Assisti: “Entre Irmãs”

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Fonte: IMDb.com

Soube da produção desse filme quando passou uma matéria no NE TV e meu pai me chamou para assistir. Na matéria, um pouco dos bastidores da gravação de um baile de carnaval dos anos de 1930; e o filme era chamado de A Costureira e o Cangaceiro. Tempos depois, o filme foi lançado e demorei um pouco para identificar que Entre Irmãs é o filme baseado no romance chamado A Costureira e o Cangaceiro, de Frances de Pontes Peebles. Enfim, resolvida a questão do título na minha cabeça…

Fiquei super feliz quando vi o cartaz do longa no Cinema Costa Dourada; e corri para assistir! O filme é estrelado por Marjorie Estiano (Emília) e Nanda Costa (Luzia). Duas irmãs que não podiam ser mais diferentes: enquanto Emília é romântica e sonha com um príncipe encantado; Luzia é um tanto bruta, também é destemida. No começo do filme, Luzia se acidenta caindo de uma árvore; o que a deixa com uma deficiência no braço esquerdo. Elas são órfãs, criadas pela tia Sofia (interpretada por Cyria Coentro) e em determinado momento ainda do primeiro terço do filme, Sofia diz uma frase que permeia todo o enredo, mesmo que não seja muito repetida: “tudo o que uma tem no mundo é a outra.”

Depois as vidas das irmãs mudam radicalmente: Emília consegue realizar o sonho de ir para Recife, viver uma vida de sonhos (e conhecer o mar!) graças ao seu príncipe encantado Degas (Rômulo Estrela) enquanto Luzia, em uma sequência dramática, segue o bando de cangaceiros do Carcará (Júlio Machado). Pelas notícias dos jornais, uma fica sabendo do paradeiro da outra, das transformações pelas quais vão passando.

Estar na cidade grande ou no meio do sertão é algo desafiador para ambas, que vão romper paradigmas e se afirmar de uma forma surpreendente (precisei copiar esse final da sinopse do panfleto do Costinha, hahaha).

Fiquei encantada com esse filme num grau que nem sei direito destacar o que gostei mais: o roteiro é primoroso e a fotografia… Senhor! Fez justiça aos imóveis antigos de Recife, que já são lindos vistos de perto. Do elenco, não tem ninguém que destoe, mas Nanda Costa me chamou a atenção de uma forma que não tinha feito na TV até então.

Quando saí do cinema, eu estava chorando. Na verdade as lágrimas me acompanharam no começo, no meio e no fim, com algumas pausas pelo meio, haha. Não fui muitas vezes ao cinema esse ano, mas as vezes que fui, valeram muito a pena! Assim que puder, vou ler A Costureira e o Cangaceiro, romance que originou Entre Irmãs. Recomendo muito o filme, quem não viu ainda, veja! 😉

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Assisti: Frances Ha

Melhor coisa que pude fazer essa semana: usar minhas noites livres para assistir a um filme. É uma forma de relaxar um pouco das pressões e também ficar em dia com o que anda sendo feito de legal ultimamente – confesso, apesar de gostar de cinema, ando atrasadíssima com os filmes… 😦

Enfim, quando Frances Ha foi lançado, eu fiquei muito interessada em assistir e tal, mas por algum motivo muito esquisito nunca parei para ver. Até que fui pesquisar na Netflix e lá estava ele!

A sinopse do filme é, em linhas gerais, a trajetória de Frances (Greta Gerwig), uma jovem de 27 anos lutando para se firmar na carreira de bailarina em Nova York. Ela tem uma melhor amiga, Sophie, com quem mora e a relação delas parece mais que perfeita! Mas ao longo da 1h20 de longa metragem, muitas coisas acontecem, levando Frances a ir morar em outras casas, batalhar para ganhar dinheiro… No resuminho da Netflix diz que ela tem “mais entusiasmo que talento.” Honestamente, discordo: acho que Frances é talentosa e entusiasmada, mas não tem sorte.

Ela também é um pouco incômoda às vezes para algumas pessoas (pelo menos foi isso que percebi enquanto assistia e observava a relação dela com alguns personagens), volta e meia solta um “desculpa qualquer coisa”. Ela também é chamada de undateable (inamorável), basicamente por não estar namorando ninguém e ter uns hábitos de gente solitária. Ela parece mais velha do que realmente é? Talvez…

Frances é uma personagem que provoca identificação na gente. Em várias cenas, me peguei dizendo pra mim mesma “cara, isso é muito algo que eu faria”, sabe? Os sofrimentos dela, por não conseguir se estabelecer em algum espaço onde possa se realizar, e até as mentirinhas para parecer que está tudo um sucesso, quem nunca? Ela é muito alguém que a gente pode encontrar em qualquer lugar – inclusive na gente mesma, e isso é massa.

Assisti: “O nome dela é Gal”

Dentre as cantoras brasileiras, sempre tive minha “santíssima trindade”, da qual já falei aqui no blog (só refrescando: Joyce, Leny e Leila), mas obviamente tem outras cantoras que admiro e respeito, mesmo que não ouça muito. Gal Costa é uma dessas: conheço muito pouco de sua obra (seria justo dizer que conheço “vários nadas”, mas considero a interpretação dela de Divino MaravilhosoBrasil duas das coisas mais primorosas que já ouvi, amo real-oficial; e ainda tem o disco Meu Nome é Gal, que eu ouvi muito quando criança, porque minha mãe deu pro meu pai de presente de aniversário em algum momento dos anos 90). Cresci e Gal não era uma das cantoras que eu mais ouvisse na vida.

Li uma matéria sobre o a série documental recém-lançada pela HBO e acabei trombando com ele enquanto mudava de canal – ia ver Game Of Thrones, mas ainda tavam reprisando a primeira temporada, aí fui ver outra coisa – parei no O nome dela é Gal. Estava passando o primeiro episódio da série sobre a vida e obra dela. Esse primeiro episódio me chamou a atenção por duas razões: primeiro pelos depoimentos da mãe e de amigas de infância, e como ela se aproximou de Bethania, Caetano e Gil. A outra razão foram as imagens de arquivo dela tocando violão, registros da gravação do primeiro disco. Achei aquelas imagens inspiradoras! ❤

Deu até vontade de ouvir Gal de novo, depois de tantos anos sem dar atenção às músicas dela. Meu foco de atenção agora são os primeiros discos, sobre os quais conheço pouquinho ainda. Quem não viu ainda, veja – e ouça!

Todo mundo, menos eu

(até hoje, pelo menos)

Quando o assunto é cultura, eu sou um pouco (ou muito, dependendo do ponto de vista) do contra. Enquanto tá todo mundo vidrado em uma determinada música/filme/série, eu tô amando outra coisa (a qual boa parte dos meus amigos não dá muita atenção, possivelmente). Eu costumo brincar chamando esse meu “delay” de “dívida com a sociedade”, e não tenho poucas.

Com música eu não tive muito disso porque quando trabalhava como professora, sentia a necessidade de ouvir o que meus alunos ouviam e selecionar músicas que eles curtissem para fazer as aulas com música (era minha parte favorita). Para vocês terem uma ideia, a minha primeiríssima turma de adolescentes era composta apenas por meninas fãs de Justin Bieber no início da carreira (exatamente, com cabelo de cuia e tudo). Até hoje eu tenho o My World e o My World 2.0. (y)

Ponto alto da minha vivência com essa turma: quando levei música do Bieber de surpresa na aula, após milhões de apelos, e as meninas quase tiveram uma síncope nervosa. Era um holograma do Bieber na sala ou o quê?

Enfim… Tinha época que era um saco, tinha época que eu compartilhava dos gostos dos adolas. Katy Perry e Ariana Grande, por exemplo. Ainda hoje gosto, embora não ouça com frequência. Como eu disse, na música eu tenho algo do contra peculiar, mas não muito.

O bicho pega mesmo quando é TV e cinema. E eu vivo dizendo que “esse ano vou saldar minhas dívidas com a sociedade e ver essas coisas que todo mundo gosta, para ver se gosto também.” É quase iniciar uma dieta na segunda-feira.

Com vocês, alguns dos hits da galera que até então eu não tinha/tenho a menor intimidade.

1. Harry Potter

Na verdade, o caso aqui é mais de “segunda chance”. Um dia fui assistir a um dos filmes da franquia (acho que era O Prisioneiro de Azkaban) e dei umas cochiladas no meio. Só não dormi de uma vez porque estava comendo biscoito Treloso de chocolate (um dos melhores biscoitos da vida, que na atual conjuntura não me pertence mais). Nunca li nenhum livro da franquia, não vi os outros filmes, basicamente desconheço a trajetória do bruxinho (que está completando 20 anos de lançamento) assim como também não li nada de autoria de J. K. Rowling, embora reconheça que ela teve uma trajetória inspiradora. Dia desses pego um dos livros pra ler.

2. Twilight

Primeira vez que ouvi falar de Crepúsculo foi no meu primeiro emprego como professora. Tive uma dupla de alunos de uma turma de universitários (como eu também era na época) que na hora da prova oral resolveu discutir sobre Twilight (a menina gostava, o menino não) e cada um que quisesse dar seus argumentos. Depois saíram os filmes e tal… Eu só acompanhava a zoeira em torno dos vampiros que brilham. Ainda peguei um e-book, incentivada por um amigo. Nunca terminei de ler. Talvez eu dê mais uma chance um dia desses.

3. Game of Thrones

Entrou temporada, saiu temporada, e eu continuava sem manjar muito das paradas sobre a série de livros/série da HBO. Até jogo de tabuleiro eu vi numa loja em Santiago (e comprei de presente para um amigo), mas eu mesma ver GoT que é bom, nada…

Até que o mesmo amigo que me incentivou a ler Crepúsculo fez o mesmo com Game of Thrones. Terminei a primeira temporada ontem e olhe, o povo tem razão de gostar. É bem feita pra caramba! Não toma de Mad Men o lugar de minha série favorita, mas vale acompanhar. Até minha mãe assistiu, gente!

4. Grey’s Anatomy

Não vi por uma combinação de falta de tempo + falta de vontade de ver série médica. Até agora só vi um episódio, muito por acaso. E era justamente o da morte de Derek. Dia desses eu pego a série do começo.

(Eu honestamente não ligo pra spoiler, de coração. Tem gente que fica com raiva se rolar um spoiler pelo meio, mas nunca me importei com isso. Eu comprava revista de fofoca para saber o que ia acontecer na novela, então por aí vocês tiram… Já sei quase tudo o que vai acontecer em GoT e isso não me tira a vontade de ir ver a série, porque interessante é como acontece, e isso nem a melhor descrição do coleguinha ou do site pode fazer.)

5. 13 Reasons Why

Logo quando saiu, e as pessoas me perguntavam se eu já tinha visto, eu respondia na lata: nem vi, nem verei. Entre pessoas achando uma ótima série e pessoas achando perigosa a abordagem do suicídio na série, estou entre aqueles que ainda se consideram despreparados para assisti-la. Não é desinteresse pelo tema, com o qual eu tive contato direto quando um familiar cometeu suicídio, há quase dez anos. Acredito que seja o momento em que foi lançada, eu estava mais a fim de ver um programa mais leve e assim foi. Mais pra frente, talvez, eu inclua 13 Reasons Why na minha lista de séries a assistir.

Essa é uma lista que não tem fim, e com a vida corrida do jeito que está, não dá para ver tudo mesmo, a gente faz o que pode e o que quer, quando o assunto é entretenimento.

Assisti: “Mulher Maravilha”

O sábado foi dedicado a passar uma parte da manhã em companhia de uma turma muito boa no Cinema Costa Dourada, para uma sessão especial de Mulher Maravilha (Wonder Woman, 2017)! Junto com as blogueiras Elãine Tereza e Kárcia França assisti ao filme, que estreou dia 1º de Junho. Postei algumas fotos do evento no meu instagram (@evanaizabely) e também nos perfis da Kárcia e da Elãine. Aliás, muito obrigada e parabéns ao Costa Dourada pela belíssima organização do evento e obrigada Elãine pelo convite! ^_^ Mas agora vamos ao filme…

O plot de Mulher Maravilha, dirigido por Patty Jenkins, é o surgimento da heroína; ou seja, como a amazona Diana (Gal Gadot) tornou-se a Mulher Maravilha, saindo de Temíssera, da ilha onde só há mulheres guerreiras, amazonas; para ir encarar o mundo desconhecido da Europa em fins de Segunda Guerra Mundial. Sua missão? Encontrar o deus da guerra, Ares, e destruí-lo.

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O roteiro, escrito por Allan Heinberg, aborda o desenvolvimento da futura super heroína desde sua infância; o que foi super acertado, principalmente na escolha do elenco. A Diana criança já é para mim uma das melhores personagens mirins do cinema recente, e em boa parte isso se deve ao bom trabalho feito com a atriz mirim Lilly Aspell.

Treinada com esmero por Antiope (Robin Wright), Diana começa a revelar aos poucos a força que tem e enfim, já adulta, encontra a oportunidade de lutar para acabar com a guerra ao conhecer Steve (Chris Pine), o primeiro homem com quem Diana tem contato, ainda na ilha em que vive. É com ele que ela vai para o mundo dos homens e começa a sua luta, que a torna na Mulher Maravilha que todos conhecemos.

Dois pontos positivos do roteiro, que eu queria apontar em primeiro lugar: a abordagem feita da história mundial, que considerei acertada; tanto ao falar da história antiga, citando deuses gregos; quanto ao mencionar páginas da era moderna (a Segunda Guerra Mundial).

Como era de se esperar, o longa é repleto de momentos emocionantes, como a hora em que a Mulher Maravilha surge pela primeira vez como a heroína e vai para o campo de batalha (o público, formado quase que totalmente de mulheres na sessão aplaudiu várias vezes; eu confesso que chorei outras tantas…). Também tem um pouco de humor, especificamente no primeiro terço do filme, e o romance, que tem um peso muito pequeno no quadro geral. Aqui, a mulher não está como indefesa, mas como heroína que se impõe para cumprir seu propósito; e ao mesmo tempo o homem não é colocado em cena como um sujeito aparvalhado e dependente. Diana e Steve atuam em cooperação em parte das batalhas, isso achei interessante observar.

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A ação do filme é, naturalmente, pontuada pela trilha sonora; e isso eu tenho de admitir: embora eu não seja muito fã de filmes de super heróis (exceção feita a Batman e Mulher Maravilha), as músicas desses filmes são todas muito boas e, obviamente, impactantes. Enquanto escrevo esse post, estou ouvindo a trilha sonora oficial, disponível no Spotify – só procurar Wonder Woman ou Rupert Gregson-Williams, o compositor da trilha.

Merecidamente, acredito que Mulher Maravilha será o filme de maior bilheteria desse ano no circuito comercial. Geralmente eu sou meio do contra, mas na minha opinião vai ser difícil algum outro blockbuster superar este em 2017. Quem ainda não viu, vá assistir e leva a turma junto.

E NÃO É SÓ ISSO!! Tem mais um texto meu sobre Mulher Maravilha, no ar no Superela. Clique aqui e leia! 😉

Assisti: “Corra!”

O título original do longa é Get out, o que seria traduzido literalmente como “cai fora”. Mas o título que ele recebeu no Brasil não destoa de forma alguma da proposta do filme, o que já é muito bom. A dublagem – assisti ao filme dublado aqui no Cinema Costa Dourada – não foi nada mal, embora em um ou outro momento eu sentisse um pouco de estranhamento. Isto posto, vamos aos comentários sobre o filme em si.

Chris (Daniel Kalluuya) é um fotógrafo negro que namora uma garota branca chamada Rose (Allison Williams). E eles vão passar o fim de semana na casa dos pais dela, que ele ainda não conhece. Ele parece um pouco preocupado com a possibilidade de a família da garota ser racista mas ela não só garante que sua família não é racista, ainda diz que seu pai até votaria no Obama pela terceira vez se fosse possível.

Olha o cliché aí, gente!

Até aí, tá tudo dentro do esperado de um “romance inter racial” nas telas. Quando eles chegam à residência da família é que as coisas começam a ficar bizarras.

O pai Dean (Bradley Whitford – aliás, primeira vez que vejo um filme com o xará do Brad Whitford do Aerosmith!) realmente fala do Obama como se fosse algo que o fizesse automaticamente ser um sujeito não racista. E tem uma mágoa de caboclo pela derrota do seu pai nas olimpíadas de Berlim de 1936 (era um dos corredores, e esse é um dado importante para entender os personagens), o filho Jeremy (Caleb Landry Jones) parece estar continuamente noiado enquanto faz os comentários de cunho racista (sobre código genético, etc) ou fazendo qualquer outra coisa; e a mãe Missy (Catherine Keener) lança sua cota de esquisitice individual ao lançar mão da hipnose como sua arma de trabalho.

Há pouquíssimos negros em volta do Chris durante a temporada na casa, e todos agem de forma esquisita, como se fossem robôs ou personagens do clipe de Black Hole Sun, do Soundgarden (RIP Chris Cornell). A propósito, a Missy também é assim, a meu ver.

O peixe não; mas o sorriso estranho e os olhos de maníaco estão lá.

​Essa postura estranha é que deixa o protagonista com a pulga atrás da orelha; e a coisa só piora quando ele se vê numa festa estranha com gente branca esquisita que faz questão de fazer comentários racistas jurando que estão abafando/ocultando o racismo que carregam. Daí é melhor parar, senão vai ter spoiler…

Os diálogos são meio cliché em alguns momentos, mas uma coisa tem de ser dita: o suspense foi bem feito! A gente sabe que vai ter o susto, mas a surpresa é como ele acontece, e considero isso um ponto positivo. Outro ponto positivo: a trilha sonora (by Michael Abels), principalmente nas primeiras cenas que me chamou a atenção. Muito bem feita!

E como a gente faz o serviço completo, aí vai a trilha sonora que tá disponível no Spotify!

No mais, há passagens que não consigo classificar como boa ou ruim, mas bizarro mesmo. Trazendo mais uma referência de videoclipes, há uma cena que muito me lembrou Psychotherapy, dos Ramones. Ou um episódio do Chapolin.

Disse um rapaz na saída do cinema: não é bom nem ruim. Quanto a mim, não me deixa a sensação de perca de tempo ao assistir, mas acredito que o final poderia ter sido um pouco menos óbvio. Acho que a gente pode entender a mensagem geral como uma resposta à turma que pensa em explorar que consideram que o negro tem de melhor para seu próprio benefício, dizendo que “inveja” qualquer talento que ele tenha. Mas, lá no fundo, estão sendo racistas.

Assisti: “Ghost Dog” (1999)

Os últimos filmes a que assisti e comentei foram, e não é coincidência, escritos e dirigidos por Jim Jarmusch. Parece que se continuarmos nesse ritmo, terei uma filmografia concluída até o fim do ano.

Já começo a resenha dizendo que gostei desse filme antes de assisti-lo devidamente por duas razões:

1) É um filme sobre samurais, gangsteres, bang bang. Gosto de filmes assim.

2) O texto da primeira cena, extraído de uma leitura do Livro do Samurai feita pelo Ghost Dog (Forest Whitaker), tem peso. Atrai a gente a continuar assistindo e é o começo de uma trama que se desenrola de uma forma muito coerente. Mesmo que não se repita mais aquele texto no filme, a gente acaba se remetendo a ele o tempo todo.

“Every day when one’s body and mind are at peace, one should meditate upon being ripped apart by arrows, rifles, spears and swords, being carried away by surging waves, being thrown into the midst of a great fire, being struck by lightning, being shaken to death by a great earthquake, falling from thousand-foot cliffs, dying of disease or committing seppuku at the death of one’s master.”

O assassino profissional que segue os ensinamentos dos samurais, tem por alcunha Ghost Dog e vive com os pombos, faz alguns “trabalhos” encomendados por um membro da máfia, Louie (John Tormey), a quem considera seu “mestre”. Depois do último homicídio, Ghost Dog fica marcado para morrer. E a trama segue nas tentativas de eliminar Ghost Dog.

Além do envolvimento no mundo do crime, Ghost Dog é um ávido leitor. Não só de textos sobre o universo samurai, mas literatura em geral. Isso fica bem claro pelas cenas em que são feitas citações (leituras de algum trecho de livro) e mais ainda quando ele conhece Pearline (Camille Winbush), uma garotinha que carrega os livros que lê em uma lancheira. Além dela, Ghost Dog também tem uma relação amigável com Raymond (Isaach de Bankolé), dono de um trailer de sorvetes que só fala francês. Apesar dessa barreira linguística, Raymond, Ghost Dog e Pearline se comunicam, tendo o trailer de sorvetes como ponto de encontro. A propósito, Pearline é minha personagem mirim favorita de todos os tempos até agora.

O grupo de gangsteres do qual Louie faz parte garante um ou outro momento cômico do filme, já que eles são um bocado atrapalhados e cometem erros amadores tentando matar Ghost Dog. Fora isso, um ou outro personagem têm características que os tornam algo mais leves, como o Sonny (Cliff Gorman), que gostava de rap; e o gângster com a audição avariada.

Até agora só vi três filmes do Jarmusch, e Ghost Dog para mim está empatado com Paterson como melhor filme. Espero encontrar outros títulos tão bons quanto esses em breve!