Ouvindo: João Senise

Olá, pessoal! Hoje gostaria de compartilhar mais uma descoberta no fantástico mundo da música brasileira: o cantor João Senise. Na verdade, a ideia era fazer um post sobre o álbum mais recente dele, Influência do Jazz; mas depois de ouvir todo o material disponível via streaming, mudei de ideia e o post vai ser mais genérico.

João Senise tem 28 anos e é filho do flautista e saxofonista Mauro Senise e da cantora e produtora Eliana Peranzetta. Como geralmente no mundo da música uma coisa puxa a outra, descobri a discografia do João quando estava escrevendo o post sobre o último álbum do Edu Lobo, Dos Navegantes.

Até agora, João Senise tem quatro álbums lançados: Just in Time; Celebrando Sinatra ao vivo; Abre Alas – canções de Ivan Lins e o mais recente, Influência do Jazz. Fui ouvindo os álbuns de trás pra frente; e Influência do Jazz já me impressionou positivamente. Primeiro por causa da seleção de músicas, segundo pelas participações especialíssimas que permeiam o disco, como Joyce Moreno, Romero Lubambo, Wanda Sá… É um bom disco, mas tem um muito melhor, na minha opinião: Abre Alas – canções de Ivan Lins. Foi ouvindo esse disco que me apaixonei real oficial pela voz do João Senise. Minhas faixas favoritas: Bilhete (que já foi para a lista de músicas que eu repito mil vezes e pretendo tocar em breve) e Art of survival. Ah, o álbum conta ainda com a participação do próprio Ivan Lins em duas músicas!

O terceiro favorito é o Just in time, que tem mais standards de jazz mesmo, e é o álbum de estreia do João Senise. Tanto ele quanto o Celebrando Sinatra tem essa pegada mais “jazz tradicional” mesmo, já pelas músicas escolhidas. João Senise é um cantor jovem, que ainda vai produzir muita coisa bacana. Vamos ficar com o radar bem ligado para os próximos lançamentos do cantor!

Ouvindo: “Dos Navegantes”, de Edu Lobo, Romero Lubambo e Mauro Senise

Depois de postar o texto sobre Visions of Dawn, fiquei meio que viciada no disco e passei a ouvi-lo em quase todas as oportunidades que tinha. Depois de tanto ouvir o álbum, acabei lembrando de outro disco que está na minha lista de álbuns viciantes: Missa Breve, do Edu Lobo. Fui procurá-lo para ouvir, mas acabei trombando no último lançamento do Edu Lobo, em parceria com o guitarrista Romero Lubambo e o flautista Mauro Senise. O título é Dos Navegantes. Mudei de ideia na hora e fui ouvir o novo lançamento, feliz da vida (e meio chateada que meu radar de novidades parece não estar funcionando lá muito bem… Tô precisando calibrar o radar, tipo assim, pra ontem.

Antes de começar a falar de Dos Navegantes, informações rápidas sobre os músicos. Edu Lobo é cantor, compositor, muito conhecido pelas parcerias com Chico Buarque, que resultaram em pérolas como O Grande Circo MísticoCambaio. Romero Lubambo é um dos melhores guitarristas que tive a graça de (re)descobrir recentemente – tinha uma música dele num CD que eu tinha copiado de uns parentes do Rio quando eu tinha uns 16, 17 anos (a música era Re:Joyce); e depois achei Lua do Arpoador, parceria dele e Leny Andrade. Mauro Senise é o que conheço menos – na verdade só conheci graças a Dos Navegantesinstrumentista premiado tanto pelos trabalhos solo como pelas gravações junto com o sexteto Cama de Gato, já atuou em parceria com vários músicos reconhecidíssimos, como Raul Mascarenhas, Gilson Peranzetta e os próprios Lubambo e Lobo, em ocasiões anteriores.

Quando vi o título do álbum, já imaginei que seria um trabalho de revisitação de músicas antigas do Edu Lobo. Dos Navegantes é também o título de uma das faixas de Cambaio, de 1993. O trio, como “navegantes calejados” (como bem disse o release no site do selo Biscoito Fino) inicia a viagem no final dos anos 60 – a música A morte de Zambi é da trilha da peça Arena conta Zumbi, composta por Edu Lobo e Gianfrancesco Guarnieri. Continua nos anos 70, passando pelas belíssimas Cidade Nova (do álbum Cantiga de Longe, de 1970); ToadaConsiderando e Gingado dobrado, essas três do álbum Limite das águas (1976). A propósito, a versão 2017 de Toada quase me faz chorar, de tão linda.

Dos anos 80, são selecionadas músicas de O Grande Circo MísticoValsa dos Clowns, O Circo Místico – toda vez que escuto essa música choro, e ontem não foi diferente (mais alguém aí se emociona muito com essa música? toca aqui o/ ) – e Na ilha de Lia, no barco de Rosa, de 1988.

Os anos 90 são representados pela faixa-título; e finalmente a única canção inédita do álbum: Noturna. Ou seja, Dos Navegantes é um passeio por praticamente meio século de música, versão revista, atualizada e beirando a perfeição. Até agora, melhor lançamento do ano!

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Ouvindo: “Palavra e som”, de Joyce

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Imagem: Biscoito Fino

E temos um álbum novinho em folha, só com inéditas da Joyce! 👏👏👏👏👏

(Ou seja, parece que só vai dar ela nesse blog pelos próximos dias…)

Palavra e som foi disponibilizado recentemente nas plataformas de streaming e também, obviamente, também está à venda nas melhores lojas do ramo. Foi lançado dia 19 de maio, dia do aniversário dessa que vos escreve (que presente pra mim, hein?) Tem 13 faixas e a primeira coisa que me chamou a atenção foi a arte da capa, que é bem diferente dos últimos álbuns  (achei as capas de Slow Music e Tudo bem parecidas, por exemplo). É uma ilustração em azul + tons terrosos, representando a artista e seu violão.

Sobre a tracklist agora: diferente dos discos anteriores da Joyce, demorei um pouco a curtir. A faixa de abertura (Mistério no samba) não me fisgou de imediato. Só depois da segunda audição é que comecei a achar o samba interessante. Mas lembrem-se: estamos falando da minha cantora favorita, e logo Palavra e som me mostraria o seu brilho.

A segunda faixa, a bossa Humaitá, traz uma visão um pouco diferente do Rio, vista de um ponto mais retirado da “ferveção” da zona sul ou da zona norte da cidade. Segue um trecho da letra da canção:

“Lá embaixo a cidade rugindo, rosnando, latindo pra quem se arriscar
Lá embaixo é preciso querer ficar.
Cidade que é uma maravilha, que é mãe e que é filha de quem mora lá
e eu sei, porque nela plantei meu lar…

[…]

Na feia beleza que brota de tudo o que toca os humanos de lá
Por isso eu me escondo no Humaitá
Meu jardim secreto, meu canto dileto, silêncio no verde se faz (…)

Mar e lua é uma valsa lindinha, com uma letra bem poética. Bonita mesmo! Já Mingus, Miles e Coltrane não é tão inédita assim para quem acompanha a discografia de Joyce… Ela também está em Cool, álbum contendo várias releituras de standards de jazz; e que foi lançada apenas no mercado internacional. A diferença entre as duas versões: a de Cool não tem letra, apenas vocalizes, e achei um pouco mais suingada; enquanto a de Palavra e som tem um ritmo um pouco mais tranquilo, com uma letra que exalta uma parte da formação musical não só da Joyce, mas de muitos músicos brasileiros que fazem jazz com um toque que é só nosso. (botei as duas versões para tocar aqui, só para checar que não estou ficando doida, hahah)

Dia lindo conta com a participação de Dori Caymmi; e logo depois temos mais um samba, intitulado Sambando no apocalipse; que como o título sugere, faz menção a algumas religiões, e levanta a questão: “quem disse que é pecado sambar?”

A partir de A casa da flor, eu me apaixonei oficial e irrmediavelmente pelo disco. Vale repeat, viu? (quando comecei a escrever esse post no celular ouvi essa música umas dez vezes) Nessa música especificamente a gente consegue captar uma série de imagens de casas. Vivas como um lar tem que ser. (“tem cara de casa, parede, ladrilho, tem viço, tem brilho, tem vida, tem cor; é casa de louco de conto de fada; de sonho, de nada, é a casa da flor”).

O amor é o lobo do amor tem a letra mais arrebatadora e maravilhosa de Palavra e som. Vale repeat, parte 2. Consegui imaginar essa música como trilha sonora de um filme, uma novela – fica a dica para quem produz trilhas sonoras, Joyce Moreno deveria aparecer mais nas trilhas da nossa teledramaturgia. Saquem só esse pedacinho da letra e vejam se não tenho razão:

“O amor é imensidão
O amor nos tira o chão
O amor é devastador
É gozo e aflição
Horror e sedução
O amor é o lobo do amor
Ouve o silêncio do amor
Tão ensurdecedor
Que explode, cala e arrebenta
E a alma assustada nem tenta
Entra nas masmorras do amor
Pedindo em seu favor
Que venha a revolução

O amor sem servidão
Sem presa e sem prisão
Amor que é libertador
Amor que não diz não
Amor que é água e pão
O amor destino do amor.”

(observação 1: transcrevi a letra inteira, beijos)

(observação 2: acho que vou ali escrever umas cenas e já volto)

O poeta nasce feito é outra música que não me encheu muito os ouvidos de primeira (também, depois da porrada que é O amor é o lobo do amor…). É uma música que preciso ouvir um pouco mais para apreciar melhor. Forrobodó das meninas  é a faixa seguinte (quando li o título pensei em Forrobodó do Edu Lobo, mas uma não tem nada a ver com a outra), as personagens principais são justamente as meninas que provocam um “forrobodó”. O “forrobodó” pode ser entendido como “rebuliço”. Depois de ouvir umas três vezes, cheguei à conclusão de que a mensagem da letra é que não importa o que a gente faça, vai causar algum rebuliço, vai ter alguém pra julgar. (“lindas, tão lindas meninas, tem que ser lindas e só / tudo o que as meninas fazem sempre dá forrobodó” – trecho da letra) Então a gente continua no forrobodó #girlpower e dane-se o povo, né não?

Ave Maria serena é um primor de delicadeza, lembra um pouco romaria no interior, uma oração. A melodia traz uma sensação de paz…

Na 75 é tipo um samba de gafieira, dá vontade de dançar. E finalmente, a faixa que dá nome ao disco: Palavra e som é outro primor de delicadeza, versando sobre essa relação entre palavras e sons, que formam lindas canções. Um fechamento lindo para o disco, pura poesia.

Em geral, Palavra e som é um álbum que merece ser ouvido com calma, para absorver cada sensação que ele traz, apreciar cada pedacinho de música. A primeira audição foi via Spotify (onde você pode ouvir o álbum todo), mas já vou providenciar o disco físico, como boa fã de Joyce Moreno que sou. 😉

https://open.spotify.com/embed/album/3YhMSsDwWD2drbb7dEBNib

Ouvindo: “Visions of dawn”, de Joyce Moreno, Naná Vasconcelos e Maurício Maestro

Visions of dawn foi gravado em 1976, por Joyce (que já foi tema de post aqui no blog), o percussionista Naná Vasconcelos e Maurício Maestro, que é mais conhecido por ser integrante do Boca Livre). O registro só veio à público muito tempo depois, mais precisamente em 2009, pela Far Out Recordings; e na divulgação, referiam-se ao álbum como um trabalho “psicodélico” de Joyce.

Das gravações de Joyce, essa foi a que ouvi menos, por ter sido a que me chamou menos a atenção. Mas por esses dias, trombei com o álbum de novo e resolvi ouvi-lo com mais atenção.

As músicas BananaClareanaNacional KidTudo Bonito seriam conhecidas do público brasileiro entre os anos 80 e 2000: As duas primeiras no clássico Feminina (1980), Nacional Kid no disco Tardes Cariocas (1984), que quase ninguém conhece, mas que foi reeditado no box Anos 80, lançado ano passado; e Tudo bonito é do álbum de mesmo nome, lançado em 2000. As demais canções da tracklist não fazem parte de nenhuma outra gravação posterior que tenha sido lançada, seja em estúdio ou ao vivo.

Clareana, por exemplo, ficou muito mais delicada do que a versão de 80. Banana não tem muita diferença. Talvez as músicas mais psicodélicas, dentro do meu parco entendimento sobre o assunto, sejam Tudo bonito, Suite 1- Memórias do Porvir/ 2- Visões do amanhecer e Jardim dos deuses. A sonoridade que a gente experimenta ao ouvir essas músicas é como se a gente participasse de um sonho. Ou de uma trip mental, motivada por qualquer coisa aí.

Numa dessas lembrei de dar uma relida no livro da Joyce (Fotografei você na minha rolleyflex, publicado em 1997 pela MultiMais Editorial), para ver se tinha algo que remetesse exatamente à gravação desse disco. Não tinha, mas tem uma passagem sobre 1970 no México que eu de alguma forma conectei à Visions of dawn:

O corredor do hotel – estávamos todos no mesmo andar – virou um formigueiro, um zunzum de gente indo e vindo a noite inteira, entrando e saindo dos quartos não só nosso grupo, como amigos que já tínhamos na cidade, e que apareceram para assistir à nossa trip. E que trip! Em cada quarto que se entrasse, havia um happening diferente. No de Naná, por exemplo, estava sendo celebrada uma espécie de missa afrobrasileira, uma cerimônia ao mesmo tempo profana e religiosa para os erês invisíveis que, segundo ele, moravam ali. Uma pequena plateia de americanos assistia em respeitoso silêncio. Entrei, comecei a cantar a Bachiana nº 5, com o berimbau de Naná em contraponto, numa performance que mais tarde tentaríamos em vão repetir. Nunca mais deu certo, é claro, se é que dera naquela noite. […] Outros de nós tinham alucinações visuais e sonoras, entremeadas por sessões de vômitos e mal estar, conforme a disposição de cada um. Aconteceu de tudo, instrumentos quebrados, corações partidos, amores desfeitos, pedidos de casamento, deslumbres sensoriais, sonhos e pesadelos. (pp 71-72 – grifo meu/texto transcrito de acordo com a nova ortografia)

Aí a gente pega a letra de Jardim dos deuses:

Eu já visitei
O jardim dos deuses
mais de uma vez
Em busca do prazer e da paz
Mas tudo que eu encontrei
Desapareceu depois que eu voltei
E eu nunca me esqueci
Do perfume do jardim

Mas não vou ficar
Triste na lembrança do que passou
Vou encontrar o amor aqui mesmo
E se um dia eu voltar
Ao jardim dos deuses uma vez mais
Não quero nem saber
Nada me fará sair de lá.

Depois de transcrever a letra e ouvir com atenção, acho que posso dizer que aprendi um pouco sobre psicodelia.

Mas a minha música favorita de Visions of dawn é de longe Suite 3 – Carnavalzinho. É uma música curtinha, mas é muito feliz. ^_^ Enquanto eu escrevo esse post, ouvi essa música uma vinte vezes, hahah.

Visions of dawn pode ser considerado um tesouro da música brasileira. O melhor dele para mim é (além de Suite 3 – Carnavalzinho) ouvir outras versões de músicas que eu já conhecia, e ter outra experiência sonora. Vale a pena ouvir!

Ouvindo: “Bruttosozialprodukt”

Os estudos de alemão seguem firmes e fortes. Dei uma parada de alguns dias no francês, mas depois eu volto, de leve. Enquanto isso, estou aumentando o tempo que passo em contato com material em língua alemã, principalmente música, que é o que me ajuda a aprender mais rápido.

Se quando comecei eu andava muito limitada, ouvindo basicamente Heino e Peter Alexander (que eu achava meio brega, mas gostava assim mesmo), quando descobri as rádios online a coisa melhorou. E com o Spotify, que prepara daily mixes baseados no que a gente escuta com frequência (dividido por tema), todo dia encontro uma novidade. O aplicativo faz cinco playlists diárias para mim: a de música brasileira, a alemã, a instrumental, a polonesa e a de rock. Essa semana estou praticamente ouvindo só a playlist alemã e nessa acabei encontrando umas joinhas dos anos 70/80. Até agora a minha favorita é essa música do título, Bruttosozialprodukt (Produto social bruto, em português).

Quando ouvi essa música pela primeira vez, não precisei fazer muito esforço para identificar que era dos anos 80. Se fosse uma música brasileira, tocaria fácil no programa do Chacrinha. Existem duas versões de Bruttosozialprodukt: a primeira de 1978, da banda Dicke Lippe (não achei nenhuma informação sobre essa banda por aí, você coloca os termos no Google e só sai foto de gente com os lábios inchados). A segunda (que foi a que ouvi primeiro) é da banda Geier Sturzflug, cujo último lançamento foi de 2015.

E houve ainda a terceira versão, em francês, com o título PNB (Produit National Brut), de Nanard. É basicamente uma tradução para o francês da letra, e o som é igualzinho ao do Geier Sturzflug, que é a versão mais famosa. Tanto que não há muitos registros de Nanard ou de Dicke Lippe por aí… Mas independente da versão, essa é uma música com refrão chiclete. Se tivessem feito a versão brasileira naquela época, teria feito o maior sucesso.

Minhas heroínas da música

Há alguns meses, lá no Superela, escrevi um texto indicando algumas músicas da Bruna Caram que fazem parte da minha lista “levanta-moral”, “limpa-fossa music”, essas coisas. Atualmente, ela é uma das minhas cantoras favoritas, mas não é a única, claro. Tenho uma pequena lista de cantoras favoritas, que chamo de “minhas heroínas”, e nesse post resolvi compartilhar um pouquinho de cada uma delas com vocês.

1. Joyce Moreno

Só fui virar fã da Joyce lá pelos meus 19 anos, quando descobri por acaso um dueto dela com Beto Guedes cantando Rio Doce. Antes, em mil-novecentos-e-eu-era-pirralha eu tinha ouvido Clareana no rádio, como praticamente o Brasil inteiro, mas não tinha dado muita importância.

Gostei da voz e fui atrás de conhecer a discografia dela. Lembro que eu estava em uma lan house (oh, tempos sem Internet em casa!) e ouvi A Banda Maluca, Gafieira Moderna Tudo Bonito. Pronto, virei fã em duas horas de lan house, aproximadamente. Nessa época, até o corte de cabelo dela eu adotei!

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De lá pra cá, a admiração só cresce. E a coleção também: discos, livro, DVD. Só falta ir a um show. Uma semana depois do show do Aerosmith, ela esteve em Recife tocando com João Bosco e Toquinho em um um show em homenagem a Tom Jobim. Mas a bonita aqui soube em cima da hora, logo, não deu para ir. 😦 Mas tudo bem, ficamos de olho nas próximas apresentações.

Infelizmente, Joyce não é tão conhecida do público brasileiro, mas na Europa e Japão, é um sucesso! Os álbuns dela são inclusive lançados primeiro lá fora (pela Far Out Recordings) e depois, vem para o Brasil.

Agora que estou aprendendo violão, um dos meus objetivos é tocar algumas músicas dela – Clareana eu já toco. Quando eu crescer quero ser assim!

2. Leila Pinheiro

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Essa já é minha favorita desde criança! Quando mudei de escola, comecei a fazer viagens diárias para Recife. Numa dessas, ouvi Catavento e girassol e me apaixonei, mesmo sem entender a letra direito.

Meu tio tinha uma fita com músicas de Leila, Maria Bethania e Zizi Possi. Um dia, voltando da escola, tomei posse da fita lindamente e nunca mais ninguém soube dela, ficou no meu walkman, e eu a ouvi até que a fita quebrou – e eu remendei, para ouvir mais um pouquinho.

Um momento mágico: Joyce Moreno e Leila Pinheiro cantando Essa Mulher no DVD de Joyce em comemoração aos 40 anos de carreira.

Um tesouro: o EP Por onde eu for, autografado. Esse foi o lançamento mais recente dela, via campanha de crowdfunding, do qual participei (gosto desse negócio de crowdfunding, gente, já participei de uns quatro, me chamem que eu vou!)

3. Leny Andrade

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Outra que eu amo desde a infância, e aí é desde a infância mesmo! Antes de me encantar com a voz da Leila Pinheiro no carro enquanto ia para a escola, havia Leny cantando Homenagem ao malandro na rádio (acho que era a Tribuna FM, de Recife). Uma lembrança da infância tão forte pra mim quanto a propaganda da Adroaldo Tapetes Persas, hoje Adroaldo Tapetes do Mundo, na mesma emissora, ou qualquer música do Belchior, ou a fita VHS da Barbie e os roqueiros – como veem, tive uma infância bem eclética em termos de entretenimento.

Cresci, descobri outros músicos, e esqueci um pouco de Leny. Até que a reencontrei, em um disco feito em parceria com César Camargo Mariano, chamado Nós. A versão deles para Tristeza de nós dois é uma das melhores versões dessa música (talvez perdendo apenas para a versão de Joyce no álbum Raiz).

Só perde para um álbum inteiro dela com o guitarrista Romero Lumbambo, chamado Lua do Arpoador, onde constam versões deliciosas de Influência do Jazz (Carlos Lyra), Aqui, Oh! (Toninho Horta/Fernando Brant) e Desenredo (G.R.E.S. Unidos do Pau Brasil) (Ivan Lins/Gonzaguinha). A propósito, Leila Pinheiro também regravou essa última, juro que não sei qual é a minha  versão favorita.

4. Dorota Miskiewicz

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Conheci Dorota pesquisando no Wikipedia. Joguei “polish singers” no Google, fui ouvindo um monte de gente, mas quando cheguei nela, parei tudo o que estava fazendo. Foi por causa dela que acabei descobrindo Grzegorz Turnau, meu cantor polonês favorito.

E esse vídeo foi o culpado.

Eles participam de vários trabalhos um do outro – e como falei em um dos posts anteriores sobre os shows que pretendo ver um dia, existe uma boa chance de ver os dois ao vivo ao mesmo tempo, já que a parceria não se resume aos estúdios. O álbum 7 Widoków w drodze do Krakowa (7 pontos de vista no caminho para a Cracóvia), do Turnau, tem cerca de metade das faixas com participação de Dorota. Inclusive ela participou das fotos promocionais do álbum e participa dos shows também.

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Foto: Rafał Masłow, para o site oficial de Grzegorz Turnau

Ano passado, Dorota lançou um dos seus trabalhos mais bonitos: Piano .PL. A faixa de abertura do álbum já é uma joinha, uma versão de Krótka bajka, do… Grzegorz Turnau.

5. Basia Trzetrzelewska

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Apesar de ser polonesa também, não cheguei à Basia na minha pesquisa por músicos poloneses. Ela não canta em sua língua mãe (salvo um trechinho final de Copernicus), e seu estilo é mais puxado para a bossa nova, eu diria que ela é a mais brasileira das cantoras polonesas, tamanha a influência que a gente percebe na obra dela. A música que me apresentou a Basia foi Astrud, uma homenagem a Astrud Gilberto.

Sua produção fonográfica é pequena, e dos álbuns lançados, o meu favorito é o The sweetest illusion, que já ganhou resenha aqui no blog.

O estilo da Basia me inspira muito quando estou cantando. Acho que ela tem um jeito legal de cantar, sem economia, sabe?

Tem muitas outras cantoras que eu gosto, mas essas quatro não podem faltar nas minhas listas de favoritas.

Guitar heroine

Ontem fez um mês que voltei para as aulas de violão. Até a véspera da primeira aula, eu ainda estava na dúvida entre voltar para o violão e abraçar o piano, mas a decisão foi tomada unicamente pelo quesito praticidade: eu já havia estudado o instrumento antes – por um mês – e tem um violão em casa, então seria mais fácil de praticar, não exigindo que eu gastasse com um instrumento novo de imediato.

Eu já tinha comentado inclusive em um post anterior aqui que achava que não levava jeito para a coisa e que a parte que me cabia nesse latifúndio era unicamente de admiradora dos músicos que eu gosto.

Agora não mais! Todos os sábados eu sigo para a aula. A Evana que está estudando o instrumento hoje é sem sombra de dúvidas totalmente diferente daquela que resolveu aprender aos 13 anos porque estava apaixonada pelo Brad Whitford e queria ser guitarrista como ele. Hoje o estilo é diferente, minhas pretensões são outras e sou menos impaciente, então aproveito melhor o processo de aprender.

Uma coisa que certamente está me influenciando de forma positiva é que agora tenho aulas com uma mulher, o que também me despertou para o fato de que não existem muitas guitarristas mulheres que eu admire, que acompanhe. Na verdade, na minha lista de role models só tem Joyce Moreno e Wanda Sá; no mais, é tudo homem (e essa lista está desatualizada, a propósito). Isso é algo que pretendo começar a mudar, pesquisando mais sobre outras instrumentistas e ouvindo o máximo que puder.

Outra coisa que resolvi fazer foi me gravar tocando, para registrar o quanto tenho evoluído. A primeira gravação é essa, eu tentando tocar (e cantar) Cichosza, do Gregorz Turnau.

Nada mal para uma iniciante que até um dia desses não conseguia tocar e cantar ao mesmo tempo, hein?

Fiquei animadíssima de conseguir tocar uma música que eu gosto e dos acordes com pestana estarem saindo menos piores (ainda falta muito para melhorar, nessa música que postei hoje tem um Fá maior e ainda apanho um pouco para fazer o som sair direito). A sensação de estar evoluindo em uma habilidade é única, todo mundo devia tentar!