Diários da Alemanha: o caso da telefonia

Entrei na terceira semana de Berlim e sei que tô super atrasada com os relatos, mas tava dando preguiça de escrever no blog usando o celular. Enfim, é o que tem pra hoje, pelo menos até o fim da temporada. Então vamos de post direto do celular.

(Infelizmente não vai ter fotos de tudo porque um dos cartões de memória que trouxe tratou de corromper quase todos os meus arquivos. Espero recuperá-los em breve)

Uma coisa que não fiz no Chile mas devia ter feito foi comprar um chip de operadora local para me manter conectada mesmo fora do hostel. Dessa vez, como ia passar muito tempo longe de casa, resolvi que SIM, precisava de um chip local! Antes de embarcar para Berlim, já fui fazendo pesquisas sobre as operadoras e planos pré pagos existentes.

Só fiquei um dia 100% baseada em Wi-Fi: cheguei a Berlim num domingo e as lojas mais próximas estavam fechadas, então precisei usar o Wi-Fi da casa de família onde estou só para dizer que cheguei bem e tals. No dia seguinte, depois da primeira aula/teste de nivelamento na escola, fui atrás do meu chip. A primeira loja em que fui foi a da empresa Telecom, que inclusive tem muitos telefones públicos espalhados pela cidade.

Cheguei, falei com a atendente, e o diálogo que se seguiu em alemão foi mais ou menos assim:

EU: Boa tarde! Vocês têm cartões SIM pré pagos?

ATENDENTE: Você é cidadã da União Europeia?

EU: Não.

ATENDENTE: Desculpe, nós só vendemos para cidadãos europeus. É uma nova lei…

Assim, sem dar muitas explicações. Agradeci e fui embora. Acabei comprando um chip da Vodafone em uma Lotto ao lado da escola.

Esse foi o chip que comprei.

€ 9,90 e pronto! Só faltava ativar o chip…

E aí começou a novela.

Passei uma tarde inteira tentando ativar sozinha o bagulho, sem sucesso. São exigidos vários dados para o reconhecimento do usuário do SIM card, entre eles o reconhecimento do rosto da pessoa. Como eu não estava dando conta de resolver, fui em uma loja da Vodafone.

A primeira tentativa não foi muito frutífera. O atendente disse que não podia me ajudar porque eu não tinha comprado o dito chip lá. Eu precisava voltar na loja onde tinha comprado e fazer o registro lá (APOIS!)

Eu tava era quase jogando o chip (e meus 10 euros) fora…

Mas perto da minha Gästehaus tem o quê? Um shopping! Com o quê? Uma loja da Vodafone! E lá estava o meu salvador do chip: super solícito, ouviu minha história, pediu o número do chip, meu passaporte, meu endereço em Berlim e pronto, resolveu-se o problema em cinco minutos! Saí de lá muito grata e encantadinha pelo fofo atendente da Vodafone que me ajudou. Mais adiante, ele me quebraria outro galho.

Semana passada minha internet estava um lixo e o touch screen do meu celular com sérios problemas. Até que sábado em um café em Potsdam, eu deixei o bonito cair na privada.

Isso mesmo: deixei meu celular cair na privada. Trágico. Tentei salvá-lo de todas as formas, mas agora o desastre estava feito. O pad só funcionava quando queria; e quando estamos longe de casa não podemos ficar sem dar notícia pra família, certo? Pelo menos eu não posso ficar incomunicável para a minha. Assim, fui obrigada a comprar um celular – que estou usando nesse momento para escrever esse post. Aproveitei a deixa para descobrir por que minha conexão a Internet estava tão ruim. Voltei à mesma loja. O atendente lembrava de mim! 😍 Contei minha história (dessa vez com um pouco mais de desenvoltura no alemão) e ele logo descobriu a razão.

EU TINHA UM CENTAVO DE CRÉDITOS.

Pode rir, eu deixo.

Botei mais 15 euros de crédito, torcendo para que dê por mais duas semanas (o tempo que me resta na Alemanha).

Momento utilidade pública: para quem vem à Alemanha, o plano CallYa, da Vodafone, é uma boa pedida. Você encontra em lojas da operadora ou em tabacarias, lojas da Lotto (como eu achei). Paguei 9,90 pelo chip, mais 15 pelos créditos extras e tá super valendo a pena. Eles também tem um App que serve para monitorar os seus gastos e inserir novos créditos se necessário. Existem outras operadoras mais baratas, mas aí não posso falar delas com propriedade…

(Continua)

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O causo do registro

Depois de 9 meses você vê o resultado de escrever e revisar o original duas vezes, finalmente o enviei para registro na Biblioteca Nacional.

Eu devia ter feito isso antes, mas queria ir ao posto estadual, que fica lá perto do parque 13 de Maio, e para isso eu precisava

  1. Faltar no trabalho;
  2. Enfrentar meus pavores de virar estatística dos assaltos a ônibus do Grande Recife. A chance seria multiplicada por 4, já que são dois busões pra ir e dois pra voltar.

Lembro de quando fui registrar meu primeiro roteiro. Paguei a taxa de R$20, e demorei a ir ao posto estadual o suficiente para a moça dizer que meu comprovante não valia mais, pois tinha passado muito do prazo. E eu lá sabia que tinha prazo de validade o pagamento? No final, perdi 20 contos, pois não consegui registrar o roteiro.

Isso faz uns três anos. Desde então, não passei nem perto da Biblioteca Nacional. Escrevendo e guardando… Até que pensei “cara, preciso publicar esses negócios”. O primeiro da fila seria exatamente o que escrevi durante o NaNoWriMo (aliás, será que eu consigo participar esse ano e bato as 50.000 palavras? Oremos). Mas dessa vez, eu resolvi fazer algo de diferente e em vez de me abalar até Recife, resolvi enviar pelo correio direto para a EDA (Escritório de Direitos Autorais), no Rio de Janeiro.

Segui as instruções do site da BN, que diz:

Caso o requerente não possa se dirigir pessoalmente à Sede ou a um dos Postos Estaduais do EDA, a DOCUMENTAÇÃO COMPLETA (ver Exigências para Registro ou Averbação) deverá ser enviada por SEDEX ou Carta Registrada para a sede do EDA no Rio de Janeiro. Neste caso, não será possível encaminhar o recebido de entrega de documentos com o respectivo número de protocolo.  O requerente deve aguardar comunicado, via Correios, com informações sobre a solicitação encaminhada, observando os prazos estabelecidos na norma vigente.

A documentação é: formulário de registro ou averbação (que tem no site para baixar), cópia impressa do texto que você deseja registrar (numerada, rubricada e sem encadernar, o que foi outro erro que cometi – encadernei o roteiro da vez que não consegui fazer o registro), cópia de identidade, CPF, comprovante de residência e, claro, o comprovante de pagamento da GRU. A gente paga e não espera muito para enviar a documentação do registro.

Em menos de 24 horas depois do pagamento, fui à agência dos Correios perto do trabalho para enviar meu manuscrito para a BN.

Expectativa: enviar como carta registrada.

Realidade:

ATENDENTE: Olha, para enviar como carta registrada tem que pesar até 500 gramas. O seu deu 615 gramas.

Olhei na balança e pensei ixi, que papel pesado da gota serena! São só 120 páginas!

ATENDENTE: A opção é mandar por SEDEX.

EU: PAC não?

ATENDENTE: PAC só se for encomenda.

EU: Tá certo… Se não der, eu vou ali sacar um dinheiro pra pagar.

ATENDENTE: A gente aceita cartão de crédito e débito.

EU: Ah, bom!

ATENDENTE: Tem duas opções pra você. O SEDEX 10, que chega amanhã, custa 120 reais. O SEDEX normal, que chega lá em 8 dias úteis, custa 60.

EU: Vai o comum, e no cartão de crédito.

ATENDENTE: Olha, esse material tem algum valor material?

EU: Não, só intelectual mesmo. É original de um livro.

ATENDENTE: Eu pergunto só porque pode ser documento autenticado, alguma coisa assim, e carga no Rio de Janeiro é meio visada, sabe?* Se fosse assim, você declarava; aí se acontecesse de ele ser extraviado, você recebia o que pagou e ainda o valor do objeto.

(*Bem, foi o que ele disse, né?)

EU: Entendi. Mas qualquer coisa, se ele sumir, eu imprimo de novo e mando. De toda forma, espero que chegue direitinho.

Nos despedimos e voltei para o trabalho, mas não sem antes fazer uma pausa para comprar uma barra de chocolate para dividir com as colegas.

Próximos passos pós-registro (depois que eu voltar da viagem):

  • escolher a capa do livro
  • resolver a publicação (provavelmente vai ser Amazon de novo, já que tenho dois textos publicados via Kindle Direct Publishing; mas tô numas de mandar para algumas editoras, só para ver que bicho dá)

 

Cenas do ônibus

Precisei ir a Recife ontem e para isso peguei dois ônibus. Já falei aqui que nos últimos meses eu passei mal dentro de ônibus, por medo de assalto? Depois que o ônibus em que eu estava foi vítima de ladrões por duas vezes, a coisa ficou feia para o meu lado. Mas na verdade eu ando espantada com o trânsito em geral. Pavor de acidentes, de assaltos. Todo dia é orar, vigiar e buscar alternativas para desviar minha mente do medo de andar de ônibus. Meditar e cantar tem me ajudado um bocado (obrigada aos outros passageiros, que não me mandam calar a boca. <3)

Então, o primeiro ônibus foi um Recife-Porto de Galinhas (opcional), com ar condicionado, pouquíssimas paradas e uma tarifa bem salgada (R$ 15,20). Mas passei o VEM com gosto, justamente porque ali me senti minimamente mais tranquila. Consegui até cochilar um pouco! Quando não estava quase dormindo, estava ouvindo a cobradora conversando com outro funcionário, que devia estar indo começar o expediente. O assunto: carona para outros rodoviários.

COBRADORA – Teve um que que foi pegar carona no ônibus e o motorista disse, “tu é da Borborema? Desce!”

Desci no terminal e peguei outro ônibus para chegar à Conde da Boa Vista, onde peguei o terceiro, que finalmente me levaria ao meu destino. Na Conde da Boa Vista a gente já fica meio alerta, porque acontece de tudo lá… Inclusive encontrar senhoras bem vestidas com um pombo (vivo, só para constar) na cabeça.

O terceiro ônibus demorou o suficiente para que uma garota de cabelo vermelhão, que devia ter mais ou menos a minha idade puxar conversa.

MOÇA – Já passou o ônibus pro TI Tancredo Neves?

EU – Não… Até agora só passou Brejo, Largo do Maracanã e Alto Santa Isabel.

MOÇA – Esse ônibus demora, viu? Toda vez é isso… E eu ainda vou pro Ibura.

EU – Esses ônibus tão um caso sério mesmo.

MOÇA – Tô indo pegar um exame. Demorei pra ir porque tava cuidando da minha avó, ou eu cuidava de mim ou cuidava dela; aí ela piorou e faleceu.

EU – Puxa…

MOÇA – Agora tô indo buscar o exame pra mostrar pra médica. Outro dia eu tava indo pra lá, e vi que o ônibus ia ser assaltado, aí desci e disseram ‘mas mulher, descesse por que aqui?’ E eu falei que tinha dois homens querendo assaltar, eu me liguei e desci ali mesmo pra pegar outro, ainda bem.

Aí o meu ônibus chegou e eu me despedi.

Linha Casa Amarela (Rosa e Silva): devo ter ficado uns dez minutos no ônibus, sentada junto à janela e torcendo para nenhum mala subir. Olhando para os lados o tempo todo, até que dei uma relaxada, segurei na mão de Deus e fui.

Subiu um vendedor de revistinha de caça palavra que ficou oferecendo o produto dele para que a gente segurasse. Mesmo que não fosse comprar. Honestamente, não entendo muito bem a lógica, mas dizem que ajuda a incentivar o trabalho. Geralmente eu seguro e quando posso/quero, compro. Dessa vez, disse “não, obrigada”, e vários outros passageiros disseram a mesma coisa. Mas parece que alguém não curtiu muito a abordagem do sujeito e respondeu meio rude. Aí o ambulante pegou ar e começou o discurso:

VENDEDOR DE CAÇA-PALAVRA: Desculpa atrapalhar o silêncio da viagem de vocês, eu tô vendo que alguém se incomodou. Eu tô aqui fazendo meu trabalho honesto, pedindo pra vocês segurarem meu produto, é falta de educação isso! Infelizmente tô desempregado , mas vocês nunca vão me ver subir num ônibus para roubar. É um real, valor simbólico… Eu vou falar aqui, a pessoa sabe que é pra ela, não faça muxoxo não, que é feio, magoa. Valeu, motô!

E ele foi embora. Durante esse baile que a gente levou do vendedor, o busão inteiro estava ca-la-di-nho. Tivesse alguém a fim de replicar, ia dar um barraco básico. Depois que ele desceu e o ônibus seguiu viagem, os comentários começaram. Da cobradora ao passageiro da última cadeira comentando a falta de modos do vendedor ao abordar os potenciais compradores.

COBRADORA – Desse jeito, não vai vender é nada!

Eu, no meu cantinho, enquanto cruzávamos a Agamenom Magalhães, pensei que ele poderia ter umas aulinhas com ambulantes mais escolados na abordagem ao público.

E alguns minutos depois, ouço atrás de mim uma voz feminina fazendo comentários sobre o que se passa na rua:

– Agora tem Pizza Rato aqui?

– É Pizza Hut, mãe…

Aí eu já estava chegando à minha parada.

Aula de ballet

Cheguei para a aula de zumba quando o ballet das criancinhas tinha acabado de acabar. E eu adoro as criancinhas do ballet. Hoje, enquanto rolava reunião de mães das crianças do ballet, tinha duas delas perto de mim brincando de ser… a professora do ballet. MENINA 1 de collant, saiote e sapatilha rosa e MENINA 2, de collant e saiote preto, é sapatilha branca.

MENINA 1: Hoje eu vou ensinar você a fazer um pliê especial. Presta atenção, que você é a única que sabe, aí eu vou ensinar a você e as outras eu vou deixar pra lá.

(Foi assim mesmo!)

MENINA 2: Tá certo.

Menina 1 mostra como é o tal pliê -posiciona o pé e vai fazendo o movimento até a mão poder tocar o chão. Na primeira tentativa, menina 2 cai. E na segunda também.

Eu, só observando, resolvi entrar na brincadeira.

EU: Como é esse negócio de pliê, deixa eu ver se eu acerto. Só que eu tenho que tirar o sapato, que de tênis não dá.

Tirei o tênis e juro que o chulé não subiu. Coloquei o pé na primeira posição e olhei pra professora Menina 1.

EU: É assim, né?

MENINA 1: É.

E mandei brasa no pliê. Senti os músculos da coxa ‘queimando’. E levantei, depois de um ‘pliê especial’ muito bonitinho. Eis que Menina 2 diz:

MENINA 2: Ela foi a melhor porque ela é adulta.

E continuamos na aula de ballet de brincadeira até que deu a hora de eu ir ter aula de verdade.

Não de ballet, pelo menos por enquanto.

Prato do dia: talharim de cenoura

Sábado passado fui comprar o presente de dia dos pais e aproveitei também para ir conhecer o Greenmix Mercado Saudável. Gente, que lugar maravilhoso! Eu faria minha feira ali facinho, pelo tanto de coisa gostosa e saudável que tem lá. Até uma padaria com artigos sem glúten tem por lá – provei o pão de mel e uma amostrinha do pão com manteiga ghee e posso dizer que não ficam em nada devendo aos pães “tradicionais”.  Gostoso de verdade. Comprei, entre outras coisas, uma caixinha de talharim de cenoura. Por curiosidade, já que nunca tinha comido nada parecido, só tinha ouvido falar do espaguete de abobrinha que também estava lá à venda, mas como ainda estou aprendendo a gostar de abobrinha, fomos de cenoura mesmo.

Hoje resolvi encarar o fogão, apesar da preguicinha, é prepar o talharim. Junto com ele, também ia testar fazer um pesto, que amo desde que provei uma salada de frango ao molho pesto no LaMole, no Rio (saudades!).

Para fazer o pesto, eu ainda precisava de nozes e manjericão. Fui na hora do almoço ao supermercado perto do trabalho e: não tinha nozes, nem manjericão. Próxima parada: lojinha de artigos naturais nas redondezas.

EU: Boa tarde. Tem nozes?

VENDEDORA: Tem não.

EU: Ok… Tem que castanha? (a essa hora eu estava já adaptando a receita para colocar qualquer nuts)

VENDEDORA: Tem esse mix (apontando para um pacotinho de mix de castanhas)

EU: Não, é que eu quero pra uma receita.

VENDEDORA: Tem castanha do Pará.

EU: Ok. Quanto é?

VENDEDORA: Cem gramas é quinze reais.

EU: É o que, menina? Né o quilo, não?

VENDEDORA: Não.

EU: Ok, vai… Cinquenta gramas.

Ela colocou os cinquenta gramas.

EU: Tem manjericão?

VENDEDORA: Tem não.

EU: Erva nenhuma?

VENDEDORA: Tem essa mistura de manjericão, alecrim…

EU: Beleza, beleza. Bota 50 gramas, por favor.

VENDEDORA: (botando as ervas na sacolinha) Tu faz receita, é?

EU: Tô testando, aí…

Acabei gastando 13 contos nessa brincadeirinha. Cheguei em casa, fui pra aula de dança e na volta, mão na massa – mas eu quase desisti…

Enfim, já tinha gasto energia pesquisando e comprando (E 13 reais…), fui fazer pra ver se acertava. Peguei a receita do talharim no site Casar não engorda, do pesto no site Tudo Gostoso. A parte do talharim deu bem certinho, já o pesto…

Não coloquei as castanhas.

Não usei sal.

Usei menos azeite do que o previsto.

Assim nasceu o “peste”, um pesto que falhou miseravelmente.

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Mas olhe, ficou gostoso que só! E esse foi o meu jantar, com uma receita fácil e super rapidinha. Muito orgulho de mim ❤

Não sou um ás na cozinha, na verdade eu a frequento muito pouco para outro fim que não seja comer o que mamãe fez; mas com a reeducação alimentar, essa é uma coisa que preciso mudar e melhorar minhas habilidades no fogão (sim, eu creio que tenho habilidades!)