Assistindo: “Unbreakable Kimmy Schmidt”, season 3

Esperei pela estreia da terceira temporada da série com muita animação, porque Unbreakable Kimmy Schmidt logo se tornou uma das minhas séries favoritas. Praticamente não há um personagem que eu não goste, e as duas primeiras temporadas tiveram momentos impagáveis, como o clipe de Peeno noir e todas as aparições do reverendo Richard Wayne Gary Wayne (Jon Hamm). As expectativas eram as melhores possíveis.

Então a estreia aconteceu dia 19 de Maio e até então não rolou nada de muito extraordinário nos episódios da série que eu assisti até agora (vi 7 dos 13 episódio, mas alguns pontos me chamaram a atenção.

1) Jon Hamm continua se destacando positivamente, mesmo aparecendo pouco (até agora só apareceu em um episódio, e nos demais o reverendo é apenas mencionado).

2) Tituss (Tituss Burgees) teve alguns momentos de soltar a voz. Nem tudo achei engraçado, claro. A paródia de Lemonade foi bem legal e tudo; e o começo do episódio em que ele faz uma série de backing vocals para músicas com letras absurdas. Mas não gostei de Boobs in California.

3) Agora o texto tem uma pegada mais política do que nas temporadas passadas, com a participação de Lilian (Carol Kane) como vereadora e cenas com viés feminista – inclusive tem um episódio intitulado Kimmy é feminista!, no qual ela vai para a faculdade e ao se relacionar de forma mais próxima com as novas colegas, percebe que o discurso feminista delas ainda não é amadurecido.

4) Também é dada uma ênfase extra à interferência que traumas podem causar na vida futura da pessoa. Gretchen (Lauren Adams), uma das mulheres-toupeira, não consegue se libertar do passado e acaba criando a própria seita, sequestrando alguns garotos para servi-la. Obviamente o tiro sai pela culatra (e é aí que começa a existir uma discussão sobre questões feministas, que vai se aprofundando no episódio seguinte). Já Kimmy consegue a bolsa integral na universidade graças a uma habilidade física conquistada nos anos de bunker, mas ao mesmo tempo tem dificuldade de se relacionar com pessoas que tenham inclinação religiosa.

5) Com a entrada de Lilian para a política, entrou também um personagem que tenho curtido bastante, o Artie (Peter Riegert), dono da rede de mercados naturais. Simpatizei mesmo, desde a primeira aparição.

6) Já a trama de Jacqueline (Jane Krakowski) eu tô achando chata. Não é por ela, mas pelo núcleo da família em que ela se envolveu. Tudo chato, do marido dela (Russ, interpretado por David Cross) ao cunhado bonitão (Duke, por Josh Charles).

Então, pela primeira vez encontrei personagens chatos em Unbreakable Kimmy Schmidt. Mas mesmo assim, estou curtindo acompanhar e tenho me divertido com os episódios. Só falta ter um tempo extra (e internet estável, claro!) para concluir a temporada.

O melhor de “Grace and Frankie”, terceira temporada

Finalmente consegui um tempo para concluir a terceira temporada de Grace and Frankie, a série com a melhor turma da terceira idade que a gente respeita. De tudo o que eu vi desde o início da série, essa foi a que mais me empolgou e emocionou. Se na primeira temporada a gente acompanhou a adaptação da dupla protagonista à vida de solteiras após 40 anos de casamento e na segunda teve a oficialização da união de Sol (Sam Waterston) e Robert (Martin Sheen) e o estreitamento da amizade de Frankie (Lily Tomlin) e Grace (Jane Fonda); na terceira elas estão muito mais unidas. Não deixam de brigar, mas agora a dependência emocional que uma tem da outra é muito maior.

A primeira parte dessa temporada foca nos preparativos e no levantamento de verba para lançar a Vybrant, companhia desenvolvedora de vibradores para a terceira idade criada e desenvolvida por Frankie e Grace, que são as únicas funcionárias da empresa também. Uma vez resolvida a questão da grana, as personagens passam a agir em função de fazer a Vybrant ser um sucesso; e lidar com as consequências desse sucesso sendo uma empresa de apenas duas pessoas.

No começo, minha personagem favorita era a Frankie, por ser mais cuca fresca, artista e tals… Tirando a parte da maconha, acho que eu seria uma velhinha tranquilona feito ela.

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Nessa temporada, principalmente no final dela, a gente percebe as fragilidades de Frankie vindo à tona. Além do medo de ficar sozinha, outras questões como o pavor de armas de fogo e a dificuldade de tomar decisões que podem mudar sua vida, depois de tantas mudanças grandiosas. Por essas situações, ela se torna o centro das atenções na reta final. Ela não deixou de ser uma das melhores personagens para mim; mas no quesito evolução, outros personagens subiram muito no meu conceito.

Robert e Sol, por exemplo, ganharam força a partir do segundo terço da temporada, quando chega o momento da aposentadoria. O episódio em que Sol finalmente se aposenta foi o primeiro a me fazer chorar. Enquanto isso, Robert abraça outros desafios, estreando no teatro comunitário; e conflitos, como sair do armário para a mãe.

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Outra coisa que me chamou a atenção é que finalmente as animosidades entre os ex-casais parece ter sido superada na segunda metade dessa temporada, principalmente a partir do episódio O chão, em que eles as levantam do chão, literalmente.

Do final da segunda temporada para o início da terceira, os filhos dos dois ex-casais não tinham plots que me chamassem muita atenção, com exceção de Brianna (June Diane Raphael) e Coyote (Ethan Embry).  Dessa vez, todos eles tinham histórias de peso: Mallory (Brooklyn Decker) em crise no casamento, Bud (Baron Vaughn) assumindo o controle do escritório de advocacia, Coyote se mantendo sóbrio e tentando se organizar profissional e pessoalmente… Brianna foi a que mais me surpreendeu. Ela não perde o senso de humor ácido que lhe é característico, mas começa a demonstrar alguma fragilidade quando acaba dispensando Barry (Peter Cambor), que ela começou a namorar no fim da segunda temporada; e começa a perceber que falta algum romance na sua vida, alguém com quem possa trocar afeto de verdade.

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Por alguns momentos, achei que essa poderia ser a última temporada, mas a quarta já está confirmadíssima, com participação especial de Lisa Kudrow (eu gostaria muito que Wendie Malick voltasse também na quarta temporada, gostei da participação dela). Tem bons ganchos para lá: os avanços da Vybrant, os relacionamentos amorosos de Grace e Frankie, a vida de Sol e Robert pós aposentadoria, e muito mais.

“Better Call Saul”, S03E04 – “Sabrosito”

Falei no post anterior que o plot envolvendo o Mike (Jonathan Banks) estava chato, né? Bem, esse quarto episódio da temporada deu a melhorada que precisava.

Explicando melhor: eu estava sentindo as histórias do Mike e do Jimmy meio desconectadas, apesar de ter tido uma ou duas cenas em que um interferia na história do outro (como na parte em que Jimmy cancela os compromissos de um dia no escritório para ir ao Los Pollos Hermanos ficar de olho em um de seus rivais). No episódio que foi ao ar nessa última terça-feira (e que assisti na quinta), o roteiro me pareceu bem melhor amarrado, embora ainda não tenha tido muita cena em que Jimmy e Mike aparecessem juntos. A primeira parte do episódio foi completamente dedicada à turma do tráfico (e o personagem Sabrosito, que dá nome ao episódio, é o mascote de um sorveteria que serve de “laranja” aos negócios escusos). Teve uma participação maior dos chefes dos esquemas criminosos, especialmente do Gus Fring (Giancarlo Esposito), dono do Los Pollos Hermanos, que foi o protagonista da segunda melhor cena da temporada até agora. A saber, foi o discurso dado por ele para os funcionários da lanchonete logo depois que Hector (Mark Margolis) invade o local e assusta a equipe enquanto procura por Gus.

Só na segunda parte do episódio é que voltamos para a história do entrevero jurídico entre Jimmy e Charles (Michael McKaine), que parece ter chegado a um “acordo” mas o estrago no relacionamento pessoal dos irmãos já está feito para sempre. Antes de dar a audiência por encerrada, Dra. Ray (Kimberly Hebert Gregory),  juíza do caso, diz que não percebeu remorso na declaração escrita por Jimmy, e o faz verbalizar o remorso para Charles, olhando em seus olhos. Tive a impressão de que Jimmy fosse chorar, mesmo que um pouquinho só, enquanto falasse. Mas seriam lágrimas de real arrependimento ou de raiva por ter sido obrigado a falar aquelas coisas em vez de ter saído correndo para nunca mais ter contato com Chuck e Howard (Patrick Fabian)?

Tenho observado que os episódios dessa terceira temporada tem vindo em uma crescente de qualidade dramática – isso eu tiro pelo fato de que o quarto episódio foi melhor que o terceiro, que foi melhor que o segundo e assim vai. Então a expectativa para o resto da temporada só pode aumentar.

Sobre a terceira temporada de “Better Call Saul”

Já falei aqui em outros textos sobre como gosto de Better Call Saul. Não chega a estar no meu top 3 de séries favoritas da vida, mas é uma série que gosto bastante. Acho o personagem Jimmy McGill (Bob Odenkirk) interessante, às vezes engraçado e tal; também gosto da forma como a relação dele com a Kim (Rhea Seehorn) foi desenvolvida até aqui, com os altos e baixos. E em Abril estreou a nova temporada.

Primeira coisa que eu pensei foi “oba! Finalmente!”, pensei que foi uma temporada que demorou demais para chegar (e a Netflix tá botando um episódio novo a cada terça, não lembro se essa estratégia rolou na temporada passada ou se é novidade). Novidade pra mim foi o resuminho das temporadas anteriores, que eu pulei. Ainda lembrava do que tinha rolado antes.

O último episódio da Season 2 terminou com um gancho maravilhoso, e foi daí que começou a terceira, obviamente. A relação (??) entre Jimmy e Charles (Michael McKean) está finalmente irrecuperável; na minha visão, por culpa de ambos. Durante a segunda temporada, um tentava passar a perna no outro por diferentes motivações e agora estão rolando as consequências. Daí é só ladeira abaixo.

O segundo episódio teve uma cena entre os irmãos que eu comentei no Twitter como sendo a melhor sequência que já teve na série inteira. Sem querer dar spoiler (vai que alguém não viu ainda, né?) mas Jimmy invade a casa de Charles, o surpreende e vai pra cima do homem com toda a raiva acumulada. Foi de deixar essa que vos escreve sem ar, de verdade. Confesso que no primeiro episódio eu não estava muito empolgada, mas o segundo me reanimou.

Mas como nem tudo são flores, o plot do Mike (Jonathan Banks) está chatíssimo. Até aqui, as cenas dele estão enfadonhas, muito longas. Não sei os outros, mas eu fico implorando mentalmente para vir uma cena do Jimmy no escritório, Jimmy surtado com o irmão, Jimmy aprontando mais uma, qualquer coisa. Já tá na hora de melhorar a participação do Mike nesses episódios, dar um plot twist aí, porque na segunda temporada estava melhor.

[continua…]

Assisti: Fleming (2014)

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Flemingthe man that would be Bond é uma minissérie de apenas quatro capítulos, que descobri via Netflix. Caí no primeiro episódio acidentalmente (mesmo: usei Netflix no XBox e quando saí para beber água, a série começou a rodar sozinha, acho que deixei selecionada e foi o suficiente). Voltei correndo para parar o vídeo e trocar por mais um episódio de Rita, que era a série que eu tinha a intenção de assistir; mas a cena inicial acabou me fisgando.

A propósito: era uma cena submarina, muito bonita (como cenas submarinas geralmente são). E logo depois, os protagonistas Ian Fleming (Dominic Cooper) e sua mulher Ann (Laura Pulver) são apresentados, em uma sequência parte romântica, com uns 10 centavos de 50 tons de cinza… Logo depois a gente é levado a um flashback, que é todo o resto da série. O plot é uma parte da vida do Ian Fleming, que se tornaria o autor da série do James Bond. Nos primeiros anos da Segunda Guerra Mundial, Ian é um sujeito mulherengo, com problemas de relacionamento com a mãe e inveja do sucesso de seu irmão Peter (Rupert Evans) (esse sim, já escritor à época, conhecido por livros de viagens). Sendo um v1d4 l0k4 nos anos 40, ele dificilmente tem estabilidade profissional, mas acaba, graças a algumas habilidades (entre elas, falar alemão super bem), sendo escalado para trabalhar no serviço de inteligência britânico.

Nas ações militares, ele age no mesmo estilo com que leva a sua vida pessoal: impulsivamente, o que o leva a se meter em algumas encrencas, sozinho e também levando os companheiros junto, como a oficial Monday (Anna Chancelor) (adorei o nome dessa personagem). E ainda tem um breve quadrilátero amoroso: Ian, Muriel (Annabelle Warris) (uma moça independente, por quem ele parece ter um afeto sincero), Ann (uma mulher casada com um militar em missão no exterior) e Esmond (Pip Torrens), que é o outro amante dela além do Fleming. A relação entre Ian e Ann é quente, lembrando mesmo algumas passagens do filme 50 tons de cinza. A diferença é que a protagonista da trama de época não tem nenhuma semelhança com Anastasia Steele nas atitudes…

Mas o mais interessante em toda a produção é a abordagem feita da Segunda Guerra Mundial, as ações dos exércitos envolvidos e a reconstituição dos locais afetados por ela. Ian Fleming passa pelas missões para as quais é designado de forma espirituosa e a gente pode até encontrar um pouco de humor bem refinado no personagem. Todos esses ingredientes acabaram gerando o sedutor detetive  James Bond, que definitivamente tinha muito de seu criador em si.

Para quem gosta de produções que tenham um pano de fundo histórico ou um pé na biografia, é uma série interessante. Para quem é fã do James Bond, é meio óbvio dizer que é muito recomendado, né?

Assistido: Chewing Gum

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Imagem: Imdb

Devo admitir que resisti por um bom tempo a ver Chewing Gum. O motivo foi que (pelo menos na Netflix Brasil) essa série foi lançada pouco tempo depois de Haters Back Off, série que eu tinha começado a ver e larguei no comecinho do sexto episódio. Por alguma razão muito louca, eu achei que as duas séries tinham plots semelhantes. A coisa começou a mudar quando li um post (acho que no Blogueiras Negras) falando sobre Chewing Gum e resolvi, enfim, dar uma chance à série britânica criada, escrita e protagonizada por Michaela Coel, baseada em sua peça Chewing Gum Dreams.

Tracey (Coel) é uma jovem negra da periferia que, aos 24 anos, é noiva de Ronald (John Macmillan). Filha de Joy (Shola Adewusi) uma mulher extremamente religiosa frequentadora da Pentecostal e com uma única irmã tão fanática quanto a mãe, ela reza para Jesus e para Beyoncé e deseja “se livrar do peso” da virgindade. Ao ser dispensada pelo noivo (que logo vira ex), ela conhece Connor (Robert Lonsdale), um de seus vizinhos, um sujeito junkie que tenta ser poeta e, como era de se esperar, tem uns parafusos a menos, mas aparenta ter bom coração e gostar de verdade de Tracey. É com Connor que Tracey passa a se relacionar (e tentar perder a virgindade) sem que sua mãe descubra.

Nem só de descobertas sexuais vive Chewing Gum, embora seja daí que saiam algumas tiradas bem engraçadas, como a dos dildos usados que Candice (Danielle Walters), melhor amiga de Tracey, resolve usar para ganhar dinheiro em um dos episódios. Tracey tem Beyoncé como seu exemplo de vida e sonha em ter sucesso como sua diva, deixar de trabalhar no mercadinho e circular entre os figurões. Mas, pelo menos na primeira temporada disponível na Netflix (só seis episódios), isso não chega nem perto de acontecer. Pelo contrário: ela se mete em uma série de desventuras sozinha, com seus amigos da vizinhança, com o namorado oculto e também com seu ex, de cuja sexualidade ela começa a suspeitar.

Dentre as personagens secundárias, destaco a irmã de Tracey, Cynthia (Susan Wokoma). Ela vive brigando com a irmã, querendo expulsar o demônio de todo mundo e morre de medo e curiosidade do sexo. Em um episódio, ela pede o laptop de Tracey e vai pesquisar sites pornôs – obviamente, essa empreitada não acaba muito bem para ela…

Os episódios são bem curtinhos, como é de costume entre as séries de comédia. Tem piadas enquadráveis na categoria “sujas”, com sexo e consumo de drogas, algumas tiradas envolvendo classe social, etnia e religião e algumas situações bizarras no meio do caminho. Mas eu, que sou chata com humor feito na TV, não achei a abordagem em nenhum momento ofensiva ou coisa do tipo. Dei boas risadas de várias situações, não só pelo texto em si, mas pelas atuações e pelo trabalho de direção.

Resumindo, valeu a pena ver Chewing Gum; e é uma série divertida que a gente consegue ver de uma sentada só (os episódios curtinhos ajudam muito nisso). Recomendo de verdade!

Assisti ao primeiro episódio de “Greenleaf” e eis o que tenho a dizer

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Sabe aqueles escândalos que ouvimos falar quase que diariamente envolvendo igrejas faraônicas aqui no Brasil e em outros países? Greenleaf, nova série lançada na Netflix, que tem Oprah Winfrey como produtora executiva, vem mostrar uma a uma. Mas isso não é só sobre dirigentes de igrejas, ou líderes em comunidades religiosas de qualquer natureza. É muito sobre a hipocrisia nossa de cada dia ao “ir para a igreja rezar e fazer tudo errado”, como diria uma canção popular brasileira.

O plot é o seguinte: o Calvário é uma mega igreja midiática que deixa qualquer outra que você já viu na TV no chinelo. Sediada no Tenessee, EUA, é 100% dirigida por negros, que também compõe, diga-se, 99% dos milhares de fiéis que lotam o templo (que mais parece uma casa de shows) todos os domingos. A família que fundou e comanda o Calvário são os Greenleaf, que vivem com uma estrutura que lembra as novelas mexicanas dos anos 90 – filhos casando e morando na mansão dos pais, muita riqueza, etc. E com as mensagens de forte apelo emocional (e base bíblica abaixo de zero) e as músicas animadas, atraem multidões que não só levantam as mãos e adoram, como deixam alguns milhares de dólares na caixinha.

A narrativa começa quando Faith, uma das filhas do bispo Greenleaf (Keith David) e Lady Mae (Lynn Whitfield) é sepultada, após cometer suicídio. (O que é muito sugestivo, a fé morre no primeiro episódio…) A causa da morte da moça não é mencionada, mas fica claro logo nas primeiras cenas, quando Grace (Merle Dandridge) e sua filha Sophia (Desiree Ross) se aproximam de um grande lago nas terras da família e Sophia comenta: “foi aqui que a tia Faith…”

O suicídio de uma das filhas não é o único esqueleto no armário dos Greenleaf. Ao longo das cenas,  o espectador tem flashes da desmanteladíssima vida privada de todos os membros. Enquanto na sala de jantar despejam lições de moral em cima da recém-chegada Grace (a única ali que se afastou, depois de passar anos pregando para as multidões) e tentando demonstrar pureza e santidade, nos seus quartos ou fora da casa ficam reveladas as mazelas: adultério, vaidade exarcerbada, consumo de drogas, omissão, corrupção, etc. Mais coisas devem ser reveladas ao longo dos episódios, mas só o primeiro episódio deixa tudo isso escancarado, como se tivéssemos uma câmera escondida.

Grace Greenleaf é a outsider da família. Deixa a mansão e a igreja para viver sua vida e sua carreira longe do cristianismo de fachada dos seus pais; e choca a família ao dizer que só vai à igreja na Páscoa e no Natal. Para aquela família tão legalista, isso é o mesmo que não acreditar em Deus (será?) e é a revelação que provoca o primeiro embate da família, levantado pela cunhada Kerissa (Kim Hawthorne), que carrega permanentemente um tom de amargura e desdém na voz e apoiada por Lady Mae. Isolada dentro da própria casa, Grace encontra apoio em Mavis (Oprah Winfrey), sua tia, que há muito já andava afastada de tudo aquilo, justamente por saber demais.

Greenleaf não é exatamente uma série nova, está no ar desde 2016, mas chegou à Netflix Brasil esse ano. O tema que ela aborda não é novo para nós (infelizmente já vimos coisas parecidas nos telejornais da vida), mas é importante quando uma obra de ficção coloca o dedo na ferida, como Greenleaf faz. Vale muito a pena assistir.