Álbum da semana: “Terra dos Pássaros”, de Toninho Horta

Conheço pouco, pouquíssimo na verdade, sobre a obra de Toninho Horta. Tudo o que eu conhecia até um dia desses era a parceria dele com Joyce Moreno em Sem você, um tributo a Tom Jobim gravado logo após a morte do músico, em 1994 (um álbum lindo, a propósito. Recomendo.) Só mais recentemente é que descobri outras musicas dele, através de outros músicos: uma versão fantástica de Aquelas coisas todas, feita pelo Brad Mehldau Trio…

a interpretação de Leny Andrade e Romero Lumbambo para Aqui, oh!, um tributo a Minas Gerais (“em Minas Gerais a alegria é guardada em cofres…”) que dá uma vontade extra de ir conhecer o estado (está na minha bucket list). Depois encontrei o próprio Toninho interpretando a própria composição. Uma pegada bem diferente da de Leny e Lumbambo, mas igualmente linda.

Teve também aquela música que eu amava há tempos e não fazia a mais pálida ideia que fosse dele: Manoel, o Audaz, que toda vez que escuto Jane Duboc cantar, tenho que me segurar um tanto para não chorar.

E Pedra da lua, de Horta e Torquato Neto. Ouvi pela primeira vez no álbum de estreia do Boca Livre, me apaixonei e esse final de semana corri atrás dessa música no Spotify. Boca Livre cantando Pedra da lua não tem, mas foi assim que chegamos à indicação do dia.

No site oficial a capa é outra, toda azul (que eu tenho a impressão de também ter visto no Spotify uma vez, ou tô ficando meio doida…)

Terra dos Pássaros foi lançado em 1979, juntamente com a Orquestra Fantasma (que está em atividade!) e é basicamente uma caixinha de joias do começo ao fim. Passei metade do dia ouvindo Pedra da lua até encher o saco, aí fui ouvir o álbum inteiro. Eis os meus destaques:

  • Céu de Brasília: o que impacta mais na faixa de abertura do disco é a introdução dela, imponente e grandiosa.
  • Diana: também foi gravada pelo Boca Livre no álbum de estreia do grupo. Eu não dava muita atenção a essa música, mas de uns tempos pra cá comecei a achar bonita que só.
  • Dona Olímpia: sobre o instrumental nos primeiros instantes, um sábio discurso da mulher que dá nome à canção.
  • Pedra da lua: a minha música favorita não podia deixar de faltar! Não tem como não se arrepiar com ela, gente.
  • Aquelas coisas todas: continuo preferindo a versão do Brad Mehldau, mas a original também tem algo especial, principalmente nos instantes finais.
  • Falso inglês: já quero aprender a tocar essa música! Melhor música sobre inglês embromation já feita no cancioneiro popular nacional, eu até arriscaria dizer que é fofa.
  • Terra dos pássaros/Beijo partido: o mix do Spotify tava me indicando essa música há tempos e eu por sei lá que motivo pulava sempre. Achei de ouvir agora e achei romântica-melancólica. Eu usava fácil como trilha de novela.

E essa foi a recomendação de música do dia! Lembrando que se o player do Spotify não funcionar aqui, só clicar nos links! 😉

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Playlist da fossa (ou não…)

Essa semana andei pensando em desilusão amorosa. Aquela hora que nossos sonhos com o crush viram pesadelos de solidão e tristeza eterna, quando a gente acha que nunca mais vai se apaixonar de novo e que ninguém, dentre toda a população mundial, vai ter a capacidade de conquistar espaço no nosso coração…

Esse é o tipo de pensamento triste que busco evitar. É meio difícil às vezes ser otimista com relação a vida amorosa e não jogar a toalha, quando a gente lê/ouve dezenas de relatos sobre embustes, fuleiragem, golpe, relacionamentos líquidos e essas porcarias todas. Mas ainda prefiro confiar que existe gente disposta a se envolver de verdade.

Depois de quebrar a cara pela última vez, dei uma refinada no meu sistema de curtição de fossa, que consiste em ouvir música. Mas eu tenho verdadeiro horror a ouvir música romântica quando estou eu mesma machucada e sofrendo por uma decepção passada. O que eu faço? Escuto música que mexa comigo de uma forma positiva: que me faça rir (por eu achar realmente engraçada), que me alegre e me dê outra perspectiva das coisas.

Foi assim que nasceu a playlist Broken Hearts are for Assholes, baseada na música do Frank Zappa que tem esse título. Quando ouvi essa música pela primeira vez, eu tinha sofrido (mais) uma desilusão afetiva e quando ouvi essa música, depois de passar quase uma noite toda bem triste, chorando e se achando a criatura mais desafortunada da face da terra, que jamais seria amada por nenhum homem e odiando a ideia de me apaixonar novamente, eu dei foi uma risada só de analisar a letra. Nunca mais deixei de ouvi-la. E tem outras que dão um upgrade no meu ânimo quando estou para baixo nesse aspecto.

Então agora estou dando um tempo de envolvimentos amorosos, para me organizar internamente e não seguir “contaminada” pelo medo, digamos assim, achando que todo mundo que se aproximar de mim vai ser um desastre universal; mas por precaução, já deixo a lista montada. A gente nunca sabe quando vai precisar de novo, e é sempre bom lembrar que o mundo não acaba quando alguém parte o nosso coração. Com o tempo, a gente podia inclusive aprender a administrar a carência e não se deixar quebrar com peteleco, porque às vezes, muitas vezes, a gente constrói o castelo antes do caminhão do armazém chegar com o material da construção, ou seja, constrói com nada. Fica morando numa “casa” que sequer existe, e a gente só percebe que está desabrigada quando dá a primeira chuva e cai tudo na nossa cabeça. Essa foi minha situação pelo menos uma dezena de vezes, até que eu parei para refletir e cheguei à conclusão de que estava sendo uma abestalhada de sofrer por gente que não estava nem aí e de criar ilusões com gente que não estava nem sabendo disso.

Até porque seria muito babaca passar o resto da vida se arrastando por paixões não correspondidas, sentimentos platônicos e chatices similares, né?

Enfim, aí vai a minha playlist no Spotify (caso o player no fim do post não funcione, cliquem no link!) que, como vocês bem verão, é muito eclética: tem de Dave Holland até Conde do Brega; de jazz a funk. Se você está sofrendo por alguém que te descartou ou simplesmente nunca foi a fim de você; e caiu nessa página a espera de algo para levantar seu astral, espero que essa lista te anime nem que seja um pouco.

E, se quiser, compartilha nos comentários as músicas que você ouve para curar o coraçãozinho das rasteiras que o mundo dá!

Enfim organizada?

Primeiro, aquela coisa de fazer o bullet journal no Evernote foi pro beleléu logo que meu celular deu piripaque. Deu tempo só de registrar os dias da menstruação daquele mês (Setembro já faz tanto tempo, né?).

Agora ando pensando em retomar os meios analógicos para organização. Embora ainda use o Google Calendar para registrar compromissos, tem coisas que estou querendo literalmente pôr no papel… E haja papel em branco! Tem agendas com folhas em branco, cadernos idem. Então comecei a fazer um planejamento semanal. 98% de eficácia, já que furei dois compromissos: um que tinha firmado comigo mesma e fiquei sem paciência de fazer no dia; o outro era com uma colega de trabalho e… esqueci porque não li o bloco de notas na véspera. O problema de usar só papel é que às vezes a gente esquece de botar uns lembretes visíveis dos compromissos. Mas como esse não era um caso de vida ou morte, então tudo bem!

Então, por enquanto, estamos assim:

  • Google Calendar para compromissos grandes, como festas para as quais fui convidada e confirmei presença, eventos de trabalho, viagens.
  • Bloco de notas na bolsa para planejamento semanal, lista de compras, ações que precisam ser feitas no dia.
  • Planner colado na porta do quarto para servir de lembrete e sanar esse problema de esquecimento de compromissos de menor porte e/ou recorrentes, que não estão no calendário eletrônico (isso ainda vou fazer, agora em Dezembro).
  • Evernote para coletar referências para projetos criativos. Junto com o Pinterest, está sendo uma grande ajuda para manter o hábito de pesquisar sobre tudo o que vou escrever. Também uso o Evernote para registrar planejamento financeiro e de viagens.

Com essas ferramentas, acho que agora vai!

Recentemente, terminei de ler o livro do David Allen, A arte de fazer acontecer, onde ele apresenta e orienta a gente a usar o método GTD de organização. Para aplicar esse método direito, ainda tenho muito o que aprender, mas já coloquei algumas coisas em prática, como o uso da caixa de entrada (a minha mesa de trabalho tá uma lindeza agora!), a regra dos dois minutos e a minha nova pergunta favorita: “Qual é a próxima ação?”

Você já leu A arte de fazer acontecer? Caso ainda não tenha feito, é uma leitura que recomendo fortemente – e que inclusive, vou reler com mais calma em breve.

Assisti: “Entre Irmãs”

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Fonte: IMDb.com

Soube da produção desse filme quando passou uma matéria no NE TV e meu pai me chamou para assistir. Na matéria, um pouco dos bastidores da gravação de um baile de carnaval dos anos de 1930; e o filme era chamado de A Costureira e o Cangaceiro. Tempos depois, o filme foi lançado e demorei um pouco para identificar que Entre Irmãs é o filme baseado no romance chamado A Costureira e o Cangaceiro, de Frances de Pontes Peebles. Enfim, resolvida a questão do título na minha cabeça…

Fiquei super feliz quando vi o cartaz do longa no Cinema Costa Dourada; e corri para assistir! O filme é estrelado por Marjorie Estiano (Emília) e Nanda Costa (Luzia). Duas irmãs que não podiam ser mais diferentes: enquanto Emília é romântica e sonha com um príncipe encantado; Luzia é um tanto bruta, também é destemida. No começo do filme, Luzia se acidenta caindo de uma árvore; o que a deixa com uma deficiência no braço esquerdo. Elas são órfãs, criadas pela tia Sofia (interpretada por Cyria Coentro) e em determinado momento ainda do primeiro terço do filme, Sofia diz uma frase que permeia todo o enredo, mesmo que não seja muito repetida: “tudo o que uma tem no mundo é a outra.”

Depois as vidas das irmãs mudam radicalmente: Emília consegue realizar o sonho de ir para Recife, viver uma vida de sonhos (e conhecer o mar!) graças ao seu príncipe encantado Degas (Rômulo Estrela) enquanto Luzia, em uma sequência dramática, segue o bando de cangaceiros do Carcará (Júlio Machado). Pelas notícias dos jornais, uma fica sabendo do paradeiro da outra, das transformações pelas quais vão passando.

Estar na cidade grande ou no meio do sertão é algo desafiador para ambas, que vão romper paradigmas e se afirmar de uma forma surpreendente (precisei copiar esse final da sinopse do panfleto do Costinha, hahaha).

Fiquei encantada com esse filme num grau que nem sei direito destacar o que gostei mais: o roteiro é primoroso e a fotografia… Senhor! Fez justiça aos imóveis antigos de Recife, que já são lindos vistos de perto. Do elenco, não tem ninguém que destoe, mas Nanda Costa me chamou a atenção de uma forma que não tinha feito na TV até então.

Quando saí do cinema, eu estava chorando. Na verdade as lágrimas me acompanharam no começo, no meio e no fim, com algumas pausas pelo meio, haha. Não fui muitas vezes ao cinema esse ano, mas as vezes que fui, valeram muito a pena! Assim que puder, vou ler A Costureira e o Cangaceiro, romance que originou Entre Irmãs. Recomendo muito o filme, quem não viu ainda, veja! 😉

Desafio criativo: Palavra do dia

Dia desses eu estava com vontade de pegar todos os rascunhos e começos de histórias que comecei e não terminei, e jogar tudo fora. Eu não estava conseguindo continuar, e isso estava me deixando mais ansiosa, triste e com a autoestima lá no chão…

Tenho tantas ideias, por que não consigo dar forma a elas?

A resposta veio como um tapa na cara: me falta foco. Começo a escrever, aí tenho outra iluminação e vou atrás dela, deixando um texto abandonado. Isso foi acumulando um monte de tralha na minha cabeça, e eu fico indo e voltando entre essas ideias, com a impressão de que estou sempre fazendo a mesma coisa.

Estou mesmo fazendo a mesma coisa sempre! Mas li um artigo no Stage 32 que me deu um estalo e é a base do meu desafio.

Pensando na criatividade como um músculo, que precisa ser exercitado todos os dias, a autora do artigo propõe esse exercício: a gente escolhe uma palavra ou o nome de um personagem da história em que estamos trabalhando e em um tempo determinado (7 minutos, por exemplo), vai fazendo associações no papel. Lá no site ela explica melhor… mas falando da minha versão: peguei uma caixinha (essa aí da foto do começo do post), coloquei vários papeizinhos com palavras variadas e nomes de personagens e todos os dias eu sorteio um papel, sobre o qual devo escrever durante 10 minutos. Vou fazendo associações sobre o que me vier à mente na hora; e como são 10 minutos, não dá tempo para ficar se distraindo com outra coisa.

Como escolhi as palavras? Primeiro fui escrevendo palavras que vinham à minha mente; mas depois resolvi pegar o dicionário e sortear as palavras. Os nomes próprios tirei de sites de nomes de bebês, daquela lista de nomes mais populares. Tem nomes que eu jamais pensei em colocar em personagens que eu criasse. É um jeitinho de sair, mesmo que um pouco, da zona de conforto. Criar uma nova galeria de histórias e personagens com começo, meio e fim vai (espero!) me ajudar a voltar para os textos inacabados com mais disposição, seja para concluir ou para deletar mesmo.

Hoje foi o segundo dia, já saíram dois personagens que, em breve, pretendo compartilhar com o resto do mundo. No primeiro dia, fiquei surpreendentemente satisfeita com o que saiu em pouco tempo: não só uma personagem, mas uma storyline completa! Fiquei tão encantada que fiquei até com um pouco de medo de não fazer algo que eu gostasse no segundo dia. Identifiquei isso como… apego. Eu simplesmente me apaguei à primeira personagem, que considerei bem sucedida a ponto de criar boards no Pinterest para ela; e fiquei com medo do que viria “lá na frente.”

Tantas coisas bonitas para ver, para viver

A história não acabou aqui

Por que se apegar tanto ao passado

(Que foi tão lindo)

Se há algo melhor logo ali?

(Versinhos feitos por mim, também ontem, sem relação com o desafio, mas bem que podia ter).

Bem, nem todos os dias serão super brilhantes. Mas o importante é continuar treinando, como um músculo mesmo.

Outra vantagem: fazendo esses exercícios de 10 minutos, consigo escrever de manhã, que é meu horário favorito. Vira parte do meu ritual matinal, olha que legal!

A ideia era fazer isso por um mês, mas perdi as contas de quantos papeizinhos tem na caixa, então vai até acabar, com possibilidade de prorrogação (Mas também não é pra fazer isso pra sempre, não quero ficar escrava de papelzinho sorteado pra criar, haha, e preciso criar um pouco mais de desapego a métodos e sentimentos.)

Meu lema

Ansiedade é, digamos assim, meu nome do meio. E eu tenho umas tendências pessimistas também. Começo coisas e desisto delas com uma facilidade enorme! Esse blog, por exemplo: por várias vezes pensei em apagá-lo, transformá-lo em outra coisa. E assim são vários outros projetos que compõem a minha vida. Sempre acho que vai dar errado comigo. Com os outros não: sou cheerleader dos meus amigos, faço o possível para vê-los prosperar e tudo. Mas quando o negócio é comigo…

“Ai, meu Deus, tá faltando tanta coisa!”

“Ele não vai me responder nunca!”

“Que vergonha…”

Entre outras coisas que ficam se repetindo na minha cabeça, incluindo reprises das cenas mais dramáticas possíveis, com diálogos me jogando no fundo do poço, batendo na ferida que mais demora para cicatrizar.

Estou falando tudo isso porque estou num trabalho interno (e solitário) para deixar de ser pessimista, para largar a autocomiseração e seguir em frente sem abandonar mais nenhum projeto pelo meio.

Hoje, durante uma sessão de meditação, me surgiu esse flash: “se eu não quero, eu não busco.” Quando abri os olhos, anotei essa frase no celular e no bloco de notas (tô abusando do manuscrito e aprimorando a letrinha, haha). E aí, beleza: não quero ser essa criatura que se consome por tudo. Mas o que eu quero mesmo? O que preciso buscar?

Nesse caso, buscar é cultivar. Como vou colher amor e leveza se tenho plantado desilusão e regado com lágrimas de desespero? (Eu não tenho realmente chorado muito ultimamente – só assistindo a Entre Irmãs, que vai ser assunto pra outro post – Mas vocês entendem, né?) Como vou transmitir paz se sou uma ansiosa que vive tentando disfarçar a ansiedade (ou seja, eu basicamente engulo meus sentimentos, ó que triste)?

Bem, essa é uma resposta que ainda estou procurando; então se você leu até aqui esperando a fórmula mágica, desculpa, não tenho. Mas se quiser se juntar à procura, estamos aí!

Um exercício que estou tentando colocar em prática é o da escuta. O fato de ser muito ansiosa me faz atropelar as falas dos outros muitas vezes em uma conversa. Isso pode parecer até normal para muita gente, mas em duas ocasiões recentes eu me incomodei com minha voz passando por cima da pessoa que completava um raciocínio. E comecei a exercitar a espera, o respeito ao turno do próximo, dar atenção ao que é dito. Antes de tomar qualquer atitude, preciso ouvir, não é? E ouvir o outro real, não o outro dos meus diálogos imaginários (que seria nada mais, nada menos que ouvir minhas próprias projeções, ou seja, me ouvir falar o tempo inteiro…).

Ouvindo conheço melhor o outro, e a mim mesma. E posso cultivar valores positivos que levarão ao que realmente importa

Se eu não quero ansiedade e essa pressão no peito e as dorezinhas no estômago e outros efeitos colaterais, não devo buscar o que me leva a esse sofrimento. É trabalhoso, mas vale a pena. Preciso anotar isso em vários lugares visíveis da casa e do trabalho. 🙂

Assisti: Frances Ha

Melhor coisa que pude fazer essa semana: usar minhas noites livres para assistir a um filme. É uma forma de relaxar um pouco das pressões e também ficar em dia com o que anda sendo feito de legal ultimamente – confesso, apesar de gostar de cinema, ando atrasadíssima com os filmes… 😦

Enfim, quando Frances Ha foi lançado, eu fiquei muito interessada em assistir e tal, mas por algum motivo muito esquisito nunca parei para ver. Até que fui pesquisar na Netflix e lá estava ele!

A sinopse do filme é, em linhas gerais, a trajetória de Frances (Greta Gerwig), uma jovem de 27 anos lutando para se firmar na carreira de bailarina em Nova York. Ela tem uma melhor amiga, Sophie, com quem mora e a relação delas parece mais que perfeita! Mas ao longo da 1h20 de longa metragem, muitas coisas acontecem, levando Frances a ir morar em outras casas, batalhar para ganhar dinheiro… No resuminho da Netflix diz que ela tem “mais entusiasmo que talento.” Honestamente, discordo: acho que Frances é talentosa e entusiasmada, mas não tem sorte.

Ela também é um pouco incômoda às vezes para algumas pessoas (pelo menos foi isso que percebi enquanto assistia e observava a relação dela com alguns personagens), volta e meia solta um “desculpa qualquer coisa”. Ela também é chamada de undateable (inamorável), basicamente por não estar namorando ninguém e ter uns hábitos de gente solitária. Ela parece mais velha do que realmente é? Talvez…

Frances é uma personagem que provoca identificação na gente. Em várias cenas, me peguei dizendo pra mim mesma “cara, isso é muito algo que eu faria”, sabe? Os sofrimentos dela, por não conseguir se estabelecer em algum espaço onde possa se realizar, e até as mentirinhas para parecer que está tudo um sucesso, quem nunca? Ela é muito alguém que a gente pode encontrar em qualquer lugar – inclusive na gente mesma, e isso é massa.