Diários da Alemanha: Mas Alemão por que, mesmo?

Então, um monte de gente, incluindo minha mãe, fez essa pergunta antes de eu viajar e também depois que eu cheguei aqui, com algumas variantes:

Mas tu é professora de Inglês, podia ir pros EUA ou pra Inglaterra… – Então, eu pretendo visitar esses países um dia. E o Canadá também. Mas os propósitos serão outros: por exemplo, aos EUA eu vou pela música; já que 88% dos meus guitarristas favoritos são baseados lá, então haja show e haja grana. E no Canadá pretendo estudar, mas não o idioma – inclusive era minha segunda opção de intercâmbio esse ano.

E por que Alemão? Vamos lá: eu sonho com a Alemanha e a Polônia há muito tempo, desde criança. Sem motivo específico ou algo do tipo. Na primeira oportunidade que tive, comecei a estudar Alemão pela internet (primeira frase que aprendi: Das ist ein Lied.) E quando pude, já na Universidade, peguei duas eletivas de Alemão. Isso faz dez anos. E comecei a pensar seriamente no intercâmbio para estudar o idioma mais a fundo.

Sem estudar formalmente, passei os últimos anos mantendo contato com o idioma do jeito que dava: seguindo páginas no Facebook, perfis no Twitter, ouvindo música, vendo filmes. E um belo dia, eu estava na fila das Americanas no shopping perto da minha casa, quando ouço dois homens falando… alemão. E eu tava entendendo, Brasil!

Metida que sou, não consegui ficar quieta: virei pro cara e perguntei se eles eram alemães. E aí o que se seguiu foi um papo de 5 minutos com eles me falando do que faziam no Brasil, a fábrica onde trabalhavam e eu meio… Bicho, tô entendendo tudo! Foi um dos dias mais felizes da minha vida. E depois dessa, eu simplesmente TINHA que vir pra cá e melhorar minha fluência.

Passei três anos juntando a grana para vir pra cá, pouco mais de um ano pagando o intercâmbio (obrigada, Experimento, por suas condições de pagamento fantásticas e atendimento super!). Nesse tempo, muitas expectativas alimentadas. E também uma possibilidade surgindo. Finalmente encontrei uma linha de pesquisa que me interessa para o mestrado, que me faria retomar a vida acadêmica; e comecei a vislumbrar a possibilidade muito real de fazê-lo aqui na Alemanha. Inclusive já fui à Universidade em busca de informações. Oremos!

Então quando me perguntam sobre porque eu estou aqui, geralmente falo só do mestrado. Vez ou outra, menciono meu sonho de infância. Mas às vezes também penso que não precisamos sempre de um motivo claro e um plano infalível pré definido. Estou aqui porque Deus permitiu que estivesse… E, queira Deus, essa está sendo apenas a primeira temporada de uma longa relação que vou ter com esse país.

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Primeiras impressões de Berlim

Desde criança que eu pensava que um dia estaria na Alemanha. Passei os últimos anos economizando dinheiro para estar aqui, comprei o pacote do intercâmbio e enfim, aquela viagem tão esperada, da qual eu até evitava falar para evitar as crises de ansiedade, aconteceu.

Essa é minha quinta noite em Berlim e, pela primeira vez, me senti meio deprimida. Triste num nível de me sentir enjoada. Provavelmente é manifestação da TPM, associada a um desgosto natural que tenho pela noite. Tudo bem ser frio. Mas eu sou uma pessoa que gosta de sol, basicamente movida a energia solar, sabe? Tava comentando isso com minha Gästegeberin, de que especificamente essa noite me senti meio aborrecida e do quanto a noite me desanima.

E aí ao fundo, a Fernsehturm quase coberta pelas nuvens.

Mas não foi pra isso que comecei esse texto, e sim para contar um pouco desses primeiros cinco dias.

Antes de chegar a Berlim, fiz uma parada de poucas horas em Amsterdam, depois de um voo extremamente cansativo. Lá pude tomar um lanchinho (na verdade, só um chocolate quente) e engatei uma boa conversa com um casal de idosos. A mulher falava mais que o homem, é depois entendi que era porque o senhor não falava inglês. Ela traduzia para ele o que eu falava. Lá no aeroporto encontrei muita gente simpática, tipo esse casal e um rapaz muito bonito que sorriu para mim quando levantei a cabeça. Não teve bate papo por motivos de ele estava de passagem sei lá para onde.

Já em Berlim, precisei pegar um táxi para chegar até o apartamento, e sabe aquela máxima “fale com o motorista somente o necessário”? Pois é, se aplica perfeitamente aos motoristas alemães. Só conversei com o homem na entrada e na saída.

“Herzlich willkommen!” Foi o que ouvi, para logo depois ganhar um aperto de mão. Isso eu já estava esperando, já que 10 entre 9 pessoas que escrevem a respeito na Internet dizem que alemão não abraça ninguém no primeiro encontro. Nem no segundo. Mas não são grossos. Pelo menos não todos. Já encontrei gente rabugenta no trem, e gente legal, que sorri pra gente na rua e oferece o lugar pra gente sentar.

Meu primeiro diálogo na rua foi numa tabacaria onde eu queria comprar um passe de trem e um chip de celular. A atendente parecia a Ellen Degeneres e não falava inglês. A gente ficou ali tentando se entender e finalmente consegui o bilhete. O chip do celular eu só compraria mais tarde, em outra loja. Aliás, a telefonia enquanto turista na Europa merece um post só pra ela.

O que me chamou a atenção até agora na cidade:

  1. Não existe o “desculpe atrapalhar o silêncio da viagem de vocês”, nem “vai descer, motô!” Nem gente xingando @ motorista quando passa numa lombada. Lombada é um negócio que nem tem aqui.
  2. Teoricamente, não pode beber nem comer nem fumar nos trens. Mas a gente vê gente lanchando e com garrafa de cerveja nos vagões. Cigarro só na rua mesmo.
  3. O clima tem variado entre chuvoso pra caramba e sol de rachar. Ontem fomos surpreendidos pelo toró e aí tome carreira pra debaixo do abrigo mais próximo, que não protegeu todo mundo, claro. Aí todo mundo, alemão e estrangeiro, fez a única coisa possível naquele momento: deu risada.
  4. Tem novela aqui. A que eu vi chama Sturm der Liebe (tempestade de amor, em tradução livre) e está no ar desde 2005. Sempre que estou de bobeira (meio difícil, mas acontece), assisto a um episódio.
  5. Sempre tem alguém parecido com alguém que eu conheço. Já vi uns 10 sósias do Nilson Xavier, por exemplo.
  6. Nunca comi tanto espinafre na vida.
  7. A Alemanha está em campanha eleitoral para o parlamento e, aparentemente, é mais light que no Brasil. Tem muito material impresso nos postes tipo pôsteres tamanho A4, e alguns maiores, na beira das rodovias. Na TV, a gente vê os candidatos sendo entrevistados em programas com plateia. Não tem nem um terço da guerra (e 2% da gréia, que aparece quando pintam um bigode na foto da Angela Merkel – Fiz uma foto disso, mas perdi) que é no Brasil. Isso é meio óbvio, mas não deixa de me chamar a atenção, de um jeito positivo.
  8. A água pra beber é torneiral mesmo, a outra opção é comprar a mineral.
  9. Currywurst é bom. Recomendo.
  10. Durante o dia, sirene de ambulância é boia. Parece que chamam o Samu o dia inteiro.
  11. A qualquer momento a gente pode ver uma propaganda de loja de dildos na rua. Sem frescura e sem gracinha, só um fundo preto e um desenho de três dildos juntos, como se fosse um tridente. Só não consegui tirar a foto.

[Continua]

Meu Journal no Evernote

Por toda a vida, mais precisamente a vida que comecei a ter quando comecei a ir pra escola e, mais adiante, a trabalhar fora, fui adepta das agendas e caderninhos para tudo. Infelizmente, minhas agendas fofas (sempre fiz questão de que fossem fofas e coloridas) não foram totalmente preenchidas. Ou seja, eu tinha um desejo de ser organizada, mas não conseguia sê-lo de fato por muito tempo. Talvez por ter justamente vários cadernos para dar conta:

  • Uma agenda/diário;
  • Um caderno para anotar as ideias que tinha, trechos de roteiros e tal;
  • Um caderno para planejamento de aula;
  • Um caderno para estudar o idioma que eu estivesse estudando.

Quando deixei de dar aulas em curso de idiomas e passei a ser funcionária pública que não está em sala de aula em 99,9% do tempo, fiquei um pouco mais obcecada com organização e comecei a usar o Evernote, junto com mais uns dois ou três cadernos ou blocos de notas para registrar reuniões, projetos e devaneios da minha cabeça que surgiam em horário comercial. Eu tinha duas contas no Evernote: uma só para coisas pessoais, tipo contas pagas, acompanhamento médico e as melhores cartinhas de alunos que eu recebia na época em que ensinava crianças; e outra para digitalizar documentos do trabalho.

Não funcionou muito bem. Acabei largando mão das duas contas e não digitalizando nada. Como veem, disorganized as hell, mas eu não desisto!

Recentemente, decidi me aprofundar em duas coisas que podem me ajudar: o bullet journal e o método GTD. Comprei o e-book de A arte de fazer acontecer, do David Allen (até agora li o total de duas páginas – o prefácio) e andei lendo alguns posts de pessoas que usam o BuJo para a vida, como a Maki do Desancorando. mas não cheguei a iniciar um journal, estava só lendo e colhendo inspiração para um dia começar. Até que me caiu na caixa de entrada da minha conta de e-mail do trabalho uma newsletter do Evernote com um texto sobre como usar o método no Evernote e eu pensei “agora vai!”

Foi aí que criei o meu “BuJo eletrônico”

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Criei um caderno e dentro dele vou colocando as notas, como se fossem páginas mesmo. Cada nota equivale a uma sessão que eu gostaria de colocar no bullet journal analógico – que ainda não tenho, mas que poderá ser uma realidade em breve, ou não. Então até agora temos:

  • Planejamento mensal: onde eu jogo todos os compromissos que já estão marcados para aquele mês. É uma nota que preencho antes do mês em questão começar, geralmente no último dia.
  • Planejamento diário: registro de tarefas e compromissos, dia a dia. Provavelmente vou deixar de usar o mensal e ficar só com o diário, alocando os compromissos já agendados no dia certo.
  • Emoções: tô feliz? Tô triste? Irritada? Com preguiça? Vou anotando tudo, dia a dia, sobre como estou me sentindo. Desabafo mesmo. Tem me ajudado um tantão a fazer uma autoanálise e perceber padrões de comportamento, gatilhos de raiva ou tristeza, etc.
  • Alimentação: faz 11 meses que iniciei a reeducação alimentar, e nesses últimos dois meses com o BuJo eletrônico, estou conseguindo fazer com regularidade o registro de tudo o que como, para saber quando estou realmente jacando e também para me tranquilizar quando acho que estou comendo muita besteira quando, na verdade, estou com uma alimentação variada e equilibrada.
  • Sonhos: volta e meia, eu acordo com lembranças bem vívidas dos meus sonhos e preciso anotá-los em algum lugar. Então, antes que eu esqueça, recorro ao Evernote e registro tudo o que eu lembrar. Eu tinha esse hábito de anotar sonhos bizarros no antigo blog, e também no meu diário de papel, que comecei na época da terapia. (até parece que faz muito tempo, mas ó, foi ano passado).
  • Livros, séries, filmes: uma nota separada para cada um. Até agora só livros e séries têm registro, ou seja, tô ruinzona de ver filme… Na verdade, bem ruim de ver série também, mas os livros estão de vento em popa. Vou ultrapassar a meta do ano que coloquei no Goodreads facinho, facinho.
  • Gratidão: um espacinho para agradecer por coisas grandes e pequenas que acontecem no dia – e para lembrar que muita coisa boa acontece na vida.
  • Aniversários: essa é uma sessão que preciso organizar melhor, para evitar depender do Facebook para mandar mensagem para algumas pessoas (tô tentando me livrar do ranço do Face, mas é uma rede que nem me anima muito, confesso)
  • Ciclo menstrual: deixei de usar o Clue para experimentar fazer esse acompanhamento com uma nota no Evernote. Parece mais trabalhoso, mas vale a pena tentar e deixar tudo num espaço só, sem depender de mil apps para tudo.
  • Insights: tudo quanto é ideia para algum projeto futuro, vai parar nessa nota. Já registrei perfil de personagem, projetos profissionais, já tem de tudo lá dentro.
  • Future log: aí vão os planos mais remotos, tudo o que é “um dia/talvez”.
  • Habit tracker: no momento tenho três, que são os hábitos que tenho buscado manter com regularidade no meu cotidiano. Um é para a meditação, outro para estudar violão e o mais recente, para escrever um roteiro novo, que agora estou chamando de Outra vida (até encontrar um título melhor, é esse mesmo; se bem que esse é melhor que o anterior, que não compartilharei por achar medonho, ruim mesmo).

O habit tracker é, para mim, a melhor ferramenta que tem! Graças a ela, tenho me animado mais a estudar, e vejo resultados. Minhas aulas de violão que o digam! Também é um jeito de driblar a crise criativa, que na verdade se chama falta de organização galopante. Tenho algumas dezenas de ideias para desenvolver, e não consigo concluir propriamente nenhuma delas por pura falta de método. Então o que fiz? Criei a nota com várias caixinhas para “ticar” (adoro essa ferramenta), escolhi um projeto literário e vou ficar com ele até terminar. Isso não impede que eu anote ideias para os outros, é para isso que tem a nota dos insights, mas o foco aqui é não desistir de escrever por qualquer dificuldade ou preguiça. O que ainda está “falhando” um pouco é o controle financeiro, mas vou lembrar de fazer isso. Felizmente, tem o app do banco para registrar todas as contas pagas e gastos feitos. 🙂

Parece meio complexo, intricado, né? Mas na verdade, a intenção não é entulhar meu dia de atividades. Muito pelo contrário: eu já tô correndo demais e o resultado é que estou escrevendo esse post porque estava à beira de um colapso nervoso e precisei meter o pé no freio. Com essa agenda, consigo ter uma visão do meu dia a dia, e evito (ou pelo menos tento) não dar um passo maior do que a perna.

Guitar heroine: o primeiro desafio

Falei que ia tocar e cantar ao vivo em público pela primeira vez na igreja, né? Faz duas semanas que isso aconteceu. Filmei e acabei esquecendo de postar no YouTube. Enfim…

Fiquei mais nervosa do que imaginei que ficaria. Antes de efetivamente ir lá e tocar, minha preocupação era com errar a letra. Aí montei uma rede de proteção: letra no data show, partitura bem na minha frente…

Acabou que não olhei para nada disso. O data show deu uma travada, a estante estava baixa demais para mim e eu tocando em pé, com o coração acelerado. Não errei a letra, mas errei um ou dois acordes, na segunda metade da música. Acontece, né? No refrão o pessoal cantou junto e até deu uma risadinha quando compartilhei o quanto estava nervosa por essa primeira vez. Todo mundo entende que a primeira vez geralmente é bem ruinzal, né? Porque é isso mesmo.

Mas a repercussão foi ótima, eu estava me sentindo feliz, espontânea como há muito não me sentia. Era como ter sete anos (ou menos) outra vez. E o melhor: quando fui ver o vídeo, não achei tão ruim assim. Para uma newbie, eu fui muito que bem. Minha professora foi da mesma opinião, quando conversamos ontem rapidamente sobre o assunto, antes de começar efetivamente a aula do dia.

Agora estamos ensaiando uma música para apresentar um duo violão e clarinete e estou animadíssima. É um movimento que me aproxima de um tipo de música que eu aprecio (e estou usando cada vez mais partituras, que era um dos meus objetivos). Já consigo até me imaginar indo mais longe e organizando um trio, um quarteto, para sair tocando por aí sempre que tiver a oportunidade…

Em tempo: estou fazendo exercícios diários e assim a questão acordes com pestana foi, enfim, resolvida. Viva!

Guitar heroine – update

Quatro meses de aulas de violão e já estou dando uns showzinhos em vídeos de aproximadamente 50 segundos no instagram (@evanaizabely), além de estar com uma pasta lotada de músicas. Infelizmente não treino todo santo dia, mas pelo menos umas duas, três vezes por semana eu tô lá, mandando ver nas seis cordas. Minhas missões nesse momento:

  1. Melhorar a sonoridade dos acordes com pestana, principalmente os dos primeiros trastes. Acredito que esse é o sofrimento de qualquer iniciante no violão, fazer um F, um Bb, um F#m, entre outros, bonitos e limpos. Ainda não estou no que eu queria – e relutei um bocado antes de postar o trecho de Naprawdę nie dzieje się nic (música do Grzegorz Turnau que estudei com mais afinco essa semana) no instagram, mas foi assim mesmo porque né, não preciso ser um poço de perfeição, eu sou estudante ainda! Um dia eu chego mais ou menos no nível dos músicos que me inspiram, mas é um passo de cada vez.
  2. Ler partituras. Algumas aulas pra trás, peguei partituras simples, de hinos cristãos e algumas músicas como La vie en rose (ótimo para eu treinar meu francês!).
  3. Melhorar a agilidade. Nisso eu já consegui avançar um bocado, mas ainda sofro um pouquinho quando mudo de acorde sem pestana para com pestana, às vezes a qualidade não fica legal (voltamos para o ponto 1 dessa lista). Além das transições de acordes, também quero melhorar os riffs/solos. Tenho trabalhado nisso quando estudo em casa, com músicas que consigo pegar de ouvido. Chegaremos lá.

Sobre o caso das pestanas, no violão de casa tem hora que eu acerto a mão, tem hora que não dá lá muito certo. Mas ontem peguei um violão eletroacústico com cordas de aço (o da minha casa tem cordas de náilon, além de ser apenas acústico) e gente, o milagre aconteceu! Toquei uma música e minha professora disse que o som saiu mais limpo, preciso.

O motivo não é exatamente o encordoamento (que tem mais potencial para machucar os dedos, mas como os meus já estão calejadinhos, não senti tanto dessa vez) mas o braço do violão que experimentei, que é mais fino, lembrando o braço de uma guitarra elétrica. Me atrapalhei um pouco no começo porque o espaço entre as cordas é menor nesse tipo de violão, então às vezes eu botava um acorde meio errado lá no meio, mas no final das contas foi um sucesso. Me encantei por esse violão apenas por essa facilidade. Ainda prefiro as cordas de náilon, mas olhe, esse me conquistou.

Então estou com a ideia de comprar mais um violão. Quando escolhi voltar a estudar o instrumento, o fiz porque tenho um à disposição em casa então seria um gasto a menos com instrumento, mas nos próximos meses acho que vou adquirir um “par” para o nosso. Assim, eu posso praticar nos mesmos horários que meu pai e, quem sabe, a gente possa tentar tocar algo juntos – se bem que nossos repertórios são BEM diferentes, mas dá para achar uma intersecção. Provavelmente, vai ser um com cordas de aço, com configuração semelhante ao que experimentei ontem, justamente por já ter um com corda de náilon e seria muito legal ter dois instrumentos com diferentes sonoridades para estudar; mas ainda estou na fase de pesquisas. Até o fim do ano, teremos novidades.

Sobre como é estudar dois idiomas ao mesmo tempo 

Fonte: Pinterest

Por praticamente toda a minha vida, estudei outros idiomas por amor a mim mesma. É um hobby que levo comigo desde muito criança. Às vezes alguém vem me perguntar qual é o meu objetivo ao começar a estudar um idioma novo, e minhas respostas podem variar entre essas opções:

  • Dominação mundial
  • Ler livros que eu gosto no idioma original
  • Para chegar nos países falando o idioma local
  • Porque eu gosto
  • Porque sim, Zequinha!

Passo horas pesquisando material sobre as línguas do meu interesse, e como sou muito musical, se encontro canções que gosto naquele idioma, fica mais fácil ainda. Foi assim que, embora não me sinta segura para conversar com um polonês  (só tive a chance uma vez, e as únicas palavras que saíram foram poezja śpiewana e Grzegorz Turnau), consigo entender boa parte o que as pessoas falam no rádio, por exemplo. Mas tinha um idioma que me dava simplesmente preguiça de estudar. O francês… apesar de amar alguns livros de autores franceses  (O Capitão Fracasso e O Corcunda de Notre Dame foram livros que li uma vez por ano desde que me alfabetizei até entrar na Universidade), não me sentia muito estimulada a ouvir música francesa e ficava com preguiça mesmo. Nem ir pra França eu queria. Apesar dos pequenos esforços em anos anteriores, que me levaram até a comprar um dicionário ilustrado muito lindinho e baixar uns áudios aí, eu achava tudo meio boh-ring…

Até que esse ano, me preparando para viajar para a Alemanha e intensificando o treino em alemão… arranjei um motivo especial para estudar francês.

E olhe, tem funcionado, viu? Ontem, depois de semanas de duolingo, consegui responder três perguntas em francês sem olhar no dicionário! Oh, glória! \o/

A bronca é que estudar dois idiomas ao mesmo tempo  (no caso, francês e alemão) dá um certo tilt às vezes. A gente troca palavra, se confunde, é um espetáculo. É como tenho um sério problema com números, toda vez que estou lendo algum texto em francês, acabo lendo mentalmente o número em alemão, porque… só sei contar em francês até dez (e olhe lá).

Como é que diz aquele número mesmo…

Mas vamos vencer, eu creio.

O mais legal é que finalmente estou achando o francês um idioma muito bonito (sério, eu não era muito chegada). Oui, c’est très romantique! ❤

Para minimizar um pouco a confusão, alterno as lições. Um dia faço francês, no outro alemão, e pego pesado, tendo o máximo de contato possível com música, jornais, vídeos. Conversar com nativos sempre que possível  (estava usando o Hello Talk para o alemão, mas o povo parou de me responder e larguei mão dele). É só depois que terminar os cursos no duolingo, me arrisco a inserir outro idioma (polonês é o próximo).