Meu Journal no Evernote

Por toda a vida, mais precisamente a vida que comecei a ter quando comecei a ir pra escola e, mais adiante, a trabalhar fora, fui adepta das agendas e caderninhos para tudo. Infelizmente, minhas agendas fofas (sempre fiz questão de que fossem fofas e coloridas) não foram totalmente preenchidas. Ou seja, eu tinha um desejo de ser organizada, mas não conseguia sê-lo de fato por muito tempo. Talvez por ter justamente vários cadernos para dar conta:

  • Uma agenda/diário;
  • Um caderno para anotar as ideias que tinha, trechos de roteiros e tal;
  • Um caderno para planejamento de aula;
  • Um caderno para estudar o idioma que eu estivesse estudando.

Quando deixei de dar aulas em curso de idiomas e passei a ser funcionária pública que não está em sala de aula em 99,9% do tempo, fiquei um pouco mais obcecada com organização e comecei a usar o Evernote, junto com mais uns dois ou três cadernos ou blocos de notas para registrar reuniões, projetos e devaneios da minha cabeça que surgiam em horário comercial. Eu tinha duas contas no Evernote: uma só para coisas pessoais, tipo contas pagas, acompanhamento médico e as melhores cartinhas de alunos que eu recebia na época em que ensinava crianças; e outra para digitalizar documentos do trabalho.

Não funcionou muito bem. Acabei largando mão das duas contas e não digitalizando nada. Como veem, disorganized as hell, mas eu não desisto!

Recentemente, decidi me aprofundar em duas coisas que podem me ajudar: o bullet journal e o método GTD. Comprei o e-book de A arte de fazer acontecer, do David Allen (até agora li o total de duas páginas – o prefácio) e andei lendo alguns posts de pessoas que usam o BuJo para a vida, como a Maki do Desancorando. mas não cheguei a iniciar um journal, estava só lendo e colhendo inspiração para um dia começar. Até que me caiu na caixa de entrada da minha conta de e-mail do trabalho uma newsletter do Evernote com um texto sobre como usar o método no Evernote e eu pensei “agora vai!”

Foi aí que criei o meu “BuJo eletrônico”

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Criei um caderno e dentro dele vou colocando as notas, como se fossem páginas mesmo. Cada nota equivale a uma sessão que eu gostaria de colocar no bullet journal analógico – que ainda não tenho, mas que poderá ser uma realidade em breve, ou não. Então até agora temos:

  • Planejamento mensal: onde eu jogo todos os compromissos que já estão marcados para aquele mês. É uma nota que preencho antes do mês em questão começar, geralmente no último dia.
  • Planejamento diário: registro de tarefas e compromissos, dia a dia. Provavelmente vou deixar de usar o mensal e ficar só com o diário, alocando os compromissos já agendados no dia certo.
  • Emoções: tô feliz? Tô triste? Irritada? Com preguiça? Vou anotando tudo, dia a dia, sobre como estou me sentindo. Desabafo mesmo. Tem me ajudado um tantão a fazer uma autoanálise e perceber padrões de comportamento, gatilhos de raiva ou tristeza, etc.
  • Alimentação: faz 11 meses que iniciei a reeducação alimentar, e nesses últimos dois meses com o BuJo eletrônico, estou conseguindo fazer com regularidade o registro de tudo o que como, para saber quando estou realmente jacando e também para me tranquilizar quando acho que estou comendo muita besteira quando, na verdade, estou com uma alimentação variada e equilibrada.
  • Sonhos: volta e meia, eu acordo com lembranças bem vívidas dos meus sonhos e preciso anotá-los em algum lugar. Então, antes que eu esqueça, recorro ao Evernote e registro tudo o que eu lembrar. Eu tinha esse hábito de anotar sonhos bizarros no antigo blog, e também no meu diário de papel, que comecei na época da terapia. (até parece que faz muito tempo, mas ó, foi ano passado).
  • Livros, séries, filmes: uma nota separada para cada um. Até agora só livros e séries têm registro, ou seja, tô ruinzona de ver filme… Na verdade, bem ruim de ver série também, mas os livros estão de vento em popa. Vou ultrapassar a meta do ano que coloquei no Goodreads facinho, facinho.
  • Gratidão: um espacinho para agradecer por coisas grandes e pequenas que acontecem no dia – e para lembrar que muita coisa boa acontece na vida.
  • Aniversários: essa é uma sessão que preciso organizar melhor, para evitar depender do Facebook para mandar mensagem para algumas pessoas (tô tentando me livrar do ranço do Face, mas é uma rede que nem me anima muito, confesso)
  • Ciclo menstrual: deixei de usar o Clue para experimentar fazer esse acompanhamento com uma nota no Evernote. Parece mais trabalhoso, mas vale a pena tentar e deixar tudo num espaço só, sem depender de mil apps para tudo.
  • Insights: tudo quanto é ideia para algum projeto futuro, vai parar nessa nota. Já registrei perfil de personagem, projetos profissionais, já tem de tudo lá dentro.
  • Future log: aí vão os planos mais remotos, tudo o que é “um dia/talvez”.
  • Habit tracker: no momento tenho três, que são os hábitos que tenho buscado manter com regularidade no meu cotidiano. Um é para a meditação, outro para estudar violão e o mais recente, para escrever um roteiro novo, que agora estou chamando de Outra vida (até encontrar um título melhor, é esse mesmo; se bem que esse é melhor que o anterior, que não compartilharei por achar medonho, ruim mesmo).

O habit tracker é, para mim, a melhor ferramenta que tem! Graças a ela, tenho me animado mais a estudar, e vejo resultados. Minhas aulas de violão que o digam! Também é um jeito de driblar a crise criativa, que na verdade se chama falta de organização galopante. Tenho algumas dezenas de ideias para desenvolver, e não consigo concluir propriamente nenhuma delas por pura falta de método. Então o que fiz? Criei a nota com várias caixinhas para “ticar” (adoro essa ferramenta), escolhi um projeto literário e vou ficar com ele até terminar. Isso não impede que eu anote ideias para os outros, é para isso que tem a nota dos insights, mas o foco aqui é não desistir de escrever por qualquer dificuldade ou preguiça. O que ainda está “falhando” um pouco é o controle financeiro, mas vou lembrar de fazer isso. Felizmente, tem o app do banco para registrar todas as contas pagas e gastos feitos. 🙂

Parece meio complexo, intricado, né? Mas na verdade, a intenção não é entulhar meu dia de atividades. Muito pelo contrário: eu já tô correndo demais e o resultado é que estou escrevendo esse post porque estava à beira de um colapso nervoso e precisei meter o pé no freio. Com essa agenda, consigo ter uma visão do meu dia a dia, e evito (ou pelo menos tento) não dar um passo maior do que a perna.

Guitar heroine: o primeiro desafio

Falei que ia tocar e cantar ao vivo em público pela primeira vez na igreja, né? Faz duas semanas que isso aconteceu. Filmei e acabei esquecendo de postar no YouTube. Enfim…

Fiquei mais nervosa do que imaginei que ficaria. Antes de efetivamente ir lá e tocar, minha preocupação era com errar a letra. Aí montei uma rede de proteção: letra no data show, partitura bem na minha frente…

Acabou que não olhei para nada disso. O data show deu uma travada, a estante estava baixa demais para mim e eu tocando em pé, com o coração acelerado. Não errei a letra, mas errei um ou dois acordes, na segunda metade da música. Acontece, né? No refrão o pessoal cantou junto e até deu uma risadinha quando compartilhei o quanto estava nervosa por essa primeira vez. Todo mundo entende que a primeira vez geralmente é bem ruinzal, né? Porque é isso mesmo.

Mas a repercussão foi ótima, eu estava me sentindo feliz, espontânea como há muito não me sentia. Era como ter sete anos (ou menos) outra vez. E o melhor: quando fui ver o vídeo, não achei tão ruim assim. Para uma newbie, eu fui muito que bem. Minha professora foi da mesma opinião, quando conversamos ontem rapidamente sobre o assunto, antes de começar efetivamente a aula do dia.

Agora estamos ensaiando uma música para apresentar um duo violão e clarinete e estou animadíssima. É um movimento que me aproxima de um tipo de música que eu aprecio (e estou usando cada vez mais partituras, que era um dos meus objetivos). Já consigo até me imaginar indo mais longe e organizando um trio, um quarteto, para sair tocando por aí sempre que tiver a oportunidade…

Em tempo: estou fazendo exercícios diários e assim a questão acordes com pestana foi, enfim, resolvida. Viva!

Guitar heroine – update

Quatro meses de aulas de violão e já estou dando uns showzinhos em vídeos de aproximadamente 50 segundos no instagram (@evanaizabely), além de estar com uma pasta lotada de músicas. Infelizmente não treino todo santo dia, mas pelo menos umas duas, três vezes por semana eu tô lá, mandando ver nas seis cordas. Minhas missões nesse momento:

  1. Melhorar a sonoridade dos acordes com pestana, principalmente os dos primeiros trastes. Acredito que esse é o sofrimento de qualquer iniciante no violão, fazer um F, um Bb, um F#m, entre outros, bonitos e limpos. Ainda não estou no que eu queria – e relutei um bocado antes de postar o trecho de Naprawdę nie dzieje się nic (música do Grzegorz Turnau que estudei com mais afinco essa semana) no instagram, mas foi assim mesmo porque né, não preciso ser um poço de perfeição, eu sou estudante ainda! Um dia eu chego mais ou menos no nível dos músicos que me inspiram, mas é um passo de cada vez.
  2. Ler partituras. Algumas aulas pra trás, peguei partituras simples, de hinos cristãos e algumas músicas como La vie en rose (ótimo para eu treinar meu francês!).
  3. Melhorar a agilidade. Nisso eu já consegui avançar um bocado, mas ainda sofro um pouquinho quando mudo de acorde sem pestana para com pestana, às vezes a qualidade não fica legal (voltamos para o ponto 1 dessa lista). Além das transições de acordes, também quero melhorar os riffs/solos. Tenho trabalhado nisso quando estudo em casa, com músicas que consigo pegar de ouvido. Chegaremos lá.

Sobre o caso das pestanas, no violão de casa tem hora que eu acerto a mão, tem hora que não dá lá muito certo. Mas ontem peguei um violão eletroacústico com cordas de aço (o da minha casa tem cordas de náilon, além de ser apenas acústico) e gente, o milagre aconteceu! Toquei uma música e minha professora disse que o som saiu mais limpo, preciso.

O motivo não é exatamente o encordoamento (que tem mais potencial para machucar os dedos, mas como os meus já estão calejadinhos, não senti tanto dessa vez) mas o braço do violão que experimentei, que é mais fino, lembrando o braço de uma guitarra elétrica. Me atrapalhei um pouco no começo porque o espaço entre as cordas é menor nesse tipo de violão, então às vezes eu botava um acorde meio errado lá no meio, mas no final das contas foi um sucesso. Me encantei por esse violão apenas por essa facilidade. Ainda prefiro as cordas de náilon, mas olhe, esse me conquistou.

Então estou com a ideia de comprar mais um violão. Quando escolhi voltar a estudar o instrumento, o fiz porque tenho um à disposição em casa então seria um gasto a menos com instrumento, mas nos próximos meses acho que vou adquirir um “par” para o nosso. Assim, eu posso praticar nos mesmos horários que meu pai e, quem sabe, a gente possa tentar tocar algo juntos – se bem que nossos repertórios são BEM diferentes, mas dá para achar uma intersecção. Provavelmente, vai ser um com cordas de aço, com configuração semelhante ao que experimentei ontem, justamente por já ter um com corda de náilon e seria muito legal ter dois instrumentos com diferentes sonoridades para estudar; mas ainda estou na fase de pesquisas. Até o fim do ano, teremos novidades.

Sobre como é estudar dois idiomas ao mesmo tempo 

Fonte: Pinterest

Por praticamente toda a minha vida, estudei outros idiomas por amor a mim mesma. É um hobby que levo comigo desde muito criança. Às vezes alguém vem me perguntar qual é o meu objetivo ao começar a estudar um idioma novo, e minhas respostas podem variar entre essas opções:

  • Dominação mundial
  • Ler livros que eu gosto no idioma original
  • Para chegar nos países falando o idioma local
  • Porque eu gosto
  • Porque sim, Zequinha!

Passo horas pesquisando material sobre as línguas do meu interesse, e como sou muito musical, se encontro canções que gosto naquele idioma, fica mais fácil ainda. Foi assim que, embora não me sinta segura para conversar com um polonês  (só tive a chance uma vez, e as únicas palavras que saíram foram poezja śpiewana e Grzegorz Turnau), consigo entender boa parte o que as pessoas falam no rádio, por exemplo. Mas tinha um idioma que me dava simplesmente preguiça de estudar. O francês… apesar de amar alguns livros de autores franceses  (O Capitão Fracasso e O Corcunda de Notre Dame foram livros que li uma vez por ano desde que me alfabetizei até entrar na Universidade), não me sentia muito estimulada a ouvir música francesa e ficava com preguiça mesmo. Nem ir pra França eu queria. Apesar dos pequenos esforços em anos anteriores, que me levaram até a comprar um dicionário ilustrado muito lindinho e baixar uns áudios aí, eu achava tudo meio boh-ring…

Até que esse ano, me preparando para viajar para a Alemanha e intensificando o treino em alemão… arranjei um motivo especial para estudar francês.

E olhe, tem funcionado, viu? Ontem, depois de semanas de duolingo, consegui responder três perguntas em francês sem olhar no dicionário! Oh, glória! \o/

A bronca é que estudar dois idiomas ao mesmo tempo  (no caso, francês e alemão) dá um certo tilt às vezes. A gente troca palavra, se confunde, é um espetáculo. É como tenho um sério problema com números, toda vez que estou lendo algum texto em francês, acabo lendo mentalmente o número em alemão, porque… só sei contar em francês até dez (e olhe lá).

Como é que diz aquele número mesmo…

Mas vamos vencer, eu creio.

O mais legal é que finalmente estou achando o francês um idioma muito bonito (sério, eu não era muito chegada). Oui, c’est très romantique! ❤

Para minimizar um pouco a confusão, alterno as lições. Um dia faço francês, no outro alemão, e pego pesado, tendo o máximo de contato possível com música, jornais, vídeos. Conversar com nativos sempre que possível  (estava usando o Hello Talk para o alemão, mas o povo parou de me responder e larguei mão dele). É só depois que terminar os cursos no duolingo, me arrisco a inserir outro idioma (polonês é o próximo).