A personagem, e algumas questões

Uma pausa para refletir sobre o caminho que meu projeto de romance #01 está seguindo. Dessa vez, estou incluindo personagens pertencentes a outras culturas; isso com base praticamente em observações.

A gênese dos dois textos que comecei (e ainda de um terceiro, que é um roteiro) foi a mesma: o período que passei na Alemanha e as pessoas que conheci por lá – boa parte dos personagens foram inspirados em pessoas que conheci por lá, ou pelo menos receberam seus nomes (às vezes, principalmente quando gosto de uma pessoa ou ela é/foi significativa para mim em algum aspecto, gosto de batizar um personagem com o nome dela). E está tudo fluindo bem, estou particularmente gostando dos diálogos que tenho escrito, mas ontem, enquanto estava no Vile escrevendo no Word móvel (um dos apps que mais aprecio, já que me permite criar até no celular – embora às vezes tenha dificuldade com o touch screen para escrever textos maiores) enquanto tomava um Mocha, me surgiu um questionamento:

Será que estou escrevendo essa personagem de outra cultura direito? Quando for publicado, o que um eventual leitor daquele local pensaria? Será que eu estou reforçando algum preconceito? Meu Deus, que medo dessas coisas!

É um trabalho solitário e meio arriscado também, às vezes. Mexemos com conteúdo, com emoções, retratamos pessoas e lugares, re-criamos mundos de acordo com as nossas percepções, correto? A forma como escrevo sobre Berlim, por exemplo, não é a mesma que um autor alemão escreveria, nem mesmo outra brasileira. E sei que quando um personagem nasce, por mais que ele tenha um pouco de inspiração em uma ou mais pessoas do mundo real, é um ser fictício. Mas a verossimilhança me preocupa, e mais ainda a possibilidade de ferir alguém.

Mas será que tenho controle sobre isso? Creio que não. Quando um texto sai da nossa gaveta para o mundo, ele toca outras pessoas; e ao tocar pode ferir, por mais cuidado que a gente tenha com cada letra. Mas a gente só se responsabiliza pelo que escreve/diz, não pelo que a outra pessoa entende. Preciso lembrar disso toda vez que minha necessidade de super controle resolver atacar: eu não posso controlar todas as reações ao que faço.

Mas posso controlar a personagem e construí-la da melhor forma possível, fazê-la coerente, investir em pesquisa. Se estou escrevendo uma personagem que vem de um universo tão diferente do que vivo, posso naturalmente pesquisar sobre aquele universo. Isso me dá a segurança de estar fazendo algo embasado e bem calculado. Dá trabalho, mas escrever não é bolinho – embora seja uma delícia (aqui parafraseando a Rafa Cappai).

Pode parecer uma viagem muito louca, mas não devo ser a única a me preocupar em como uma personagem vai ser percebida, se para o bem ou para o mal; e que impacto isso pode gerar, até involuntariamente. Alguém aí tem vivido outros questionamentos sobre suas criações?

 

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Voltando ao foco

Que fim de semana difícil! Poderia ser resumido em duas palavras: medo e lágrimas. Mas não posso ficar pelos cantos choramingando e me entupindo de pensamentos negativos, certo? Parei um pouco para pensar no que poderia fazer para melhorar e animar o astral. Detectei o que estava me machucando e fui atrás do que poderia fazer para driblar essas questões.

Primeiro, como eu tinha falado no post anterior, me dói não ter dado continuidade à minha formação acadêmica e bate um medo de fracassar na volta. Como sinto falta de verdade dos estudos, a solução do momento foi organizar uma rotina de estudos. De segunda a sexta tenho temas a estudar, como se fossem disciplinas num curso de pós graduação. Vou revendo temas interessantes para minha vida profissional e, de quebra, ganhando confiança para “meter as caras” em um mestrado no futuro. O alemão eu continuo estudando com mais afinco e todos os dias, incluindo os fins de semana.

O segundo passo foi filtrar ainda mais o conteúdo e dar mais uma reduzida no tempo de redes sociais. Ultimamente tenho usado apenas YouTube, Twitter, Instagram e Pinterest, e dando mais preferência ao YouTube e Pinterest, filtrando o conteúdo e priorizando material com o qual possa aprender e me inspirar, evitando as comparações, que são terrivelmente nocivas. Tenho acompanhado canais como o da Marie Forleo, Paula Abreu e as palestras do TEDx, por exemplo.

Durante o Carnaval foi complicado treinar para a corrida, mas agora voltei! E foi tão legal que até voltei com um poema em mente. Cheguei e fui logo registrar os versos de uma vez, o que me deixa feliz por estar escrevendo. Mesmo que não seja exatamente um trecho de um dos projetos de romance que comecei, o importante é estar em atividade. Nos últimos meses tenho escrito poemas com relativa facilidade e liberdade, sem me preocupar muito com regras estéticas. Acabou que finalmente estou começando a gostar das minhas produções nesse campo!

Continuo meditando e investindo no crescimento espiritual, alguns dias são mais difíceis que outros, mas o importante é manter uma constância e não desistir quando a coisa fica mais difícil, como ficou nos últimos dias.

Dos diálogos

Ultimamente, enquanto trabalho nos projetos literários atuais (agora tenho dois: um em português e um em inglês) parei para observar como meus diálogos são longos. Enquanto não me sinto muito segura na ambientação e sempre acho que minhas descrições de ambientes são um tanto deficitárias, nos diálogos eu me sinto bem, em estado de flow. Meus personagens conversam pra caramba e assim as cenas podem ficar enormes.

Talvez isso seja um reflexo do meu próprio gosto por conversar. Quando criança, eu era muito falante e tinha a irmã mais velha de um amiguinho da escola que me chamava de conversadeira: o caminho inteiro eu ia falando sem parar. Eu puxava papo com desconhecidos na praia, até hoje troco algumas palavras com gente em filas. Às vezes fico tímida de chegar e puxar papo, mas minha natureza é de heavy talker. Eu simplesmente preciso falar e às vezes falo demais. Tanto que às vezes atropelo a fala de quem está comigo. A pessoa começa a falar e pronto: eu lembro de alguma coisa que tem a ver com o assunto e passo por cima. Considero isso um defeito e venho tentando controlar, ouvir mais do que falo, esperar as pessoas concluírem os raciocínios delas.

Mas voltando à escrita: todos os personagens acabam carregando algo de seu criador, por mais sutil que seja. Algumas das minhas criações eu diria que são alter-egos meus; mas outros são totalmente diferentes. Mas uma coisa minha todos eles tem no DNA: essa veborragia, a necessidade de falar o tempo inteiro.

Anteontem peguei um material de Linguística para estudar. O artigo era sobre Pragmática: atos de fala, máximas conversacionais. Era uma das coisas que eu mais amava estudar na época da faculdade, junto com Literatura (embora eu tenha carregado a certeza de que eu prestava para ser teórica em Linguística e não em Literatura – vivia em desespero na época de entregar os ensaios achando que ia reprovar em Teoria da Literatura e sempre tirava entre 9,5 e 10, vai entender). E ao ler sobre aqueles assuntos, me vi puxando muito para as conversas fictícias que materializo.

Também escrevi um bocado. Menos do que eu gostaria, porque tenho dividido o tempo para voltar a estudar, retomando a vida acadêmica abandonada em 2012 (o que me deixa um tanto atemorizada; e cheguei a ter uma breve crise de choro, por medo de não dar certo, de ser muito tarde, ter perdido o timing, não ter espaço pra mim), e são poucas linhas de ações para muitas falas. Hoje mesmo acordei muito sensível, certos pensamentos me fazem querer chorar e quando fui ver, no Word Online eu tinha despejado pelo menos metade das minhas angústias. E também encontrei alguns conselhos para segurar esse rojão. Tipo o personal outro que falei no outro post, meus personagens às vezes me indicam luzes no fim do túnel no meio de tanto blá-blá-blá.

Senti um pouco de alívio, o nó na garganta se afrouxou um pouco, fui para o banheiro do escritório, em busca de um pouco de silêncio para o caso de o choro voltar sem aviso e sem freio. Respirei fundo e não chorei.

Eu conto histórias

Muitas vezes me pego tendo umas crises horrendas, que me fazem acabar com coisas que eu havia acabado de começar, ou que estavam indo bem. Às vezes tenho a impressão de que o resto do mundo não me leva a sério porque não sou a pessoa mais constante: uma hora quero fazer isso, outra hora aquilo, depois aquilo outro. Não termino o que começo, sou meio redundante. Não nasci para isso, nem para aquilo, para que então?

No final das contas, minha dor vem a ser exatamente não saber exatamente o que fazer da vida. Um dia médica, outro dia apresentadora de TV. Arquiteta, economista, atriz, cantora, jornalista, cineasta, tradutora. Acabei professora. E tradutora, mas ainda assim a dúvida me corrói. Tantas vezes me pego pensando “e se eu tivesse feito assim…?” Não fiz, pô. Fiz o que fiz, e na verdade não me arrependo. Mas é como se eu tivesse um desejo secreto de ter mais de uma vida para poder fazer tudo o que passou pela minha cabeça.

Essa é outra questão, além do meu perfeccionismo.

(impressão minha ou tá subindo um cheiro de cigarro pela janela?)

Quando paro para me escutar, parece que começo a juntar as pecinhas desse enorme quebra cabeça dos meus desejos. Quando escrevo, realizo. Nem que seja só na minha cabeça e na de quem eventualmente chegar às minhas páginas. Escrevendo, a arquiteta, a economista, a atriz, a cantora e tantas outras podem viver junto com tantos outros. Meu desejo é criar um mundo próprio, e por isso conto histórias. Com pedaços do mundo existente, crio outros universos. Realizar isso me conforta de alguma forma.

Ainda me sinto meio presa às garras do medo da opinião pública, por isso me sinto muito presa ao falar de mim e do que faço. Apareço uma hora para depois me esconder embaixo da mesa. Medo de decepcionar, de ser desestimulada a seguir. O horror de se ver dependente da opinião dos outros.

Talvez fosse bom criar um personal outro, aquele que ficaria do meu lado e responderia sinceramente às minhas perguntas do tipo “devo me mostrar?” com um simples “continue”. Continue.

“Continue soltando suas palavras nesse mundo, como mensagens engarrafadas soltas no mar. É mais ou menos assim na Internet, né não? Continue. Não desista. Não delete (de novo) o que veio antes (se bem que derrubar tudo e começar de novo é um direito que lhe assiste, quantas vezes quiser, só é meio desanimador). Não se prenda aos likes, não ouça os haters. Não viva em função dos haters. Você conta histórias, então é isso que você tem de fazer. Continue e diga tudo o que você tem a dizer, enquanto há tempo.”

Meu personal outro falaria exatamente assim. Bem, ele falou. 🙂

Balanço de Janeiro

Falta um dia ainda para Janeiro acabar, e em pouco mais de 24 horas muita coisa pode acontecer, mas acho que já dá para fazer um balanço breve das coisas que aconteceram no último mês. Olhando direitinho, foi pouca coisa não:

  • Fiz minha primeira aula de Yoga, com um grupo massa e uma instrutora maravilhosa. Foi apenas uma aula – aqui na minha cidade não tem ainda uma turma formada, então fazemos aulas experimentais no estúdio de pilates, que cabem no meu tempo apertado.
  • Evoluí oficialmente para instrumentista e integrante de um trio teclado + flauta + violão (a do violão sou eu, que também canto) na igreja. Era uma dupla, sabe? Mas quando entrou a flauta eu fiquei tão emocionada… Chorei de feliz, lembrando de quando eu era adolescente e queria ser tipo o Brad Whitford de saias. Queria ter uma banda só de meninas; depois eu queria entrar em qualquer banda, como vocalista. Obviamente não aconteceu. Aí chega um dia desses, eu com quase 30 anos na cara e… as coisas acontecem de um jeito que é mais parecido comigo de verdade. Ainda tenho muito que avançar e evoluir, óbvio, faz só 10 meses que resolvi voltar para o violão (depois de quase 17 anos admirando de longe). E o próximo passo é adquirir o eletroacústico próprio, que já chega de usar o violão dos outros.
  • Fiz alguns avanços na carreira autoral: enviei um poema para concorrer uma vaga em uma antologia; publiquei este poema no P.S. I Love You; concluí e encaminhei um roteiro em língua inglesa para um concurso. Muitos avanços em um mês só, não? Para mim, que tenho surtos de insegurança, foi muita coisa. Ainda mais sendo eu uma pessoa que tinha vergonha de tornar meus poemas públicos (nunca me considerei boa nisso), que há muito tempo não conseguia terminar um roteiro que fosse. Dia desses, tive uma conversa com uma coach de carreira aqui no trabalho e disse a ela que nunca fui a pessoa do ‘feito é melhor que perfeito’. Mas no fundo, eu gostaria muito de ser assim, menos perfeccionista e mais de ação, a que vai se aprimorando no caminho em vez de esperar ficar *pronta*. Ter encaminhado estes três textos, mesmo sem muita certeza de que serão bem recebidos, foi grande porque consegui ultrapassar a ideia de perfeição, que tanto me limita.
  • Ontem, saído o resultado do Sisu, vi um post de uma conhecida que passou para um curso pelo qual tenho algum interesse, e cujo interesse aumentou quando me aproximei de uma pessoa que trabalha nessa área. Me bateu uma sensação estranha de puxa, eu bem que poderia ter feito… Mas ao mesmo tempo, veio a pergunta: mas eu queria mesmo? Quero mesmo? Ou isso é só porque eu gosto muito da pessoa que está envolvida nisso e queria dar um jeito de estar mais perto? Já caí nessa armadilha há alguns anos, só que ao contrário: achei que estava apaixonada pelo cara (que era altamente estúpido, só pra constar) mas na verdade o que eu queria era uma habilidade específica que ele tinha e que se destacava. Dessa vez, tendo a achar que estou apaixonada pela coisa e que seria uma boa dar uma guinada profissional porque alguém que me encanta gosta (e trabalha com) daquilo também. Na verdade nem é. Em parte, é uma tendência que está até registrada no meu mapa astral, um tal de Mercúrio em Gêmeos que se por um lado tende a ter facilidade na comunicação e a ser curioso, também tende a acabar não se especializando em nada, de tanto que é curioso por tudo (tendência que venho tentando administrar, a propósito) Depois de um tempo refletindo sobre isso, concluí que tenho um desejo muito grande de passear pelo mundo dele, de entendê-lo, de ouvi-lo na mesma medida em que tenho vontade de falar de mim, do que me encanta e o que me perturba. Somos um bocado diferentes, isso já percebi; e tem horas que sinto um pequeno temor do que pode acontecer, mas ando com vontade de tentar.

Mais uma chance? (sobre o teatro e eu)

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O Teatro e Eu é o nome da autobiografia de Sergio Britto, um dos meus atores favoritos no mundo (queria tanto vê-lo nos palcos, mas infelizmente não foi possível). Mas esse post não é para falar sobre ele, e sim sobre minha relação não só com o teatro, mas com a dramaturgia em geral. 

Quando criança, eu ficava *encenando* Arlequim, servidor de dois amos com as bonecas; e foi basicamente isso que me levou a começar a escrever minhas próprias histórias (além da influência das novelas). Sempre tive uma facilidade para decorar textos (memória de elefante: trabalhamos) e teve um tempo em que eu refazia sozinha cenas de novelas que eu tinha visto no dia anterior (lembro de fazer muito isso com Fascinação, do Walcyr Carrasco, que passava no SBT). 

Fiz peças na igreja, fui a mãe em várias peças da escola. Lembro de ter ganhado uma nota um pouco mais baixa por ter tido uma atuação fraca em uma das peças (cujo texto eu também tinha escrito) e foi o meu primeiro contato com crítica. Só esqueceram de me avisar que isso não queria dizer que eu fosse exatamente ruim. Queria dizer só que eu era uma criança. De toda forma, atuar nunca foi um sonho que eu perseguisse com unhas e dentes. Nunca enchi o saco dos meus pais para me colocar em uma escola de teatro ou me levar para fazer testes. Talvez por achar que não fosse para mim… Pelo contrário: eu queria ser jornalista e entrevistar aquele povo que estava diante das câmeras. Fazer outras personagens era e ainda hoje é, para mim, um hobby, não uma forma de ganhar o pão ou fama. Acho muito bonito ver a forma como tanta gente se dedica ao ofício de ator como um sacerdócio, mas essa não seria eu. 

Mais velha, fazendo o curso de cinema, li um roteiro e um dos professores disse que eu devia atuar. O mesmo foi dito por um colega do curso: eu deveria fazer um curso de atuação. A princípio eu disse não, mas a pulguinha ficou atrás da minha orelha. Depois fiz a Jurema Paraguaçu em Caia na Gandaia (episódios no YouTube) e pude dizer que tive uma experiência. Não sei se vou fazer de novo, mas foi divertido. 

Na verdade, eu quero fazer de novo, dar mais uma chance para encontrar a atriz que existe por aqui. Tem algumas personagens que eu gostaria de fazer: algumas que eu mesma escrevi, algumas criadas por outros. Penso em radionovela também. Gostaria inclusive de ter mais tempo para estudar, participar de oficinas; assim como tenho feito com a música. Mas tudo no seu tempo… 

Minhas músicas para escrever

Olá, pessoal! Faz uns dias que estou mazelando para escrever um post-resposta ao post no Bastidores da Escrita, sobre as músicas que uso para escrever. Mas hoje resolvi colocar o post no ar…

… em áudio.

Organizei o canal lá no Podbean e, mordida novamente pelo bichinho do podcast agora estou retomando as gravações, devagarinho. 🙂

Só apertar o play!

http://www.podbean.com/media/share/pb-i5u5d-804214

E a playlist completa está no Spotify: