Dez anos!

Dia desses eu me peguei observando que esse não é só o final de um ano, mas o final de uma década. Entre 2018 e 2019 passei por uma fase bem complicada da vida pessoal, precisamente entre o final de setembro do ano passado e o final desse ano, com muitas expectativas quebradas, umas decisões equivocadas… Enfim, acho que finalmente aprendi a não tomar decisões no auge da emoção, porque geralmente são decisões bem tortas.

E olhando direitinho, eu repeti ciclos. Com uma ou outra diferença, o que vivi entre 2018 e 2019 foi o que vivi entre 2011 e 2013… E ainda bem que dessa vez eu encerrei o ciclo mais rápido! As vantagens de aprender.

Esse post é para olhar bem para as realizações da década, os aprendizados, as coisas significativas que aconteceram nesse período de 10 anos:

2010: apareci na televisão pela primeira vez (no Video Game, quadro do extinto Video Show, que havia sido gravado em dezembro do ano anterior). Consegui meu primeiro emprego como professora – e ouvi do recrutador que levava jeito para trabalhar com crianças, o que achei que jamais aconteceria. Comecei uma pós em tradução. Tentei o mestrado em linguística pela primeira vez, e não passei.

2011: fui ao Rio de Janeiro pela segunda vez. Conheci pela internet uma pessoa que marcaria de forma bem negativa as minhas lembranças nos anos seguintes. Tentei o mestrado de novo.

2012: tomada pela frustração de não ter passado no mestrado em linguística (pela segunda vez), decidi que a vida acadêmica não era para mim, e comecei um curso de cinema digital. Comecei também uma nova graduação, mas ela não cabia na minha vida, então pela primeira vez, abandonei um curso. Segui envolvida, ainda que à distância, com o cara que conheci em 2011 mas, no dia em que tinha decidido conhecê-lo pessoalmente, desisti e fiquei em casa. Melhor decisão da minha vida.

2013: atuei na websérie Caia na Gandaia. Comecei a cortar contato com o sujeito de 2011 e tive um breve relacionamento que, embora tenha durado pouco, me ajudou muito nesse processo de me libertar da influência de um cara que eu achava fantástico, mas era só manipulador e medíocre (entre outras coisas). Prestei concurso e passei.

2014: oficialmente mudei de emprego, o que me deu  estabilidade para começar a tirar alguns sonhos do papel.

2015: comecei a planejar minha primeira viagem internacional.

2016: fiz minha primeira viagem internacional, para o Chile. Teve show do Aerosmith e acertos para o intercâmbio. Foi também um ano muito difícil profissionalmente, mas o lema foi manter o foco e não se desesperar.

2017: pedi demissão do meu emprego mais antigo (o de 2010), voltei às aulas de violão, realizei o sonho de ir à Alemanha, onde fiz o intercâmbio. Lá, decidi retomar meus estudos, tentar o mestrado de novo.

2018: nasceu o grupo Raízes; influenciada pelo período na Alemanha, me inscrevi no mestrado em educação por aqui. Acabei não passando, mas as travas que coloquei em mim entre 2011 e 2012 estavam, enfim, derrubadas. Fiz a cirurgia da vesícula. Voltei à Alemanha, e foi um período muito legal, mas ao mesmo tempo muito esculhambado, graças à minha saúde mental que estava passando por uma fase complicada, com crises de ansiedade (uma das piores coisas que me aconteceu na vida foi ter uma crise de ansiedade no metrô. EM FRANKFURT. SOZINHA). Ao voltar para casa, tomada de frustração e muita tristeza, engatei um relacionamento que conseguiu ser o pior da minha vida. Era uma versão piorada do cara de 2011 (digo piorada porque o de 2011 pelo menos eu jamais conheci pessoalmente e fez estrago suficiente na minha cabeça). Felizmente, durou dois meses, mas eu passei o último ano morrendo de medo de encontrar o infeliz na rua.

2019: eu tinha planos de voltar à Alemanha de novo no segundo semestre, mas mudei de ideia porque ainda não estava bem o suficiente para atravessar o oceano sozinha. Foquei nos estudos (fiz duas disciplinas como aluna especial na pós), na terapia, incluí mais atividade física na minha rotina. Tive crises de ansiedade esparsas, principalmente ao ver coisas que lembravam as pessoas que me feriram emocionalmente. Por um tempo fiquei com medo de entrar em algumas ruas, de ver um determinado modelo de carro com uma determinada letra na placa, de fazer chamada de vídeo, de ler threads sobre política. O medo de chamadas de vídeo eu já superei, o resto estou superando ao poucos.

E eis que o maior medo do último ano se concretizou: eu passei por ele na rua. E se ele me viu, não me reconheceu. Ou fingiu que não. Passou direto. Eu estava de carro, ele a pé. Talvez tenha sido muito rápido, mas não importa: passamos um pelo outro e nada aconteceu. Certamente ele não lembra do meu nome e, pela fé, já vai fazer um ano desde que me afastei desse! Uns sete, oito anos do outro, é o tipo de medo que não faz o menor sentido. Dessas experiências ruins, ficam as lições: eu preciso rever os padrões das minhas escolhas afetivas, porque três vezes, em intervalos esparsos, escolhi caras que em determinado momento se mostraram o oposto de mim em posicionamentos sociais e políticos. Para além disso, foram pessoas que me desrespeitaram em palavras e em atitudes. Com o primeiro, tentei por um ano, com o segundo, dois meses, com o terceiro, três dias. Com fé, não haverá uma quarta vez. Das outras tentativas, aprendi que devo ser fiel às minhas convicções e não esperar que as pessoas mudem de ideia num passe de mágica – elas não vão, a não ser que queiram muito.

Nesses dez anos, minhas ambições profissionais mudaram muito: ainda gosto muito de escrever, de criar, imaginar histórias e colocá-las no papel, mas não é mais o meu plano A. Me encontrei bem na sala de aula, estou investindo em minha carreira na educação, e a escrita criativa, assim como a TV, ficou no lugar do hobby em vez de ser uma ambição profissional. Não sei até quando…

Aprendi a não me pressionar tanto por deadlines: eu me imaginava chegando aos 30 anos com uma determinada estrutura; algumas coisas aconteceram, outras não, e tá tudo certo. Tudo bem que às vezes eu me pego pensando “puxa, eu estou com 30 anos e…” Acho que eu tinha uma pressa de viver as coisas antes de chegar um momento em que não tivesse mais tempo, mas o tempo continua aí, passando. Estou aprendendo a não correr tanto, mas apreciar as paisagens. E fazer menos coisas, mas fazer melhor. E me resguardar de determinadas coisas – tem situações que a gente se mete que eram super desnecessárias, que poderiam ter sido evitadas se a gente tivesse dito ‘não’.

Que em 2020, e nos anos que – com fé! – virão, estejamos mais tranquilos em estar na nossa própria pele, a honrar a nossa vida.

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