Pelos ares

(escrito em dezembro de 2015)

Apressei os passos assim que saí do avião, e quando cheguei à esteira de recolhimento das bagagens, me arrependi. Olhei para trás. Até me estiquei um pouco, pensando que conseguiria avistá-lo e me despedir decentemente. Eram duas da manhã, apanhei minha mala e olhei para trás. Seja como for, você já tinha se mandado, levando junto minhas horas de sono.

O plano original, enquanto eu mirava da janela as luzes do Rio ficando cada vez menores, era dormir ouvindo Grzegorz Turnau e só acordar em Recife. Mas você, que também queria ouvir seu som gentilmente providenciado pela companhia aérea, estava tendo problemas com o fone de ouvido. Ofereci meu player (e meu Turnau) para que você testasse o seu fone. Assim acabou uma audição sonolenta e começou uma small talk aérea. O avião quase todo já dormia.

Um cinquentão, divorciado, indo a Recife a trabalho. Uma jovem professora voltando de São Paulo, amargando o fim das férias. Ambos fazendo escala no Rio, sentam lado a lado no avião e começam a conversar quando ela o ajuda com uma bronca tecnológica. O plot perfeito para uma comédia romântica, não é? Eu poderia escrever uma estória assim. Você fez bem o seu papel, parecia tentar me seduzir só com o olhar. E eu nem lembro mais de que cor eram seus olhos. Nem lembro o seu nome, para falar a verdade.

Lembro de estar me divertindo com a conversa, até a hora que você começou a falar mal da Dilma e eu pensei: “Oh, droga, um coxinha, como faço para cortar a conversa e dormir agora?” Não consegui. Primeiro porque já tinha perdido o sono mesmo. Segundo porque achei que seria divertido provocar um coxinha. Ou porque, apesar disso tudo, eu ainda queria seu telefone, só não queria assumir isso.

(Um complicador para o plot! Tenho que começar a desenvolver a história já.)

Por um instante achei que ali, na meia luz da aeronave, todos os passageiros dormindo, você fosse me beijar. Sei lá, achei aquela distância altamente perigosa. O piloto anuncia a preparação para o pouso e, sem saber, anuncia também o fim daquele romance mal começado. Sem beijos, sem troca de telefones. Acabou.

Será que um dia serei capaz de reconhecê-lo no próximo voo?

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A fila que mais cresce no Brasil

Deve ser a minha fila de livros para ler. No começo do ano coloquei no Goodreads a meta de 21 livros; foi a quantidade que li no ano passado e eu tinha uma boa perspectiva de ultrapassar essa marca…

… Lendo 22 livros em 2017.

Enfim, parece que cheguei aos 22! Um dos livros que li não está registrado no Goodreads, então não entrou para a conta oficial do site (:-(), estou terminando Alice através do espelho e, com fé em Deus, termino A room of one’s own. Não é que eu esteja achando A room… ruim, mas às vezes eu simplesmente esqueço desse livro. Levei meses para terminar cada livro da Virginia Woolf que eu li entre 2016 e 2017. Na verdade, levei anos para criar coragem de abrir o Selected Works e efetivamente lê-lo. Mas até 31 de dezembro termino e então terei lido 23 livros, olha que legal. Até posto a listinha aqui, com breves comentários.

Mas olhando para o futuro, em termos de leitura, 2018 promete. Na minha fila tem Eu sou MalalaVoltar a Palermo (de Luzilá Gonçalves, que só comprei porque ando pensando em ia passar uns dias na Argentina (poucos, bem pouquinhos, porque ando economizando para voltar à Alemanha), tem outro livro de um autor pernambucano cujo nome agora esqueci (quando eu estiver perto da minha estante, faço um update desse post).

E vai ter Hermann Hesse. Recebi a indicação de um amigo querido e resolvi lê-lo.

Em alemão. Vou passar 2018 mais abraçada com o dicionário do que andei em 2017. vocês vão ver.

Diários da Alemanha: em busca dos produtinhos

Viajei para Berlim sem nenhum produto para o cabelo, pela simples razão de que acabaram quase todos os meus cremes na véspera da viagem. Então lavei o cabelo na véspera e pesquisei um pouco nos sites de drogarias como a Rossmann – que eu já sabia que ficava pertinho da minha casa, obrigada pela informação, Google Maps – para ter uma noção do que eu teria disponível para o meu cabelo e qual seria a média de preço.

Valeu para ter uma noção, mas só fui achar produtos para mim fuçando nas prateleiras, e com uma ajudinha do dicionário. Eu não sabia que cabelo cacheado em alemão é lockiges Haar, por exemplo. Mas aprendi rapidinho, de tanto futricar nas drogarias (a Rossmann e também a DM – passei também em uma Apotheke na Torstraße, mas comprei nada lá.)

Então, ainda nos primeiros dias fui atrás dos meus produtinhos! E aqui estão eles (que eu trouxe pra casa, obviamente):

Como praticidade é tudo na vida da pessoa, comprei esse shampoo feat. Condicionador de óleo de amêndoas e óleo de macadâmia da Lavera, marca de cosméticos naturais e veganos made in Germany. Não é específico para cabelos cacheados, mas naquele dia eu tinha meio que perdido a paciência e peguei um pra cabelos secos mesmo. Da mesma linha, tem também a máscara capilar, que vem em sachês e é uma das coisas mais maravilhosas que já passou pelo meu cabelo desde a transição.

Essa máscara tem manteiga de manhã e óleo de coco, sem silicones e petrolatos, bem gostosinha. Inclusive, quando essa foto foi feita, o pote já estava vazio. Também não é exclusivo para cacheadas.

Esse sim! Próprio para cabelos cacheados e ondulados, é uma manteiga capilar que eu estava usando como creme de pentear e meio que me salvou, porque meus day after estavam tensos. Meu “Maria Bethânia (Como chamo meu cabelo às vezes) estava meio estranho e tals… agora tem que ter cuidado com a medida, não pode usar demais desse creme…

Saindo da categoria cuidados capilares, fiz outras comprinhas de bonitezas na drogaria.

Comprei a base e o esmalte jurando que ia fazer as unhas eu mesma por lá. Preguiça bateu e só usei a base, mas depois estreei o esmalte da Essence e realmente ele cumpre o que promete. Uma passada só e fica lindo!

Como dei uma enjoada do perfume que tinha levado (o Aurien nigra, da Eudora), comprei esse. Era o que tinha o melhor cheirinho dentre todos os “minis”. E foi só 3.15 euros, não dava pra perder!

Teve também o batom vermelho da Rival de Loop. O meu é o número 7. Amo e vou defender esse batom, que além de ser lindo e ter uma fixação legal, foi barato pra caramba.

Diários da Alemanha: Potsdam, ou o dia em que (quase) tudo deu errado

Poucas fotos do meu dia em Potsdam resistiram. A maioria delas foi para o beleléu junto com o cartão de memória corrompido. Eu podia muito bem ter deixado na memória do aparelho mesmo, porque o bichinho sobreviveu a uma queda na privada!

Não de imediato, mas em alguns dias eu consegui voltar a usá-lo. De toda forma, acabei comprando um aparelho novo quando voltei a Berlim, já que não podia ficar sem comunicação.

Não foi só do ponto de vista tecnológico que rolaram umas coisas estranhas. Naquela semana, eu estava na expectativa de desenrolar um crush, emendar o passeio com uma noitada tomando alguma coisa e batendo um papinho, só eu e o boy…

Acabou que eu dei foi um monte de closes errados. Tentei ser discreta e de boas, e talvez tenha até passado essa impressão, mas por dentro eu estava muito incomodada com minha própria postura. O cara não estava na minha, aparentemente estava mais interessado em outra garota, com quem também fiz amizade. Recuei, claro.

Gosto de adolescentes, trabalhei com eles por um tempo, mas os que estavam acompanhando a gente naquela excursão eram bem uó…

E na volta, depois de morrer em 200 euros num celular, ainda tive que encarar uma minitreta em casa. Durou pouco mais de um minuto, graças a Deus tudo se resolveu logo. Eu só conseguia pensar em como aquele dia tinha sido complicado!

Mas olhando com mais distanciamento, não foi tão ruim assim. Ainda tenho umas fotos daquele dia, graças a uma ajudinha dos amigos. Vi algumas apresentações culturais que estavam rolando numa feira da diversidade (eu podia ter pego mais souvenirs, fiquei só com um pin pra coleção). Os jardins são apenas fantásticos, bem como os prédios. E também foi lá em Potsdam que provei uma das minhas iguarias favoritas – o Döner Kebab! Pretendo retornar, para refazer as imagens perdidas e ainda passar pelo museu do cinema, que infelizmente não foi parte do passeio.

E melhor de tudo: pode ter sido o dia mais estranho do mês, mas foi o prenúncio do dia mais lindo de toda a temporada. Depois desse dia, fui “exorcizar” as vibes estranhas no Mauerpark, e acabei tendo o melhor dia.

Diários da Alemanha: um dia em Hamburg

Continuando com a série de postagens… Durante a minha estada na Alemanha, tive várias oportunidades de participar de atividades com o grupo da escola. Participei de duas delas: a ida à Hamburg e a ida à Potsdam.

Antes de falar da primeira cidade, algumas considerações sobre a experiência de fazer atividades turísticas em grupo, com guia e tempo cronometrado, que foi algo que nunca havia feito antes: foi legal, mas provavelmente eu não faria de novo com um grupo grande (outros passeios, provavelmente eu faria; mas visitas à cidades durando um dia só… nope!). Meu ritmo é um pouco mais lento, e eu certamente gostaria de passar mais tempo explorando alguns locais. Mas sim, valeu a experiência e um dia voltarei para Hamburg… Principalmente para refazer várias das fotos que acabei perdendo no incidente do celular. As únicas fotos que resistiram foram as postadas no meu instagram. (moral da história: da próxima vez, lembrar de mandar tudo pra nuvem no mesmo dia que fotografar!)

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Aí estava caindo uma chuvinha fina…

Choveu uma boa parte do dia. Claro que não foi nada no nível ao qual eu estou acostumada aqui na RMR, mas passear em dia chuvoso é meio complicado, independente de ser muita ou pouca chuva.

Passamos (claro) pelo porto, cruzamos várias pontes, me deparei com uma ponte cheia de cadeados (sei, ainda é moda botar cadeado para imortalizar o amor, mas meu romantismo não topa muito com isso). Também teve uma parada no prédio da Filarmônica, que tem um prédio interessantíssimo, metade antigo, metade novo…

Uma parada que achei ótima (e que acalentou de verdade meus sonhos românticos) foi a ida à St. Petri Kirche, igreja mais antiga em Hamburgo, que além de receber muitos visitantes o tempo todo, também estava sediando um casamento! E nós pudemos assistir um pedaço da cerimônia! (aliás, encontrei vários casais fazendo ensaio de casamento em Berlim, acho que se um dia eu casar, imito, hahaha) Mas antes de entrar, uma advertência: nada de fotos lá dentro! Todo mundo se comportou direitinho. 🙂

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Só um pedacinho da torre da igreja.

Não encarei o Fischbrötchen, que é iguaria típica de lá. Sei lá, eu não tava muito pra peixe, então perto da plataforma de embarque do transporte aquático (que faz parte do transporte público, logo a gente usa o bilhete comprado lá no Hauptbanhof), comprei um sanduíche numa barraca italiana, com muito queijo e pesto ❤

Minhas compras foram modestas: trouxe dois pacotes de chá, um de frutas vermelhas e outro de flores e frutas (já provei o primeiro, é bem gostoso e, como já é de se esperar, tudo com um cheirinho delícia), cartões postais pra minha coleção e balinhas de goma veganas sabor frutas vermelhas, que há muito foram para o meu buchinho. 😛 São muito mais gostosas que as não veganas, gente!

A volta acabou sendo mais cansativa que a ida… Além de tudo o que a gente andou, também tivemos que pegar dois trens… E o tram, que pra mim era de lei!

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E, para encerrar o post, uma fotinha bem bucólica tirada na ida.

Diários da Alemanha: apesar de colher as batatas da terra… 🎶

Vamos falar de comida. Antes de vir pra cá, eu sabia de apenas três coisas:

1. Ia ter muita batata.

2. Ia ter muita salsicha.

3. Ia ter chucrute (a.k.a Sauerkraut), que era um negócio que eu só conhecia de nome; mas a bem da verdade, jamais tinha visto. Nem pesquisado. É, eu sei, devia ter pesquisado…

E realmente teve tudo isso. Por ter morado com uma família alemã durante esse mês, tive acesso a tudo isso. Talvez, se tivesse ficado em um hotel ou alugado um apartamento sozinha, eu não tivesse tido experimentado algumas coisas.

O post não vai ter foto de tudo, porque quando eu pensava na foto, eu já tinha era terminado de comer. 😋😋😋 Mas o importante é a experiência, não é?

A carne suína e os embutidos são uma realidade bem limitada pra mim no Brasil. Só entra a linguiça calabresa, toscana (quando tem churrasco) e bacon no caldo verde. Picanha suína? Chego nem perto! Mas aqui a história foi bem diferente. Salame virou de lei no café da manhã. E teve também uma carne com um molho porreta, que acompanha o Sauerkraut. Comi duas vezes, é muito bom (ou dei a graça de pegar um cozinheiro muito habilidoso).

Currywurst é uma instituição alemã, praticamente. Em vários lugares, encontra-se uma lojinha ou quiosque que venda a iguaria, que pode ser servida com batata frita ou com pão. Tratei de provar ainda na primeira semana em Berlim e sim, é bom. Recomendo, como disse num post anterior. Mas não é minha comida alemã preferida, não.

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O que me surpreendeu de verdade foi o Döner Kebab. Provei lá em Potsdam (no dia dos infortúnios – vai ter um post só sobre isso) e foi pra mim a melhor parte do passeio. Eu não sabia o que esperar do prato, mas valeu a pena os €4.50 pagos. Eu inclusive fiquei com a cara toda lambuzada de molho, relatam testemunhas.

Talvez você tenha ouvido falar do Schnitzel também. É tipo um bife à milanesa, só que mais fino. Pode ser feito com carne de porco ou frango – nas três vezes em que comi, foi frango, mas não exatamente por escolha minha. Batata pode acompanhar, seja ela frita, Bratkartoffeln (que é tipo batatas fatiadas e assadas) ou algo do tipo.

Não teve Apfelstrudel, mas teve Apfeltasche. Chá de camomila acompanha. Uma das melhores sobremesas que provei, lá no Alexanderplatz.

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Um oferecimento M&M Back Café. 🙂

Ah, e não posso deixar de falar das bebidas, né? Basicamente bebi mais café do que estou acostumada (e eu bebo café com pouca frequência em *dias normais*), como parte das pesquisas para meu próximo projeto literário, já em desenvolvimento. Experimentei o Apfelschorle (bebida gaseificada à base de suco de maçã, muito gostosinho) e cerveja! Sim, eu bebi cerveja!

Em tempo: eu cultivei uma aversão à cerveja e bebidas alcoólicas em geral desde a mais tenra idade, por razões que não vale a pena discorrer aqui (devidamente levadas à terapia). Pra não dizer que não bebo nada, gosto de vinho, tomo espumantes às vezes e uma vez perdida já tomei drinks à base de vodca (e bebi uísque uma vez). Sou geralmente a pessoa que só toma uma dose de qualquer coisa, pelo paladar. Mas cerveja não rolava pra mim. Até do cheiro eu tenho um nojinho… Mas eu estava na terra da cerveja, certo? Então num domingo de Mauerpark, fomos oficialmente apresentadas, eu e a cerveja:

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Custou € 3,50 e tava bem gostosinha, sem aquele cheiro pavoroso.

Gostei da bebida? Gostei. Vou seguir bebendo cerveja no meu cotidiano? Não, assim como não faço uso habitual de bebidas alcoólicas salvo em situações bem pontuais. Foi uma experiência tranquila, que não me tirou o controle, não fiquei bêbada nem nada, só me senti um pouco mais leve.

A maior parte das minhas refeições foram feitas em três lugares:

1. A casa onde fiquei hospedada, por motivos óbvios;

2. Die Mensa Nord, refeitório universitário onde é possível fazer refeições baratas, basta adquirir um cartão recarregável nas maquininhas disponíveis no prédio. Tem mais Mensas espalhados por aí, mas só conheço o Nord…

3. La Cantina, restaurante italiano bem aconchegante que fica na Torstraße, pertinho da estação Rosenthaler Platz. Eu e minha turma íamos com tanta frequência por lá que o staff já estava se despedindo da gente com bis morgen!

4. Hüner, restaurante especializado em frangos que fica na Wilmersdorfe Straße, em Charlottenburg. Lá eu não cheguei a comer os almoços, só os burgers mesmo. O frango vem inteiro, eu não ia aguentar comer. E uma vez pedi com batatas… respeite a batata! #yummy

5. Wiener Feinbäcker, no Allee Center: sou apaixonada pelas padarias da Alemanha, só. Se você estiver de bobeira por Berlim, vai na fé em qualquer Bäckerei (padaria) da rede Heberer e não vai se arrepender. Cada docinho gostoso!

Quanto aos cafés, estive em alguns: Castle, perto da Nordbahnhof, Al Volo (comandado por italianos), na Torstraße, e o mais fofo de todos, o Grün-Ohr Café, que fica próximo ao Hackesher Markt. Ganhou o troféu de lugar mais frequentado por mim em Berlim, empatado com o Wiener Feinbäcker e o La Cantina.

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Decoração mais lindeza! E dava para a gente ver a doceira trabalhando, na janelinha situada aí no canto.
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Muffin de blueberry: em vez de pegar os docinhos já costumeiros com chocolate e tal, resolvi pegar algo que eu não comerei nem tão cedo.
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O cappuccino do Grün-Ohr é um dos melhores que já provei, mas esse vanilla latte é uma das minhas bebidas favoritas no universo.

A pior bebida que provei em Berlim foi um latte machiatto com essência de avelã, no Rodi (um lounge/café/biergarten). Bicho, eu achei que tinha cachaça dentro do negócio.!Tomei até o fim, mas né… De volta ao patropi, descubro que o problema não é o café lá, e sim o raio da essência. Peço mais não. E se de repente você que me lê resolver ir ao Rodi, peça uma cerveja, peça um drink qualquer, peça um café sem essência. Vai por mim. 😉

No último dia de Berlim, mais um restaurante típico: o Maximillian’s. Esse tava até decorado para a Oktoberfest (que conta com pólos na Alexanderplatz e na Hauptbahnhof, onde dá pra comer muitas delicinhas)

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A entrada do restaurante.

E na mala, eu não podia deixar de trazer uns chocolatinhos, né? Na verdade eu queria passar em Netto e comprar um monte de biscoito, mas acabou não dando tempo. Enfim… A marca mais popular por aquelas bandas é a Ritter Sport, que tem uma loja de fábrica na Französische Straße, e que lugar lindo e gostoso. Tem tipo um “museu” no primeiro andar, contando a trajetória do cacau que vai da América Latina (Equador e Nicarágua exportam) até a Alemanha; e mostra o processo de produção das barras. Também dá para tomar um cafezinho com torta (de chocolate, klar!) e até comprar uma barra personalizada de chocolate, com os extras que você quiser.

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Só um pedacinho do que é a loja da Ritter Sport.

Esse post ficou tanto tempo no rascunho que voltei pro Brasil e só consegui concluí-lo agora… Bem, é um jeitinho de aplacar a saudade que ficou de Berlim. E ainda tem muita coisa pra contar, então esse blog vai ficar mais movimentadinho, é só eu superar a preguiça!

 

Diários da Alemanha: Mas Alemão por que, mesmo?

Então, um monte de gente, incluindo minha mãe, fez essa pergunta antes de eu viajar e também depois que eu cheguei aqui, com algumas variantes:

Mas tu é professora de Inglês, podia ir pros EUA ou pra Inglaterra… – Então, eu pretendo visitar esses países um dia. E o Canadá também. Mas os propósitos serão outros: por exemplo, aos EUA eu vou pela música; já que 88% dos meus guitarristas favoritos são baseados lá, então haja show e haja grana. E no Canadá pretendo estudar, mas não o idioma – inclusive era minha segunda opção de intercâmbio esse ano.

E por que Alemão? Vamos lá: eu sonho com a Alemanha e a Polônia há muito tempo, desde criança. Sem motivo específico ou algo do tipo. Na primeira oportunidade que tive, comecei a estudar Alemão pela internet (primeira frase que aprendi: Das ist ein Lied.) E quando pude, já na Universidade, peguei duas eletivas de Alemão. Isso faz dez anos. E comecei a pensar seriamente no intercâmbio para estudar o idioma mais a fundo.

Sem estudar formalmente, passei os últimos anos mantendo contato com o idioma do jeito que dava: seguindo páginas no Facebook, perfis no Twitter, ouvindo música, vendo filmes. E um belo dia, eu estava na fila das Americanas no shopping perto da minha casa, quando ouço dois homens falando… alemão. E eu tava entendendo, Brasil!

Metida que sou, não consegui ficar quieta: virei pro cara e perguntei se eles eram alemães. E aí o que se seguiu foi um papo de 5 minutos com eles me falando do que faziam no Brasil, a fábrica onde trabalhavam e eu meio… Bicho, tô entendendo tudo! Foi um dos dias mais felizes da minha vida. E depois dessa, eu simplesmente TINHA que vir pra cá e melhorar minha fluência.

Passei três anos juntando a grana para vir pra cá, pouco mais de um ano pagando o intercâmbio (obrigada, Experimento, por suas condições de pagamento fantásticas e atendimento super!). Nesse tempo, muitas expectativas alimentadas. E também uma possibilidade surgindo. Finalmente encontrei uma linha de pesquisa que me interessa para o mestrado, que me faria retomar a vida acadêmica; e comecei a vislumbrar a possibilidade muito real de fazê-lo aqui na Alemanha. Inclusive já fui à Universidade em busca de informações. Oremos!

Então quando me perguntam sobre porque eu estou aqui, geralmente falo só do mestrado. Vez ou outra, menciono meu sonho de infância. Mas às vezes também penso que não precisamos sempre de um motivo claro e um plano infalível pré definido. Estou aqui porque Deus permitiu que estivesse… E, queira Deus, essa está sendo apenas a primeira temporada de uma longa relação que vou ter com esse país.