar isso, basta acordar e sair na rua.

Mas, com tudo isso, apesar de tudo isso, a gente segue vivo, acordando todos os dias, saindo para trabalhar, encontrando os amigos, continua tendo família, tudo isso por tempo indeterminado. Dor, bênçãos, insensatez, solidariedade, guerra e paz, tudo misturado. E a gente aí, no meio do bang bang.

Então fiquei pensando no que tenho feito para me cuidar e não pirar nesse contexto. Saiu essa listinha:

1. Diminuir a frequência em redes sociais: já compartilhei aqui da minha experiência cortando as redes sociais por um tempo e como isso me favoreceu. Acabou ficando uma constante, porque eu tenho publicado relativamente pouco (só os links dos textos mesmo) e não fico rolando a timeline indefinidamente. Me sinto em paz com o ritmo atual de uso, e tenho passado mais tempo no YouTube, que tem muito me ajudado com aulas de dança do ventre e yoga. (dicas: quem curtir essas atividades, sigam os canais Leilah Isaac – dança do ventre, em inglês – e Pri Leite – yoga, em português)

2. Evitar acompanhar notícias sobre política pela televisão: minhas informações são em 80% do tempo por mídia escrita, 15% por rádio e apenas 5% pela TV – e só as notícias locais via televisão.

3. Consumir e/ou fazer arte: ler muitos livros – estou com uma penca de livros físicos e no Kindle, é material até o ano que vem – ouvir música que eleve a alma, ver mais filmes, inclusive estou dando uma preferenciazinha aos filmes em relação às séries ultimamente. Outra dica: já viram o filme polonês “A Arte de Amar”?

4. Buscar fortalecer a fé: oração, leituras edificantes, meditação fazem parte do cotidiano.

5. Colocar energia em uma causa: existem várias pautas que nos tocam e eu gostaria de poder militar por todas elas, mas não dá. Sou uma pessoa só e me sentia muito mal por achar que estava me isentando de discussões por não participar delas na internet, como muitos dos meus colegas. Mas esse sentimento foi abrandando quando me lembrei de que a internet não é o mundo inteiro, por mais que a gente sinta que é quando estamos interagindo por lá, e quando olhei para o meu trabalho como professora, e o potencial transformador que estar em uma sala de aula, com crianças e jovens, tem.

Fácil não é. Mas a gente vai fazendo o melhor que pode.

Cafeína, Capítulo 2

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Resumo do capítulo: as coisas começam a ficar estranhas na área; Virgínia sai sem dar explicações e Fernando, dono do Café San Remo, começa a agir estranhamente…

Leia aqui.

Hoje, excepcionalmente, não consegui subir o capítulo do podcast. Atualizarei o post com o link do áudio assim que possível. 😉