Diários da Alemanha: um dia em Hamburg

Continuando com a série de postagens… Durante a minha estada na Alemanha, tive várias oportunidades de participar de atividades com o grupo da escola. Participei de duas delas: a ida à Hamburg e a ida à Potsdam.

Antes de falar da primeira cidade, algumas considerações sobre a experiência de fazer atividades turísticas em grupo, com guia e tempo cronometrado, que foi algo que nunca havia feito antes: foi legal, mas provavelmente eu não faria de novo com um grupo grande (outros passeios, provavelmente eu faria; mas visitas à cidades durando um dia só… nope!). Meu ritmo é um pouco mais lento, e eu certamente gostaria de passar mais tempo explorando alguns locais. Mas sim, valeu a experiência e um dia voltarei para Hamburg… Principalmente para refazer várias das fotos que acabei perdendo no incidente do celular. As únicas fotos que resistiram foram as postadas no meu instagram. (moral da história: da próxima vez, lembrar de mandar tudo pra nuvem no mesmo dia que fotografar!)

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Aí estava caindo uma chuvinha fina…

Choveu uma boa parte do dia. Claro que não foi nada no nível ao qual eu estou acostumada aqui na RMR, mas passear em dia chuvoso é meio complicado, independente de ser muita ou pouca chuva.

Passamos (claro) pelo porto, cruzamos várias pontes, me deparei com uma ponte cheia de cadeados (sei, ainda é moda botar cadeado para imortalizar o amor, mas meu romantismo não topa muito com isso). Também teve uma parada no prédio da Filarmônica, que tem um prédio interessantíssimo, metade antigo, metade novo…

Uma parada que achei ótima (e que acalentou de verdade meus sonhos românticos) foi a ida à St. Petri Kirche, igreja mais antiga em Hamburgo, que além de receber muitos visitantes o tempo todo, também estava sediando um casamento! E nós pudemos assistir um pedaço da cerimônia! (aliás, encontrei vários casais fazendo ensaio de casamento em Berlim, acho que se um dia eu casar, imito, hahaha) Mas antes de entrar, uma advertência: nada de fotos lá dentro! Todo mundo se comportou direitinho. 🙂

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Só um pedacinho da torre da igreja.

Não encarei o Fischbrötchen, que é iguaria típica de lá. Sei lá, eu não tava muito pra peixe, então perto da plataforma de embarque do transporte aquático (que faz parte do transporte público, logo a gente usa o bilhete comprado lá no Hauptbanhof), comprei um sanduíche numa barraca italiana, com muito queijo e pesto ❤

Minhas compras foram modestas: trouxe dois pacotes de chá, um de frutas vermelhas e outro de flores e frutas (já provei o primeiro, é bem gostoso e, como já é de se esperar, tudo com um cheirinho delícia), cartões postais pra minha coleção e balinhas de goma veganas sabor frutas vermelhas, que há muito foram para o meu buchinho. 😛 São muito mais gostosas que as não veganas, gente!

A volta acabou sendo mais cansativa que a ida… Além de tudo o que a gente andou, também tivemos que pegar dois trens… E o tram, que pra mim era de lei!

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E, para encerrar o post, uma fotinha bem bucólica tirada na ida.
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Diários da Alemanha: apesar de colher as batatas da terra… 🎶

Vamos falar de comida. Antes de vir pra cá, eu sabia de apenas três coisas:

1. Ia ter muita batata.

2. Ia ter muita salsicha.

3. Ia ter chucrute (a.k.a Sauerkraut), que era um negócio que eu só conhecia de nome; mas a bem da verdade, jamais tinha visto. Nem pesquisado. É, eu sei, devia ter pesquisado…

E realmente teve tudo isso. Por ter morado com uma família alemã durante esse mês, tive acesso a tudo isso. Talvez, se tivesse ficado em um hotel ou alugado um apartamento sozinha, eu não tivesse tido experimentado algumas coisas.

O post não vai ter foto de tudo, porque quando eu pensava na foto, eu já tinha era terminado de comer. 😋😋😋 Mas o importante é a experiência, não é?

A carne suína e os embutidos são uma realidade bem limitada pra mim no Brasil. Só entra a linguiça calabresa, toscana (quando tem churrasco) e bacon no caldo verde. Picanha suína? Chego nem perto! Mas aqui a história foi bem diferente. Salame virou de lei no café da manhã. E teve também uma carne com um molho porreta, que acompanha o Sauerkraut. Comi duas vezes, é muito bom (ou dei a graça de pegar um cozinheiro muito habilidoso).

Currywurst é uma instituição alemã, praticamente. Em vários lugares, encontra-se uma lojinha ou quiosque que venda a iguaria, que pode ser servida com batata frita ou com pão. Tratei de provar ainda na primeira semana em Berlim e sim, é bom. Recomendo, como disse num post anterior. Mas não é minha comida alemã preferida, não.

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O que me surpreendeu de verdade foi o Döner Kebab. Provei lá em Potsdam (no dia dos infortúnios – vai ter um post só sobre isso) e foi pra mim a melhor parte do passeio. Eu não sabia o que esperar do prato, mas valeu a pena os €4.50 pagos. Eu inclusive fiquei com a cara toda lambuzada de molho, relatam testemunhas.

Talvez você tenha ouvido falar do Schnitzel também. É tipo um bife à milanesa, só que mais fino. Pode ser feito com carne de porco ou frango – nas três vezes em que comi, foi frango, mas não exatamente por escolha minha. Batata pode acompanhar, seja ela frita, Bratkartoffeln (que é tipo batatas fatiadas e assadas) ou algo do tipo.

Não teve Apfelstrudel, mas teve Apfeltasche. Chá de camomila acompanha. Uma das melhores sobremesas que provei, lá no Alexanderplatz.

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Um oferecimento M&M Back Café. 🙂

Ah, e não posso deixar de falar das bebidas, né? Basicamente bebi mais café do que estou acostumada (e eu bebo café com pouca frequência em *dias normais*), como parte das pesquisas para meu próximo projeto literário, já em desenvolvimento. Experimentei o Apfelschorle (bebida gaseificada à base de suco de maçã, muito gostosinho) e cerveja! Sim, eu bebi cerveja!

Em tempo: eu cultivei uma aversão à cerveja e bebidas alcoólicas em geral desde a mais tenra idade, por razões que não vale a pena discorrer aqui (devidamente levadas à terapia). Pra não dizer que não bebo nada, gosto de vinho, tomo espumantes às vezes e uma vez perdida já tomei drinks à base de vodca (e bebi uísque uma vez). Sou geralmente a pessoa que só toma uma dose de qualquer coisa, pelo paladar. Mas cerveja não rolava pra mim. Até do cheiro eu tenho um nojinho… Mas eu estava na terra da cerveja, certo? Então num domingo de Mauerpark, fomos oficialmente apresentadas, eu e a cerveja:

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Custou € 3,50 e tava bem gostosinha, sem aquele cheiro pavoroso.

Gostei da bebida? Gostei. Vou seguir bebendo cerveja no meu cotidiano? Não, assim como não faço uso habitual de bebidas alcoólicas salvo em situações bem pontuais. Foi uma experiência tranquila, que não me tirou o controle, não fiquei bêbada nem nada, só me senti um pouco mais leve.

A maior parte das minhas refeições foram feitas em três lugares:

1. A casa onde fiquei hospedada, por motivos óbvios;

2. Die Mensa Nord, refeitório universitário onde é possível fazer refeições baratas, basta adquirir um cartão recarregável nas maquininhas disponíveis no prédio. Tem mais Mensas espalhados por aí, mas só conheço o Nord…

3. La Cantina, restaurante italiano bem aconchegante que fica na Torstraße, pertinho da estação Rosenthaler Platz. Eu e minha turma íamos com tanta frequência por lá que o staff já estava se despedindo da gente com bis morgen!

4. Hüner, restaurante especializado em frangos que fica na Wilmersdorfe Straße, em Charlottenburg. Lá eu não cheguei a comer os almoços, só os burgers mesmo. O frango vem inteiro, eu não ia aguentar comer. E uma vez pedi com batatas… respeite a batata! #yummy

5. Wiener Feinbäcker, no Allee Center: sou apaixonada pelas padarias da Alemanha, só. Se você estiver de bobeira por Berlim, vai na fé em qualquer Bäckerei (padaria) da rede Heberer e não vai se arrepender. Cada docinho gostoso!

Quanto aos cafés, estive em alguns: Castle, perto da Nordbahnhof, Al Volo (comandado por italianos), na Torstraße, e o mais fofo de todos, o Grün-Ohr Café, que fica próximo ao Hackesher Markt. Ganhou o troféu de lugar mais frequentado por mim em Berlim, empatado com o Wiener Feinbäcker e o La Cantina.

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Decoração mais lindeza! E dava para a gente ver a doceira trabalhando, na janelinha situada aí no canto.
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Muffin de blueberry: em vez de pegar os docinhos já costumeiros com chocolate e tal, resolvi pegar algo que eu não comerei nem tão cedo.
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O cappuccino do Grün-Ohr é um dos melhores que já provei, mas esse vanilla latte é uma das minhas bebidas favoritas no universo.

A pior bebida que provei em Berlim foi um latte machiatto com essência de avelã, no Rodi (um lounge/café/biergarten). Bicho, eu achei que tinha cachaça dentro do negócio.!Tomei até o fim, mas né… De volta ao patropi, descubro que o problema não é o café lá, e sim o raio da essência. Peço mais não. E se de repente você que me lê resolver ir ao Rodi, peça uma cerveja, peça um drink qualquer, peça um café sem essência. Vai por mim. 😉

No último dia de Berlim, mais um restaurante típico: o Maximillian’s. Esse tava até decorado para a Oktoberfest (que conta com pólos na Alexanderplatz e na Hauptbahnhof, onde dá pra comer muitas delicinhas)

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A entrada do restaurante.

E na mala, eu não podia deixar de trazer uns chocolatinhos, né? Na verdade eu queria passar em Netto e comprar um monte de biscoito, mas acabou não dando tempo. Enfim… A marca mais popular por aquelas bandas é a Ritter Sport, que tem uma loja de fábrica na Französische Straße, e que lugar lindo e gostoso. Tem tipo um “museu” no primeiro andar, contando a trajetória do cacau que vai da América Latina (Equador e Nicarágua exportam) até a Alemanha; e mostra o processo de produção das barras. Também dá para tomar um cafezinho com torta (de chocolate, klar!) e até comprar uma barra personalizada de chocolate, com os extras que você quiser.

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Só um pedacinho do que é a loja da Ritter Sport.

Esse post ficou tanto tempo no rascunho que voltei pro Brasil e só consegui concluí-lo agora… Bem, é um jeitinho de aplacar a saudade que ficou de Berlim. E ainda tem muita coisa pra contar, então esse blog vai ficar mais movimentadinho, é só eu superar a preguiça!

 

Diários da Alemanha: Mas Alemão por que, mesmo?

Então, um monte de gente, incluindo minha mãe, fez essa pergunta antes de eu viajar e também depois que eu cheguei aqui, com algumas variantes:

Mas tu é professora de Inglês, podia ir pros EUA ou pra Inglaterra… – Então, eu pretendo visitar esses países um dia. E o Canadá também. Mas os propósitos serão outros: por exemplo, aos EUA eu vou pela música; já que 88% dos meus guitarristas favoritos são baseados lá, então haja show e haja grana. E no Canadá pretendo estudar, mas não o idioma – inclusive era minha segunda opção de intercâmbio esse ano.

E por que Alemão? Vamos lá: eu sonho com a Alemanha e a Polônia há muito tempo, desde criança. Sem motivo específico ou algo do tipo. Na primeira oportunidade que tive, comecei a estudar Alemão pela internet (primeira frase que aprendi: Das ist ein Lied.) E quando pude, já na Universidade, peguei duas eletivas de Alemão. Isso faz dez anos. E comecei a pensar seriamente no intercâmbio para estudar o idioma mais a fundo.

Sem estudar formalmente, passei os últimos anos mantendo contato com o idioma do jeito que dava: seguindo páginas no Facebook, perfis no Twitter, ouvindo música, vendo filmes. E um belo dia, eu estava na fila das Americanas no shopping perto da minha casa, quando ouço dois homens falando… alemão. E eu tava entendendo, Brasil!

Metida que sou, não consegui ficar quieta: virei pro cara e perguntei se eles eram alemães. E aí o que se seguiu foi um papo de 5 minutos com eles me falando do que faziam no Brasil, a fábrica onde trabalhavam e eu meio… Bicho, tô entendendo tudo! Foi um dos dias mais felizes da minha vida. E depois dessa, eu simplesmente TINHA que vir pra cá e melhorar minha fluência.

Passei três anos juntando a grana para vir pra cá, pouco mais de um ano pagando o intercâmbio (obrigada, Experimento, por suas condições de pagamento fantásticas e atendimento super!). Nesse tempo, muitas expectativas alimentadas. E também uma possibilidade surgindo. Finalmente encontrei uma linha de pesquisa que me interessa para o mestrado, que me faria retomar a vida acadêmica; e comecei a vislumbrar a possibilidade muito real de fazê-lo aqui na Alemanha. Inclusive já fui à Universidade em busca de informações. Oremos!

Então quando me perguntam sobre porque eu estou aqui, geralmente falo só do mestrado. Vez ou outra, menciono meu sonho de infância. Mas às vezes também penso que não precisamos sempre de um motivo claro e um plano infalível pré definido. Estou aqui porque Deus permitiu que estivesse… E, queira Deus, essa está sendo apenas a primeira temporada de uma longa relação que vou ter com esse país.

Diários da Alemanha: o transporte público

Conheci uma menina que veio do sul um alemão do sul do país (esqueci a cidade agora) e ele, ao saber que sou brasileira, me perguntou quais eram as principais diferenças entre minha terra natal e Berlim. Mandei sem pensar muito: “gosto muito do transporte público daqui. É tão eficiente!”

E é isso. Meu sonho de princesa é que o serviço da Grande Recife e da Metrorec fosse um pouco, pelo menos um pouco do que é o transporte berlinense.

Vocês já devem ter lido sobre isso em blogs especializados em viagens: aqui nós temos os ônibus, os trams (bondes), os trens (S-Bahn) e os metrôs (U-Bahn, que nem sempre trafegam só pelo subterrâneo).

A gente pode ter acesso a todos esses meios de transporte por meio de apenas um bilhete que pode ser comprado em máquinas automáticas nas estações ou dentro do próprio tram; e também em tabacarias. O recomendado, para quem vai ficar por um mês ou mais, é o mensal. Eu, por uma ineficiência na comunicação (segundo dia no país, falando alemão muito desastradamente com uma pessoa que não fala inglês) acabei ficando com os tickets semanais. Ok, tudo bem, são 30 euros por semana (isso para trafegar nas regiões de tarifa A-B). Para a tarifa C (necessária para ir a Potsdam, por exemplo), a gente paga um complementozinho.

Esse é um dos bilhetes que comprei. E não basta só comprar: tem que validar assim que acessa o transporte, inserindo numa máquina que “carimba” seu bilhete. Quando compra dentro do próprio transporte (no tram) não é necessário.

De vez em quando aparecem fiscais da BVG (empresa que administra os trams e os ônibus que circulam pela região) ou da Deutsche Bahn (em caso de S, U ou trens regionais) para checar se os viajantes estão com bilhetes válidos. Caso contrário, tem uma multa… vi uma pessoa pagando essa multa num trem voltando de Hamburgo.

O transporte é pontual? É. Volta e meia atrasa coisa de um minuto, dois. Mas a gente não fica na mão. Já ouvi reclamação de atraso de ônibus, mas não os pego no meu cotidiano. Os trams sim, fazem parte do meu dia a dia!

Taí ele, o tram. Minha mãe comentou que parece um ônibus sanfona. Com a volta às aulas, geralmente está lotado.

Como falei em um post passado, aqui inexiste o “desculpe atrapalhar o silêncio da viagem de vocês”, o “vai descer, motorista!”, o “passatempo da viagem”. A palavra mais usada é “Entschuldigung”, principalmente se estiver num transporte lotado. Nos trams, sempre têm um espaço para cadeiras de rodas/carrinhos de bebê. E você sempre vai encontrar um cadeirante, carrinho de bebê ou bicicleta por lá.

Mas o que eu mais gosto no transporte nem é exatamente a pontualidade, e sim a segurança. Depois de ficar traumatizada com dois assaltos a ônibus seguidos (dos quais escapei milagrosamente) e infelizmente chegar a passar mal no caminho para o TI devido à tensão achando que vai entrar um sujeito armado a qualquer momento, andar tranquilamente em um ônibus podendo acessar o Google Maps sem medo de ser assaltada é uma sensação maravilhosa. Repito: SEM MEDO DE SER ASSALTADA. Medo de assédio? Até agora, aqui não senti. Claro que em qualquer lugar do mundo mulher sozinha tá vulnerável, mas nos últimos dias tenho andado só e tem sido tranquilo pra mim. Isso é o que tem feito a maior diferença, o que eu mais sonhava encontrar ao voltar para o Brasil: um transporte mais seguro.

Voltando para o tram do meu cotidiano: A BVG fornece revistas mensais com informações sobre as linhas, entrevistas, dicas culturais e outros que tais. Essas revistas ficam disponíveis nos trams.

Essa é a capa da edição de Setembro. Peguei para praticar minha leitura (vou voltar para casa cheia de revistinha e panfleto) e qual não foi minha surpresa quando vi nas páginas da revista uma pequena seção dedicada aos crushes do busão?! Se a pessoa viu outra no transporte e se interessou mas não chegou junto, manda uma mensagem pra revista. Eu só tinha visto algo parecido no Facebook.

Aquele negócio de puxar papo com o vizinho de assento não rola (muito). Eu consegui alguns diálogos de menos de cinco minutos. Mas já presenciei muita cena fofinha no tram. Por exemplo, a garotinha que queria apertar o botão de abrir o tram quando chegasse à sua estação (era a mesma onde eu ia descer). O pai da menina pediu a outra passageira que deixasse a criança fazer aquilo (sabe como é, né, pra ela não ficar tristinha…) E assim foi feito. Na primeira vez ela colocou o dedo no lugar errado e lá fui eu direcionar a mãozinha da pequena para o botão. Mas não abriu, porque o veículo não estava totalmente parado. Na segunda idem. Quando ia tentar a terceira, a porta abriu automaticamente, para o desapontamento da criança. Ainda vi de longe o pai tentando consolar: “você apertou duas vezes e ele abriu pra você! Funcionou!” Fofo. ❤

E ainda teve outra criança, no trem para Hamburgo, que efetivamente brincou comigo mais perto do fim da viagem. Coisa mais linda!

Teve gente que do nada me ofereceu lugar para sentar, gente rabugenta, mas também muito sorriso.

Diários da Alemanha: o caso da telefonia

Entrei na terceira semana de Berlim e sei que tô super atrasada com os relatos, mas tava dando preguiça de escrever no blog usando o celular. Enfim, é o que tem pra hoje, pelo menos até o fim da temporada. Então vamos de post direto do celular.

(Infelizmente não vai ter fotos de tudo porque um dos cartões de memória que trouxe tratou de corromper quase todos os meus arquivos. Espero recuperá-los em breve)

Uma coisa que não fiz no Chile mas devia ter feito foi comprar um chip de operadora local para me manter conectada mesmo fora do hostel. Dessa vez, como ia passar muito tempo longe de casa, resolvi que SIM, precisava de um chip local! Antes de embarcar para Berlim, já fui fazendo pesquisas sobre as operadoras e planos pré pagos existentes.

Só fiquei um dia 100% baseada em Wi-Fi: cheguei a Berlim num domingo e as lojas mais próximas estavam fechadas, então precisei usar o Wi-Fi da casa de família onde estou só para dizer que cheguei bem e tals. No dia seguinte, depois da primeira aula/teste de nivelamento na escola, fui atrás do meu chip. A primeira loja em que fui foi a da empresa Telecom, que inclusive tem muitos telefones públicos espalhados pela cidade.

Cheguei, falei com a atendente, e o diálogo que se seguiu em alemão foi mais ou menos assim:

EU: Boa tarde! Vocês têm cartões SIM pré pagos?

ATENDENTE: Você é cidadã da União Europeia?

EU: Não.

ATENDENTE: Desculpe, nós só vendemos para cidadãos europeus. É uma nova lei…

Assim, sem dar muitas explicações. Agradeci e fui embora. Acabei comprando um chip da Vodafone em uma Lotto ao lado da escola.

Esse foi o chip que comprei.

€ 9,90 e pronto! Só faltava ativar o chip…

E aí começou a novela.

Passei uma tarde inteira tentando ativar sozinha o bagulho, sem sucesso. São exigidos vários dados para o reconhecimento do usuário do SIM card, entre eles o reconhecimento do rosto da pessoa. Como eu não estava dando conta de resolver, fui em uma loja da Vodafone.

A primeira tentativa não foi muito frutífera. O atendente disse que não podia me ajudar porque eu não tinha comprado o dito chip lá. Eu precisava voltar na loja onde tinha comprado e fazer o registro lá (APOIS!)

Eu tava era quase jogando o chip (e meus 10 euros) fora…

Mas perto da minha Gästehaus tem o quê? Um shopping! Com o quê? Uma loja da Vodafone! E lá estava o meu salvador do chip: super solícito, ouviu minha história, pediu o número do chip, meu passaporte, meu endereço em Berlim e pronto, resolveu-se o problema em cinco minutos! Saí de lá muito grata e encantadinha pelo fofo atendente da Vodafone que me ajudou. Mais adiante, ele me quebraria outro galho.

Semana passada minha internet estava um lixo e o touch screen do meu celular com sérios problemas. Até que sábado em um café em Potsdam, eu deixei o bonito cair na privada.

Isso mesmo: deixei meu celular cair na privada. Trágico. Tentei salvá-lo de todas as formas, mas agora o desastre estava feito. O pad só funcionava quando queria; e quando estamos longe de casa não podemos ficar sem dar notícia pra família, certo? Pelo menos eu não posso ficar incomunicável para a minha. Assim, fui obrigada a comprar um celular – que estou usando nesse momento para escrever esse post. Aproveitei a deixa para descobrir por que minha conexão a Internet estava tão ruim. Voltei à mesma loja. O atendente lembrava de mim! 😍 Contei minha história (dessa vez com um pouco mais de desenvoltura no alemão) e ele logo descobriu a razão.

EU TINHA UM CENTAVO DE CRÉDITOS.

Pode rir, eu deixo.

Botei mais 15 euros de crédito, torcendo para que dê por mais duas semanas (o tempo que me resta na Alemanha).

Momento utilidade pública: para quem vem à Alemanha, o plano CallYa, da Vodafone, é uma boa pedida. Você encontra em lojas da operadora ou em tabacarias, lojas da Lotto (como eu achei). Paguei 9,90 pelo chip, mais 15 pelos créditos extras e tá super valendo a pena. Eles também tem um App que serve para monitorar os seus gastos e inserir novos créditos se necessário. Existem outras operadoras mais baratas, mas aí não posso falar delas com propriedade…

(Continua)

Primeiras impressões de Berlim

Desde criança que eu pensava que um dia estaria na Alemanha. Passei os últimos anos economizando dinheiro para estar aqui, comprei o pacote do intercâmbio e enfim, aquela viagem tão esperada, da qual eu até evitava falar para evitar as crises de ansiedade, aconteceu.

Essa é minha quinta noite em Berlim e, pela primeira vez, me senti meio deprimida. Triste num nível de me sentir enjoada. Provavelmente é manifestação da TPM, associada a um desgosto natural que tenho pela noite. Tudo bem ser frio. Mas eu sou uma pessoa que gosta de sol, basicamente movida a energia solar, sabe? Tava comentando isso com minha Gästegeberin, de que especificamente essa noite me senti meio aborrecida e do quanto a noite me desanima.

E aí ao fundo, a Fernsehturm quase coberta pelas nuvens.

Mas não foi pra isso que comecei esse texto, e sim para contar um pouco desses primeiros cinco dias.

Antes de chegar a Berlim, fiz uma parada de poucas horas em Amsterdam, depois de um voo extremamente cansativo. Lá pude tomar um lanchinho (na verdade, só um chocolate quente) e engatei uma boa conversa com um casal de idosos. A mulher falava mais que o homem, é depois entendi que era porque o senhor não falava inglês. Ela traduzia para ele o que eu falava. Lá no aeroporto encontrei muita gente simpática, tipo esse casal e um rapaz muito bonito que sorriu para mim quando levantei a cabeça. Não teve bate papo por motivos de ele estava de passagem sei lá para onde.

Já em Berlim, precisei pegar um táxi para chegar até o apartamento, e sabe aquela máxima “fale com o motorista somente o necessário”? Pois é, se aplica perfeitamente aos motoristas alemães. Só conversei com o homem na entrada e na saída.

“Herzlich willkommen!” Foi o que ouvi, para logo depois ganhar um aperto de mão. Isso eu já estava esperando, já que 10 entre 9 pessoas que escrevem a respeito na Internet dizem que alemão não abraça ninguém no primeiro encontro. Nem no segundo. Mas não são grossos. Pelo menos não todos. Já encontrei gente rabugenta no trem, e gente legal, que sorri pra gente na rua e oferece o lugar pra gente sentar.

Meu primeiro diálogo na rua foi numa tabacaria onde eu queria comprar um passe de trem e um chip de celular. A atendente parecia a Ellen Degeneres e não falava inglês. A gente ficou ali tentando se entender e finalmente consegui o bilhete. O chip do celular eu só compraria mais tarde, em outra loja. Aliás, a telefonia enquanto turista na Europa merece um post só pra ela.

O que me chamou a atenção até agora na cidade:

  1. Não existe o “desculpe atrapalhar o silêncio da viagem de vocês”, nem “vai descer, motô!” Nem gente xingando @ motorista quando passa numa lombada. Lombada é um negócio que nem tem aqui.
  2. Teoricamente, não pode beber nem comer nem fumar nos trens. Mas a gente vê gente lanchando e com garrafa de cerveja nos vagões. Cigarro só na rua mesmo.
  3. O clima tem variado entre chuvoso pra caramba e sol de rachar. Ontem fomos surpreendidos pelo toró e aí tome carreira pra debaixo do abrigo mais próximo, que não protegeu todo mundo, claro. Aí todo mundo, alemão e estrangeiro, fez a única coisa possível naquele momento: deu risada.
  4. Tem novela aqui. A que eu vi chama Sturm der Liebe (tempestade de amor, em tradução livre) e está no ar desde 2005. Sempre que estou de bobeira (meio difícil, mas acontece), assisto a um episódio.
  5. Sempre tem alguém parecido com alguém que eu conheço. Já vi uns 10 sósias do Nilson Xavier, por exemplo.
  6. Nunca comi tanto espinafre na vida.
  7. A Alemanha está em campanha eleitoral para o parlamento e, aparentemente, é mais light que no Brasil. Tem muito material impresso nos postes tipo pôsteres tamanho A4, e alguns maiores, na beira das rodovias. Na TV, a gente vê os candidatos sendo entrevistados em programas com plateia. Não tem nem um terço da guerra (e 2% da gréia, que aparece quando pintam um bigode na foto da Angela Merkel – Fiz uma foto disso, mas perdi) que é no Brasil. Isso é meio óbvio, mas não deixa de me chamar a atenção, de um jeito positivo.
  8. A água pra beber é torneiral mesmo, a outra opção é comprar a mineral.
  9. Currywurst é bom. Recomendo.
  10. Durante o dia, sirene de ambulância é boia. Parece que chamam o Samu o dia inteiro.
  11. A qualquer momento a gente pode ver uma propaganda de loja de dildos na rua. Sem frescura e sem gracinha, só um fundo preto e um desenho de três dildos juntos, como se fosse um tridente. Só não consegui tirar a foto.

[Continua]

Espaço aéreo aéreo algum lugar, madrugada no Brasil

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Minha vista do Café Chocolat, esperando o próximo voo.

Voo São Paulo – Amsterdam  (que eu corri para pegar, depois de me darem uma informação errada – se um dia vocês virem uma moça de cabelos crespos escuros correndo por Congonhas, podem crer: sou eu). Tomei uma garrafinha de vinho no jantar para ver se me ajudava a pegar no sono.

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Não adiantou muito. Demorei a dormir do mesmo jeito e ainda acordei várias vezes. Em uma delas, eu estava tentando pedir água em alemão. Não saiu nenhum som, ainda bem. E ainda queria ver o programa do Amaury Júnior, símbolo das minhas noites insones – que foram bem poucas, a bem da verdade.

Não me admira que a funcionária que foi me revistar comentou o quanto eu parecia cansada. Minha sonolência deve estar visível a quilômetros. 😂😂😂

É o terceiro aeroporto e ainda tem mais um…

[Continua]